Liturgia,

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Posted by: | Posted on: junho 5, 2013

O Senhor da vida

Imagem de JesusDeus, através dos profetas, dos apóstolos e de Jesus Cristo, liberta e salva as pessoas. Esta realidade perpassa pela Sagrada Escritura. Elias, em nome do Senhor, recupera a vida de um menino (I Rs 17, 22). Jesus ressuscita um jovem quando era levado para o sepultamento (Lc 7, 14). Paulo de Tarso se liberta de uma cultura do passado para uma nova ação missionária. E Jesus diz: “Todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais (Jo 11, 26).

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Posted by: | Posted on: maio 29, 2013

SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO

30 de maio de 2013

“O banquete da vida”

corpus_cristiLeituras: Genesis 14, 18-20;

Salmo 109 (110), 1.2.3.4. (R/4bc);

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 11 23-26;

Lucas 9, 11b-17.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

Na 5ª Feira Santa, iniciando o Tríduo Pascal, celebramos a instituição da Eucaristia. A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, celebrada na Quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade, durante o Tempo Comum, é como um eco dessa celebração do Tríduo Pascal. Ajuda-nos a fazer da Eucaristia o memorial da Morte e Ressurreição de Jesus: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória (SC 47).

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Posted by: | Posted on: maio 24, 2013

Celebração da SANTÍSSIMA TRINDADE

26 de maio de 2013

Santíssima Trindade“Deus nos comunica sua própria intimidade”

Leituras: Provérbios 8, 22-31; Salmo 8, 4-5.6-7.8-9 (R/2a); Carta de São Paulo aos Romanos 5, 1-5; João 16, 12-15.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

Animador: Hoje é a festa da Santíssima Trindade. Fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Pelo batismo começamos a participar da vida da Santíssima Trindade. Na prática é grande o seu mistério, por isso viemos aqui para contemplar este grande mistério de fé.

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Posted by: | Posted on: maio 14, 2013

Missão continuada

Na história da humanidade encontramos duas situações extremamente opostas, mas ricas em significado dentro do contexto do cristianismo. De um lado, a Torre de Babel (Gn 11, 4), mostrando as consequências negativas para uma sociedade desorganizada. De outro, Pentecostes, lido como vinda do Espírito, capaz de convergir os atos da sociedade para a unidade.

Pentecostes marca o nascimento da Igreja, com a missão de construir a paz. É uma prática que só terá frutos quando os diferentes forem capazes de dialogar e de agregar dons, ministérios e serviços, formando um só corpo com objetivos comuns. Nessa trajetória podemos sentir que Cristo continua sua ação salvadora.

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Posted by: | Posted on: outubro 19, 2012

Celebração do 29º Domingo do Tempo Comum – Ano B

21 DE OUTUBRO DE 2012

“Entre vós não deve ser assim”

Leituras: Isaías 53, 2a.3a.10-11; Salmo 32 (33); Hebreus 4, 14-16; Marcos 10, 35-45.

COR LITÚRGICA: Verde

Ser discípulo de Jesus é diferente da lógica deste mundo e do poder político, que só pensam em si mesmos não nos outros. Ser discípulo de Cristo é colocar-se a serviço dos outros, principalmente dos mais necessitados. É pelo serviço em favor da vida que o cristão realiza fielmente a vontade do Senhor. Lembramos também o “Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária”. Como cristãos, somos chamados a uma ação missionária no estilo de Jesus, anunciando o Evangelho como servos, numa atitude de despojamento e simplicidade e dando testemunho da nova maneira de viver que combina com o projeto do Reino.

1. Situando-nos brevemente

Estamos no penúltimo domingo de outubro, Dia Mundial das Missões, da Obra Pontifica da Infância Missionária, quando fazemos a coleta para as missões. É importante relembrar a participação e o compromisso missionário de todos os membros da Igreja. “Na Igreja de Cristo, todo batizado é missionário”. Em conformidade com o lema Aparecida, todo discípulos é necessariamente missionário: “discípulos missionários em Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida”.

Vamos nos aproximando do DNJ (Dia Nacional da Juventude), uma oportunidade para refletir sobre o envolvimento com a JMJ 2013 (Jornada Mundial da Juventude), no Rio de Janeiro, e com seus preparativos, através das pré-jornadas, sob encargo de cada Diocese.

Na Liturgia deste 29º domingo, vemos novamente um anúncio da Paixão e celebramos o verdadeiro significado do poder e do reinado de Cristo, que se traduz em serviço. Jesus inverte a lógica humana e explicita a lógica de Deus, pela qual os últimos são os primeiros; os que se elevam são humilhados; quem se humilha é exaltado; os que querem ser grandes devem se tornar servidores de todos.

2. Recordando a Palavra

A primeira leitura nos apresenta uma parte do texto sobre o Servo de Javé. O texto completo, talvez explicitasse melhor a dimensão de seu exemplo de serviço. Contrasta a concepção de êxito humano com aquilo que Deus considera como êxito: por meio do sofrimento e por assumir a culpa dos homens (cf. v.11), “cumprirá a vontade do Senhor” (v.10).

Este é o Servo de Javé, aquele que “ofereceu sua vida em expiação” e que “fará justos inúmeros homens” (cf. vv.10 e 11); que não apresenta beleza, nem poder, nem triunfo, mas ao contrário, aos olhos do mundo é desprezado e motivo de vergonha (cf. texto completo dos versículos 2 e 3). Portanto, a primeira leitura nos apresenta dois elementos: primeiro, o exemplo o servo que agrada a Deus e, segundo, o contraste existente entre esse modelo e a ideia humana de eleição.

O Salmo responsorial retrata a graça de Deus que nos vem como dom, por meio da confiança: “sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!” (v.22). Eis o êxito do Servo de Javé, isto é, sobre ele veio o favor de Deus, cumpriu-se com êxito a vontade do Senhor, pois, em meio ao sofrimento, confiou em Javé até as últimas conseqüências, oferecendo sua própria vida.

A mesma temática de fundo está contida na segunda leitura, apresentando Jesus como aquele que “foi provado em tudo como nós” (v.15) e que é, portanto, próximo dos seres humanos e não distante ou cheio de poder. Em confirmação disso, temos o texto de Filipenses 4, a “kenosis”, ou seja, o despojamento, ou a proximidade de Deus para com os homens, assumindo nossa condição humana.

