Homilia,

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Posted by: | Posted on: maio 3, 2014

CELEBRAÇÃO DO 3º DOMINGO DA PÁSCOA

emaus-10241Neste terceiro domingo da Páscoa, o Senhor Ressuscitado caminha conosco e nos revela a Palavra viva, senta à mesa e reparte conosco sua vida. Ele vem ao nosso encontro, anda ao nosso lado, abre nossos olhos e ouvidos para compreendermos o sentido da cruz.

D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira, SP, nos envia a Celebração deste 3º Domingo da Páscoa. Para acessar basta clicar no link abaixo

Celebração do 3º Domingo da Pascoa – ano A

Posted by: | Posted on: fevereiro 2, 2013

Homilia do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano C

03 de fevereiro de 2013

“Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho”

Leituras: Jeremias 1, 4-517.-19;

Salmo 71 (70), 1-4a.5-6ab. 15ab.17 (R/ cf. 15ab);

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 31-13,13;

Lucas 4, 21-30.

COR LITÚRGICA: VERDE

Nesta páscoa semanal do Senhor vamos refletir um momento difícil na vida de Jesus. Depois da pregação da sinagoga de Nazaré os habitantes se recusam a ouvir a sua palavra e tentam lançá-lo no precipício. Sentimos em nossas vidas, muitas vezes, as conseqüências da rejeição por causa da justiça, do bem e da solidariedade com os pobres. Nesta celebração estamos em comunhão com aqueles e aquelas que, por causa da justiça, são desprezados.

1. Situando-nos

Caminhando no itinerário do ano litúrgico, vamos, pouco a pouco, seguindo Jesus. Hoje ele se manifesta como o profeta do Pai. É aceito por uns, rejeitado por outros. Nele se cumpre a profecia de Simeão: “Este menino será sinal de contradição” (Lc 2,34).

Jesus, o profeta, relembra e atualiza a aliança e o projeto de Deus ao povo, mesmo que por parte de alguns haja reação de desprezo, rejeição e até o expulsam da cidade.

Como profeta do Pai, somos chamados a acolher a salvação como dom de Deus, salvação aberta a todos.

2. Recordando a Palavra

Lucas começa o evangelho de hoje como terminou o texto do domingo passado: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (4,21). Todos os que estavam na sinagoga de Nazaré se admiravam das palavras cheias de sabedoria, proclamadas por Jesus.

Mas eles ainda não haviam descoberto a verdadeira identidade de Jesus, o Messias Servo enviado para manifestar a salvação de Deus a todos os povos. Assim, rejeitam o Cristo pobre e humilde: “Não é este o filho de José?” (4,22), pois esperavam um Messias poderoso.

Jesus, porém, dizia: “Vós repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, na tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum” (4,23). A advertência de Jesus é, sobretudo, por não acreditarem nele como o enviado de Deus para cumprir as promessas da salvação. A falta de fé e de acolhimento prefiguram seu destino final, como os profetas antigos: “nenhum profeta é bem recebido em sua terra”. Apesar da rejeição, Deus continua enviando seus mensageiros a serviço da libertação do povo oprimido.

A proposta libertadora de Jesus se estende a todos os povos e nações. Cafarnaum, que era uma cidade discriminada, porque ali viviam muitos gentios, aparece como modelo de adesão. Jesus fala dos milagres realizados pelos profetas Elias e Eliseu (cf. 1Rs 17,8-24; 2Rs 5, 1-19) a pessoas que não pertenciam ao povo de Israel. A viúva de Sarepta e Naamã, o sírio, receberam favores especiais de Deus por causa da fé. Assim, revela-se que a oferta divina da salvação em Cristo não se restringe a um determinado povo.

Em Jesus Cristo, Deus manifesta a sua bondade e compaixão a todas as pessoas indignadas. Sua rejeição chega ao extremo de tentar precipitá-lo do alto de uma colina. Mas, é impossível deter o processo de libertação: “Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho” (4,30). As forças opostas ao projeto de Deus não podem impedir a realização plena da missão salvífica de Cristo. A compreensão da proposta de abertura de Jesus a todas as pessoas é um caminho progressivo.

A primeira leitura apresenta a vocação profética de Jeremias, por volta do ano 627 antes de Cristo, no tempo do rei Josias. Salienta que o chamado surge a partir da experiência de Deus, o único Mestre que forma o ser humano, desde o inicio de sua existência. A voz do profeta é universal, pois Deus o consagra e o envia para falar em seu nome às nações.

Com a presença de Deus e a força de sua palavra, o profeta é impelido a atuar sem medo diante dos reis e de seus príncipes, dos sacerdotes e do próprio povo. “Não tenhas medo, porque estou contigo para te defender”. A certeza do apoio de Deus sustentou a luta constante de Jeremias para “arrancar e derrubar, para construir e plantar” (1,10).

O Salmo 71(70) expressa a confiança em Deus que salva e liberta. O salmista, em meio às perseguições, volta-se para o Senhor, porque nele encontra o apoio desde a juventude. O Senhor como “rocha protetora, abrigo seguro, amparo e refúgio”, guia o ministério dos que anunciam a sua justiça com fidelidade.

A segunda leitura, da primeira carta aos Coríntios, apresenta o amor “ágape” como o dom por excelência. Esse amor vai além da simples amizade e supera toda forma de egoísmo, pois foi derramado pelo Espírito em nossos corações (Rm 5,5).

As três afirmações idênticas (13,1-3) acentuam que se trata do amor oblativo, que dá sentido à vida dos que seguem a Cristo. A caridade ou amor tem a primazia até mesmo entre as três virtudes principais, conhecidas como “teologais”: fé, esperança e amor. Somente o amor permanece para sempre, pois “Deus é Amor”.

3. Atualizando a Palavra

Em Jesus, Deus cumpre a palavra e revela o seu amor na história humana: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. O projeto de Jesus encontra rejeições, desde o início, pois manifesta o significado universal de sua missão como Messias e Filho de Deus.

A oposição a Jesus e sua mensagem libertadora culminará com a sua morte na cruz. A sua palavra e o seu testemunho impelem a um compromisso radical com a transformação das injustiças deste mundo.

A Boa Nova de Jesus atinge outros povos, os gentios. Encontra rejeição para ser testemunhada da Galileia até Jerusalém e daí até os confins da terra, seguindo a narrativa de Lucas e Atos dos Apóstolos. Como Jesus, também os seus seguidores e as suas seguidoras enfrentam adversidade por causa da missão profética a serviço do Reino. A voz dos verdadeiros profetas continua sendo silenciada. Mas é necessário arriscar-se para proclamar a mensagem da salvação a todos os povos e nações.

O verdadeiro profeta não é acolhido, pois fala em nome de Deus e está comprometido com o seu projeto de vida plena para todos. Jeremias, chamado e consagrado, desde o ventre materno, segue a vontade de Deus e se coloca a serviço do Reino da justiça. Diante das dificuldades, ele deve permanecer firme como “uma coluna de ferro e um muro de bronze”.

Que a força da palavra de Deus nos envolva e nos liberte para estarmos sempre de prontidão, preparados, para anunciarmos a mensagem profética de esperança.

Prossigamos com Cristo o caminho de fidelidade ao Pai, através do amor que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Esse amor, que “jamais passará”, leva a formar uma grande fraternidade universal, superando todas as formas de discriminação e privilégios. A comunidade eclesial, construída no amor de Deus, torna-se firme e inabalável para anunciar a salvação a todos as pessoas.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

O Senhor nos reúne para celebrarmos o seu santo nome. Como reza a oração do dia, ele nos concede o dom de adorá-lo de todo o coração e de amar as pessoas com verdadeira caridade. Nele, por ele e com ele somos irmãos na busca e no esforço comum de superar preconceitos, divisões e desigualdades.

A comunidade, corpo do Senhor, participa de seu carisma profético, anuncia a sua Palavra, anuncia sua morte e proclama sua ressurreição e aguarda confiante sua vinda final.

Que a participação nas mesas da Palavra e da Eucaristia renove em nós a vocação profética. Que sejamos anunciadores da Boa Notícia e corajosa para denunciar todo tipo de injustiça, corrupção e pecado que destrói as pessoas.

O Senhor está conosco, não tenhamos medo, como Jesus, e sigamos nosso caminho, trilhando suas pegadas.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: janeiro 26, 2013

HOMILIA DO 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

27 de janeiro de 2013

“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”

Leituras: Neemias 8, 2-4a.5-6.8-10; Salmo 19B (18B), 8-10.15 (R/ Jo 6,63c); Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 12-30;

Lucas 1, 1-4; 4,14-21.

COR LITÚRGICA: VERDE

Iniciamos hoje a proclamação do Evangelho de Lucas, que irá nos acompanhar durante todo este Ano Litúrgico, que é chamado Ano C. Jesus encontra-se na sinagoga de Nazaré, sua terra natal, para início de seu ministério e revelação do seu programa de evangelização. Apresenta-se na sinagoga de Nazaré sem títulos, nem poderes. Define-se por aquilo que faz.

1. Situando-nos

Neste período domingo do tempo comum, Jesus continua a se manifestar. Hoje ele se manifesta num culto semanal na sinagoga de Nazaré, onde costuma participar, exercendo o ministério de leitor. Jesus, a Palavra de Deus viva e encarnada na história humana, proclama seu programa de vida.

Nós comunidade de fé, seguidora de Jesus, escutamos como discípula fiel a Palavra do Senhor e renovamos o nosso compromisso de vivê-la, nos tornando amigos/as de Deus.

Que de fato, “hoje”, se cumpra a Palavra da Escritura que ouviremos.

2. Recordando a Palavra

Lucas começa a narrativa do evangelho com o prólogo (1,1-4), onde acentua o valor das tradições transmitidas pelas “testemunhas oculares” que ouviram com Jesus. Ressalta que é a fé nos “fatos ocorridos”, nos eventos salvíficos, realizados em Cristo, que torna alguém “ministro da palavra”. Assim, a finalidade do evangelho é suscitar e dar firmeza à fé, levando as pessoas a fazer a experiência do amor de Deus (= Teófilo).

O evangelista, com seu “relato ordenado”, sinaliza que as promessas da salvação de Deus se cumpriram plenamente no ministério de Jesus. As palavras proféticas anunciam a chegada do Messias, ungido pelo Espírito do Senhor para libertar os oprimidos. “Com a força do Espírito”, Jesus anuncia a Boa Nova na Galileia, ensinando nas sinagogas, provocando a adesão de discípulos e de discípulas.

Jesus veio à cidade de Nazaré onde fora criado e entrou na sinagoga no sábado. Levantou-se para fazer a leitura e explicar o texto sagrado. “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor” (4,18-19; cf. Is 61,1-2; 58,6). Assim, o Cristo renova a esperança do povo oprimido, manifestando a graça, a benevolência, o favor de Deus.

O Pai enviou o Filho amado com a plenitude dos dons do Espírito para atuar em favor de todo o povo necessitado, realizando plenamente as esperanças proféticas, as promessas de salvação. O “ano da graça do Senhor” remete à libertação anunciada pelo ano jubilar, a libertação dos escravos; o retorno das pessoas às suas propriedades, às suas terras, ao meio de vida que haviam perdido. Por isso, no fim da proclamação solene na sinagoga, as pessoas “tinham os olhos fixos em Jesus”. Ele mesmo afirmou: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”.

A primeira leitura, do livro de Neemias, reflete um contexto após o exílio babilônico. Os líderes Esdras e Neemias estão animando o povo sofrido a reconstruir o país e a fazer renascer a identidade e unidade, através da palavra de Deus. O povo é convocado a renovar a aliança, em praça pública, pois o templo estava em ruínas. Assim, o centro não é mais o sacrifício, mas a palavra de Deus celebrada na liturgia comunitária Omo sustento da caminhada.

Tratava-se um dia consagrado ao Senhor, em que celebravam a ceia, onde “leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido de maneira que se pudesse compreender a leitura” (8,8). A palavra proclamada em assembléia suscita a adesão vital ao Senhor e transforma a tristeza em alegria. “A alegria do Senhor é a força” que proporciona a comunhão, o estar juntos pra ouvir a palavra e comer juntos, para partilhar o pão com os necessitados.

O trecho do salmo 19 (18), proposto hoje pela liturgia, tem estilo sapiencial. O salmista contempla a dádiva da Lei do Senhor, a Torá, e expressa o seu valor vital. Os mandamentos do Senhor “iluminam os olhos” para trilhar o caminho da justiça e fidelidade à sua vontade. Em Cristo, Rochedo e Redentor, Deus se revelou como palavra de Vida e Verdade.

A segunda leitura, da primeira Carta aos Coríntios, continua a reflexão sobre os dons do Espírito, ressaltando que todos juntos formamos um só corpo em Cristo. Os membros, “embora sejam muitos, formam um só corpo” (12,12). Partilhamos de uma existência comum, pois “todos bebemos de um só Espírito” (12,13) que habita em nós (3,16). É necessário ter um cuidado especial com as partes (membros) do corpo mais sofridas e fragilizadas.

Assim como o corpo humano necessita de membros diferentes, também a comunidade precisa de uma diversidade de dons, ministérios e atividades que se completam mutuamente. Orientados pela mesma fé em Cristo, os membros se acolhem com respeito e amor. Somos membros do corpo, da comunidade eclesial, “edificadas sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, tendo como pedra angular o próprio Cristo Jesus” (Ef 2,20).

3. Atualizando a Palavra

Jesus realiza plenamente as Escrituras, anunciando a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos que se encontram aprisionados, a vista as que não enxergam, a libertação aos oprimidos. Assim ele cumpre o ano da graça do Senhor, proclamando a salvação integral do ser humano, ou seja, a libertação de todas as formas de opressão. O olhar fixo nas palavras e nas ações de Jesus, nos leva a centrar as forças no serviço ao Reino da vida.

O documento de Aparecida, no número 361, afirma que “o projeto de Jesus é instaurar o Reino de seu Pai. Por isso, pede a seus discípulos: ‘Proclamem que está chegando o Reino dos céus!’ (MT 10,7). Trata-se do Reino da vida. Porque a proposta de Jesus Cristo a nossos povos, o conteúdo fundamental dessa missão, é a oferta de vida plena para todos. Por isso, a doutrina, as normas, as orientações éticas e toda  a atividade missionária das Igrejas, deve deixar transparecer essa atrativa oferta de vida mais digna, em Cristo, para cada homem e para cada mulher”.

E no numero 358, acentua: “as condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem com o projeto do Pai e desafiam os cristãos a um maior compromisso a favor da cultura da vida. O Reino de vida que Cristo veio fazer incompatível com essas situações desumanas”.

A palavra de Deus é sempre atual, pois fala da vida e da história do ser humano, interpelando-o a gestos de amor fraterno e de partilha. Fortalece a fé e a esperança para que todos sejam “Teófilo”, isto é, amigos de Deus. Ela deve ressoar em nossa vida e missão, conduzindo-nos a uma prática libertadora integral, conforme a Boa Notícia trazida por Jesus de Nazaré.

Recebemos dons do Espírito para realizarmos nosso compromisso batismal a serviço do Reino. Como membros do corpo de Cristo, somos impelidos a colaborar para a realização do amor e da justiça. Formamos uma comunidade fraterna chamada a continuar a missão de Jesus. Que possamos ser instrumentos de libertação, participando das alegrias e dos sofrimentos uns dos outros, tendo um cuidado especial com os membros do corpo mais necessitados.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

Hoje reunimo-nos num só corpo, no Cristo, Palavra eterna do Pai. Ele está no meio de nós e edifica o corpo eclesial com inúmeros ministérios. Ele esta presente na Palavra proclamada, pois é ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja (cf. SC, n.7).

Na assembléia litúrgica desenvolve-se um verdadeiro diálogo de Deus com seu povo, um colóquio contínuo de Esposo e Esposa. Como afirma a Verbum Domini: “a liturgia é o lugar onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo, que escuta e responde. Cada ação litúrgica está, por sua natureza, impregnada da Sagrada Escritura” (n.52).

Celebrando, somos inseridos na lógica da revelação. Deus chama, reúne e a comunidade, atendendo ao seu chamado, se apresenta e responde. A própria liturgia da palavra possui uma dinâmica dialogal: “A parte principal da liturgia da palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia, a profissão de fé e a oração universal, ou dos fieis. Pois, nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu povo, revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece alimento espiritual; e o próprio Cristo, por sua palavra, se apropria dessa palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé; alimentado por essa palavra, reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro” (IGMR, n.55).

Com razão, a Sacrosanctum Concilum e o Ordo Lectionum Missae (Introdução ao Lecionário) valorizaram as leituras bíblicas, o salmo responsorial, a aclamação, a homilia, o silencio, a profissão de fé e a oração dos fieis (Cf. Sacrosanctum Concilium, nn. 51-53 e Ordo Lectionum Missae, nn. 11-31).

Também a celebração litúrgica, no seu conjunto, possui uma estrutura de base que favorece o dialogo: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. A Sacrosanctum Concilium, falando sobre a celebração eucarística afirma que “ a liturgia da palavra e a liturgia eucarística estão tão unidas que forma um só ato de culto” (cf. .56). Numa relação de aliança os dois momentos estão estreitamente unidos a palavra constitui o momento do contrato, através do diálogo, e a liturgia eucarística o momento em que a comunidade, cheia do Espírito, dá sua resposta e sela o compromisso com Deus. A palavra é então fundamento sobre o qual a aliança se firma.

Que a Palavra que se faz carne no hoje da comunidade celebrante, Palavra que é luz para os olhos, alegria ao coração, de fato seja traduzida na realidade, num programa de vida que transforme todo tipo de morte em vida.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: janeiro 22, 2013

Realização da Palavra

A Palavra de Deus, contida na bíblia, não é apenas uma descrição da história do povo do passado. Ela não é também como um museu sem vida, desarticulada da realidade dos novos tempos. É palavra inspirada, de iniciativa divina, que falava no Antigo Testamento, mas também tem sua força de atuação no cotidiano da nossa vida moderna. É sempre atual e passível de interpretação.

É importante agora escutar e dar atenção ao que ela apresenta como itinerário para a vida de cada pessoa. Deve ser lida, conhecida, refletida, meditada, contemplada e colocada na prática do nosso agir. Não podemos buscar na bíblia apenas informações frias, mas deve nos formar na justiça e na prática da fé.

Muitos leem a Sagrada Escritura somente por curiosidade, sem levar em conta que seu objetivo é de nos reforçar na prática cristã e no discipulado, no encontro com a Pessoa de Jesus Cristo. Portanto, ter intimidade com a Palavra, vendo nela uma força provocadora de ações novas de vida e de transformação da realidade.

A nossa história de vida deve estar constantemente se recomeçando. Isto significa que situações melhores na convivência são possíveis de acontecer. Uma luz para isto pode ser encontrada na Palavra divina, que mostra os condicionamentos do ser humano, como também sua capacidade de estar sempre se revitalizando.

A Palavra tem em nós uma força libertadora. E, se liberta, deve transformar. Ela nos faz conquistar o que seja melhor, uma felicidade duradoura, que só é capaz passando por enfrentamentos de verdade e de justiça. Não pode ser palavra que leve ao intimismo, ao tomar a letra pela letra e nem ao fundamentalismo.

Viver a Palavra de Deus é anunciar um caminho de libertação, de superação de todos os vícios e práticas que não condizem com o bem das pessoas. É ir ao encontro daqueles que passam por grandes necessitados, tendo isto como opção de vida pelos mais pobres e sofredores, daqueles que vivem na espera das migalhas que sobrem das mesas fartas de muitos irmãos.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

Posted by: | Posted on: dezembro 23, 2012

Celebração do 4º Domingo do Advento

23 de dezembro de 2012

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”

Leituras: Miquéias 5, 1-4a; Salmo 80 (79), 2ac.3b.15-16.18-19 (R/4); Carta aos Hebreus 10,5-10; Lucas 1, 39-45.

COR LITÚRGICA: ROXA

Estamos bem próximos do Natal, e nesta páscoa semanal do Senhor lembramos a gravidez e a expectativa de Maria em relação ao nascimento de Jesus. Com Maria, todos nós também aguardamos com alegria a vinda do Emanuel, Deus conosco. Preparemo-nos para acolher esta novidade que Deus nos presenteia neste Natal.

1. Situando-nos

Neste último domingo do Advento, olhamos para a figura de Maria, que é plenamente a Virgem do Advento. Ela é a bendita entre as mulheres, é a cheia de graça, a serva do Senhor, a nova mulher. Ela carrega no ventre o Bendito, o Esperado das nações. É a filha de Sião que representa o antigo e o novo Israel. O seu sim na anunciação se converte em sim da nova aliança. Maria resume em si as esperanças de seu povo. Hoje, esperança da Igreja.

A assembléia de fé, reunida neste domingo, é convocada a escutar e a acolher a boa nova anunciada, na certeza da fidelidade de Deus que cumpre suas promessas de salvação para o seu povo.

Exultemos de alegria como João Batista e, inspirados pelo Espírito, a exemplo de Isabel, proclamemos que é Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor prometeu: Deus virá morar no meio de nós.

2. Recordando a Palavra

O texto do Evangelho de Lucas pertence aos relatos do nascimento e da infância de Jesus e mostra o seu significado no plano divino da salvação. Maria crê na promessa de Deus, anunciada pelo anjo Gabriel (1,38). Dirige-se, apressadamente, à região montanhosa da Judeia para visitar e servir Isabel que estava grávida. A cheia de graça entra na casa de Zacarias, aquele que foi lembrando por Deus, e cumprimenta Isabel.

As duas mães agraciadas se encontram para louvar e agradecer a ação libertadora do Senhor em suas vidas e na vida do povo. O encontro delas torna-se, também, o do precursor com Jesus. João, chamado por Deus desde o ventre materno, como os antigos profetas (cf. Is 49,1; Jr 1,5), exulta de alegria diante da presença do Salvador. A alegria do precursor sinaliza o cumprimento das promessas de Deus em Jesus, o Messias.

A força do Espírito capacita Isabel a bendizer o Senhor com palavras que recordam a libertação do povo: “bendita és tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do teu ventre” (1,42; cf. Jz 5,24; Jt 13,18). Maria é bendita entre todas as mulheres, porque carrega dentro de si o Filho de Deus. Ela é como a arca da aliança (cf. 2Sm 6,9), portadora da presença salvífica do Senhor, para o povo.

Maria é bem-aventurada, porque acreditou no anúncio do anjo e acolheu a vontade de Deus: “Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (1,45). É feliz porque crê na força eficaz da palavra de Deus, colocando-se em suas mãos como serva fiel. Assim, ela aparece como modelo no caminho do discipulado.

O profeta Miqueias, na primeira leitura, ressalta que a promessa da salvação vem da pequena Belém, a cidade de origem de Davi. O Senhor suscitará um novo rei messiânico para apascentar os povos com a sua força.

Com atuação pacificadora, ele estabelecerá o seu reinado até os confins da terra. “Ele mesmo será a paz” (shalom), oferecendo a plenitude dos bens para todos os povos. Essa profecia de Miquéias 5,1-4a se realiza de forma plena no nascimento de Jesus.

O salmo 80 (79) é uma súplica coletiva dirigida ao Senhor, o Pastor de Israel. O salmista recorda as maravilha do Senhor, ao longo da história da salvação, e suplica com confiança: “Vem visitar a tua vinha, que plantastes”. Ele sela, com a comunidade fiel, o compromisso com o Deus da aliança: “Nunca mais nos afastaremos de ti, Senhor”.

A segunda leitura aos Hebreus acentua que o Filho de Deus realiza plenamente o sentido do Sl 40: “Eis que venho para fazer a tua vontade”, ao encarnar-se a história humana até a doação plena da existência pela salvação. A morte redentora de Cristo plenifica o culto sacrifical antigo. A oferta por amor da vida de Jesus, realizada uma vez para sempre, nos santifica e obtém o perdão, a libertação total.

3. Atualizando a Palavra

Deus manifesta a plenitude da vida e da salvação no meio dos pobres e excluídos, como Maria, Isabel, Zacarias, João, que exultam de alegria. Ele visita o seu povo e faz resplandecer a luz para toda a humanidade, através do Messias Salvador que há de nascer da pequena Belém.

Jesus vem para realizar a vontade do Pai até a oferta total da vida. A disposição em doar-se pela nossa salvação e santificação é apelo para uma adesão profunda ao seu plano de amor. A resposta à gratuidade da salvação deve ser manifestada, através de nossa entrega amorosa: estamos aqui fazer a vossa vontade, Senhor.

O nascimento de Jesus se aproxima e a figura de Maria, sua mãe, é ressaltada, pois ela encarnou a espera e a fé de Israel. Maria confiou plenamente no Senhor ao dizer: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). A sua docilidade, em acolher a bondade de Deus, faz ressoar como um eco a atitude do Filho Jesus ao entrar na história humana: “Eis que venho para fazer a tua vontade”.

Maria manifestou a fé na disponibilidade para o Senhor, no serviço pleno ao Filho de Deus e à sua obra redentora, na solicitude maternal com toda a humanidade como demonstrou, através da visita à sua prima Isabel. A sua fé foi crescendo, progressivamente com o decorrer dos acontecimentos da salvação que ela “guardava em seu coração” (Lc 2,51). Por isso, a Lumem Gentium, n.58 afirma que “Maria avançava pelo caminho da fé”.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

“Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo, abra-se a terra, e brote o Salvador!” (antífona de entrada). Esta súplica confiante irrompe na comunidade celebrante.

A Igreja prepara-se para a celebração do mistério a encarnação-nascimento de Jesus que se aproxima; mistério insondável, uma vez que a partir dele chegamos ao meio da paixão e da cruz, à glória de nossa ressurreição, em que culmina para cada um de nós a obra redentora de Jesus (cf. Oração do dia).

O prefácio II A sublinha o mistério da redenção, feito carne, no seio virginal do Filho de Sião. Ele é a salvação e a paz e nos alimenta com o pão do céu. Em Maria, a nova Eva, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma vida nova. Em Jesus fomos redimidos, pois maior que a nossa culpa é a divina misericórdia em Jesus, nosso Salvador.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: dezembro 15, 2012

Celebração do 3º Domingo do Advento

16 de dezembro de 2012

“Alegrai-vos!

O Senhor está próximo”

Leituras: Sofonias 3, 14-18a; Salmo: Isaías 12, 2-3.4bcd.5-6 (R/6); Carta de São Paulo aos Filipenses 4, 4-7; Lucas 3, 10-18.

COR LITÚRGICA: ROXA

O terceiro Domingo do Advento é conhecido como “Domingo da Alegria”. O mundo em que vivemos está carente de alegria. A depressão tornou-se a doença dos tempos modernos. Muitos, na ânsia de ter alegria, agarram-se a coisas e pessoas que, no máximo só lhes conseguem proporcionar momentos fugazes de prazer. Nossa verdadeira alegria encontra-se no Senhor: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4, 4.5).

1. Situando-nos

Alegrai-vos! O Senhor está próximo! Nesta certeza, celebramos o terceiro domingo do advento, chamado o “domingo da alegria”. Há muitas definições de alegria, uma delas é a manifestação de contentamento e júbilo.

Estamos em tempo de preparação e espera. Mas a liturgia, hoje, nos convida a uma espera alegre. O “Prometido” está para chegar, por isso, somos tocados por uma alegre exultação. O “Esperado” se aproxima, e mesmo em meio à dor, somos convidados a cantar de alegria e rejubilar.

Nos tempos da ditadura militar brasileira, uma música de Caetano Veloso retratou a luta do povo brasileiro em prol da democracia e da liberdade de expressão. Mesmo em meio à dor, Caetano exaltou a felicidade e a alegria com a música “Alegria, alegria”, chamando o povo sofrido à vida e denunciando a morte.

Hoje há tantas situações que precisam da alegria, mas, desta alegria que é o próprio “Esperado” que vem e transforma nossas vidas: a guerra em paz, a fome em fartura, a desolação em consolo, o ódio em amor, o desespero em esperança, as trevas em luz… .

Perante a proximidade da vinda do Senhor, somos convidados a mudar de atitudes e comportamentos. Madre Teresa de Calcutá dizia “… sermos felizes com Deus agora significa: amar como Ele ama, ajudar como Ele ajuda, dar como Ele dá, servir como Ele serve, salvar como Ele salva, ficar vinte quatro horas com Ele, encontrá-lo em suas tristes aparências”.

2. Recordando a Palavra

No evangelho de hoje, as pessoas que estão à margem da sociedade acolhem a palavra de Deus anunciada por João. “Que devemos fazer?”, perguntam as multidões, os publicanos e os soldados.

A resposta do precursor de Jesus exige radicalidade a ser demonstrada no cuidado abnegado dos irmãos necessitados. João, seguindo a tradição dos profetas antigos, mostra que a conversão consiste em praticar a justiça e a fraternidade (3,10-14).

A pregação de João apresenta elementos que Jesus, também, utilizará em seu ensinamento. Quem compartilha metade de suas roupas, e metade de seu alimento, é como Zaqueu que partilha metade de seus bens com os pobres (19,8).

Os publicanos, discriminados por coletarem os impostos para os romanos, acolhem a mensagem de Jesus (5,27-29; 15,1). Os soldados, desprezados por servir o Império, se deixam tocar pelo evangelho de Cristo (7,1-10; 23,47).

A ação e o testemunho de João fazem renascer a expectativa da vinda do Messias, isto é, o Ungido de Deus, para restaurar a vida do povo. Mas, João é o precursor e se considera inferior ao escravo mais humilde, encarregado de desatar as correias das sandálias.

O batismo de João simboliza a conversão e prepara para receber o definitivo em Cristo. Como Messias, “Jesus batizará com o Espírito Santo e com fogo”, realizando plenamente as promessas da salvação.

A imagem da pá, separando os grãos de trigo da palha, acentua o sentido radical do anúncio profético de esperança que prepara o tempo novo, Jesus de Nazaré, o Messias, o Enviado de Deus, traz a Boa Nova da salvação, transformando as situações que impedem o crescimento do Reino. Sua presença libertadora proclama a chegada do Reino de Deus que proporciona alegria e paz, sobretudo às pessoas marginalizadas.

A profecia de Sofonias, na primeira leitura, convida à alegria e ao júbilo, pois o Senhor manifestou sua presença de salvação no meio do povo. A sentença foi revogada e foram afastados os poderosos opressores que causaram destruição e exílio.

A ação do Senhor suscita novas lideranças, a partir de um povo pobre e humilde que confia na sua presença de amor. A presença do Senhor consola e encoraja na missão de reconstruir a identidade e o país: “Não temas porque o Senhor está no meio de ti. Ele se compadece, ama e se alegra por ti, como nos dias de festa”.

O salmo é o cântico de Isaías 12, uma ação de graças ao Senhor, que se revela como salvação no meio povo. A experiência de “beber no manancial da salvação”, na fonte onde jorra a verdadeira vida, leva a divulgar as maravilhas do Deus Salvador por toda a terra.

Na segunda leitura, Paulo convida os filipenses a exultar de alegria, pois o Senhor está próximo. O apóstolo ensina a testemunhar o evangelho com alegria, em meio às provações, à experiência da prisão, por causa de Cristo (1,12-26).

A comunidade, enquanto aguarda a vinda do Senhor, deve ser identificada pela bondade e pelo amor solidário. É chamada a confiar suas necessidades ao Senhor em oração, súplica e ação de graças, confiando plenamente em sua palavra. A paz de Deus, que ultrapassava toda compreensão humana, guarda o coração e os pensamentos em Cristo Jesus.

3. Atualizando a Palavra

Este é o domingo “Gaudete”, isto é, da alegria, pois “o Senhor está próximo”. Sua salvação já está atuando em nosso meio pela ação do Espírito Santo, fortalecendo a nossa missão a serviço da vida. João Batista nos chama a uma conversão autêntica, manifestada com frutos de justiça e de fraternidade.

O apelo do precursor do Messias leva a assumir atitudes essenciais que consistem em compartilhar roupas e comida, ou seja, os bens que possuímos; a não praticar injustiças, extorsões; a não oprimir, abusando do poder e acusando falsamente.

Trata-se de uma conversão pessoal e social para acolher Jesus Cristo, Palavra do Pai, que vem revelar o seu nome.

Santo Agostinho, num de seus sermões, dizia: “João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra (Jo 1,1). João era a voz passageira, Cristo, a Palavra desde o princípio. João é a voz do que grita no deserto, do que rompe o silêncio. Aplainai o caminho do Senhor, como se dissesse: ‘Sou a voz que se faz ouvir apenas para levar o Senhor aos vossos corações. Mas ele não se dignará vir aonde o quero levar, se não preparardes o caminho’. Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam. Se tivesse dito: ‘Eu sou o Cristo’, facilmente teriam acreditado nele, pois já era considerado como tal antes que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse o que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação; compreende que era uma lâmpada”.

A exortação da liturgia de hoje é parte integrante da mensagem da alegria e salvação, que vem de Deus. É necessário manifestar nossa alegria na retidão e na bondade de nossa forma de viver.

A proximidade do Senhor, a sua presença em nosso meio, nos proporciona viver na alegria, na tranquilidade, na oração e na paz. A transformação pessoal nos compromete a tornar as estruturas deste mundo mais de acordo com o Evangelho e o Reino de Deus.

4. Ligação com ação litúrgica

“Alegrai-vos irmãos no Senhor, sem cessar eu repito alegrai-vos… perto está o Senhor…”, assim iniciamos cantando, neste domingo do advento.

A Palavra nos traz alento, conforto e nos encoraja a assumir a proposta do Reino, mudando atitudes contrárias à vida. Renovados por esta Palavra de salvação, podemos exultar e dar graças ao Senhor, Pai santo, Deus eterno, pois Jesus foi predito por todos os profetas, esperado com amor de mãe pela Virgem Maria, foi anunciado e, mostrado presente no mundo por João Batista.

Hoje a nós é dada a alegria de entrarmos no mistério do seu Natal, para que sua chegada nos encontre vigilantes na oração e celebrando os seus louvores (cf. Prefácio do Advento II).

O Senhor é nossa força e nos faz beber no manancial da salvação. É preciso dizer aos desanimados: coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, ele mesmo vai salvar-nos (antífona da comunhão). De fato, as mesas onde o Senhor oferta sua vida nos reanima e nos fortalece para guardamos nossos corações e pensamentos no Cristo Jesus, adquirindo os seus sentimentos e atitudes.

Enviado por D. Vison Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: dezembro 13, 2012

Alegria e Esperança

Está chegando mais um Natal de alegria e de esperança para o mundo, porque ele tem como objetivo a presença de Deus em nosso meio. É o divino que se torna humano, fazendo com que o humano seja mais divino. Esta é a real novidade própria deste momento natalino, porque daí nasce a “vida”, que traz vida para todas as pessoas de boa vontade no caminho do bem.

Deus, na sua infinita bondade, partilha conosco a sua própria vida, como alimento de nossa sobrevivência ou de subsistência. Ele é o Criador e preservador de tudo que criou. Essa tarefa é colocada em nossas mãos, mas, em muitos casos, agimos como destruidores e ameaçadores da vida com atitudes desonestas.

O Natal dos cristãos deve ser o anúncio da identidade do Messias, daquele que proclama a justiça e o amor como itinerário da vida em Deus. Na verdade, Jesus nasce para anunciar um mundo novo, um reino de amor e proclamar a felicidade, que está dentro de nós mesmos. Podemos dizer que isto é a essência do ser humano.

Pensar no Natal é entusiasmar e apaixonar-se por Jesus Cristo, fazendo as coisas corretas, superando todas as atitudes de maldade que impedem a realização da felicidade. Para isto é necessário “fazer ao outro aquilo que fazemos a nós mesmos” e entender que Deus está dentro e presente em cada pessoa humana.

A alegria interior deve se manifestar externamente pela nossa voz e por nossos sinais, revelando a chegada do tempo da salvação. Isto significa eliminar da sociedade, e de nós mesmos, os atos de corrupção e desmandos. Acontece um novo estado de coisas em virtude da intervenção de Deus, ocasionando esperança.

A hora é de recobrar o ânimo, de revigorar as forças, tendo como garantia de tudo, a presença forte e renovadora de Deus. Por isto é necessário alegrar-se sempre com gestos de bondade, sabendo do valor de eternidade presente em cada atitude responsável que realizamos. É a alegria e a esperança que causam verdadeira paz.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

Posted by: | Posted on: dezembro 1, 2012

Celebração do 1º Domingo do Advento

02 de dezembro de 2012

“A vossa libertação está próxima”

Leituras: Jeremias 33, 14-16;

Salmo 25 (24), 4bc-5ab.8-9.10.14 (R/1b);

Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 3, 12-4,2;

Lucas 21, 25-28.34-36.

COR LITÚRGICA: ROXA

Anúncio do Novo ano Litúrgico

Começa a tocar o sino anunciando um novo ano litúrgico. Uma pessoa coloca-se no centro do presbitério, se possível vestindo uma roupa branca, ou uma veste branca. Durante o anúncio só se ouve a voz do anúncio. Depois do anúncio inicia-se o refrão orante.

Anúncio: Bem vindos irmãos e irmãs!

Iniciamos neste Domingo mais um Ano Litúrgico. O seu primeiro momento chama-se Advento. Tempo de espera e de preparação para o encontro com o Senhor que virá em sua 2ª vinda, e memorial do Natal, quando veio na 1ª vinda para nos salvar.

1. Situando-nos

Advento, ou o “dia da vinda”, é um tempo de preparação para as festas epifânicas, tem como tarefa preparar-nos para receber o Senhor que vem e se manifesta a nós. Sendo assim, a manifestação do Senhor tem dois aspectos.

A sua manifestação em nossa carne ao nascer, que constitui sua primeira vinda;

A sua manifestação em glória e majestade no final dos tempos, que constitui sua segunda vinda.

Estes dois aspectos do tempo do advento ficam muito claros na oração do prefácio I: “Revestidos da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”.

O tempo do advento terá, por conseguinte, esta dupla estrutura: será advento escatológico e advento natalício. O primeiro compreende o tempo que vai do primeiro domingo do advento ao dia 16 de dezembro inclusive; o segundo constitui-se pelas semanas de 17 a 24 de dezembro que propõem a preparação mais imediata para a festa do natal.

“A celebração da vinda do Senhor no tempo do advento vem ao encontro de nossa busca fundamental. Somos seres de desejo, inacabados, sempre ‘em devir’, assim como a realidade social e cósmica da qual fazemos parte. Elementos rituais próprios deste tempo litúrgico expressam e nos ajudam a incorporar esta dimensão do mistério de nossas vidas: leituras bíblicas, cantos, a prece ‘Vem Senhor Jesus’, a cor roxa ou rosada, a coroa de advento, as antífonas do Ó. Ouvindo a promessa da plena realização do Reino de Deus, cresce a expectativa e podemos afirmar confiantes: ‘um outro mundo é possível’. Cheios de esperança suplicamos: ‘Venha a nós o vosso Reino’ a atendemos ao convite para a vigilância e a espera ativa, preparando os caminhos do Senhor” (cf. Texto elaborado por Ione Buyst para a Semana de Liturgia, realizada em outubro de 20202, em São Paulo).

Neste primeiro domingo, somos convocados a atitudes bem concretas diante da vinda do Filho do Homem: levantar, erguer a cabeça, tomar cuidado, ficar atentos. Ou seja, é preciso ficar de pé diante do Filho do Homem.

2. Recordando a Palavra

O texto do evangelho de Lucas está situado no final do ministério de Jesus, em Jerusalém, antes de sua paixão. O Messias sofredor morre na cruz, por causa de sua atuação, em favor das pessoas oprimidas. Mas vence as forças da morte, através da ressurreição. Assim, a vinda gloriosa do Filho do Homem é descrita à luz do mistério pascal para iluminar a caminhada dos que continuam a missão libertadora.

A vinda do Senhor faz renascer a esperança da salvação plena, da qual já participamos por sal entrega amorosa na cruz. A linguagem profética e apocalíptica descreve a ação contínua de Deus na história. Os sinais que acompanham a manifestação da salvação (21, 25-28) têm sentido cristológico, apesar da referencia à destruição de Jerusalém durante a guerra judaica (66-73 d.C).

A expectativa da vinda gloriosa do Senhor liberta do medo, pois é anúncio de vida em plenitude, de libertação de todas as formas de opressão. É apelo a continuar a proclamação da salvação em meio às adversidades: “Levantai e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (21,28). A palavra ilumina a permanecermos firmes no caminho do Senhor, seguindo com fidelidade o seu projeto.

É necessário permanecer vigilantes e preparados (Lc 21, 34-36), como o povo do êxodo, para colher a salvação de Deus (Ex 12,11). A exortação é para “ficar atentos e orar em todo momento”, permanecendo acordos com boas obras. A vigilância e a oração constantes são atitudes de esperança, que possibilitam discernir os sinais da presença do Senhor nos acontecimentos de cada dia.

O profeta Jeremias, na primeira leitura, anuncia a realização da promessa messiânica da salvação. A situação sofrida do povo, após a destruição da cidade de Jerusalém e a deportação para a Babilônia, será transformada. Deus manifestará sua fidelidade, fazendo surgir um “rebento”, um rei que fará justiça e estabelecerá o direto na terra em favor da população. Todos viverão em paz e segurança e a nova cidade será chamada “Iahweh, nossa justiça”.

O salmo 25 (24) entrelaça suplicas individuais com reflexões sapienciais em forma de acróstico. Os versículos do texto da liturgia de hoje ressaltam o tema do caminho do Senhor. O salmista ora confiante ao Pai, com o desejo de ser instruído em seus caminhos. Mediante o amor, a justiça, a fidelidade, faz a experiência da intimidade com Deus que “dá a conhecer sua aliança”.

Paulo na segunda leitura, invoca o auxilio de Deus sobre os tessalonicenses que já testemunham uma fé operosa, um amor capaz de sacrifícios e uma firme esperança (1,3), enquanto aguardam a vinda do Senhor. Mas, embora estejam vivendo de forma agradável ao Senhor, são chamados a progredir na vida cristã, através de um amor transbordante, comprometido com todas as pessoas. O amor mútuo e universal é o caminho da perfeição, a maneira de se manter vigilantes na espera do Senhor.

3. Atualizando a Palavra

Cristo revelou a salvação que atua já no presente e mantém firme o nosso compromisso solidário em favor da justiça. A palavra de hoje anuncia a esperança da salvação plena: “A vossa libertação está próxima”. O Senhor se manifestará de forma gloriosa para realizar plenamente o seu Reino. Nossa atitude [e de espera vigilantes, através da oração e do amor fraterno.

São Bernardo, abade (Sec. XII), num de seus sermões, dizia: “Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas, esta não. Na primeira vinda, o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que o viram e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que o transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o veem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, O Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestado o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória. Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária é nosso repouso e consolação”(Liturgia das Horas, vol. I, PP 137-138).

O Senhor virá e a melhor maneira de manter a espera vigilante por meio do amor e da oração constante. A vigilância é uma atitude existencial e libertadora que se manifesta na esperança ativa, na fé no trabalho, nas relações humanas de cada dia, no compromisso com a justiça do Reino. É apelo a viver um amor universal transbordante que leva a construir um mundo novo de paz e fraternidade.

O evangelho fala de sinais no sol, na luz, nas estrelas, angústia na terra, bramido no mar e nas ondas, céu abalado, inquietações na humanidade. Palavras atuais diante do clamor pela preservação da natureza, Os países juntos podem promover um desenvolvimento sustentável, que atenda às necessidades das gerações presentes e futuras. Mas, cada pessoa é chamada a colaborar para garantir um futuro de esperança e de vida plena.

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

Celebramos com confiança no Senhor, cumpridor das promessas pois ele fará brotar de Davi a semente da justiça.

Neste tempo de renovação da esperança, que o Senhor nos conceda, como rezamos na oração do dia, o ardente desejo de possuir o reino celeste, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem.

A comunidade de fé, movida pela esperança reza e clama: “venha a nós o vosso Reino”, “vinde Senhor Jesus”. Na verdade ele já está no meio de nós, mas nos comprometemos com ele para que tudo possa ser plenamente transformado, segundo o querer divino.

Na liturgia eucarística, de pé, elevamos a nossa grande ação de graças ao Senhor, sobretudo, pela entrega de Jesus, o Filho do Homem, que se entrega a nós nos sinais do pão e do vinho. E é nesta tensão do “já” e do “ainda não” que celebramos, alimentando-nos da palavra e da eucaristia, para que tenhamos coragem de erguer do chão tudo o que está abatido.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: novembro 17, 2012

33º DOMINGO TEMPO COMUM – ANO B

18 DE NOVEMBRO DE 2012

 “Aprendei, pois, a Parábola da Figueira”

Leituras: Daniel 12, 1-3;

Salmo 15 (16), 5 e 8.9-10.11;

Carta aos Hebreus 10, 11-14.18;

Marcos 13, 24-32.

COR LITÚRGICA: Verde

Nesta páscoa semanal, Jesus vem mostrar o plano de Deus a nós. Ele quer que durante a nossa vida nos preocupemos e nos esforcemos para viver o verdadeiro amor a Deus e ao próximo, assim poderemos fazer escolhas corretas e ficar sempre atentos e vigilantes quanto à nossa fé, pois o seu plano de amor é para nos levar definitivamente para perto do Pai.

1. Situando-nos brevemente

Na caminhada do ano litúrgico, chegamos ao penúltimo domingo do Tempo Comum. Como em todos os domingos, celebramos o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, com o qual o mundo e a historia mergulham na plenitude dos tempos.

A celebração deste domingo nos motiva a assumir a condição de peregrinos nesta terra, onde tudo é efêmero e provisório. O céu e a terra passarão, a Palavra de Deus não passará. Ele nos pede vigilância e discernimento ativo dos sinais dos tempos, em atitude de esperança pela manifestação gloriosa da majestade do Senhor.

Aguardando a total manifestação de Deus na plenitude dos tempos, vivamos intensamente o presente, nos esforçando em dar o melhor de nós, na esperança de que um mundo novo é possível. Enquanto aguardamos a vinda final de Jesus, não podemos ficar parados. Novos céus e nova terra são possíveis, começando aqui e agora.

2. Recordando a Palavra

Durante o ano B, que estaremos concluindo no próximo domingo, fomos guiados pela evangelista Marcos. Hoje, ao lermos os versículos 24 a 32 do capítulo 13, ficamos preocupados em compreender a boa nova que nos está sendo anunciada.

Jesus está em Jerusalém. Ali, sua atividade gira em torno do templo e do culto. Ele termina com um amplo e enigmático ensinamento , tendo como ponto de partida o templo de Jerusalém. Na Bíblica do Peregrino, p. 2433, encontramos o seguinte comentário:

“Chegamos ao capítulo mais difícil deste evangelho, o chamado discurso escatológico. Difícil, porque fala de acontecimentos futuros mal conhecidos em seu desenvolvimento; difícil, porque se refere a tempos de crise, confusos por natureza, e também porque emprega imagens e uma linguagem marcada pelas alusões enigmáticas, reticências enunciadas, ocultação tática. Para interpretá-lo em seu conjunto (e não nos detalhes) é preciso ter presente: a) a intenção primeira não é satisfazer a curiosidade de agoureiros e de seus clientes crédulos: b) a formação de atitudes é muito mais importante do que a mera informação. Por isso devem-se destacar as admoestações à cautela e à vigilância. Atitudes especialmente necessárias em tempo de crise; c) este estilo de literatura já está presente na literatura profética do Antigo Testamento, por isso, devemos ter presente a história do povo de Israel para interpretá-las; d) toda essa literatura se presta a interpretações e aplicação variadas. Assim, pois, resulta verossímil e provável uma instrução de Jesus a seus discípulos para a crise que se avizinha e para o futuro”.

Este pequena explicação nos ajuda a não nos preocuparmos em entender e explicar cada uma das expressões do evangelho de hoje. É preciso ver mais o “contexto” do que o “texto”.

Através da linguagem apocalíptica, o Evangelista deseja auxiliar a primitiva comunidade cristã na compreensão da destruição da cidade de Jerusalém e de seu majestoso templo, ocorrida no ano 70, e das sucessivas perseguições a que era submetida. À luz dos acontecimentos, havia quem entendesse os últimos tempos como intervenção avassaladora de Deus.

Marcos elabora uma catequese sobre os últimos tempos, o retorno do Filho de Deus e a salvação dos eleitos que perseveraram. Ele tem como objetivo animar e fortalecer a perseverança e a esperança dos seguidores de Cristo. As comunidades devem confiar na “revelação gloriosa do Senhor”. Neste dia, se manifestará a justiça de Deus, os inimigos serão derrotados e os bons glorificados.

Seguindo o estilo das narrativas apocalípticas, o evangelho deste domingo utiliza imagens fortes: “o sol vai ficar escuro, a luz não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu, e os poderes do espaço ficarão abalados” (vv. 24 e 25). Em meio a todos estes sinais, se manifestarão o poder e a majestade de Deus pela manifestação gloriosa do Filho do Homem (v.26). “Ele enviará os anjos dos quatro cantos da terra, e reunirá as pessoas que Deus escolheu” (v.27).

É a hora do julgamento dos que se opuseram ao projeto de Deus e da salvação de todos quantos resistiram, permanecendo fieis. O evangelho Taz duas sentenças solenes. A primeira se refere à lógica da figueira. Por esta, Marcos ressalta que, face aos fatos e às perseguições, os cristãos devem discernir e esperar, confiantes na ação de Deus. É um aviso de que, dos escombros das estruturas do velho mundo brotarão um novo céu e uma nova terra.

A segunda sentença evoca o desconhecimento “quanto ao dia e a hora em que estas coisas acontecerão” (v.32). “Somente o Pai é quem sabe”. Isto desqualifica as especulações, a curiosidade e os movimentos milenaristas quanto à segunda vinda do Filho de Deus. Assim, o evangelho, mais do que suscitar um clima de terror e medo, enfatiza o aspecto positivo do fim dos tempos: a esperança da vitória e da salvação, isto é, a presença gloriosa e poderosa do Filho de Deus (evangelho).

Há uma pergunta que não quer calar: “mas quando acontecerá tudo isso?” Será no dia 12.12.2012 como alguns estão anunciando? A resposta de Jesus supera toda e qualquer curiosidade e banalidade: primeiro, é preciso ver os sinais do Reino já presentes na história; segundo, confiar na Palavra de Deus, pois os sinais passam, mas a Palavra permanece para sempre; por último, só o Pai sabe dia e a hora, de forma que não cabe à comunidade cristã especular sobre esse assunto.

A realidade da esperança está presente também no apocalipse do Livro de Daniel (1º Leitura). Deus está ao lado e é companheiro dos que praticam a justiça. A vitória final será de Deus e daquele que a ele são fiéis. O profeta Daniel quer infundir animo em seus leitores para que permaneçam fiéis a fé, embora inseridos num ambiente hostil.

O livro de Daniel foi escrito com o objetivo de animar e confortar os judeus fiéis, que estavam sendo oprimidos pela dominação grega dos selêucidas. O rei Antíoco IV queria obrigar os judeus a abandonarem sua religião e seu Deus e adotarem os costumes pagãos.

Quem, diante das perseguições, das catástrofes da natureza, das crises pessoais e sociais, age na integridade e pratica a justiça; quem não prejudica seu próximo; quem honra e teme o Senhor jamais será abalado (salmo responsorial).

A atitude de esperança evidencia-se igualmente na leitura da carta aos Hebreus (2ª Leitura). As comunidades tomadas pelo desânimo, em meio às perseguições, perpetuam o sacrifício de Jesus Cristo. Embora a situação social e comunitária não evidencie o novo, um dia Cristo vencerá, colocando seus inimigos sob seus pés (v.13).

A Carta reafirma a superioridade do sacerdócio de Cristo e acentua o contraste entre o sacerdócio/sacrifício de Cristo, que é único e eficaz, e o sacerdócio/sacrifício da antiga Lei. A oferenda de Cristo é única e verdadeira.

3. Atualizando a Palavra

Não são poucos os cristãos que hoje ficam preocupados com as afirmações o sol “está escurecendo”, a luz “não bilha mais”, estrelas “começarão a cair do céu” e as “forças do céu serão abaladas”. Não faltam visões de anjos, arcanjos, querubins e serafins “subindo e descendo em todas as direções”. Seria esta a mensagem do evangelho de Jesus, hoje proclamando?

Quais ou quem são hoje, “o sol, a luz, as estrelas, as forças do céu, os anjos…”, sinais ou símbolos das realidades que marcam nosso tempo? Os Bispos do Brasil, ao definirem as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2012-2015), descrevem as “marcas de nosso tempo”. Os números 17 a 24 deste documento nos ajudam muito a atualizar a Palavra hoje proclamada.

“DGAE 17: O discípulo missionário sabe que, para efetivamente anunciar o Evangelho, deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. Como o Filho de Deus assumiu a condição humana, exceto o pecado, nascendo e vivendo em determinado povo e realidade histórica (cf. Lc 2, 1-2), nós, como discípulos missionários, anunciamos os valores do Evangelho do Reino na realidade que nos cerca, à luz da Pessoa, da Vida e da Palavra de Jesus Cristo, Senhor e Salvador”.

“DGAE 18: O Concílio Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres. Sabemos, porém, que nem sempre é fácil compreender a realidade. Ela é sempre mais complexa do que podemos imaginar. Nela existem luzes e sombras, alegrias e preocupações. Daí a contínua atitude de dialogo, de evangélica visão crítica, na busca de elementos comuns que permitam, em meio à diversidade de compreensões, estabelecer fundamentos para ação”.

“DGAE 19: Estamos diante de uma globalização que não é apenas geográfica, no sentido de atingir todos os recantos do planeta. Estamos, na verdade, diante de transformações que atingem também todos os setores a vida humana, de modo que já não vivemos uma ‘época de mudanças, mas uma mudança de época’. O que antes era certeza, até bem pouco tempo, servindo como referência para viver, vem se mostrado insuficiente para responder a situações novas, ‘deixando as pessoas estressadas ou desnorteadas”.

“DGAE 20: Mudanças de época são, de fato, tempos desnorteados, pois afetam os critérios de compreensão, os valores mais profundos, a partir dos quais se afirmam identidades e se estabelecem ações e relações. Várias atitudes podem, então, surgir nestes períodos históricos. Duas, no entanto, se destacam. De um lado, é o agudo relativismo, próprio de quem, não devidamente enraizado, oscila entre as inúmeras possibilidades oferecidas. De outro, são os fundamentalismos que, se fechando em determinados aspectos, não consideram a pluralidade e o caráter histórico da realidade como um todo. Estas duas atitudes desdobram-se em outras tantas como, por exemplo, o laicismo militante, com posturas fortes contra a Igreja e a Verdade do Evangelho; a irracionalidade da chamada cultura midiática; o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo; um projeto de nação que nem sempre considera adequadamente os anseios deste mesmo povo”.

“DGAE 21: Os critérios que regem as leis do mercado, do lucro e dos bens materiais regulam também as relações humanas, familiares e sociais, incluindo certas atitudes religiosas. Crescem as propostas de felicidade, realização e sucesso pessoal, em detrimento do bem comum e da solidariedade. Não raras vezes, o individualismo desconsidera as atitudes altruístas, solidárias e fraternas. Por vezes, os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Desta forma, ficam comprometidos o equilíbrio entre os povos e nações, a preservação da natureza, o acesso à terra para trabalho e renda, entre outros fatores. É preciso pensar na função do Estado, na redescoberta de valores éticos, para a superação da corrupção, da violência, do narcotráfico, bem como o tráfico de pessoas e armamentos. A consciência de co-cidadania está comprometida. Em situação de contradições e perplexidades, o discípulo missionário reage, segundo o espírito das bem-aventuranças (cf. Mt 5,1ss), em defesa e promoção da vida, negada ou ameaçada por várias formas de banalização e desrespeito. Como não reagir diante da manipulação de embriões, homicídios, prática do aborto provocado, ausência de condições mínimas para uma vida digna com educação, saúde, trabalho, moradia, enfim, da ausência de efetiva proteção à vida e à família, às crianças e idosos, com jovens despreparados sem oportunidades para ocupação profissional?”

“DGAE 22: O discípulo missionário observa, com preocupação, o surgimento de certas práticas e vivências religiosas, predominantemente ligadas ao emocionalismo e ao sentimentalismo. O fenômeno do individualismo penetra até mesmo certos ambientes religiosos, na busca da própria satisfação, prescinde-se do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. Oportunistas manipulam a mensagem do Evangelho em causa própria, incutindo a mentalidade de barganha por milagres e prodígios, voltados para benefícios particulares, em geral vinculados aos bens materiais. Exclui-se a salvação em Cristo, que passa a ser apresentada como sinônimo de prosperidade material, saúde física e realização afetiva. Reduzem-se, deste modo, o sentido de pertença e o compromisso comunitário-institucional. Surge uma experiência religiosa de momentos, rotatividade, individualização e comercialização. Já não é mais a pessoa que se coloca na presença de Deus, como servo atento (cf. 1Sm 3,9-10), mas é a ilusão de que Deus pode estar a serviço das pessoas”.

“DGAE 23: Importa discernir os motivos pelos quais uma ilusão tão grave assim acaba por adquirir força em nossos dias. As causas são muitas e interligadas. Dizem respeito às incontáveis carências das mínimas condições que grande parte de nossa população tem para enfrentar problemas ligados à saúde, à moradia, ao trabalho e às questões de natureza afetiva. Dizem ainda respeito às incertezas de um tempo de transformações, que levam algumas pessoas a buscarem tábuas de salvação, agarrando-se ao que mais imediatamente se encontra ao alcance. Assim, surgem os diversos tipos de fundamentalismo que atingem o modo da leitura bíblica e os demais aspectos da vida humana e social. Quando aliado ao individualismo, o fundamentalismo torna-se ainda mais perigoso, pois impede que se perceba o outro como diferente. Este, contudo, é também apelo ao encontro e ao convívio. O amor ao próximo, especialmente aos mais pobres, tende a desaparecer destas propostas, que acabam se tornando uma espécie de culto de si mesmo”.

“DGAE 24: Tempos de transformação tão radicais, por certo, nos afligem, mas também nos desafiam a discernir, na força do Espírito Santo, os sinais dos tempos. Mudanças de época pedem um tipo específico de ação evangelizadora, a qual, sem deixar de lado aspectos urgentes e graves da vida humana, preocupa-se em ajudar a encontrar e estabelecer critérios, valores e princípios. São tempos propícios para volta às fontes e busca dos aspectos centrais da fé. Esta é a grande diretriz evangelizadora que, neste início de século XXI, acompanha a Igreja: não colocar outro fundamento que não seja Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8). A espiritualidade, a vivência da fé e do compromisso de conversão e transformação nos orientam para a construção da caridade, da justiça e da paz, a partir das pessoas e dos ambientes onde há divisão, desafetos, disputa pelo poder ou por posições sociais. Este é um tempo em que, através de ‘novo ardor, novos métodos e nova expressão’, respondemos missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo”.

4. Ligando a Palavra com a Ação Eucarística

A ação eucarística é vivência antecipada da manifestação gloriosa de Cristo, acontecendo hoje, pela prática da fé e da caridade solidária. “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, enquanto aguardamos vossa vinda”. Há íntima unidade entre a ação litúrgica e a escatologia, espera da vinda de Cristo. “Maranátha” (1Cor 16,22). “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,20).

“Venha o Senhor, passe o mundo”. Em cada celebração eucarística, renova-se para a Igreja a esperança do retorno glorioso de Cristo. Sempre renovada, ela reafirma o desejo do encontro final com Aquele que virá para realizar seu plano de salvação universal (cf. João Paulo II, Eucaristia e Missão, 19de abril de 2004).

Na celebração litúrgica da comunidade terrena, nós participamos, já a saboreando, da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos encaminhamos (cf. SC, n.2) como peregrinos.

A eucaristia que celebramos é memória da “volta do Senhor”. Paulo afirma: “todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Cor 11,26).

O pão e o vinho, frutos do trabalho humano, transformados pela força do Espírito Santo no Corpo e no Sangue de Cristo, tornam-se o penhor de “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1), que a Igreja anuncia em sua missão cotidiana. No Cristo presente no mistério eucarístico, o Pai pronuncia a palavra definitiva sobre a humanidade e sobre sua história.

A ação litúrgica (em particular a Eucaristia), ao mesmo tempo em que do presente resgata o passado, projeta ao futuro, inserindo seus participantes no “tempo novo”: “Assim como aqui nos reunistes, ó Pai, à mesa do vosso Filho… reuni no mundo novo, onde brilha a vossa paz, os homens e as mulheres de todas as classes e nações, de todas as raças e línguas, para a ceia da comunhão eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Oração Eucarística sobre Reconciliação II).

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira