Natal

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Posted by: | Posted on: dezembro 24, 2012

Celebração da Vigília do Natal do Senhor

25 de dezembro de 2012

“Hoje, nasceu para vós um Salvador”

Missa da Noite

Leituras: Isaías 9, 1-6; Salmo 96 (95), 1-2a.2b-3.11-12.13 (R/Lc 2,11); Carta de São Paulo a Tito 2, 11-14; Lucas 2, 1-14.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

É Natal! Celebramos, hoje, o “Mistério da Encarnação” de Jesus. “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Jesus veio morar entre nós, para tornar a humanidade mais humana, pois a Salvação é o modo divino de restaurar a humanidade que foi criada à imagem e semelhança de Deus. É na simplicidade contemplativa que se compreende a profundidade do Natal. A mística do Natal exige o silenciar para se ouvir a voz dos anjos que falam no silêncio de nossas noites: “não temais, porque eu vos anuncio uma grande notícia: hoje, nasceu para vós o Salvador” (Lc 2, 10-11).

1. Situando-nos

Natal, festa da luz, das confraternizações e troca de presentes. É festa que desce ao nosso coração e nos move em direção das mãos estendidas que aguardam solidariedade.

É a festa da encarnação do Verbo, Palavra eterna do Pai, que em seu ato solidário, assumiu nossa condição humana no seio de Maria pela ação do Espírito Santo. Ele mesmo, em pessoa, é o presente a nós doado de forma incondicional. Ele é a luz que brilha nas trevas, assim entendemos, porque Natal é festa da luz! Ele é a luz que vai fulgurar e nos guiar como o Círio fulgurou no coração e na noite pascal, anunciando o Ressuscitado!

Celebrando a festa do nascimento de Jesus (Mistério da Encarnação), celebramos a realização da promessa de Deus, conforme as Escrituras, de fazer a Aliança de paz com a humanidade e de inaugurar o seu reinado no mundo: “Hoje nasceu para nós um Salvador, que é o Cristo Senhor, na cidade de Davi” (Lc 2,11). ”Hoje” entoamos o anúncio dos anjos “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens de boa vontade”.

Vamos tornar célebre o nascimento de Jesus em nossas vidas, em nossas famílias, em nossa comunidade eclesial, com Maria e José, com o empenho de cultivarmos relações solidárias entre nós, com gestos concretos de solidariedade com os irmãos necessitados e a natureza inteira.

2. Recordando a Palavra

Lucas começa o texto de hoje situando o nascimento de Jesus, no tempo do Imperador César Augusto, José, descendente de Davi, subiu com Maria que estava grávida, de Nazaré a Belém, para o recenseamento. Jesus nasce em Belém, realizando plenamente a profecia messiânica de Miquéias 5, 1-4a.

Os pastores, representantes dos pobres e excluídos, recebem o anúncio da Boa Notícia: “Não tenhais medo! Hoje nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor” (2,10-11). O nascimento do Salvador, que é motivo de alegria para todo o povo, é narrado à luz do mistério pascal. O menino envolto em faixas e deitado na manjedoura já é anúncio de morte de Jesus, quando seu corpo será enfaixado e colocado no sepulcro (23,53).

Este menino, que nasce na extrema pobreza, “pois não havia lugar na hospedaria” é o Messias esperado, o Senhor manifestado na ressurreição, o autêntico Salvador da humanidade. O anúncio do anjo ressoa no céu e na terra: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na Terra” (2,14). O messias Salvador traz a verdadeira e duradoura paz que abrange todos os bens, em oposição ao poderoso César Augusto.

Rendem-se graças a Deus, pois ele manifestou sua bondade seu amor gratuito em Cristo. “A Palavra se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito” (Jo 1,14). Em Jesus Messias, Deus veio realizar plenamente esperança do povo, que andava nas trevas e nele viu uma grande luz. Sua vinda traz a salvação e a “vida em abundância” para todos.

O profeta Isaías, na primeira leitura, anuncia uma grande alegria “Nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. Ele se chama Conselheiro maravilhoso, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da Paz”. No século VIII a.C, o povo de Israel vivia oprimido, sobretudo, pelas ameaças dos assírios que já haviam deportado suas lideranças. O nascimento de um filho, provavelmente o de Acaz, herdeiro do trono, ilumina a esperança profética, o sonho de um novo rei para consolidar a justiça.

O “Príncipe da paz” vem para libertar do jugo opressor, da carga sobre os ombros, do chicote dos capatazes, dos que abusam do poder em benefício próprio. As armas da opressão e da guerra serão destruídas para sempre. Chega o tempo novo da paz e da felicidade para todos. Essa esperança messiânica de salvação se realiza de forma plena em Cristo, pois ele é a luz que brilha sobre todos os povos.

O Salmo 96 (95) é um hino que celebra a realeza do Senhor. O salmista louva a manifestação da salvação com um cântico novo. O Senhor revela sua presença de amor, estabelecendo a justiça e a fidelidade em todo o universo.

A segunda leitura, da carta a Tito, destaca o amor e a benevolência de Deus que “manifestou a graça da salvação a todos os seres humanos”, através de Cristo. Seu exemplo de humildade, pobreza e entrega por amor, nos ensina a viver de maneira virtuosa, com “equilíbrio, justiça e piedade”, enquanto aguardamos a manifestação plena de sua glória.

Jesus Cristo, nosso Salvador, revelou a presença do amor de Deus, através de sua encarnação e oferta total da vida pela redenção, a fim de preparar um povo que lhe pertença, cumprindo as promessas (Ex 19,5; Ez 37,23). Pelo batismo, participamos da morte e da ressurreição de Cristo e recebemos a graça que nos capacita a praticar o bem, a buscar os bens eternos.

3. Atualizando a Palavra

A chegada do Messias Salvador é a Boa Notícia, pois ele traz a vida em plenitude, a paz – “shalom” como a plenitude de bens para todos os povos. Sua manifestação na história humana, no seio de um povo sofrido e dominado, nos compromete a seguir seu projeto com fidelidade, cooperando na nova criação, sonhada por Deus. O anúncio aos pobres, tornando-se testemunhas, revela a gratuidade do seu amor.

Jesus é a luz que brilha no meio da escuridão, o Salvador que ilumina a vida dos pobres e discriminados pastores, atentos aos sinais de Deus. Ele é a Palavra do Pai que se faz carne no meio dos pequenos para ser o Emanuel, o Deus conosco. Em sua vida solidária revela-se o amor e a ternura de Deus, a graça da salvação oferecida a toda a humanidade. Seu exemplo nos impele a viver a solidariedade com os mais desamparados, a fim de que todos participem da alegria e da felicidade em Deus.

São Leão Magno, num de seus sermões, afirmava: “Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade. Ninguém está excluído da participação nesta felicidade. A causa da alegria é comum a todos, porque Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, veio libertar a todos. Quando chegou a plenitude dos tempos, fixada pelos insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do homem para reconciliá-lo com o seu Criador. Eis porque, no nascimento do Senhor, os anjos cantam jubilosos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14). Eles vêem a Jerusalém celeste ser formada por todas as nações do mundo. Diante dessa obra inexprimível do amor divino, como não devem alegrar-se os homens, em sua pequenez, quando os anjos, em sua grandeza, rejubilam? Amados filhos, demos graças a Deus ao, por seu Filho, no Espírito Santo” (Liturgia das Horas, vol, 1, PP. 362-363).

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

Vamos render graças ao Pai por ter realizado, em Cristo Jesus, a aliança definitiva conosco. Ele, Jesus, que nasce pobre entre pobres  em Belém, está entre nós com os sinais pobres e simples do pão que compartilhamos, dando graças ao Pai por tal Mistério.

Celebrando a Eucaristia, louvamos e bendizemos ao Pai pela encarnação de seu Filho em nossa história. Participando da ceia eucarística, comungando do único pão, sabendo que cresce em nós a misteriosa comunhão de vida com Deus, razão pela qual somos chamados de filhas e filhos de Deus.

Com Maria e os pastores, reconheçamos e adoremos nosso Senhor, porque “Hoje surgiu uma luz para o mundo o Senhor nasceu para nós. Ele será chamado Admirável, Deus, Príncipe da Paz, Pai do mundo novo, e o seu reino não terá fim” (antífona da comunhão).

A liturgia nos leva a cantar o “Hoje de Deus”, porque o que celebramos no Natal não é uma simples comemoração, nem um aniversario, mas um sacramento, ou uma atualização do fato salvífico do nascimento humano do Filho de Deus. Esse “Hoje” indica que nós louvamos o Pai, acima de tudo, pela doação incondicional de Jesus até o extremo, na morte de Cruz, pela ressurreição e o dom do Espírito Santo, plenitude do mistério Pascal.

Fazendo memória da Páscoa do Senhor, pela participação na Eucaristia, vivemos e anunciamos o sentido verdadeiro do Natal: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós!”

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

 

Posted by: | Posted on: dezembro 4, 2012

Anjos Natalinos – Meditações

Autor: Anselm Grun

No tempo do Natal os anjos desempenham um papel de grande importância. Nesta obra, Anselm Grün segue os vestígios dos anjos ao longo das narrativas do Novo Testamento, esclarecendo seu significado e os efeitos de sua ação. Nestes textos de meditação ele nos convida a receber a mensagem dos anjos de coração leve e desapegado.

Esse é um excelente livro para animar o espírito de natal em nossos corações e para presentear as pessoas queridas.

Posted by: | Posted on: dezembro 2, 2012

DECRETO DE NATAL – FREI BETTO

Para iniciarmos as reflexões deste tempo do Advento, em que nos preparamos para celebrar o Natal, colocamos aqui um texto do Frei Betto que foi publicado pelo CEBI.

 DECRETO DE NATAL

Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e, lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus.

Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais; renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis; e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas.

Fica decretado que, cartas de crianças, só as endereçadas ao Menino Jesus, como a do Lucas, que escreveu convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer, e todos nós vivermos para sempre; e, ao ver o presépio, prometeu enviar seu agasalho ao filho desnudo de Maria e José.

Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus.

Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.

Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão. Finita, a vida é um rio que sabe ter o mar como destino, mas jamais quantas curvas, cachoeiras e pedras haverá de encontrar em seu percurso.

Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.

Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seus custo convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve.

Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o “Pai Nosso” se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada.

Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços.

Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.

Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem-terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança.

Fonte: CEBI – http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=15&noticiaId=2650