De fato, o trono de Deus não é o trono de opressão ou de majestade avarenta, mas é trono de graça, do qual todos os que se aproximam com confiança recebem a misericórdia e o auxílio, no momento oportuno.

No evangelho, Marcos narra (na versão mais longa) o episódio ocorrido na subida para Jerusalém, após o terceiro anúncio da Paixão de Jesus (Mc 10, 32-34). Deveríamos esperar dos discípulos uma atitude de preocupação ou mesmo uma tentativa de impedir Jesus de ir em direção à sua morte. Ao contrário, porém, eles revelam total incompreensão das palavras de Jesus e uma busca humana de poder e destaque.

Os discípulos ainda pensavam o Messias como um libertador, com um reinado que lhes soava como um governo político. O próprio pedido dos dois irmãos possui caráter de exigência: “queremos que faças por nós o que vamos pedir” (v. 35), o que parece revelar certa soberba da parte de ambos, ao se considerarem dignos de tal posto diante dos outros discípulos.

O cálice e o batismo se referem à sorte ou ao futuro de Jesus, que é de sofrimento e morte. Tiago e João, no entanto, não pensam nisso e entendem seu cálice como cálice de vitoria e de realeza e se declaram dispostos a dele beber.

Finalmente, Jesus se dirige taxativamente a todos os discípulos: “entre vós, não deve ser assim” (v. 43), não deve haver tirania, nem opressão, nem uso do poder para esmagar os outros. Jesus inverte a lógica do poder humano, e o desloca para o serviço e a humildade: “quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos” (v.44).

3. Atualizando a Palavra

A Palavra deste domingo questiona a lógica humana do poder e reprova, tenazmente, toda forma de soberba, opressão ou carreirismo discriminatório. Prova as instâncias que exercem poder sobre o significado de sua existência: existem para o serviço a ser prestado ou para si mesmas?

Para o cristão, ser grande significa colocar-se a serviço; trabalhar em prol dos outros. A autoridade provém da humildade.

Diante de toda concepção mundana de poder, a Liturgia nos propõe pelo menos duas dimensões do exemplo de Jesus. A primeira: a do Servo de Javé, que carregar a culpa de outros para torná-los justos. Isso reporta ao evangelho, quando Jesus afirma que o “Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate para muitos“ (cf. v.45). A segunda: o que motiva a atitude desse servo. Ela aparece na segunda leitura, na qual Cristo é o sumo sacerdote que se compadece das fraquezas dos seres humanos e se permite ser um de nós, provado como nós.

Não são, portanto, o poder e o destaque que tornam alguém grande aos olhos de Deus, mas o quanto cada um é capaz de compadecer-se do outro e colocar-se a serviço dele.

4. Ligando a Palavra com a Ação Eucarística

Toda a celebração deste domingo está envolta pelo tema do serviço e da entrega ao outro. A exemplo de Jesus Cristo, somos vocacionados a servir, como reza a oração inicial: “dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor, e vos servir de todo o coração”.

As leituras também remetem à maior obra de serviço realizada por Jesus: sua oblação ao Pai, no altar da cruz, que se faz presente na Eucaristia, sob as espécies do pão e do vinho oferecidos. Reza a oração sobre as oferendas: “dai-nos, ó Deus, usar os vossos dons servindo-vos com liberdade, para que, purificados pela vossa graça, sejamos renovados pelos mistérios que celebramos em vossa honra”.

De fato, os dons de Deus nos foram concedidos não para nosso egoísmo ou vaidade, mas para o serviço. O gesto de servir com liberdade concede a verdadeira felicidade, pois, na doação de si, o ser humano encontra a realização.

Igualmente, a oração depois da comunhão nos educa a respeito de nossa relação com o poder e os bens temporais: diferentemente da lógica do mundo do ter mais, para poder mais, para gozar mais, ela nos ensina que os bens terrenos devem ser auxílio para conhecermos os valores eternos.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: setembro 25, 2012

Os dons de Deus

Dia 30 de setembro fazemos memória do patrono da bíblia, São Jerônimo, um dos tradutores dos textos bíblicos, do original para o latim, formando a bíblia chamada de “Vulgata”. É a Palavra de Deus como sendo o grande dom, um caminho revelador da identidade de Deus, em Jesus Cristo. Aí encontramos a indicação dos dons divinos concedidos à pessoa humana.

Toda pessoa, além do dom da vida, é marcada pela presença da bondade de Deus, com habilidades para o bem de todos. Dons que não podem ser privatizados por práticas egoístas. Os bens materiais são dons de Deus e devem ser administrados de forma a propiciar vida digna para todas as pessoas. Deus pedirá conta de quem administra com injustiça.

Na administração dos dons, a prática deve ser de liberdade, evitando um poder centralizado, sem organização e função social e sem a participação da comunidade. Muitos administradores temem ser diminuídos em sua autoridade e, às vezes, são envolvidos por ciúmes, prejudicando o destino dos bens por causa de atos infantis.

A administração dos bens públicos pode revelar um alto grau de imaturidade e despreparo dos seus administradores. E eles são escolhidos através do nosso voto no dia das eleições. Mas não seria o nosso voto um ato de imaturidade, porque não escolhemos quem tem mais condição, preparo e dignidade para o cargo? Ainda é tampo para refletir sobre isto.

O poder do administrador não pode ser apenas para sua projeção social. Não devemos concordar com o “mau agir”, com a conduta errada, a cobiça, a inveja e a ambição. É necessário extirpar todo tipo de administração que vai contra os princípios do Evangelho, porque as consequências são desastrosas para o povo.

Os dons de Deus não podem ser acumulados em poucas mãos. A injustiça social é uma grande ofensa ao Criador. A riqueza centralizada provoca insensibilidade e exploração das pessoas. Onde domina a injustiça e a desonestidade, temos como fruto a violência e a morte. É um desvio de destino dos bens de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

Posted by: | Posted on: setembro 22, 2012

25º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

23 DE SETEMBRO DE 2012

“Quem é o maior?”

Leituras: Sabedoria 2, 12.17-20; Salmo 53 (54); Tiago 3, 16-4,3; Marcos 9, 30-37.

COR LITÚRGICA: Verde

Nesta Eucaristia Jesus nos mostra que a grandeza da sociedade não está na riqueza e nem no poder, mas no serviço sem pretensão e interesse. Este serviço faz com que cada um de nós nos tornemos servos uns dos outros, pois para Deus não somos maiores ou menores, somos todos iguais.

1. Situando-nos brevemente

Animados pela celebração do mês da Bíblia, na qual encontramos a palavra por excelência, que se diferencia das que normalmente ouvimos, queremos orientar nosso agir tentando entender, a cada domingo, o que Deus nos fala. À medida que nos aproximamos do Tempo Comum o anúncio da Paixão é uma realidade muito próxima.

A liturgia deste domingo apresenta a palavra como luz para nossa vida e nos coloca diante de duas realidades que, continuamente, nos interpelam e exigem nossa opção: a “palavra do mundo” e a “palavra de Deus”. Convida-nos a pensar no modo como nos situamos na comunidade cristã e na sociedade e até que ponto esta palavra é capaz de orientar nosso agir.

Jesus denuncia e pede que tenhamos cuidado com o poder com as tentativas de domínio sobre os outros, com os sonhos de grandeza, com as manobras para conquistar honras, lucros e privilégios, com a busca desenfreada por títulos e posições de prestígio, pois são atitudes que revelam uma vida segundo a “palavra do mundo”.

Jesus nos convida a uma opção de vida que manifeste o que ele mesmo é, tendo nos deixado como testamento: um coração simples e humilde, capaz de amar e acolher a todos em especial os excluídos, sem necessidade de retribuição e reconhecimento público.

Não há meio termo, Jesus é claro e exigente: quem quiser segui-lo deve acolher sua proposta e, consequentemente, seus desafios. Como Igreja devemos estar dispostos a testemunhar nossa fé por meio de atitudes que manifestem a verdadeira palavra que é Caminho, Verdade e Vida.

2. Recordando a Palavra

O texto do livro da Sabedoria que nos é proposto, na 1ª Leitura deste domingo, reflete o destino dos justos e o dos ímpios. O autor apresenta os raciocínios dos que se identificam com a lógica incoerente dos ímpios, destacando principalmente suas manifestações de desprezo para com os justos.

Pode-se perfeitamente ver uma crítica às atitudes incoerentes dos ímpios, mostrando que suas condutas corruptas e imorais manifestam uma vida fundamentada na autossuficiência, no egoísmo, em valores que privilegiam o ter, colocando em primeiro lugar a ambição e o poder, prescindindo da presença de Deus.

Mostra que não há sentido na conduta dos ímpios, pois suas atitudes geram violência, divisão, conflito, infelicidade, escravidão e morte. Assim, o autor convoca a uma vida fundada na justiça e a firma valer a penas ser justo e manter-se fiel aos valores da fé até o fim.

Na segunda leitura, Tiago, depois de convidar os cristãos à autenticidade e à coerência da fé, enumera alguns aspectos que precisam de atenção por parte dos que crêem. Estes aspectos dizem respeito aos dois tipos de palavras já mencionados.

O cristão, pelo Batismo, faz sua opção de seguir Jesus Cristo. Assume uma postura de vida fundamentada em valores que são próprios da palavra de Deus, em contradição aos diferentes valores chamados “do mundo”: “inveja, rivalidade, desordem, guerra e toda a espécie de más ações” (Tg 3,16).

A pessoa, assumindo valores que não são de Deus, fica dividida e, automaticamente, divide a comunidade, levando-a para a destruição. São Tiago convoca a um sério exame de consciência, propondo uma mudança na maneira de pensar a própria vida.

O evangelho segue a mesma lógica. Neste sentido é interessante unir a primeira parte do evangelho com a primeira leitura e a segunda parte com a segunda leitura, ou seja, para o “mundo”, ser o primeiro, o maior, significa ser o mais importante, aquele que, frente aos demais, procura uma posição de destaque. Para “Deus”, nas palavras de Jesus, maior é aquele que se coloca a serviço: “Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos”.

Mesmo diante de uma possível morte, as palavras de Deus deixam transparecer a tranquilidade própria de quem sabe aonde vai, da missão que recebeu e a serena aceitação destes fatos que irão se concretizar num futuro muito próximo.

Jesus tem consciência da missão que recebeu do Pai e está disposto a levá-la até o fim, mesmo se isto significa uma morte humilhante na cruz. Ensinamento fundamental para os que querem seguir a Cristo e participar na construção de um mundo novo. Desanimar, parar, não ser fiel ao proposto e assumido não constrói nada.

Diante do anúncio da Paixão, o silêncio toma conta dos discípulos que não entendem e tem medo de perguntar. Não entendem que o caminho da vida passará necessariamente pela morte. Como entender que o aparente fracasso possa ser sinal de vitória e a morte marco de uma nova vida?

Mas o ensinamento central de Jesus parte da pergunta aos discípulos: “que discutíeis pelo caminho?” Ele sabe do que se trata, mas quer ouvir deles, de suas próprias bocas, qual era o verdadeiro interesse de seus corações, o objetivo principal do seguimento. A cena mostra que é na intimidade com ele que vamos aprendendo certas coisas com relação à palavra. Não serão chavões, manchetes, slogans sobre Jesus que nos farão entender o que Deus quer de nós.

3. Atualizando a Palavra

Os “ímpios” descritos pelo autor da 1ª leitura são os que, além de não aderirem aos valores de Deus, ainda zombam dos costumes e dos valores religiosos, por considerarem essas práticas religiosas inadequadas para os dias de hoje, ou seja, não compatíveis com a modernidade.

Os justos, com sua prática de vida, acabam por ser uma espécie de empecilhos aos ímpios que se sentem continuamente questionados. Estes reagem, atacando os justos e colocam Deus a prova para ver até onde ele permite o sofrimento dos que o temem.

O Livro da Sabedoria nos oferece uma palavra de ânimo, muito oportuna para nossos dias, pois todo justo será recompensado e sua vida experimentará a plena e definitiva vida que Deus reserva para aqueles que escutam suas palavras, aceitam seus desafios, trilham seus caminhos e se comprometem com a construção de um mundo mais fraterno, lutando pela justiça e pela paz.

Quem optar viver segundo a “palavra de Deus” não terá facilidades, nem viverá em um romantismo mágico pelo qual tudo acabará em alegrias e grandes realizações. Estará, porém, sujeito a críticas, a perseguições, a incompreensões e até ao próprio fracasso. Entretanto não serão as situações contrárias que farão com que desanimemos na prática da justiça.

O texto que nos é proposto na carta a São Tiago leva o cristão a fazer uma sincera análise sobre as origens das discórdias que destroem a verdadeira vida das comunidades cristãs. O autor exorta a comunidade para que não perca os valores cristãos autênticos e coloque em prática a palavra de Deus, que se encontra, de maneira privilegiada, em Jesus Cristo, fazendo de suas vidas um dom de amor aos irmãos, traduzido em gestos concretos de partilha, serviço, solidariedade e fraternidade.

Vigiemos para que nosso coração não esteja ocupado por ambições, invejas, orgulhosos, competição, egoísmo, que nada mais criam que divisões e nos impedem de entrar na vida plena.

Jesus teve dificuldade de fazer com que entendessem. Ainda hoje podemos ter essa mesma dificuldade. Não temos tempo para saborear e entender a palavra de Deus, pois nossas preocupações podem estar sobre outras realidades.

Será que não ficamos falando tantas coisas que não são tão importantes ou fundamentais? Por isso, a dinâmica de Jesus é muito importante: sentou-se, chamou mais perto, tomou a criança como exemplo… Sempre vai educando os discípulos sobre que tipo de messias é e como quer que sejam os que se dispõem a segui-lo. O evangelho é um contínuo ensinamento, mas a cegueira dos discípulos persiste. Quem quiser segui-lo deve dispor-se a servir.

Assim como no tempo de Jesus, o interesse de saber quem é o maior toma conta de muitas rodas de conversar e orientam as ações de muitas pessoas hoje, determinando as prioridades e os investimentos.

Neste dia, cabe uma pergunta: em que estamos investindo nosso tempo, nossas energias, nosso dinheiro, enfim, nossa própria vida? Em realidades passageiras que, aparentemente, podem ser importantes, pois vivemos em uma sociedade capitalista e imediatista, ou em ações que conscientemente constroem pessoas, famílias e um mundo que proporcione o prazer de uma vida integral?

Jesus nos convida a abandonarmos nossos sonhos egoístas e orientarmos nosso agir para a essência de sua proposta.

No Reino de Deus não há uma escala hierarquizada de pessoas que possam ser umas mais importantes que as outras, mas há uma proposta de amor que se realiza no próximo. Algo difícil para nossos dias. O próximo, neste caso, está simbolizado pela criança que é sinal dos que são os últimos.

Assim, a proposta de Cristo deve começar pelos que são últimos: os sem direitos, os fracos, os pobres, os indefesos, os facilmente manipulados, tal como eram as crianças em seu tempo. O maior é aquele que ama e serve.

4. Ligando a Palavra com a Ação Eucarística

A Eucaristia celebrada nos leva a atualizar, em nossa vida, os mesmos ensinamentos deixados por Jesus aos discípulos na “caminhada para Jerusalém”. Ensina que os valores do Reino são os gestos concretos e que o projeto do Pai não passa por esquemas de poder e de domínio.

A ação litúrgica é múnus, serviço de Jesus Cristo para glorificação do Pai e salvação da humanidade. Em cada celebração eucarística, ele se faz Servo e se doa inteiramente para que “nos tornemos um só corpo e um só espírito”, “um só povo em seu amor”.

Com Cristo, o ministro, em nome da assembléia agradece ao Pai: “E vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir”; serviço de louvor agradável a Deus, que se expressa no empenho leal no serviço aos irmãos desanimados e oprimidos.

Na celebração eucarística, cada dia Jesus levanta-se da mesa, cinge a cintura com uma toalha, lava os pés de seus discípulos (cf. Jo 13, 1-5) e nos transforma em testemunhas da esperança e fonte de unidade e de salvação para muitos.

O interesse autêntico e sincero pelos problemas da sociedade, que nasce da solidariedade para com as pessoas, é sinal privilegiado do seguimento daquele que veio para servir e não para ser servido. Uma comunidade insensível às necessidades dos irmãos e à luta para vencer a injustiça é um contratestemunho, e celebra indignamente a própria liturgia.

Na Eucaristia, Deus manifesta a forma extrema do amor, que derruba todos os critérios de domínio que regem as relações humanas e afirma de modo radical o critério do serviço: ”Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos!” (Mc 9,35).

Neste 25º Domingo, em que relembramos a discussão dos discípulos sobre qual deles era o maior, e fazemos memória da entrega total de Jesus ao Pai, que veio para servir, fazendo-se menor entre os pequenos, o Espírito Santo renova em nós a certeza de que não seremos confundidos em nossa esperança.

Ele faz passar de uma mentalidade triunfalista e prepotente para a busca do verdadeiro poder que vem de Deus e que nos leva a viver a alegria do serviço gratuito aos pobres.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: setembro 15, 2012

Celebração do 24º Domingo do Tempo Comum – Ano B

16 DE SETEMBRO DE 2012

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mc 8,34)

Leituras: Isaías 50, 5-9a; Salmo 114 (115); Tiago 2, 14-18; Marcos 8, 27-35.

COR LITÚRGICA: Verde

Jesus é um messias diferente, pois anuncia a sua Paixão. Confia totalmente no seu Pai, por isso enfrenta todos os desafios de sua missão: incompreensão, perseguição, solidão e morte. Assim quem se comprometer com Jesus entra no caminho da vida no qual está presente a morte e a ressurreição.

1. Situando-nos brevemente

O mês da Bíblia que estamos trilhando, instituído em 1971, tem como meta instruirmos fiéis sobre a Palavra de Deus e difundir o conhecimento das Sagradas Escrituras. Já dizia São Jerônimo que ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo.

A implantação desse mês temático colaborou na aproximação do Povo de Deus com a Bíblia. Cresce a consciência e o esforço para a necessária animação bíblica de toda a pastoral. Propondo o estudo e a reflexão do Evangelho de Marcos para este mês, a Igreja deseja reforçar a formação e a espiritualidade de seus agentes e fiéis, no seguimento de Jesus Cristo.

Na caminhada litúrgica que fazemos, nos reunimos para celebrar a Eucaristia no 24º domingo do Tempo Comum, em que os discípulos de Jesus são interrogados pelo Mestre sobre quem dizem que ele é. Pedro responde categoricamente: “Tu és o Messias!” A partir do contato que estamos tendo com o Evangelho de Marcos, o que podemos afirmar da identidade de Jesus? Certamente já temos respostas muito oportunas.

2. Recordando a Palavra

No evangelho de hoje, Jesus, saindo para além das fronteiras da Galileia, ao norte, realiza com os discípulos um levantamento de como está a compreensão das pessoas e dos discípulos a respeito dele mesmo. Ouve as respostas, mas proíbe-lhes severamente de falarem a alguém a seu respeito. Eis um episódio no mínino curioso. Depois fala abertamente a respeito de sua paixão, morte e ressurreição.

Pedro reage tomando Jesus à parte para repreendê-lo. Jesus, voltando-se, olha para os discípulos e repreende Pedro: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.  Em seguida, reúne a multidão juntamente com os discípulos e lhes diz: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. A renúncia de si mesmo, a cruz e o seguimento integram a vida e a missão dos discípulos missionários de Jesus Cristo.

Como Jesus pôs em prática sua missão? Assumiu-a com confiança no Pai. Assim como o “servo de Javé”, assumiu-a com docilidade e obediência. Confiante em seu Auxiliador, o “servo de Javé”, resiste, não desanima, porque ao seu lado está o Senhor Deus, Aquele que o justifica.

A fé, nos lembra São Tiago, se não se traduz em obras, por si só está morta. O que cremos, celebramos e rezamos precisa ser comprovado na prática. Nossas atitudes, nossos gestos e realizações expressam a maturidade de nossa fé.

3. Atualizando a Palavra

Na semana que passou, celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz e a Festa de Nossa Senhora das Dores. O sofrimento é uma coisa que os homens e mulheres de nosso tempo procuram, de muitos modos, diminuir, abreviar e até eliminar. O que dizer então do luto? Abreviam-se, em geral, cada mais o tempo dos velórios, misturam-se elementos diversos para tornar esses momentos o menos traumático possível.

O salmo 114 (115) expressa a confiança em Deus que é amor-compaixão. O senhor liberta a vida da morte, enxuga dos olhos o pranto e os pés do tropeço. Qual o limite de nossa confiança em Deus? Além das palavras do salmista, a liturgia deste domingo nos apresenta as palavras do “servo de Javé” e o primeiro anúncio da Paixão feito por Jesus.

O Evangelho que hoje ouvimos constitui a parte central do Evangelho de Marcos. Jesus, no caminho, interroga os discípulos para saber o que o povo e eles mesmos conseguiram entender a seu respeito. Depois de ouvir aquilo que é opinião do povo, dirige-se diretamente a eles. Pouco antes, Jesus os repreendera porque estavam como que cegos, que “tem olhos, mas não vêem” (8,18), e seus corações endurecidos não lhes permitem entender sua verdadeira identidade.

Pedro é muito exato em sua resposta: “Tu és o Messias”. A imposição do silêncio por parte de Jesus se deve, certamente, à idéia distorcida que Pedro e os demais discípulos têm a seu respeito, o que se comprova mais adiante na outra reação de Pedro.

Jesus, anunciando sua Paixão, o modo como o Pai realizará N’Ele sua obra salvífica, deseja eliminar todo mal-entendido. Vejamos se também nós, ao basearmos o crescimento do Reino de Deus em fama, triunfo, aplausos alcançados, templos cheios, não estamos seguindo os critérios dos homens.

Quais seriam as palavras de Jesus para nós, seus discípulos hoje?

4. Ligando a Palavra com a Ação Eucarística

Sob o olhar misericordioso de Deus, criador de todas as coisas, experimentamos constantemente em nós a sua proteção. A ação de seu amor é mais profundamente sentida, quando o servimos de todo o coração em nossos irmãos e irmãs.

Nossa fé, como a dos discípulos, é fraca, mas Jesus não desiste. A cada domingo, ele nos reúne junto dele, comunica-nos sua Palavra e nos torna, como seus seguidores, companheiros de caminhada em direção à cidade de Jerusalém, onde o mistério da cruz será revelado em todo o esplendor, de tal forma que podemos cantar: “Caminhamos na estrada de Jesus”!

Celebrando a memória de seu sofrimento, morte e ressurreição, Jesus nos associa à sua cruz redentora, apesar de nossas cegueiras e fragilidades na prática das obras da fé. Hoje, torna-se cada vez mais pesada a cruz do testemunho autêntico de fé e do seguimento.

Em muitos ambientes sociais, é pesada a cruz do testemunho autêntico de fé e de seguimento. Em muitos ambientes sociais, é pesada a cruz da identidade da fé católica; a cruz dos conflitos familiares; a cruz das intrigas entre lideranças; cruz da incerteza e da carência de dignas condições de vida; a cruz da fome, do desemprego, da falta de saúde, da exclusão.

Na ceia eucarística, tomamos parte na ceia do Cordeiro que, morrendo, destruiu a morte e, ressurgindo , deu vida nova a todos. Jesus, conduzido ao matadouro, é o Messias não violento. A assembléia que se reúne para celebrar a Eucaristia é, ela mesma, a reunião do povo que, por força da fé, se empenha nas causas da não violência e da concórdia entre as pessoas. É o povo que o Cristo resgatou quando, por sua morte, destruiu o muro que separava o povo pagão e o povo judeu e assim estabeleceu a concórdia (cf. Ef 2,14-18).

Participar da mesa, comer do pão e beber do cálice, Corpo e sangue do Senhor, entregue por nós, é participar de seu destino: do sofrimento, da morte na cruz e da glória da ressurreição. “O cálice da benção pelo qual damos graças é a comunhão no Sangue de Cristo; e o pão que partimos é a comunhão no Corpo do Senhor” (Antífona da comunhão).

 Enviado por D. Vilson Dias de Almeida, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: setembro 1, 2012

Celebração do 22º Domingo Tempo Comum – ano B

02 de setembro de 2012

“Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada” (Tg 1,21b)

Leituras: Deuteronômio 4, 1-2.6-8; Salmo 14 (15); Tiago 1, 17-18.21b-22.27; Marcos 7, 1-8.14-15.21-23.

COR LITÚRGICA: Verde

Que a celebração de hoje não seja apenas um conjunto de gestos e palavras que fazemos e dizemos com os lábios, mas o louvor que brota de nossos corações agradecidos pela misericórdia de Deus em nosso favor, apesar de nossas infidelidades. Peçamos de um modo especial ao Pai pela nossa Pátria, para que a “independência” possa ser uma realidade em nosso país.

1. Situando-nos brevemente

Nesse primeiro domingo no mês de setembro, com toda a Igreja no Brasil, queremos destacar e valorizar ainda mais a Bíblia, o livro da Palavra de Deus. Para este mês temático, a Igreja no Brasil propõe o aprofundamento do Evangelho de Marcos. Que seja um mês de muito proveito para todos!

Em cada Celebração Eucarística, o Senhor nos convida para participarmos das mesas da Palavra e da Eucaristia, estreitando assim os laços que nos unem a Ele e aos irmãos e irmãs. Nossa semana é marcada pelo encontro com Deus e com os irmãos, no Dia do Senhor.

“O Domingo é o dia em que a família de Deus se reúne para escutar a Palavra e repartir o Pão consagrado, recordar a ressurreição do Senhor na esperança de ver o dia sem ocaso, quando a humanidade inteira repousar diante do Pai” (CNBB, Guia Litúrgico-Pastoral. 2ª Ed. Brasília: Edições CNBB, 2007, p.9).

Ainda no decorrer dessa semana, celebraremos o dia de nossa Pátria. São inúmeras as situações que nos desafiam na construção de uma pátria verdadeiramente livre e para todos.

2. Recordando a Palavra

Após o discurso do Pão da Vida (João 6), retornamos ao Evangelho de Marcos. Domingo passado, os discípulos, que escutavam Jesus, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” Diante dos ‘murmúrios’ dos discípulos e do fato de muitos deles terem voltado atrás e não andarem mais com ele, Jesus disse aos doze: “Vós também quereis ir embora?“ Simão Pedro, em nome do grupo, respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavra de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

Hoje, Jesus se encontra diante de fariseus e mestres da Lei, enviados de Jerusalém à Galileia para observá-lo, juntamente com seus discípulos. Jesus é questionado pelo fato de alguns de seus discípulos comerem o pão com as mãos impuras, descumprindo assim a tradição dos antigos.

A resposta de Jesus, citando o profeta Isaías, se dá num tom acusatório: “Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. Dirigindo-se à multidão, Jesus chama a atenção de que o torna o homem impuro não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai de seu interior. “De dentro do coração humano” é que saem todas as coisas que tornam o homem impuro.

A primeira leitura é de uma parte do livro do Deuteronômio, escrita na Babilônia, durante o exílio de Israel. Israel perdera a liberdade, a honra, a terra de seus pais, o templo onde prestava culto a seu Deus e recorda saudoso o tempo do reinado de David e de Salomão, quando era uma grande nação. Mas nem tudo estava perdido. Restava-lhe um precioso dom de Deus: a Lei.

Moisés falou ao povo, dizendo: “Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir, para que, o fazendo, vivais e entreis na terra prometida pelo Senhor Deus de vossos pais. Nada acrescenteis, nada tireis, à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus que vos prescrevo. (…) neles está a vossa sabedoria e inteligência perante os povos” (Dt 4, 1-2.6).

A proximidade de Deus e a justiça de suas leis e decretos tornam Israel conhecido e admirado perante os outros povos.

Como assembleia reunida em nome do Senhor, cantamos com o salmista: Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo, habitará? O próprio salmo nos aponta uma resposta: É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu intimo e não solta em calúnias sua língua.

Durante cinco domingos, na 2ª Leitura, acompanharemos textos da carta de São Tiago. Trata-se de uma obra muito rica em conselhos práticos. O tema de hoje refere-se à Palavra de Deus. Tiago convoca sua comunidade e todos nós com estas palavras: Recebei com humildade a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar as vossas almas. Todavia, sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.

Aponta para a necessária docilidade à Palavra. Não é suficiente, contudo, a escuta atenta. Faz-se necessário “praticar a Palavra”. A religião pura e sem mancha diante de Deus Pai, nos diz ainda, consiste em assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo. A escuta da Palavra de Deus, portanto, deve despertar o comprometimento com as pessoas mais necessitadas.

3. Atualizando a Palavra

A palavra que ouvimos na celebração de hoje é uma palavra que liberta e que comunica vida. A escuta e o cumprimento da lei de Deus são apresentados como um caminho de vida e libertação. Jesus corrobora isso, ensinando que é o esquecimento do mandamento de Deus e o apego às tradições dos homens o que perverte o coração humano.

Os fariseus e alguns mestres da lei se aproximaram e se reuniram em torno de Jesus, observando-o. Também nós, tantas vezes por tantos motivos, nos reunimos em torno de Jesus. De que modo observamos a prática de nossos semelhantes, discípulos de Jesus Cristo? Acaso nos consideramos fieis cumpridores de sua palavra? Que direito isso nos dá de julgarmos as atitudes de nossos semelhantes?

Longe dos seguidores e seguidoras de Jesus deve estar todo tipo de culto exterior e vazio! Ouvir e praticar são o refrão que se repete, constantemente, na liturgia de hoje.

Israel era um povo admirado pelas demais nações por ter um Deus tão próximo e uma lei tão justa. E nossas comunidades cristãs, porque motivos são admiradas e respeitadas? Realizamos, através das comunidades e de outras organizações, coisas importantes para os indivíduos e para a sociedade, em diversos campos como os da educação, da saúde e da assistência social? As atividades subsidiárias um dia podem não serem mais necessárias. Então, o que sobrará para essas organizações? Restará sempre o tesouro mais valioso que é a Palavra de Deus, o Evangelho.

4. Ligando a Palavra e a Eucaristia

A Palavra ouvida se faz presença na ação eucarística! Aquele que é anunciado, proclamado na Palavra, se torna presença na Eucaristia.

“Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm do alto; descem do Pai das luzes”, nos diz São Tiago. Ao celebrarmos a Eucaristia, reconhecemos que tudo o que é bom provém de Deus. Manifestamos o nosso desejo de que ele mesmo alimente, em nós, o que é bom, para assim guardamos aquilo que dele recebemos.

Com nossos corações inundados pelo amor de nosso bom Deus e de laços estreitados com ele, pela escuta atenta de sua Palavra, nos unimos ainda mais ao participarmos da mesa do Corpo e do Sangue do Senhor. Mergulhamos mais perfeitamente nessa comunhão, quando a Eucaristia alimento da caridade, nos faz reconhecê-lo e servi-lo em nossos irmãos e irmãs.

“De fato, o cristão não só celebra a Eucaristia, mas também deve ter uma vida eucarística, prolongando seu mistério e seu dinamismo, ou convertendo em obras de caridade e de justiça o que celebrou no sacramento, anunciando e testemunhando no mundo e na sociedade aquele amor de entrega, aquela solidariedade e novidade que experimenta na reunião eucarística” (Texto do Congresso Eucarístico de Sevilha, n.32).

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: agosto 24, 2012

CELEBRAÇÃO DO 21º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

26 DE AGOSTO DE 2012

“O Senhor pousa seus olhos sobre os justos” (Sl 33,16)

Leituras: Josué 24,1-2a. 15-17.18b; Salmo 33 (34); Carta de São Paulo aos Efésios 5, 21-32; João 6, 60-69 (“Senhor, a quem iremos?”).

COR LITÚRGICA: Verde

Nesta páscoa semanal vemos que após os sinais, o anúncio e as propostas de Jesus sobre o pão da vida, alguns discípulos o abandonam, porque acham suas palavras duras e exigentes. Pedro responde decididamente a pergunta de Jesus. Ele representa a comunidade que se decide pelo seguimento do Mestre. Hoje, último domingo de agosto, comemoramos, de modo especial, a missão dos catequistas e de todas as pessoas que se dedicam à ação evangelizadora em nossas comunidades.

1. Situando-nos brevemente

É uma graça e uma benção estarmos reunidos, celebrando o mistério pascal de Cristo acontecendo em nossa vida e em nosso trabalho. Na Páscoa de Jesus, Deus revelou a sua opção pela humanidade. Jesus venceu, pela cruz, todos os limites que impedem a vida humana de ser feliz e divina.

No centro do Evangelho, está Pedro, que, questionado por Jesus, o identifica como Filho de Deus. E, falando em nome do grupo, decide seguir Jesus: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que Tu és o Santo de Deus”.

Damos graças por essa opção de Deus por nós e pela presença da páscoa libertadora. Abrimos o coração à interpelação que Jesus nos faz, como fez a Pedro, e, a exemplo dos apóstolos, queremos estar com ele no caminho e na luta por uma sociedade diferente, nova e fraterna. Ele nos encoraja a abandonar os ídolos, que nos levam à destruição e à morte.

No último domingo de agosto, lembramos a missão dos catequistas e de todas as pessoas que se dedicam à ação evangelizadora em nossas comunidades e no mundo.

2. Recordando a Palavra

A leitura de Josué lembra que estamos nos anos que se seguiram à entrada do povo na Terra Prometida. Moisés já havia morrido. Josué assume a liderança. Tempos difíceis e com muitas incertezas, por causa do contato do povo com muitos deuses no tempo de escravidão, conservando muitas simpatias no coração por alguns deles.

Josué, depois das conquistas e organizações iniciais, reúne o povo para conservar com ele sobre qual Deus seria o deus oficial. E para não ficarem dúvidas e muito menos inseguranças, exige uma resposta clara, firme e definitiva do povo.

Isso, à primeira vista, parece estranho, uma vez que, no Egito e durante o êxodo, Javé se manifestara libertador, amigo do povo, selando com ele uma aliança no Sinai. Mas os tempos mudaram. A situação econômica era outra, a realidade política tão diferente e as ambições começaram afetar as relações sociais e religiosas. Muitos se perguntavam se Javé deveria continuar sendo o Deus único e capaz de ajudar Israel.

Josué, diante da nova situação, organiza a assembléia de Siquém, reunião constitutiva do povo. É o ponto de partida de um movimentado que tem raiz no êxodo. Todos devem aceitar sua nova identidade de povo da aliança, com repercussões na vida social e política, bem como cultural e religiosa. Exige uma escolha sem rodeios: “Se vos desagrada servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir… Porque, quanto a mim, eu e minha casa serviremos ao Senhor”.

E o povo respondeu sem hesitação: “Longe de nós abandonarmos o Senhor; temos certeza que não há Deus melhor do que Ele”.

As palavras “nos tirou, a nós e a nossos pais…” , tantas vezes repetidas, se referem ao povo reunido em Siquém que não esteve no Egito e, em sua maioria, não passou pelo deserto. Mas todos estavam lá, na casa da escravidão, e todos foram libertos. É a fé em Deus aliado dos pobres, e não o sangue que nos une nessa aliança tribal.

O tema central da assembléia de Siquém é fazer a opção consciente de quem o povo deseja servir. Opta pelo Deus do êxodo: aquele que vê a opressão do povo, que ouve o grito de dor e conhece seus sofrimentos; que está decidido a descer para libertá-lo do poder dos opressores (Ex 3, 7-8). É o Deus de seus pais, o Deus da história. Os deuses “estranhos”, imagens corrompidas de Deus, geram escravidão e morte.

O Salmo 33 (34) constitui uma ação de graças, pela presença e ação libertadora de Deus. Ele escuta a oração dos simples e se faz próximo dos seus sofrimentos. Ensina-lhes sabedoria, mata a sua fome e defende a vida de todos. Por isso, nada falta aos que o procuram e seguem os seus passos. Ele é a paz e salvação dos justos. O salmista convida-nos a louvar a Deus com ele e, aludindo ao grande perigo de que foi libertado, diz-nos como o Senhor é bom e tudo dá aos que o procuram e temem.

Aos Efésios, Paulo sugere orientações para a vida em família e no relacionamento marido-pessoa. Inserido na cultura do tempo, considera o marido cabeça da mulher. Entende o relacionamento homem-mulher na perspectiva da teologia da Igreja, onde Cristo é a sua cabeça.

Ninguém duvida de que a Igreja deva se submeter e obedecer a Cristo-cabeça. E se não fizer isso, perde a sua identidade e razão de ser. Obviamente que, hoje, o mesmo não se pode afirmar na relação marido-esposa.

Mas qual o significado da expressão: “Sejam submissos uns aos outros por temor a Cristo”? Cristo, na verdade, é o ponto de partida para todo o tipo de relacionamento entre as pessoas. E a carta aos Filipenses (2,5-11) explica o sentido do temer a Cristo; Ele se pôs a serviço de todos, desceu ao nível social último e se fez servo obediente até a morte, e morte de cruz.

Nesse contexto, fica clara a missão e a tarefa do marido: “Que os maridos amem as suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Assim devem os maridos amar suas esposas como a seus próprios corpos. Quem ama sua esposa, ama a si mesmo”.

Não esqueçamos que o autor, nesta carta, desenvolve uma teologia da Igreja: Deus revelou todo o mistério de sua vontade de unir em Cristo todas as coisas.

O Evangelho, conclusão do capítulo 6 de João, mostra como a encarnação e a eucaristia andam de mãos dadas, mexem com as pessoas e as levam a um posicionamento: aceitam Jesus e se abraçam com Ele, ou se chocam e escandalizam com Ele e se afastam do seu projeto de vida e liberdade.

Diga-se de passagem: Jesus, de fato, frustrou as expectativas e esperanças de muitos. Depois dos milagres, sinais e prodígios, concluem: “Este é o profeta que devia vir ao mundo…” e querem agarrá-lo para fazê-lo rei, mas Jesus foge sozinho para a montanha.

Nem todos entenderam a proposta de Jesus, e Ele passa a atualizar o sentido dos acontecimentos. José Bortolini resume a explicação de Jesus: “Na pessoa de Jesus, Deus oferece à humanidade um pão que sustenta para sempre. Esse pão é a pessoa de Jesus, o maior presente que o Pai fez ao mundo. Quem recebe o pão e o assimila (Eucaristia), descobre que Deus lhe confia uma tarefa, que é a adesão a Jesus, tornando-se, também, pão partilhado para a vida de todos (encarnação). Não há meio-tempo: quem recebe Jesus como pão não pode eximir-se da responsabilidade de ser, como Ele, pão para a vida dos outros. A Eucaristia e a encarnação põem as pessoas diante de uma decisão. E aqui surgem muitas crises e abandonos.” (José Bortolini, Roteiros Homiléticos, Anos A, B,C – Festas e Solenidades; Paulus, São Paulo, 2008, p.429).

De fato, a tentação é buscar uma religião fácil, sem compromissos nem maiores conseqüências. Mas, no plano de Deus, essa religião e liturgia não existem. A verdadeira religião é assumir a prática e a doação de Jesus em favor dos menos favorecidos. Liturgia é memória e mergulho no mistério do pão partilhado, a Páscoa de Jesus.

Por causa disso, Jesus decepcionou muita gente. Ele não procurou a glória das pessoas nem prometeu glória aos seus seguidores. A realeza e a glória de Jesus consistem em doar-se radicalmente até esgotar a própria vida.

Eucaristia e glória. O pão não tem fim em si mesmo. Existe para ser consumido e devolver as forças para quem passa fome. Os que amam sabem que a vida não tem sentido se não se traduzir em pão, em dom a ser partilhado com os outros.

E Jesus mostra que a vida é para ser partilhada, e a morte pode se tornar a maior expressão de amor. Ele não dispensa ninguém de dar a vida até a morte, se for preciso. Judas, aquele que entregou Jesus, não entendeu a vida como oferta para os outros. Mas viu a vida como um bem a ser conservado egoisticamente. Em vez de doar a sua vida, entregou Jesus à morte. Ou seja, faz a opção pela morte.

Jesus, antes de elevar-se para a glória de Deus, assume a cruz, numa oferta total de sua vida. Sua “subida” é o gesto supremo de serviço à humanidade que precisa de paz, de reconciliação e de alegria. Muitos o entenderam. Outros não, e, por isso, deixaram de segui-lo, porque sua proposta foi tornando-se muito exigente, humanamente inaceitável.

Confessar que Jesus é o “santo de Deus” e reconhecer que não há outro caminho significa aderir a Ele, continuando e realizando o que Ele fez como peregrino e missionário do Pai.

3. Atualizando a Palavra

Há uma pergunta nos bastidores da Igreja e na consciência dos cristãos: o que significa e implica servir ao Deus verdadeiro, nos dias de hoje?

É duro admitir que a fé na Eucaristia não seja unicamente crer na presença de Jesus nas espécies do pão e vinho, mas também no pobre, no aleijado, no espoliado, no maltrapilho, e que Ele encarna-se na realidade concreta das pessoas.

O que significa ser pão para os outros? Por que muita gente se escandaliza e cai fora quando mostramos os compromissos da Eucaristia? Aparece hoje um certo “espiritualismo eucarístico” que esconde e escamoteia a encarnação de Jesus no contexto histórico.

A fé exige decisão e adesão sem reservas àquele cujas palavras prometem e comunicam a vida eterna. Jesus é efetivamente o enviado que Deus consagrou. A escolha para segui-lo não suprime a liberdade e não impede a possibilidade de traição. Seguir Jesus impõe condições que nem todos aceitam. Servir o Senhor da vida é penoso e exigente, e podemos sucumbir à tentação de “ir embora” e largar o seguimento.

Hoje existem formas discretas de nos retirar da caminhada sem dar muito na vista: ficar na comunidade sem assumir ou sem se importar com o projeto de Jesus, vivendo uma religião como rotina, para ter a consciência em paz; escolher trechos mais convenientes do Evangelho e fingir não ver as exigências cristãs da caridade, da justiça e da ação transformadora da sociedade; inventar um Jesus a nosso gosto, que nos incomode pouco, ou nada, e faça sempre a “nossa vontade”.

Será que é possível se dizer cristão, freqüentar a igreja, sem de fato ter tomado uma decisão verdadeira de seguimento a Jesus e de compromisso com o seu projeto?

4. Ligando a Palavra e a Eucaristia

Na celebração, nos abrimos ao convite que o Senhor nos faz pela Palavra a uma opção decisiva por Ele, superando os estímulos da “carne” para viver no espírito. Professamos nossa fé inspirada na afirmação de Pedro. “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus”.

Na liturgia eucarística, fazemos memória da doação e entrega de Jesus por nós. Rendemos graças por tamanho gesto de bondade e generosidade. Agradecemos ao Pai, que, em Jesus, fez uma opção amorosa e comprometedora pela humanidade. Ao celebrar o “mistério da fé”, somos provocados a superar as aparências e olhar com os olhos da fé o mistério de nossa vida e da vida dos irmãos e irmãs.

Suplicamos que Ele nos ensine a não fugirmos dos conflitos e a não perdemos a alegria de viver, apesar das dificuldades encontradas em nosso caminho. Buscamos forças e inspiração para a nossa maior e mais radical doação em prol de um projeto de vida para todos.

A Eucaristia nos coloca diante de Cristo e nos pede uma opção pronta e decisiva. A Palavra proclamada é luz, e o pão que recebemos é força e alimento, em vista de uma resposta positiva e responsável.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira