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Posted by: | Posted on: abril 13, 2014

A paz perene com a natureza e a Mãe Terra

Leonardo Boff

Um dos legados mais fecundos de Francisco de Assis e atualizado por Francisco de Roma é a pregação da paz, tão urgente nos dias atuais. A primeira saudação que São Francisco dirigia aos que encontrava era desejar “Paz e Bem” que corresponde ao Shalom bíblico. A paz que ansiava não se restringia às relações inter-pessoais e sociais. Buscava uma paz perene com todos os elementos da natureza, tratando-os com o doce nome de irmãos e irmãs.

Especialmente a “irmã e Mãe Terra”, como dizia, deveria ser abraçada pelo amplexo da paz. Seu primeiro biógrafo Tomás de Celano resume maravilhosamente o sentimento fraterno do mundo que o invadia ao testemunhar:”Enchia-se de inefável gozo todas as vezes que olhava o sol, contemplava a lua e dirigia sua vista para as estrelas e o firmamento. Quando se encontrava com as flores, pregava-lhes como se fossem dotadas e inteligência e as convidava a louvar a Deus. Fazia-o com terníssima e comovedora candura: exortava à gratidão os trigais e os vinhedos, as pedras e as selvas, a plantura dos campos e as correntes dos rios, a beleza das hortas, a terra, o fogo, o ar e o vento”. Read More …

Posted by: | Posted on: novembro 20, 2012

Somos todos irmãos!

É triste pensarmos que é necessário se destacar um dia no calendário para que seja dedicado a uma causa que lute pela igualdade racial, principalmente em um país onde a maioria é cristã. Isso mostra o quanto há de pessoas que apenas usam o rótulo de “cristão”, seja por tradição familiar, seja por conveniência social ou pessoal.

Ser cristão é ser discípulo de Jesus Cristo, o que significa acreditar nos seus ensinamentos e colocá-los em prática. Ora, olhando para Jesus e para a sua pedagogia, percebemos claramente que Ele não faz qualquer acepção de pessoas e trata como iguais todos aqueles que dele se aproximam, sejam eles cobradores de impostos e prostitutas (considerados pecadores), doentes e leprosos (vistos como párias da sociedade), estrangeiros e pessoas de outras raças (que não faziam parte da casta do povo judaico que era o escolhido), mulheres e crianças (considerados incapazes de compreensão).

Assim, aqueles que se dizem cristãos não podem fazer qualquer descriminação de pessoa, seja por qualquer motivo, ao contrário, deve sempre promover a igualdade de direitos e de oportunidades em suas comunidades.

Porém não é isso que se vê. O que podemos perceber é a luta silenciosa de grupos que desejam sobrepor-se a outros, menos favorecidos e que na luta pelo poder usam armas invisíveis aos olhos, mas que degradam a pessoa.

As estatísticas mostram a injustiça no pagamento de salários, com diferenças significantes entre pessoas que exercem o mesmo cargo ou função, definida pela raça (brancos x negros) ou pelo sexo (homens x mulheres); Mostram a diferença de oportunidades na área educacional, ocasionada pela péssima qualidade do ensino público gratuito; mostram a marginalização que os menos favorecidos sofrem pela falta de moradia digna, sendo obrigados a viverem em condições degradantes (nas ruas e nas favelas) sujeitos à discriminação.

Essa não é a imagem do Reino de Deus que Jesus veio anunciar, mas é a condição de inferno social que gera violência devida às estruturas diabólicas (que dividem).

O Reino de Deus que Jesus veio anunciar é oposto a esse, e todo cristão tem a obrigação de lutar por ele, mas principalmente tem o dever de vivê-lo no cotidiano, em todas as esferas sociais. E se todo cristão tiver a convicção dessa verdade, não haverá a necessidade de “lutas paralelas” de grupos minoritários, não haverá a necessidade de “cotas” para os menos favorecidos, não haverá a necessidades de “bolsas” para acabar com a pobreza e a fome.

A vida plena que Jesus anuncia e que é a vontade de Deus para todos é a vida digna de quem trabalha e ganha pelo trabalho que faz e não pela sua condição social; é a vida de quem pode estudar nas melhores escolas públicas por mérito pessoal e não pela sua raça; é que todos possam ter moradias dignas, com estruturas de serviços adequadas.

Cristão que honra os ensinamentos de Jesus luta por vida digna para todos, não por benefícios paliativos que apenas subjugam as pessoas, dando-lhes a falsa esperança de que estão melhorando de vida, quando na verdade estão apenas sendo usados, tornando-se alienados dos seus verdadeiros direitos. Luta para que todos tenham voz e vez reais, em igualdade de condições, isto é, que tenham o poder de escolha livre, com discernimento e sabedoria.

No dia em que todos os cristãos, independente da sua denominação religiosa, viverem como verdadeiros discípulos de Jesus, não haverá mais a necessidade de “dias especiais”, de “cotas” ou de “bolsas” e o Reino de Deus será uma realidade em expansão.

Posted by: | Posted on: agosto 25, 2012

O Grito dos Excluídos

O Grito é uma manifestação autenticamente popular, que engloba pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais, onde todos devem estar comprometidos com a causa das pessoas excluídas. É uma mobilização que denuncia os modelos políticos e econômicos que causam exclusão social, trazendo consequências de sofrimento para muitas pessoas.

É forma de tornar público o rosto desfigurado da sociedade que clama por uma política de inclusão social de valorização dos cidadãos. Essa manifestação, que não é um movimento e nem uma campanha, acontece no dia 7 de Setembro, Dia da Pátria. Constitui-se num espaço popular e de participação livre, mas todos motivados pelo anseio de mudanças na sociedade.

A forma de manifestação pode ser diversa, dependendo da realidade da comunidade. Podem ser por atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários, blocos na rua, caminhadas etc. É espaço de convergência em que vários atores sociais se reúnem para protestar e propor caminhos novos. Acontece no dia da Independência, da soberania nacional, em que a participação deve ser expressão de cidadania consciente e ativa da população.

O Grito dos Excluídos teve sua origem nas ações do Setor Pastoral Social da CNBB, principalmente a partir da Campanha da Fraternidade de 1995, que abordava o tema que falava da Fraternidade e dos Excluídos. Ele veio também como fruto da 2ª Semana Social Brasileira, que abordava o tema: Brasil, alternativas e protagonistas.

Podemos dizer também que é um grito, sufocado pelas realidades contemporâneas, que vem a público, com a participação de diversos setores influentes da sociedade e revela uma forte reação das entidades inconformadas e contra um sistema de mercado que gera massas enormes de excluídos, de desemprego, miséria e violência.

Não basta celebrar uma Independência tida como politicamente formal. Supõe soberania da nação com políticas públicas que favoreçam as classes mais sofridas, como ainda relações solidárias e justiça social. Assistir a desfile de armas é muito fácil, mas é preciso propor um patriotismo que seja positivo e que abra caminho para parcerias que libertem as pessoas de sistemas opressores.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

Posted by: | Posted on: agosto 14, 2012

Via Sacra

 Via-sacra – para quem quer viver

Leonardo Boff

Leonardo Boff dedicou anos trabalhando teologicamente o mistério de Cristo. A luz das perspectivas e convicções conquistadas ao longo destes anos de estudos cristológicos, apresentamos agora esta via-sacra que quer ser uma teologia orante ou uma oração teológica. Foi publicada há muitos anos sob o título Via-sacra da justiça. Agora foi retomada com correções e acréscimos e leva como título Via-sacra para quem quer viver. Esta via-sacra pretende atualizar o permanente significado da paixão de Jesus que se confunde com a paixão dos sofredores do mundo inteiro. Essa identificação produz um sentido secreto ao sofrimento, porque nunca é um sofrimento solitário, mas solidário. Por isso foi intitulada Via-sacra para quem quer viver.

Posted by: | Posted on: junho 5, 2012

Condição humana

A pessoa humana, experimentando seus próprios limites, ora faz opção pelo bem, ora pelo mal. Mas sempre lutando por se sobreviver, tendo como pano de fundo a confirmação de sua existência, estabilidade e realização final. O importante é não ser enganado pelo mal que a cerda e se tornar uma pessoa infeliz.

Na descrição bíblica do paraíso, havia ali a árvore do bem e do mal. Diante dela, o homem e a mulher deveriam fazer sua opção e escolha de vida. Era um ato de obediência ou não, uma escolha que teria grandes consequências. Aí estava em jogo o destino de toda a humanidade e, também, até a perda do paraíso.

Nesse cenário bíblico encontramos inspirações profundas para nossas realizações de hoje. Às vezes descartamos a esperança diante de opções que matam a vida. Podemos até perder o sentido do novo paraíso, a vida em Deus. Isto acontece quando desconhecemos o sentido do sagrado e da dignidade da pessoa humana.

A força do mal leva consigo falsas promessas. É como o poder dominador, que faz parceria com quem age da mesma forma e não dá valor às iniciativas dos outros. Cai por terra a prática da fraternidade e a convivência entre os irmãos. As consequências de tudo isto é o endeusamento do individualismo, fato tão proclamado pela nova cultura.

A condição humana está ligada à liberdade e à capacidade de escolha. Tem como segurança a esperança, que deve sempre ser alimentada e concretizada em Jesus Cristo. Supõe firme convicção de fé na ressurreição e na vida eterna. A morada terrestre, que será destruída, transformar-se-á em uma morada eterna em Deus.

A vida é sempre marcada por um paraíso perdido, passageiro, e pelo mal que nos leva a perdê-lo. Isto é fruto da tendência que todos temos para o mal, para atos de injustiça e por atitudes muitas vezes desumanas. Assim ficamos perdidos na busca do bem e de uma condição humana que nos torna realizados. A dignidade é fonte de humanização e divinização.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.