Evangelho de Mateus,

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Posted by: | Posted on: junho 2, 2012

Celebração da Santíssima Trindade

9º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Dia 03 de junho de 2012

“Somos batizados e enviados em nome do Pai e do Filho e do Espírito” para fazer no mundo uma comunidade de paz.

Leituras: Deuteronômio 4, 32-34.39-40; Salmos 32 (33); Carta de São Paulo aos Romanos 8, 14-17; Mateus 28, 16-20 (Batismo em nome da Trindade).

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

Hoje somos convidados a celebrar a Eucaristia no mistério da Santíssima Trindade. A família de Deus, a Trindade, é a imagem da perfeita harmonia, da perfeita integração, da total realização, que acontece no encontro e no diálogo de amor com as outras pessoas. Essa unidade de todos na paz da “casa” do Pai se realizará em plenitude quando a força do ressuscitado tiver conquistado através dos discípulos, toda a humanidade.

1. Situando-nos brevemente

Com a solenidade de Pentecostes, encerrou-se o tempo pascal. Hoje celebramos a solenidade da Santíssima Trindade, muito recente no calendário da liturgia romana, datada do ano de 1334. Com o Concílio Vaticano II, deixou de ser uma celebração temática e recebeu um sentido mais bíblico-celebrativo.

A sua celebração é contemplação: junta o sentido da Encarnação e da Redenção realizados na história, onde o Deus Vivo é protagonista. Não desenvolve uma teologia sobre a Santíssima, mas celebra a renovação da aliança com o Pai que nos criou e nos libertou, entregando-nos o dom da vida plena em Jesus Cristo, seu Filho amado, o Verbo encarnado que, por sua vez, nos confiou, com sua morte e ressurreição, o dom de seu Espírito.

Somos chamados, na ação litúrgica, a renovar o compromisso batismal. Fomos batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Mergulhamos na dinâmica do amor trinitário. A nossa vocação de sermos comunidade, ícone da Santíssima Trindade, sinais de comunhão, de ajuda mútua, de partilha de solidariedade, num mundo dividido, individualista, ganancioso, desesperançado e violento.

O Deus verdadeiro é Javé. O Deus que liberta para que todos tenham vida. Ele é nosso parceiro e libertador. Um Deus que é comunidade. Que mora na comunidade. Que ensina a viver em comunidade e que nos salva em e com a comunidade.

A Igreja sempre celebra a Páscoa do Senhor, o Salvador, e por Ele dá graças ao Pai, o Criador, no Espírito de amor, o Santificador. Toda celebração é trinitária. A liturgia é a celebração da Páscoa e, pela nossa participação, mergulhamos no mistério inefável da Trindade, fonte e meta do peregrinar da humanidade.

2. Recordando a Palavra

O Evangelho nos oferece uma tríplice mensagem:

1)   Os onze discípulos duvidam da ressurreição, mas vão à Galileia, como Jesus tinha indicado. A comunidade dos discípulos tomou o rumo certo: a Galileia, local de significado teológico. Lá, Jesus começa a sua missão (cf. Mt 4, 12-17) no meio de pessoas marginalizadas e pisadas. É na Galileia que Jesus revela a Boa Notícia do Reino. É o lugar do testemunho e da ação das primeiras comunidades cristãs. Os discípulos se prostram diante de Jesus, identificando-se com Ele e com o seu projeto. Contudo, há sempre o risco de não acolhermos plenamente o significado da prática de Jesus: “(…) ainda assim, alguns duvidaram” (v.17b).

2)   O monte para onde se dirigem , mais do que local geográfico, é uma catequese memorial, um ensinamento muito precioso. Constitui a memória do monte das tentações (cf. 4, 8-10), da transfiguração (cf. 17,1-6) ou a montanha sobre a qual Jesus anunciou seu programa de vida, as bem-aventuranças (cf. 5, 1-7,29). É memória, ainda, da montanha do encontro entre Deus e o povo da primeira aliança na pessoa de Moisés, local onde ele recebe a Lei.

Aí, Jesus entrega a missão aos discípulos. Na montanha da tentação onde Jesus não aceitou receber do demônio o domínio sobre as nações, Ele agora proclama que recebeu de Deus essa autoridade. Ali, Ele aceita ser o Messias, contrariamente ao que havia declarado em sua pregação. Agora, ressuscitado, possui “toda autoridade no céu sobre a terra” (cf. v.18b). Não só está próxima, como é entregue solenemente a missão à comunidade cristã: “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos” (cf. v.19ª). A Galileia é o ponto de partida e a meta: fazer com que o projeto de Deus alcance a todos, tornando-os Povo de Deus.

3)   Por fim, o Ressuscitado reassume e cumpre a promessa da presença divina no Antigo Testamento (cf. v.20b). Jesus caminha conosco. O Evangelho termina com uma promessa: “Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Mateus havia iniciado o Evangelho apresentando Jesus como Emanuel (Deus-conosco: cf. 1,23), e o conclui mostrando que Jesus continua vivo e presente na comunidade. Jesus não se afasta do mundo; está presente na história, ao mesmo tempo história de Deus e da humanidade, a serviço da justiça do Reino de Deus.

A primeira leitura apresenta Javé, o único Deus que desmascara os ídolos que oprimem o povo. Só quem livra o povo da escravidão é que pode ser considerado Deus de Israel. Não é um Deus de conceitos e distante do povo, mas que age a favor do seu povo. E a fé não é abstrata, porém está apoiada na historia, na experiência do Deus vivo que atua e liberta para que todos tenham vida.

Javé, o único Deus, tirou Israel do Egito, falou-lhe no Sinai e deu-lhe a Terra Prometida: estas são as grandes ações de Deus que o povo sempre celebrará. Deus deu a Lei conforme Israel podia assimilar. Mas o que Ele quer dar realmente, não só a Israel, mas a todos nós, hoje, é seu Espírito. E o Espírito nos ajuda a retomar a experiência do passado e nos convida a rever no presente a aliança de Deus, em todas as circunstâncias da vida pessoal, comunitária, social e política.

É na caminhada das comunidades que o Deus único continua presente, suscita a liberdade e promove a vida. É um Deus próximo, acessível, que fala conosco, nos acompanha: Ele conta com a amizade de seu povo. Não é um Deus indiferente à nossa realidade, mas profundamente solidário.

O Salmo 32 (33) é um hino de louvor. Somos o povo a quem Ele se revelou para cantarmos os seus louvores. Salienta duas características de Deus: Criador e Senhor da história e de toda a humanidade. O salmo é o louvor cantado durante ou após o Exílio da Babilônia (587-530 a.C), quando o povo começou a conhecer Deus como Criador. Com o Salmo, louvamos a Deus, que é aliado da humanidade e com ela quer construir um mundo de justiça e direitos iguais, para todos, pois “Ele ama a justiça e o direito, e seu amor enche toda a terra” (v.5).

A carta aos Romanos faz uma síntese dos ensinamentos de Paulo às comunidades. O capítulo 8 pode ser resumido pela frase: a vida no Espírito.

Pelo Batismo, recebemos o espírito de filhos e somos coerdeiros de Deus. O Espírito de Cristo clama em nós: “Abbá, Pai!”. É um Espírito de liberdade, não de escravidão. O termo aramaico “Abbá” é a expressão da intimidade filial, cheia de familiaridade e ternura entre Jesus e seu Pai.

O Pai é o doador da vida e, por meio do Espírito, nos torna filhos, em Cristo, merecedores da herança, a Terra Prometida, com a condição de sermos fiéis no seguimento de Jesus, participantes de seus sofrimentos, da sua morte e sua ressurreição. A Terra Prometida é o conjunto dos bens divinos: o Reino, a vida plena, ressuscitados com Cristo. O que é de Deus e confiado a Cristo é também nosso.

3. Atualizando a Palavra

Temos e acreditamos que a Santíssima Trindade é a melhor comunidade. Pelo Batismo, somos mergulhados no mistério do seu amor, e nos tornamos participantes da vida trinitária. E Deus nosso Pai, nos deu o Reino em herança, adotando-nos como filhos e filhas. Ele elimina, pelo Espírito de Jesus, o medo que nos escraviza e aprisiona. Esse Deus se revela na prática das comunidades, que vão refazendo os gestos de Jesus até que o mundo seja transformado e tudo se torne posse da Trindade.

O Batismo, feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa: consagração, ser marcado pela Trindade a serviço da justiça, dedicação total e entrega a tudo o que Jesus ensinou.

Deus é nosso Pai. Nossa relação com Ele exprime o que há de mais íntimo e carinhoso. Podemos, pelo Espírito, chamá-lo “Abbá, meu Pai”, exatamente como Jesus o fez (cf. Mc 145,36). Na condição de filhos e filhas, recebemos a herança do Pai, que nada reserva para si. Senhor e dono absoluto de todas as coisas, tudo nos dá. A síntese da herança é o Reino de Deus.

Somos convocados a ser sinal do carinho do Pai, a cuidar da obra que Ele criou, a  defender as pessoas, filhos e filhas de Deus, trabalhar para a vida ficar do jeito que Deus Pai sempre quis.

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

Na celebração litúrgica, participamos mais intimamente da comunhão trinitária. Louvamos, agradecemos e suplicamos ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, e somos renovados na certeza de sermos filhos e não escravos, promotores da vida e não destinados à destruição e à morte.

Iniciamos a celebração em nome da Trindade que nos convoca, nos acolhe e nos reúne como seu povo santo, consagrados ao seu louvor, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo.

Na Profissão de Fé, renovamos nossa adesão, nossa fé no Deus Pai Criador; em Jesus, seu Filho, nosso Redentor, nascido pelo Espírito do seio de Maria; e no Espírito Santo, animador e santificador da comunidade até a plena realização do Reino.

Na oração eucarística, entoamos, com Cristo, nossa ação de graças ao Pai e somos santificados pelo Espírito. Com Cristo nos oferecemos ao Pai, e na força de seu Espírito suplicamos para sermos perfeitos no amor e assumirmos ser fieis aprendizes e comunicadores da partilha, da comunhão e da salvação a todos os povos.

Com a bênção da Trindade, somos enviados em missão como testemunhas da Páscoa, pregoeiros da esperança. Arautos da justiça e instrumentos de comunhão.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: fevereiro 21, 2012

Celebração da Quarta-feira de Cinzas

imagem: arquidiocesebh.org.br

“Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar !” (CF. Gn 3, 19)

Leituras:                                                     Joel 2,12-18;                                           Salmo 51 (50), 3-4.5-6a.12.13.14 e 17;         2ª Carta de Paulo aos Coríntios 5, 20-6,2; Mateus 6, 1-6.16-18.

COR LITÚRGICA: ROXO

Iniciamos, por meio desta celebração de cinzas a nossa Quaresma, nossa caminhada de conversão para a Páscoa. A oração, o jejum e a esmola são os caminhos para quem quer viver com proveito este tempo quaresmal. Celebrar a quaresma é reconhecer a presença de Deus na caminhada, no trabalho, na luta, no sofrimento e na dor da vida do povo. Por isso no Brasil é desenvolvido, neste tempo, a Campanha da Fraternidade, que este ano tem como tema: “Fraternidade e Saúde Pública”, com o lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8). Peçamos a Deus que esta quaresma nos ajude a compreender que a vida é um enorme bem e pulsa em nossos corações.

Situando-nos brevemente:

Na Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo privilegiado de preparação para a festa da Páscoa. É o único dia, juntamente com a Sexta feira Santa, no qual a Igreja pede a todos os adultos que jejuem, isto é, renunciem a uma refeição importante do dia, em sinal de disponibilidade e solidariedade.

O rito da imposição das cinzas lembra que nós, pessoas humanas, somos pé e ao pó voltaremos (cf. Gn 3,19). Diante dessa nossa fragilidade, nos reconhecemos pecadores e aceitamos o convite de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Receber as cinzas significa confirmar nossa fé na Páscoa de Cristo, na reconciliação, na esperança de um dia estar ressuscitado com ele.

Celebramos o convite que o Senhor nos faz à conversão e à vida nova, ouvindo sua Palavra e deixando que ele nos purifique e nos envie para junto dos necessitados de paz, pão, saúde, vida digna.

Com toda a Igreja no Brasil, iniciamos, também neste dia a Campanha da Fraternidade, com o tema “Fraternidade e saúde pública”. O Lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra!” (cf. Eclo 38,8).

2. Recordando a Palavra

A primeira leitura de hoje é sequencia da descrição da praga dos gafanhotos que assola a terra de Judá e devasta toda a plantação. A praga é considerada como sinal de Deus, para dizer que está próximo o dia de Javé. O profeta Joel aproveita a ocasião para refletir com o povo sobre o acontecido. Incentiva-se a cuidar da terra devastada e convoca todos à conversão, à penitência, à mudança de vida.

Como entender tudo o que aconteceu e retomar o caminho que leva ao Senhor?

O profeta pede uma renovação interior que nasça das profundezas do nosso ser. Não pode ser algo exterior, aparente e sem conseqüências práticas. Importa que o homem todo se volte para Deus. Confiando na misericórdia de Deus, o pecado pode estar certo do perdão.

O Salmo 51 é uma oração, confiante do pecador arrependido e disposto a retomar o bom caminho. Deus nos purifica e nos lava de todo o pecado. Só com nossas forças nada podemos. Contudo, urge reconhecer nosso pecado e nos dar conta de nossa maldade. O verdadeiro culto e o perfeito sacrifício consistem no coração puro e honesto.

Paulo nos coloca frente a Jesus Cristo, aquele que nos reconcilia com Deus. A pregação, no contexto dos conflitos existentes na comunidade e das dificuldades de aceitar o apóstolo em Corinto, é um convite, uma exortação e uma oração para acolher, na vida, o dom da reconciliação. Recorda que essa é a hora oportuna e o momento favorável da salvação.

Não somos nós que nos reconciliamos com Deus, mas temos que nos deixar reconciliar. Somos livres para aceitar a reconciliação, mas não para criá-la ou iniciá-la. A nós, cristãos, quem nos reconcilia com Deus é Cristo, por meio de sua cruz e de sua gloriosa ressurreição.

No Evangelho, no contexto do Sermão da Montanha, Jesus nos fala ao coração, lembrando a transparência e a veracidade de nossos atos, a sinceridade do coração e a honestidade de nossas práticas. Jesus dá um conselho de ouro: na medida do possível, só o Pai veja e saiba o bem que fazemos. Aí está o segredo do homem justo e santo.

A esmola, o jejum e a oração são conselhos muitos antigos e considerados um caminho de ascese espiritual. Eles sempre foram propostos pelos mestres nos ensinamentos aos seus discípulos e seguidores.

Jesus não faz diferente, porém tem consciência muito clara de que eles não são suficientes e, em muitos casos, podem nos desviar do que é essencial. Por isso, ele os coloca na relação profunda e de intimidade na comunhão com o Pai e com seus desígnios.

Jesus deixa muito claro que é preciso libertar-se de vaidades e aparências, como “praticar a justiça só para ser visto pelos outros”. E insiste: “tua mão esquerda não saiba o que faz a tua direita; entra no teu quarto e fecha a porta: perfuma a cabeça e lava o rosto…”

3. Atualizando a Palavra

Atualizar a Palavra significa acolhê-la em nossas vidas e permitir que ela realize em nós a salvação, em meio às diferentes realidades e situações que nos são dadas viver e experimentar. Isso supõe abertura do coração aos apelos do Senhor e mergulho na realidade social, política, econômica e cultural.

Atualizar a Palavra significa não só buscar um sentido para tudo o que acontece ao nosso lado, mas tornar a Palavra que ouvimos em Palavra de Salvação, de Vida, de Ressurreição, de Comunhão com o Pai, na força do Espírito Santo.

No início da Quaresma, é preciso tomar consciência de que um dia acontecerá o julgamento de Deus que é paciente e misericordioso, mas também exigente e ciumento: quer que façamos o jejum sagrado e estejamos congregados em assembléia para a celebração da liturgia, com a prece calorosa: “Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que essa tua herança sofra infâmia”.

Da Carta aos Coríntios deduzimos que a Quaresma, com as nossas práticas e opções de vida, é momento propício de nossa salvação. Importante nos deixarmos reconciliar com Deus. Deus respeita nossa liberdade e pede nossa colaboração para não recebermos em vão a sua graça.

No tempo da Quaresma, somos instados a rever nossa atitude frente à esmola, à justiça, à oração e à caridade no contexto da história da salvação e frente aos milhões de irmãos que passam tantas necessidades. Esmola, justiça e caridade colocam-se em meio à resposta dada à pergunta: o que podemos e devemos fazer por eles e com eles, para garantir uma vida digna para todos?

“A Campanha da Fraternidade, celebrada na Quaresma, intensifica o convite à conversão. Ela contribui incisivamente para que este processo ocorra e alargue o horizonte da vivência da fé, na media em que traz, para a reflexão eclesial, temas de cunho social, portadores de sinais de morte, para suscitar ações transformadoras, segundo o Evangelho.

A saúde integral é o que mais se deseja. Há muito tempo, ela vem sendo considerada a principal preocupação e pauta reivindicatória da população brasileira, no campo das políticas públicas.

O SUS (Sistema Único de Saúde), inspirado em belos princípios como o da universalidade, deveria ser modelo para todo mundo. No entanto, ele ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados destes serviços (Texto Base CF 2012, nn. 3-5)

As cinzas lembram o que somos – pó – mas a misericórdia do Senhor é imensa. A Quaresma, na graça do Senhor, é um grande retorno ao primeiro amor e uma profunda purificação de nossas vidas pela concretização da solidariedade.

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

O grande desafio da Quaresma é cada um, conscientemente, assumir o compromisso de fazer uma caminhada séria, honesta, provocadora de mudanças em sua vida. Isso é graça de Deus e decisão pessoal.

Jesus no início deste tempo litúrgico, nos mostra a firme decisão de realizar a vontade do Pai e reconciliar a humanidade com ele. A força da sua páscoa é lembrada e atualizada em cada liturgia e vivenciada profundamente neste tempo de preparação pascal. Na celebração, nos tornamos muito íntimos de Jesus e de seus gestos, palavras e ações e também do mistério do Pai que ele nos revela.

A celebração tem uma força pedagógica muito forte para que tudo isso aconteça. A proclamação da Palavra é Deus mesmo falando ao seu povo, o convocando a uma vida melhor, mais justa, mais santa e solidária. A comunidade reunida é composta de pessoas amadas por Deus, sedentas de paz, necessitadas de perdão e reconciliação.

As preces e os cantos são clamores nascidos no coração das pessoas em busca de Deus e de sua misericórdia. A preparação da mesa do altar é a explicitação do sonho profundo da refeição comunitária, do pão partilhado, dos bens condivididos e da fraternidade entre os povos.

A prece eucarística, memorial da Páscoa, canta as maravilhas do Senhor realizadas na pessoa de Jesus Cristo e hoje oferecidas para nós, povo sacerdotal, raça eleita, povo chamado a ser discípulo missionário nas veredas do mundo. O pão eucarístico, repartido para a comunhão de todos, realiza, na Páscoa do Cordeiro, a profunda comunhão entre nós, fazendo-nos um só corpo em Cristo, presença do Ressuscitado, a serviço da vida de todos, especialmente dos mais pobres e necessitados.

Neste tempo propício, voltamos especialmente o coração para o Senhor. Permanecemos atentos à sua Palavra, em atitude de conversão sincera, em espírito de penitência, no cultivo da oração, na prática da caridade e do jejum em busca da santidade. Jejum é sinal de disponibilidade e solidariedade, de entregar-se nas mãos de Deus.

Quaresma é tempo de volta confiante ao Senhor: “Ó Deus, vós tendes compaixão de todos e nada do que criastes desprezais: perdoais nossos pecados pela penitência porque sois o Senhor nosso Deus” (antífona de entrada).

A comunidade recolhe-se e concentra-se na meditação da Palavra de Deus para encontrar forças e inspiração no anúncio do Evangelho, pois está inserida em um mundo onde existem milhões de pessoas passando fome, onde a violência ceifa tantas vidas e a desigualdade social é uma triste realidade que afronta o coração de Deus.

No que se refere à CF 2012, “… é possível extrair 5 temas preocupantes para a saúde atualmente: doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares), hipertensão, diabetes, cânceres, doenças renais crônicas e outras); doenças transmissíveis (AIDS, tuberculose, hanseníase, influenza e ou gripe, dengue e outras); fatores comportamentais de risco modificáveis (tabagismo, dislipidemias por consumo excessivo de gorduras saturadas de origem animal, obesidade, ingestão insuficiente de frutas e hortaliças, inatividade física e sedentarismo); dependência química e uso crescente e disseminado de drogas licitas e ilícitas (álcool, crack, oxi e outras); causas externas (acidentes e violências) “ (Texto Base CF 2012, n.65).

Entramos na Quaresma em comunhão com todas as comunidades que rezam com a Igreja no Brasil e assumem as propostas da Campanha da Fraternidade.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo Diocesano de Limeira

Posted by: | Posted on: outubro 31, 2011

CELEBRAÇÃO DO DIA DE FINADOS

“Felizes os pobres em espírito, porque
deles é o reino dos céus”

Leituras: (Missa III)
Sabedoria 3, 1-9; Salmo 42 (42), 2.3.5bcd; 42 (43), 3.4.5;
Apocalipse 21, 1-5.6b-7; Mateus 5, 1-12.

COR LITÚRGICA: ROXA

Animador: Celebrar a morte cristã é
celebrar a esperança na vida eterna, que se encontra em Deus.
Todos sabemos que a morte não é o fim de tudo; é apenas o
início de um novo modo de existir, fundamentado no amor e na paz
que se encontra eternamente em Deus.

1. Situando-nos
brevemente

Neste dia recordamos, de modo especial,
os nossos mortos. Fazemos essa memória no Mistério da Páscoa
de Jesus, que venceu definitivamente a morte. Todos os que, pelo
Batismo, são incorporados a Cristo, com Ele ressuscitarão dente
os mortos à semelhança de sua ressurreição.

O Missal Romano e o Lecionário Dominical
apresentam três propostas diferentes para a liturgia de hoje. De
acordo com as necessidades pastorais, a comunidade faz a sua
escolha. Optamos aqui pelos textos da Terceira Missa.

2. Recordando a
Palavra

A palavra da Sabedoria gira em torno dos
conflitos justos versus injustos, chamados de insensatos.
O conflito ocorria pela hostilidade e perseguição advindas de
pessoas da cultura grega contra a fé e a cultura do povo judeu,
que habitava em Alexandria do Egito, por volta dos anos 50 a.C.
Para não serem marginalizados e perseguidos, muitos deixavam os
costumes e até a fé, perdendo a própria identidade de povo
escolhido.

Além disso, a crença na “teologia da
retribuição” estava em crise. A realidade mostrava o
contrario. Os corruptos e injustos viviam sossegados por longos
anos. Os justos eram atribulados, perseguidos, mortos na
juventude.

Para superar essa crise, a sabedoria
afirma com toda a convicção: “as almas (as vidas) dos justos
estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá (…).
Os justos estão em paz (…). Os justos, no dia do julgamento,
brilharão como fagulhas no meio da ‘palha’ e governarão as
nações, submetendo os povos, participando com o Senhor do
senhorio da história”. Deus e os justos são aliados
inseparáveis e, mesmo que venha a morte por causa da luta pela
justiça, os justos continuarão vivendo.

O Salmo 41 (42)/ 42 (43) expressa uma
saudade imensa de Deus e mantém nossa esperança de voltar a nos
encontrarmos com Ele. Deus se faz presente na vida em forma de
ausência sentida. Para falar da ausência, é usada a imagem da
corça bramindo de sede. Todo ser sem Deus seca e morre. Cantemos
este salmo na certeza de que Deus atende nossa sede profunda.

Ouvimos três versículos do Apocalipse
com uma revelação preciosa: “Pronto! Está feito! Acabou! Eis
que faço novas todas as coisas! (…). Eu sou o começo e o fim.
O vencedor receberá a herança!”. Quando tudo parecer acabado,
novas coisas surgirão, e quem se manteve fiel receberá sua
herança. Será tudo novo, sem dor, sem choro, sem luto. Nem
morte haverá.

No Sermão da Montanha (cf. Mt 5, 7-27),
Mateus reúne a nova justiça trazida por Jesus. As bem-aventuranças
abrem esse sermão, anunciando a felicidade verdadeira de ser
merecedor do Reino. São proclamações de salvação para
aqueles que aderem à comunidade dos seguidores de Jesus Cristo.

Existe o texto paralelo de Lucas 6, 20-26.
São duas formulações das palavras de Jesus. Em Mateus, são
oito bem-aventuranças e mais uma a se realizar com quem segue
Jesus; em Lucas são quatro bem-aventuranças e quatro
infelicidades. Esse gênero (ashrê em hebraico) é freqüente
nos salmos e na poesia sapiencial. São mandamentos como o
decálogo do Sinai. Revelam uma felicidade quase que humanamente
incompreensível. Reúnem promessas de bens excelentes e
exigências extraordinárias.

Mateus fala em “pobres em espírito!”.
É uma noção que vem do profeta Sofonias. São os anawim,
os que buscam Deus e a sua justiça, que mantém viva a Aliança
na espera do Messias. Esse espírito não é a inteligência ou o
Espírito Santo, mas é o centro, o coração, a totalidade da
pessoa. Essa expressão, de acordo com a mentalidade bíblica,
significa dinamismo, sopro, força vital.

Esses pobres são os que, por seus
sofrimentos e carências, aprenderam a confiar somente em Deus e
contar com seu socorro. “Em espírito” indica a interioridade
consciente: sabem que são pobres e também rejeitam a cobiça e
a ganância. O Reinado de Deus é para eles. A evangelização
dos pobres foi o sinal dado por Jesus aos discípulos de João
Batista, para reconhecerem que Ele era o Messias.

3. Atualizando a
Palavra

A Palavra de Deus é um apelo para sermos
pobres em espírito e nos propõe o aspecto dinâmico do ser
humano, de buscar a inteireza do ser. Expressa muita exigência e
não apenas desprendimento dos bens materiais. Ser pobre “em
espírito” nos leva a transformar a referência de uma
situação econômica e social em uma atitude para aceitar a
Palavra de Deus.

Este é um tema central das Sagradas
Escrituras, que nos convida a viver em total disponibilidade �
vontade de Deus e fazer dela nosso alimento. É uma atitude de
filhos e filhas, irmãos e irmãs dos demais filhos de Deus; ser
pobre em espírito é ser discípulo de Cristo. O discipulado
exige abertura ao dom do amor de Deus e solidariedade
preferencial com os pobres e oprimidos.

As demais bem-aventuranças referem-se a
outras atitudes do discípulo, do pobre: bom trato, aflição
pela ausência do Senhor, fome e sede de justiça, misericórdia,
coerência de vida, construção da paz, perseguição por causa
da justiça. Elas enriquecem e aprofundam a primeira bem-aventurança.

Neste dia de esperança, de comunhão com
que amamos e continuamos amando os que terminaram sua
peregrinação terrena, mesmo sem a presença física, a
Ressurreição de Jesus é uma luz cintilante para nossa fé na
vida. Temos certeza que todo mal já foi vencido e nos aguarda um
futuro onde a morte não existirá mais. É essa também a
certeza que temos quando a nossos pais, irmãos, amigos e a todos
que adormeceram no Senhor.

Temos que construir o novo céu e a nova
terra durante o tempo de nossa história, mas temos a confiança
que quem morreu, tendo guardado a fidelidade a Jesus Cristo, já
pode usufruir do novo céu e da nova terra sem fim.

4. Ligando a Palavra
com ação litúrgica

Damos graças ao Pai, Santo e fonte de
toda a santidade, participando do memorial da morte e
ressurreição do Cristo, o Bem-aventurado do Pai, o Alfa e o
Ômega, princípio e fim, que nos oferece, gratuitamente, a fonte
de água viva, seu Espírito Santo.

Antecipamos nossa participação na
assembléia celeste com todos os irmãos e irmãs que partiram,
os santos e santas que entoam incessantemente a Deus o louvor
pascal e que resplandecem como faíscas luminosas, provados com o
ouro no cadinho.

Suplicamos ao Pai, na certeza da
ressurreição, que nossos falecidos gozem da imortalidade, da
alegria plena prometida.

Nesta Eucaristia, retomando nosso Batismo,
o Espírito Santo realiza também em nós essa esperança,
participando da vitória pela qual Cristo nos faz continuamente
com ele reviver.

Oração dos fiéis:

Presid.: Dirijamos a nossa oração a Deus
Pai todo-poderoso, que ressuscitou dentre os mortos Jesus, seu
Filho e Senhor nosso, e peçamos-lhe a salvação para os vivos e
os falecidos.

1. Senhor, que Igreja testemunhe sempre diante de
todas as pessoas a sua fé em Cristo morto e ressuscitado.
Peçamos:

Todos: Senhor, dai-nos a sua luz!

2. Senhor, faça que participem da liturgia do
céu os bispos e sacerdotes que exerceram na Igreja o ministério
sagrado, para que. Peçamos:

3. Senhor, receba na comunhão dos Santos nossos
falecidos que receberam no batismo o germe da vida eterna e se
nutriram do Corpo e do Sangue de Cristo, pão de vida eterna,.
Peçamos:

4. Senhor, ajuda e consola os irmãos e irmãs
sofredores. Peçamos:

5. Senhor, reúna no seu reino glorioso por todos
nós, que aqui estamos reunidos, com fé e devoção. Peçamos:

(Outras intenções)

Presid.: Senhor, que a nossa oração possa
socorrer nossos falecidos; libertando-os de todos os pecados e
acolhendo-os no esplendor de tua face. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

III. LITURGIA
EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS
OFERENDAS:

Presid.: Acolhei, ó Deus, as
nossas oferendas por nossos irmãos e irmãs que partiram, para
que sejam introduzidos na glória com o Cristo, que une os mortos
e os vivos no seu mistério de amor. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

ORAÇÃO APÓS A
COMUNHÃO:

Presid.: Fazei, ó Pai, que os
vossos filhos e filhas, pelos quais celebramos este sacramento
pascal, cheguem à luz e à paz da vossa casa. Por Cristo, nosso
Senhor.

T.: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presid.: O Senhor esteja convosco.

T.: Ele está no meio de nós.

Presid.: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso,
Pai e Filho e Espírito Santo.

T.: Amém.

Presid.: Ide em paz e que o Senhor
vos acompanhe.

T.: Graças a Deus.

Posted by: | Posted on: outubro 28, 2011

31º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia Nacional da
Juventude

“Servir a
Deus e correr livremente ao encontro de suas promessas”

Leituras: Malaquias 1,
14b-2,2b.8-10; Salmo 130 (131), 1.2.3; Primeira Carta de São
Paulo aos Tessalonicenses 2, 7b-9.13; Mateus 23, 1-12. (O maior
é o que serve).

COR LITÚRGICA: VERDE

Animador: A liturgia da Palavra deste
domingo nos diz que de Cristo nasce toda a sabedoria; só Ele é
o Mestre que salva, santifica e guia, que está vivo, que fala,
que exige, que comove, julga e perdoa, que caminha diariamente
conosco na história; o Mestre que vem e virá na glória, Ele
nos liberta e propõe para os discípulos e a todos nós o
caminho do serviço e humildade no respeito pela igualdade
fundamental de todos: “o maior dentre vós deve ser aquele que
serve”. Neste “dia nacional da juventude”, queremos
colocar todos os nossos jovens nesta celebração, para que sejam
abençoados por Deus.

1. Situando-nos
brevemente:

Nos reunimos depois de uma semana de
trabalhos e lutas, trazendo nas mãos os frutos da páscoa de
Jesus, colhidos na história e no esforço que fazemos a serviço
da vida, e, como carentes da proteção de Deus, nos confiamos
totalmente aos braços de Deus Pai, que acolhe os pequenos para
confundir os grandes e gananciosos desse mundo.

Último domingo de outubro, encerramento
do mês missionário e tempo de nos alegrarmos porque somos
missionários da Palavra de Deus e amados pelo Senhor como
servidores do seu Reino.

A Igreja tem um compromisso sagrado:
proclamar dignamente na assembléia a Palavra e explicá-la,
clara e autenticamente. Nisso se concentra o seu serviço mais
importante para a humanidade.

Com a Palavra de Deus não se brinca nem
se faz espetáculos e muito menos promoção pessoal.

2. Recordando a
Palavra

Tendo voltado da Babilônia, os
israelitas vivem dificuldades de toda ordem e uma forte
decadência moral e religiosa assola as famílias. Há um
desânimo muito grande. O povo perdeu a confiança em Deus e
negligenciou a oração. Há muita corrupção, praticam-se
injustiças e os operários são explorados. O profeta acusa os
sacerdotes, dizendo que eles não cumpriram bem a função de
culto, oferecendo vítimas indignas e se preocupando apenas com
seus interesses e lucros.

Como castigo, não podem abençoar em
nome de Deus e se derem bênçãos elas se transformarão em
maldição.

Mas a falta mais grave que pesa sobre os
sacerdotes é: adulteraram a Palavra de Deus e, em vez de
orientar o povo para o bem, desviaram-no do caminho certo. Por
causa disso, serão recusados pelo povo, malvistos e considerados
infiéis.

O Salmo 131 (130) é de confiança
individual e confessa a absoluta entrega da vida ao Senhor que
aparece no começo e no fim da oração. Somente Ele é capaz de
fazer maravilhas como foi a saída do Egito, tendo como cume a
aliança selada no monte Sinai, antes da posse da terra prometida.

As maravilhas são os atos libertadores
do Senhor e, por isso, é necessário confiar sempre nele como
uma criança desmamada no regaço de sua mãe. Ele acolhe os
pequeninos para confundir e dispersar os grandes deste mundo.

Aos Tessalonicenses, Paulo se apresenta
como homem trabalhador e trazendo no corpo as marcas da tortura.
Usa a imagem da mãe que segura a criança à altura dos seios,
alimenta-se e a aquece. Não se contenta em apresentar uma
mensagem, mas quer oferecer mais: “Desejei dar-lhes não
somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida, a tal
ponto chegou a nossa afeição por vocês”. Trabalhando com as
próprias mãos, põe-se ao nível dos escravos e marginalizados.
Não separou o evangelho da vida, abandonou a teologia do fariseu
e falou de Deus a partir da vida.

O Evangelho não quer ser uma
condenação dos fariseus e de ninguém, mas oferece elementos de
reflexão para nos darmos conta que os “fariseus” podem
existir e existem nos dias de hoje, Jesus se dirige aos seus
discípulos. Portanto, a nós que corremos o risco de sermos
incoerentes e falsos, pregando uma coisa e fazendo outra coisa
contrária ao que dizemos.

Jesus, com palavras tão duras, toma uma
posição contra as autoridades injustas. Desmascara as tramas e
alerta o povo para tudo que acontece em nome das “falsas”
leis e normas. Mostra a justiça do Reino.

O desmascaramento de Jesus começa
mostrando que as autoridades são agentes de opressão e não de
liberdade e vida digna. “Amarram pesados fardos e os colocam
nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a
movê-lo sequer com um dedo”. E Jesus diz ainda que as
autoridades religiosas buscam prestígio na vida civil e
litúrgica. “Vejam como usam faixas largas na testa e nos
braços…”.

Jesus termina denunciando as autoridades
que buscam nos banquetes os primeiros lugares e o s primeiros
bancos nas sinagogas e fazem questão de serem reconhecidas em
público. Vaidade das vaidades, sede de prestígio e poder,
colocando a lei e os profetas em segundo plano.

Jesus, com esse discurso, vira as costas
para as autoridades e mostra às multidões em que consiste o
novo do Reino que ele propõe: há um só mestre entre vocês, o
discípulo não deve ambicionar privilégios, todos são irmãos
e filhos de Deus e seguidores de Cristo.

Jesus coloca como valor absoluto a
fraternidade. Fraternidade que se põe a serviço: “O maior de
vocês deve ser aquele que serve a vocês”. A verdadeira “grandeza”
e o grande “título” da comunidade e do cristão é a
doação da vida para libertar o povo dos fardos que o oprimem. E
deixemos a Deus a tarefa de exaltar as pessoas, pois, somente a
ele cabe humilhar a quem se exalta e exaltar quem se humilha.

3. Atualizando a
Palavra

A primeira leitura é uma denúncia
contra as autoridades religiosas que se corrompem e promovem o
culto vazio. Querendo ou não, a Palavra de Malaquias parece mais
atual do que nunca. E a nossa posição cristã não é denunciar
os outros e acusar os “pecadores”, mas avaliar-se para ver se
não somos atingidos e acusados pelo pouco lugar que damos
Palavra de Deus em nossas vidas e pela mania que temos de
aparecer e sermos vistos como bons. Isso ainda faz pensar do que
fazemos com a Palavra de Deus na catequese, nas celebrações,
nas assembléias do povo, na nossa leitura pessoal das Sagradas
Escrituras.

Na carta aos Tessalonicenses, temos o
exemplo precioso de Paulo para quem se decide ser cristão, e
atuar na comunidade: doação, entrega, sacrifício e testemunho.
Por sua vida de trabalhador anuncia a Palavra e liga liturgia e
vida.

Jesus, o mestre da justiça, desmascara a
nossa tentação e cobiça de privilégios, poder e status social
e eclesial em nome da religião ou em nome de Deus.

É fundamental que nos despojemos de todo
tipo de separatismo, condenação ou pré-julgamento. Despojar-se
mesmo da comparação entre uma aliança e outra, entre uma
religião e outra como se uma fosse melhor e outra pior.

Ser grande na perspectiva de Jesus é ser
servidor. O cristão só é grande no serviço. Se ele ensina,
não é para se colocar acima dos irmãos, mas para servir. Se
ele governa, tem a nota do serviço. Se ele serve, não é para
se tornar importante, mas para se tornar supérfluo. Quem se
torna grande, será rebaixado. Quem se rebaixa será engrandecido.

No final do Evangelho há uma indicação
preciosa e banhada na prática de Jesus para superar a idolatria
do egoísmo e da promoção pessoal na pastoral: é o serviço
gratuito, desinteressado e alegre. Por isso, Jesus, em oposição
ao retrato dos escribas e fariseus, pinta o retrato do discípulo.

À tentação da glória, da soberba e
mania de títulos e honrarias, os discípulos devem responder
pela humildade e pela dedicação ao Reino. Jesus mesmo proclamou
que “não veio para ser servido, mas para servir”.

4. Ligando a Palavra
com ação litúrgica

Entramos na celebração, conscientes e
acordados para uma realidade muito desafiadora em nossa vida:
não basta apenas ouvir e falar, mas é preciso viver o que se
ouve e se fala. O desafio é unir palavras e ação, superando as
vaidades, a tentação do poder e revestindo-se do espírito de
serviço.

Na celebração, escutamos de Jesus uma
palavra que nos introduz no caminho da humildade e do serviço.
Ela nos conserta e santifica. Preparamos a mesa, símbolo do
nosso desejo de partilha e solidariedade com todos os sofredores.
Na celebração, Jesus mesmo presta o serviço humildade ao nos
proclamar a Palavra, repartir o pão e nos oferecer a
reconciliação e a paz.

Reunir-se em comunidade e celebrar o
louvor de Deus trazem embutidos os compromissos da constante
conversão e da sincera contrição do coração. Da entrega nas
mãos do Senhor a serviço das pessoas e da comunidade.

O símbolo da cruz, que precede as
procissões de entrada e saída em nossas liturgias é Jesus
servidor, o servo do Senhor, que disse eu não vim para ser
servido, mas para servir. Quem quiser ser maior entre vocês
vista o manto do serviço humilde e fraterno.

Na fração do pão, damos graças ao
Senhor, repartindo o pão entre nós, memória viva do seu corpo
doado em serviço e seu sangue derramado para nos trazer vida em
plenitude. Na Eucaristia, a palavra proclamada e acolhida é
seguida da ação de graças pela oração eucarística: louvor e
entrega de nossa vida em Cristo em favor dos irmãos. Essa deve
ser a atitude permanente do cristão no dia a dia da sua vida.

Oração dos fiéis:

Presidente: Peçamos a Deus, com
humildade, que nos guie com sua graça para que possamos viver
com coerência nossa fé.

1. Senhor, que os pastores da Igreja,
tenham firmeza em anunciar o ideal proposto no Evangelho.
Peçamos:

Todos: Senhor, ajude-nos a viver com
simplicidade nossa fé.

2. Senhor, que os governantes deixem as
atitudes “farisaicas”, que não permitem vida plena ao
povo. Peçamos:

3. Senhor, que nossas comunidades, nunca
busquem interesses e privilégios próprios, que mutilam a
verdadeira prática religiosa. Peçamos:

4. Senhor, que todos nós, possamos viver
a humildade e simplicidade da fé, sem nunca exigir títulos e
favores. Peçamos:

5. Senhor, que os dizimistas, continuem
firmes na missão de contribuir com a evangelização. Peçamos:

6. Senhor, que os jovens, possam ser
evangelizadores no ambiente onde vivem. Peçamos:

(Outras intenções)

Presid.: Ó Deus, que protege
todos aqueles que o buscam com simplicidade de coração, atendei
a súplica que agora apresentamos, com sinceridade de coração.
Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

III. LITURGIA
EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS
OFERENDAS:

Presid.: Ó Deus, que este
sacrifício se torne uma oferenda perfeita aos vossos olhos e
fonte de misericórdia para nós. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

ORAÇÃO APÓS A
COMUNHÃO:

Presid.: Ó Deus, frutifique em
nós a vossa graça, a fim de que, preparados por vossos
sacramentos, possamos receber o que prometem. Por Cristo, nosso
Senhor.

T.: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:
Bênção para os jovens

Presid.: Concedei, ó Deus, que
estes jovens, teus filhos e filhas, encontrem seu caminho na
sociedade, onde possam desenvolver as melhores aspirações e
chegar um dia, com tua ajuda, à meta final por Ti estabelecida.
Por Cristo, nosso Senhor.

(Dá a bênção aos jovens).

T.: Amém.

Presid.: O Senhor esteja convosco.

T.: Ele está no meio de nós.

Presid.: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso,
Pai e Filho e Espírito Santo.

T.: Amém.

Presid.: Ide em paz e que o Senhor
vos acompanhe.

T.: Graças a Deus.

Posted by: | Posted on: outubro 22, 2011

Celebração Dominical: 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia
Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância
Missionária

“A
misericórdia de Deus reconcilia o homem pecador”

Leituras: Livro do
Êxodo 22, 20-26; Salmo 17 (18), 2-3ª.3bc-4.47 e 51 ab (R/2);
Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 1, 5c-10; Mateus
22, 34-40. (O maior mandamento).

COR LITÚRGICA: VERDE

Animador: Irmãos e irmãs, no dia
mundial das missões e da Obra Pontifícia da Infância
Missionária, nos reunimos para celebrar a Eucaristia. Ouviremos
D´Ele seu único mandamento, que se expressa de duas maneiras:
na comunhão amorosa com Deus e na alegria da comunhão fraterna.
Que o Espírito Santo nos fortaleça para cumprirmos este
mandamento do amor, no meio de tantos conflitos e tensões do dia-a-dia.

1. Situando-nos
brevemente

Neste domingo, Dia Mundial das Missões,
celebramos a Páscoa de Jesus em comunhão com os missionários
no mundo inteiro, especialmente com os que passam dificuldades e
enfrentam duras perseguições. Com eles rezamos a antífona
inicial: “Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai
o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”.

O compromisso missionário é dos
cristãos e das comunidades eclesiais. É dia de oração. Dia de
ofertas generosas. Antes de tudo um dia de avaliação pessoal e
comunitária. As missões não são apenas uma atividade da
Igreja ou um dia do calendário pastoral. A fé que recebemos
como dom e benção não sobrevive nem se sustenta sem o mergulho
no compromisso missionário e profético.

A liturgia nos leva a olhar para o Senhor
de braços abertos e olhar fixo no horizonte da missão e nos
campos imensos que esperam operários e ceifadores. O que podemos
e vamos fazer para contribuir no anúncio da Palavra do Senhor:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua
alma e todo o teu entendimento”.

2. Recordando a
Palavra

O livro do Êxodo nos ajuda a perceber o
conteúdo da palavra e da ação dos missionários: “não
oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes
estrangeiros na terra do Egito”. Deus despreza ofertas
desonestas ou roubadas dos pobres. Deus é um juiz justo e
compassivo e não faz distinção das pessoas. Não leva em conta
a posição social ou riqueza. Não se deixa corromper e sempre
está do lado dos pobres.

Deus aceita o sacrifício de quem o serve,
servindo ao próximo, respeitando-o e respeitando tudo que lhe
pertence. O Senhor quer justiça e liberdade para todos. Havendo
gratuidade, confiança e entrega generosa nas mãos de Deus, a
oração será sincera e eficaz.

O Salmo 17 (18) possui 15 versículos e
tem como tema central a pessoa do rei, autoridade máxima em
Israel no tempo da monarquia. Os salmos reais procuram defender
ou bajular a pessoa do rei. Muitos se opuseram aos reis porque
concentravam o poder, as decisões e em nome da lei oprimiam e
exploravam o povo.

O salmo 17 nasceu depois de Davi quando
um de seus descendentes, sentindo-se ameaçado pelas nações
inimigas, pediu socorro ao Senhor e este não demorou em
responder, derrotando com o rei os povos inimigos. O salmo dá a
entender que Deus é aliado e defensor do seu povo, conduzindo o
rei à vitória.

Na Carta aos Tessalonicenses, Paulo
exalta e rende graças pela fé, pela esperança e pelo amor da
comunidade porque os cristãos acolheram a Palavra de Deus com a
alegria do Espírito Santo no meio das tribulações e
contratempos. No domingo dedicado às missões, é salutar
lembrar a comunidade de Tessalônica pela sua resistência e
bravura.

Ela se torna modelo para todos os
seguidores de Jesus Cristo. O Espírito Santo é luz na sua
caminhada. A notícia e a resistência se espalham como o óleo
sobre a água, de modo que outros vão tomando consciência de
que existe um Deus vivo e verdadeiro chamado à vida e
desmascarando ídolos e mil ilusões.

O Evangelho mostra que amar o povo é
amar a Deus. As lideranças querem conservar as coisas como
estão, pois, isso lhes é muito vantajoso. Os fariseus eram
observantes rigorosos de todos os detalhes da lei. Eram muitas as
leis e centenas as proibições.

A graça e a amizade de Deus dependiam da
observação de todas essas leis. E na verdade, para muitos,
todas as leis tinham o mesmo peso e a mesma importância. O povo
ficava à margem da discussão e era considerado pobre e infeliz
pelos fariseus e pelas elites porque não conhecia as leis. E se
não conhecia as leis também não podia observá-las.

Entre os religiosos e estudiosos corria
uma discussão sobre qual seria o mandamento mais importante.
Armam uma armadinha e se aproximam de Jesus com uma cilada: Qual
é o maior mandamento? Com a pergunta os fariseus esperavam uma
resposta definitiva do Mestre da Justiça. Esperavam que Jesus
afirmasse que todos os mandamentos são igualmente importantes.

Jesus responde apoiando-se numa passagem
do Deuteronômio: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a alma, e de todo o teu entendimento”, ou
seja, plenamente em todos os momentos da vida.

Jesus, contudo acrescenta um outro
mandamento no contexto do Reino e da sua opção pelos pobres:
“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. E conclui
enfaticamente: “toda a Lei e os Profetas dependem desses dois
mandamentos”. Traduzindo para uma compreensão mais simples:
Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade de Deus.
Eles são o resumo de toda a Bíblia.

E uma conclusão se impõe: não existe
um amor a Deus e outro ao próximo, pois amar as pessoas como a
si mesmo é amá-las “de todo o coração, de toda a alma, e de
todo o entendimento”. Isso coloca um divisor de águas porque
os fariseus não admitiam isso, pois, consideravam o povo maldito,
impuro e merecedor de desprezo.

Amar a Deus, portanto, é amar o povo,
porta de entrada da religião. Os fariseus imaginavam que seria
possível ser fiel a Deus sem ser fiel ao povo que eles
desprezavam. Mas o Mestre da Justiça garante que é necessário
pôr-se, ao mesmo tempo, diante de Deus e diante das pessoas, sem
estabelecer prioridades ou escala de valores.

3. Atualizando a
Palavra

Na certa, temos uma situação que nos
incomoda e mexe com o nosso modo de anunciar e celebrar com a
comunidade o memorial da páscoa de Jesus. Como interpretar e
viver hoje a Palavra de Deus proclamada na liturgia?

No Dia do Senhor, o Domingo, nos reunimos
para nos encontrar com Deus. Mas para chegar a Ele é preciso ter
feito uma opção e passar pela porta de entrada que é o povo
com sua história, suas angústias, esperanças, lutas e
privações, pois, Deus não quer um amor distante do povo e
intimista.

O nosso Deus que amamos e juramos
fidelidade é o Deus defensor dos pobres. Somos seus aliados na
defesa dos excluídos, desprotegidos e rejeitados da sociedade. A
nossa religião se firma nesse Deus e cultiva o seu amor pelos
últimos da terra.

Somos reunidos por um Deus que está no
meio dos deserdados e iletrados e que nos diz que a porta de
entrada na sua amizade passa pelo amor ao povo que sofre e ama. E
amar a Deus significa amar esse povo que vive e faz história
conosco.

E a Palavra de Deus nos faz lembrar que
ser cristão significa ser missionário do bem, do amor, da
justiça. Isso supõe o desmascaramento dos ídolos que mantêm o
povo à margem da vida e das celebrações que cultivam um deus
falso e um culto vazio.

4. Ligando a Palavra
com ação litúrgica

Escutamos de Jesus o mandamento do amor a
Deus e ao próximo como um só mandamento e recebemos no exemplo
da comunidade Tessalônica a força para cumprir essa Palavra e
anunciá-la na sociedade. Na liturgia fazemos a experiência de
sermos amados por Deus e vivemos intensamente esse amor.

Essa centralidade do amor e da unidade
entre o amor a Deus e o amor à humanidade transparece na ação
litúrgica. Fazem uma coisa só e nos levam a viver intensamente
a comunhão e a partilha.

Celebramos porque amamos, e a liturgia é
mais exercício de ternura do que de obrigação a Deus. Nela os
dois mandamentos são cumpridos e reunidos. Não é possível
entender a liturgia sem o amor aos irmãos ali reunidos. E como
entender a liturgia sem o amor e a atenção ao Deus que nos fala
e manifesta sua generosidade para conosco?

A assembléia reunida, convocada pelo
amor do Pai, realiza ao mesmo tempo a união com Deus e com os
irmãos reunidos.

A participação no mistério de sua
Páscoa nos dá a graça de estarmos sempre atentos e
disponíveis para o serviço de seu Reino e de sua justiça, com
seus valores eternos, como suplicamos nas orações de hoje.

O testemunho de tantos missionários e
missionárias, que fazem do mundo sua Pátria, comprometendo-se
com a missão além-fronteiras, em outras regiões e ambientes,
motivam-nos ao louvor e à súplica por uma “fé atuante,
caridade abundante e esperança perseverante”, como nos
estimula a segunda leitura de hoje.

Oração dos fiéis:

Presid.: Roguemos a Deus que
possamos por em prática a palavra de Cristo, expressa no
Evangelho, pois não é a nossa boa vontade, mas sua graça, que
nos salva.

1. Senhor, que a Igreja seja no mundo
testemunha viva do amor às pessoas. Peçamos:

T.: Faça-nos testemunhas do vosso
amor.

2. Senhor, que o clero busque em Ti a
força para atravessar situações novas, jamais se esquecendo da
lei do amor. Peçamos:

3. Senhor, que nossas comunidades sejam
exemplo de amor ao próximo, principalmente em suas atividades
missionárias. Peçamos:

4. Senhor, que os cristãos tomem
consciência de que é no amor ao próximo que se evidencia a
autenticidade do nosso amor a Deus. Peçamos:

(Outras intenções)

Presid.: Ouça, Senhor, nossa
oração e renove a esperança de todos nós, num mundo mais
humano e fraterno. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

III. LITURGIA
EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS
OFERENDAS:

Presid.: Olhai, ó Deus, com
bondade, as oferendas que colocamos diante de vós, e seja para
vossa glória a celebração que realizamos. Por Cristo, nosso
Senhor.

T.: Amém.

ORAÇÃO APÓS A
COMUNHÃO:

Presid.: Ó Deus, que os vossos
sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um
dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos.
Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presid.: O Senhor esteja convosco.

T.: Ele está no meio de nós.

Presid.: O Deus Pai, que em Jesus
manifestou a solidariedade e a caridade, os faça mensageiros do
evangelho e testemunhas do seu amor no mundo.

T.: Amém.

Presid.: O Senhor Jesus, que
prometeu à sua Igreja estar a seu lado até o fim dos tempos,
dirija os seus passos e confirme suas palavras.

T.: Amém.

Presid.: O Espírito Santo esteja
sobre vocês, para que, percorrendo os caminhos do mundo possam
evangelizar os pobres, dar vista aos cegos e curar os corações
humilhados e contritos.

T.: Amém.

Presidente: Abençoe-vos o Deus
todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.

T.: Amém.

Presid.: Ide em paz e que o Senhor
vos acompanhe para sempre.

T.: Graças a Deus.

Posted by: | Posted on: outubro 14, 2011

Celebração Dominical – 29º Domingo do Tempo Comum

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM
“O Filho do Homem veio para
dar a sua vida para a salvação dos homens”


Leituras: Livro do Profeta
Isaías 45, 1.4-6; Salmo 95 (96), 1.3.4-5.7-10s; Primeira Carta
de São Paulo aos Tessalonicenses 1, 1-5b; Mateus 22, 15-21. (O
que é de César e o que é de Deus?).

COR LITÚRGICA: VERDE

Animador: Neste Domingo recordamos a
páscoa semanal de Jesus realizada no seu enfrentamento com as
autoridades de seu tempo. Louvemos o Pai, que faz Jesus vencer
toda armadilha maldosa e recebemos a força do Espírito Santo
para levarmos em frente nossa missão, que é a construção do
Reino de Deus. Peçamos ao Pai, sabedoria, para nunca perder de
vista o nosso lugar e nossa missão no mundo.

1. Situando-nos brevemente:

Mais uma vez, estamos reunidos no Dia do
Senhor. Vários motivos nos congregam, e nos levam a celebrar.
Conduzidos pelos Mao do Senhor, estamos aqui para acolher a
palavra da salvação, que vem a nós com a força do Espírito e
nos ensina a devolver a Deus o que lhe pertence.

Somos tentados frequentemente a “comprar
deus” com dinheiro ou falsas promessas e dar a César o que é
de Deus. O que é de Deus? O que é de César? Não podemos cair
na armadilha e trair os princípios e valores do Reino de Deus.
Pedimos a graça de estar ao dispor de Deus e servi-lo de todo o
coração.

A comunidade é o lugar, por excelência,
para servir a Deus, cantar aas suas maravilhas e professar a
nossa fé nele. A fé nos leva a”devolver a César o que é de
César”, recusando todo tipo de dominação ou privilégios,
pois, o Deus em que acreditamos quer vida e liberdade para todos.

2. Recordando a Palavra

O profeta Isaías conta que Ciro, rei dos
persas, derrubou o império babilônico e possibilitou ao povo
israelita, que estava cativo, voltar párea a sua terra e
reconstruir o templo e a cidade de Jerusalém. Deus é livre de
escolher quem ele quer para agira em seu nome. O termo hebraico
messias, em grego Kristos, significa “aquele-que-é-ungido”
pelo Senhor. A unção com óleo era sinal da penetração do
Espírito de Deus, investindo uma pessoa para a missão que podia
ser de rei, de sacerdote ou de profeta. Ciro, rei pagão,
vencendo a Babilônia e dando liberdade ao povo exilado, está
sendo escolhido por Deus para estabelecer a justiça na história.
Ao dar uma espécie de anistia pelo decreto, conhecido como edito
de Ciro, em 538 a.C., ele é saudado como o enviado e ungido do
Senhor para libertar seu povo. Está devolvendo a Deus o que lhe
pertence, o povo sofrido, centro das atenções de Deus.

O Salmo 95 (96) é um convite a festejar
a realeza serena e universal do Senhor. Insiste em que o Senhor
é merecedor de um canto novo, porque é criador, libertador e
governa toda a terra com retidão justiça e fidelidade.

A Carta aos Tessalonicenses é o primeiro
escrito do Novo Testamento, elaborada pelos anos 50 e 51 depois
de Cristo. Tessalônica é uma cidade mercantil, populosa e
aberta a todas as novidades, boas ou ruins. Cidade portuária,
não era modelo para ninguém na moralidade. Nas ruas encontravam-se
prostitutas, vagabundos, pessoas ociosas. Paulo ali chega 20 anos
depois da morte de Jesus e anunciar o Evangelho e organiza um
pequeno grupo. Ele ficou aí poucas semanas, pois teve que fugir,
perseguido que estava.

Mais tarde, Timóteo traz notícias da
comunidade para Paulo que se encontra em Corinto, dizendo que
todos se lembravam dele. Com essa notícia ele se alegra e retoma
o entusiasmo pelo anúncio do Evangelho. E tomado de emoção
escreve imediatamente uma carta aos cristãos daquela comunidade.
Foi o primeiro livro do Novo Testamento. A comunidade de
Tessalônica torna-se exemplo de caminho a ser seguido pela “atuação
da fé, esforço da caridade e firmeza na esperança”.

No Evangelho aparece o conflito entre o
mestre da justiça e as lideranças injustas, que chega ao ponto
máximo. Fariseus e herodianos se dirigem a Jesus. Após palavras
de elogio, chamam-no de mestre verdadeiro, dizem que ele ensinava
o caminho de Deus. Depois interrogam-no se é lícito pagar o
imposto a César. Os herodianos não eram um partido, nem seita
religiosa, mas sustentavam Herodes no poder. Este sim era amigo
dos romanos. Os fariseus consideravam a presença romana como
castigo de Deus. Servem-se, porém, dos herodianos para apanharem
Jesus em uma situação de subversão política.

A pergunta toca a vertente econômica, na
qual entra em jogo a lealdade e a submissão ao poder imperial de
Roma. Há, porém, uma conotação religiosa. Porque na moeda
estava escrito: “Tibério, filho do divino Augusto”. O
imposto era o maior sinal de dominação, Recordava o domínio de
um povo pagão sobre o povo escolhido. Fariseus e zelotes
consideravam esse imposto uma questão religiosa. Se Jesus
respondesse “sim”, estaria contra os fariseus e o povo; se
dissesse “não”, os herodianos, o acusariam de subversivo.

Jesus é muito hábil em sua resposta.
Denuncia a hipocrisia. Desfaz a armadilha que lhe prepararam.
Oferece um ensinamento acima do nível proposto pelos inimigos;
se eles possuem a moeda, é porque aceitaram as condições
impostas pelo império, estavam comprometidos com o sistema. A
imagem do imperador na moeda transgredia o primeiro mandamento (cf.
Ex 20,4; Dt 6,4; “Não faça para você ídolos, nenhuma
representação daquilo que existe no céu e na terra, ou nas
águas que estão debaixo da terra”. Coincidência ou não,
acontece que os adversários de Jesus tinham uma moeda, sinal de
que estavam comprometidos com o sistema opressor dos romanos.

Jesus não aprova a dominação do
imperador sobre o povo. Os adversários perguntam se é lícito
pagar. O Mestre da Justiça diz que é preciso devolver a cada um
o que lhe pertence. O povo pertence a Deus, pois o ser humano foi
feito à sua imagem e semelhança. Só Deus pode ser considerado
Senhor das Pessoas e do mundo, e ninguém mais, pois em cada um
foi estampada a imagem do Deus da liberdade e da vida.

Jesus afirma que acima de qualquer poder
humano está Deus e seu povo, criado à sua imagem e semelhança.
Não se trata de devolver uma vil moeda, mas sim de devolver a
Deus seu povo, o qual não deve se submeter a nenhum poder humano
que se faça passar por divino.

3. Atualizando a Palavra

Há quem use a palavra do Evangelho de
hoje para manter a religião longe da política. Essa maneira de
pensar jê é uma opção política que serve aos interesses dos
que tem poder e exploram o povo.

Em tempo de tanta corrupção, podemos
reconhecer vários poderosos que se colocam como deuses. O poder
política coloca-se como valor absoluto. Pessoas, regimes ou
estruturas que impedem a humanidade de ser “imagem de Deus”
na liberdade e na justiça. Roubam de Deus o que pertence
unicamente a ele: o povo.

A política e a economia devem ser
instrumentos para a realização da justiça, do direito da vida,
conforme a vontade de Deus. Quando o dinheiro domina a pessoa,
fica perdida a noção de dignidade, de direito, de justiça e de
respeito. Muitas vezes, é uma questão mal resolvida dentro de
cada um de nós, na sociedade e na política.

Os cristãos que se engajam na política
não são fieis a Deus se comprometem com o sistema que oprime.
Quando forem capazes de renunciar à riqueza, serão fieis a Deus,
a quem devem devolver o povo que lhe roubaram. O imposto cobrado
deve ser revertido em beneficio do bom comum e não desviado para
algum “caixa dois”. Jesus condena a transformação do povo
em mercadoria que enriquece dominadores e fortalece e a
dominação tanto interna como estrangeira.

Jesus chama de hipócritas os grupos que
o elogiam, mas sustentam a injustiça sobre o povo. Ele manda
devolver para Deus o que é de Deus, o povo libertado. O nome do
amor hoje é apolítica vivida como solidariedade.

A Deus não temos como pagar, pois tudo a
ele pertence. O tributo que podemos pagar a Deus é a entrega de
nossa vida, compromisso com o projeto que Jesus nos ensinou, no
amor fraterno e na justiça. Ligamos fé, política e economia,
conseguindo romper com a dominação do dinheiro, do consumismo,
da adoração à moeda estrangeira, do poder e do sucesso. Na
Igreja, na comunidade, como nos organizamos para ficar livres da
ganância, do poder e do dinheiro?

A moeda dever ser restituída a Cesar,
porque nela está impressa a imagem do seu senhor: o imperador.
Há uma criatura sobre a qual está impressa a imagem de Deus.
Esta é a sua e somente sua, ninguém pode apropriar-se dela
indevidamente.

As palavras de Jesus nos alertam a
ficarmos atentos e prontos a gritar quando as pessoas são
injustiçadas, exploradas e massacradas em seus direitos.

4. Ligando a Palavra com ação
litúrgica

Como cidadãos do mundo nos reunimos,
filhos do mesmo Pai, em assembléia de irmãos para a partilha do
Pão da vida, na Palavra e na Eucaristia. Com Jesus nos
entregamos ao Pai. Damos assim a ele, na liberdade de filhos, o
que realmente lhe pertence e lhes pedimos que nos guarde como a
pupila dos olhos e nos abrigue à sombra de suas asas.

Sua Palavra nos possibilita maior
discernimento e nos fortalece para que nossas opções não sejam
determinada pelo projeto “de César”, mas pelo projeto de seu
Reino, único e absoluto a ser buscado ano cotidiano de nossa
caminhada de discípulos missionários.

A participação no mistério de sua
Páscoa nos dá a graça de estarmos sempre atentos e
disponíveis para o serviço de seu Reino e de sua justiça, com
seus valores eternos, como suplicamos nas orações de hoje.

O testemunho de tantos missionários, que
fazem do mundo sua Pátria, comprometendo-se com a missão além-fronteiras,
em outras regiões e ambientes, motiva-nos ao louvar e à suplica
por “fé atuante caridade abundante e esperança perseverante”,
como nos estimula a segunda leitura de hoje.

Oração dos fiéis:

Presidente: Como servos
conscientes de que a missão é maior do que nós e que
precisamos ter fé para sermos missionários do reino, façamos
ao Pai nossos pedidos.

1. Senhor, que a Igreja, teu povo
escolhido, produza frutos de justiça, de amor e de paz. Peçamos:

Todos: Senhor, aumenta-nos a fé!

2. Senhor, que todos colaboremos com os
missionários e missionárias na divulgação da fé. Peçamos:

3. Senhor, que nunca nos envergonhemos de
ser cristãos católicos. Peçamos:

4. Senhor, pela unidade, pelo
fortalecimento e pela preservação de nossas famílias. Peçamos:

Presid.: Senhor, concedei-nos ver
e julgar todas as coisas segundo o pensamento de Cristo que
convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.

T: Amém.

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presid: Acolhei, ó Deus, nós vos
pedimos, o sacrifício que instituístes e, pelos mistérios que
celebramos em vossa honra, completai a santificação dos que
salvastes. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO:

Presid: Possamos, ó Deus
onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do vinho
sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora
recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

T: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presid: O Senhor esteja convosco.

T: Ele está no meio de nós.

Presid: Que o Senhor os abençoe e
os envie em missão: na família, no trabalho, na escola.

T: Amém.

Presid: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso,
Pai e Filho e Espírito Santo.

T.: Amém.

Presid: Ide em paz e que o Senhor
vos acompanhe.

T.: Graças a Deus.

Posted by: | Posted on: outubro 7, 2011

Celebração Dominical do 28º Domingo do Tempo Comum

“A Celebração do Casamento e a Festa dos Pobres”

Leituras ano A:
Livro do Profeta Isaías 25, 6-10a; Salmo 22 (23), 1-3a-4.5. (R/6cd); 
Carta de São Paulo aos Filipenses 4, 12-14.19-20; Mateus 22, 33-14.
COR LITÚRGICA: VERDE
Animador: Pelo batismo fomos convidados a entrar na “sala da festa”, isto é na Igreja, para participarmos do banquete da salvação universal. Mas isto não basta. Precisamos estar vestidos com o “traje da festa”, ou seja, vestir a camisa de Cristo e viver realmente o nosso batismo. Só assim participaremos do banquete do Reino de Deus. 1. Situando-nos brevemente

Diante de nós, os convidados de Deus neste domingo, está a parábola do rei que preparou a celebração de casamento do seu filho. A primeira reação que temos é a seguinte: bem, é apenas uma parábola de Jesus e encerra um ensinamento bem concreto. Mas na prática não é uma mensagem. Trata-se de um julgamento e avaliação dos que são convidados para a
festa.

Temos tantas ocupações, atividades e coisas importantes na vida e não nos damos conta que a participação na festa de casamento do filho do rei é o que de fato conta e dá sentido para a nosso
existir. Mas o que é esse casamento? Por que recebemos o convite?

E outra pergunta se levanta: o que faz merecer o convite para a festa? Não podemos ser moralistas nem fundamentalistas e muito menos imediatistas. A liturgia de hoje vai revelar-nos o segredo e introduzir no espírito da festa. A participação na festa exige uma preparação.

Para quem e com quem preparamos a festa da comunidade (as celebrações)? Lembramos dos
últimos da sociedade e que se encontram nas encruzilhadas do mundo? Com quem gostaríamos de
participar dessa festa?

2. Recordando a Palavra

O profeta Isaías anuncia a grande festa, preparada por Deus para todas as nações,
na colina do monte Sião, lugar das romarias sagradas e santas do povo. Agora será o lugar onde todos os povos vão se encontrar no banquete delicioso e rico, preparado por Deus para a festa de casamento de seu Filho com a humanidade.

Deus mesmo prepara e serve o banquete. E o motivo do banquete é este: as lágrimas e sofrimentos vão acabar, o luto e a tristeza desaparecerão para que o povo, na unidade da fraternidade, possa celebrar o banquete da vida. E o presente mais importante para todos é a destruição para sempre da morte, pois, essa era a maldição que pesava desde o início da criação sobre toda a humanidade.

O Salmo 23 (22) é de confiança e entrega. Uma pessoa expressa sua absoluta confiança no Senhor. Uma das imagens mais bonitas de Deus no Antigo Testamento é a que o mostra como pastor. Um inocente que foge dos que pretendem matá-lo sente-se protegido pelo Senhor como a ovelha que, à noite, caminha sob a proteção do bastão e do cajado do pastor.

Com esse tipo de pastor, nada falta a quem confia nele. De fato, a grande ação de Deus pastor foi ter tirado seu rebanho do curral do Egito e tê-lo conduzido pelo deserto, introduzindo-o na terra
prometida, onde ocorrem leite e mel. 

Na Carta aos Filipenses, estando na prisão, Paulo fala do banquete da solidariedade. Lembra que aprendeu o segredo de viver. Para ele, nem a pobreza nem a riqueza são capazes de mudar as suas
convicções, pois, a força que o sustenta em todos os momentos é Deus: “Tudo posso naquele que me dá força” (4,13). Paulo jamais aceitou qualquer remuneração das comunidades, exceto da Igreja de Filipos. Ele se alegra pela solidariedade e partilha, sinais de que a comunidade entendeu o significado do evangelho por ele anunciado.

Deus prepara o casamento de Jesus, ou seja, a aliança de seu Filho com a humanidade. Participar dessa festa é comprometer-se com a justiça do Reino. Os convidados que recusam o convite são as
lideranças do povo. Os empregados são os profetas ou os mensageiros que ao longo da história mostraram as injustiças e as tramóias das lideranças. Lideranças que deveriam ser as primeiras responsáveis pela sociedade justa e fraterna.

A parábola é muito severa na sentença: “Indignado, o rei mandou suas tropas, que mataram aqueles assassinos e puseram fogo na cidade deles”. Pois, as elites se excluíram do Reino de Deus e sua justiça. Desprezaram em bloco o convite e se mostraram grosseiras e violentas, inclusive, agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.

E o banquete que Deus oferece é a possibilidade de uma sociedade baseada na justiça do
Reino. As elites, pelo contrário, buscam privilégios e lucros pessoais. 

Mas o Reino da justiça não fracassa por causa das elites que exploram e matam o povo.
Deus não desiste em construir uma sociedade justa e fraterna. Envia os empregados às encruzilhadas dos caminhos. Eles convidam para a festa todos os que encontram, maus e bons, de modo que a sala fique cheia de convidados.

O rei passa entre os convidados e encontra alguém sem a veste nupcial. Dizem que essa
veste se refere à justiça do Reino. O compromisso com a justiça do Reino é a única resposta coerente que podemos dar ao chamado gratuito de Deus no banquete de casamento com a humanidade.

A noiva do filho do rei da parábola somos nós, desde que vistamos a roupa da justiça.

3. Atualizando a Palavra

O grande rei é Deus que organiza a festa de núpcias do seu Filho. A esposa é a humanidade ou a Igreja, que em seus membros é santa e pecadora, fiel e prostituta, livre e presa aos esquemas
do poder. Entretanto, Cristo a ama como sua esposa. Ele sabe que o seu amor terá o poder para transformá-la, para deixá-la bonita e atraente. O banquete representa a felicidade dos tempos messiânicos. Quem acolhe a proposta do Evangelho começa a fazer parte do Reino de Deus e experimenta a alegria mais pura e profunda. 

Os convidados recolhidos ao longo dos caminhos e pelas praças, bons e maus, limpos ou sujos, são os homens do mundo inteiro. Isso nos leva a abrir o coração e as portas das nossas comunidades a
qualquer tipo de pessoa, aos pobres, aos marginalizados, a quem é rejeitado por todos.

Os primeiros convidados não entram na festa. Recusam porque não querem largar os próprios interesses. Não precisam de ninguém que lhes ofereça um banquete: possuem tudo o que lhes pode
garantir uma vida sem problemas. Estão satisfeitos. Os que não são pobres, os que não querem bandonar as próprias garantias materiais, os que não têm fome e sede de um mundo novo, não entrarão jamais no Reino de Deus.

O Evangelho nos faz um convite forte a nos posicionarmos a favor da justiça do Reino, que é liberdade e vida para todos. A comunidade dos que seguem a Jesus só será esposa do Cordeiro quando vestir o traje da justiça.

E o Evangelho é um convite a nos posicionar a favor da justiça do Reino que se chama de liberdade e vida para todos. Paulo na, sua carta, nos chama a ser gratuitos e solidários com os empobrecidos.

Jesus no Evangelho nos faz refletir e entender a nossa atuação política na sociedade. Não podemos ser manipulados e enganados por falsas promessas.

Acolhendo as palavras de Jesus e fazendo parte da festa de casamento que um grande rei fez
para o seu filho, ficamos com a certeza de que o reino é para os pequenos e marginalizados.

Sintonizados e unidos a Jesus, o esposo da nova humanidade e da Igreja, somos chamados a
crescer na aliança com ele e com todos os pobres e excluídos da terra.

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

A celebração da Eucaristia é momento de grande catequese, espaço de conversão e louvor. Na celebração experimentamos Deus como partilha de tudo com todos. E se confiarmos na solidariedade, tudo podemos naquele que nos dá força. Expressamos isso na preparação da mesa e na participação do pão único. Corpo e Sangue de Cristo, doado e entregue para a nossa
salvação. 

A eucaristia é o banquete da nova amizade que reúne os homens a Deus. Aqui já saboreamos a ceia eterna em que Deus estará sempre conosco. O Pai convida todos a entrarem na sala do banquete. Jesus nos faz participar de seu corpo e seu sangue. O Espírito nos transforma para que nossa comunhão seja plena.

A primeira leitura e o evangelho estão unidos pelo tema do banquete, símbolo de felicidade e da alegria do Reino de Deus. A primeira leitura nos apresenta a promessa e o evangelho a realização.

Oração dos fiéis:

Presid Como família de Deus, reunida em sua casa, participando da alegria do banquete, vamos fazer nossas orações, na esperança de sermos atendidos. 

1. Pai, que a Igreja, possa reunir todos os povos ao banquete do teu Reino. Peçamos:

T.: Ouvi-nos, ó Pai.

2. Pai, que, livrando-nos do materialismo, apreciemos os valores do vosso reino. Peçamos:

3. Pai, que saibamos acolher os abandonados e excluídos da vida. Peçamos:

4. Pai, que em toda parte, sejamos os missionários da tua misericórdia, justiça e
amor. Peçamos:

(Outras intenções)

Presid: Deus todo-poderoso, de quem provém toda a alegria, infundi em nós a graça de participar festivamente do alegre e farto banquete que oferece a todos, ouve nossos pedidos apesar de muitas
vezes não aceitarmos seu convite. Por Cristo nosso Senhor.

T.: Amém.

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS

Presid: Acolhei, ó Deus, com estas oferendas, as preces dos vossos fiéis, para que o nosso culto filial nos leve à glória do céu. Por Cristo, nosso Senhor. 

T.: Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO

Presid: Ó Deus todo-poderoso, nós vos pedimos humildemente que, alimentando-nos com o
Corpo e o Sangue de Cristo, possamos participar da vossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

Todos: Amém

BÊNÇÃO E DESPEDIDA

Presid: O Senhor esteja convosco.

T.: Ele está no meio de nós.

Presid: Que o Senhor os abençoe e os envie em missão: na família, no trabalho e na escola.

T.: Amém

Presid: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo. 

T: Amém. 

Presid: Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

T: Graças a Deus.

 

Posted by: | Posted on: setembro 30, 2011

Celebração Dominical do 27º Domingo do Tempo Comum

27º
DOMINGO DO TEMPO COMUM

“É
preciso produzir frutos de justiça e de bondade”

Leituras: Livro do
Profeta Isaías 5, 1-7; Salmo 79 (80), 9-10,13-14, 15-16,
19-20; Carta de São Paulo aos Filipenses 4, 6-9; Mateus
21, 33-43 (parábola dos vinhateiros).
COR LITÚRGICA:
VERDE
Animador:
Reunidos em comunidade e testemunhando a mesma fé em
Jesus Cristo, nosso Salvador, formamos o Povo de Deus, a
caminho do nosso destino eterno. E a liturgia de hoje nos
mostra como Deus é pródigo em oferecer o dom da
salvação a todos. E mesmo que uns e outros desprezem e
recusem, Ele continua oferecendo a quem possa produzir os
frutos esperados. É a imagem da vinha. Como Igreja, nós
somos a vinha do Senhor, para que possamos produzir
frutos de conversão e de perseverança. Trazemos a esta
celebração a presença dos missionários e das
missionárias e de todos aqueles que recebem o anúncio
do Evangelho, pois hoje iniciamos o mês missionário.

1. Situando-nos brevemente:

Entramos na celebração de hoje,
animados pela antífona de aclamação ao Evangelho: “Eu
vos escolhi, foi do meio do mundo, a fim de que deis um
fruto que dure. Eu vos escolhi, foi do meio do mundo.
Amém. Aleluia”.

Entrando no mês dedicado às
missões, peçamos a Deus a fidelidade a seu serviço,
para que sejamos dignos de sua eleição. Pois, como
assembléia, somos a vinha do Pai, regada pelo sangue de
Cristo, para produzir bons e abundantes frutos no mundo e
na sociedade. Temos no confronto dessa alegria, a
parábola dos trabalhadores que se apossaram da vinha e
foram infiéis.

Celebramos nossa Páscoa semanal
e fazemos memória do Senhor, a videira verdadeira e
fecunda, parceiro fiel do Pai no cuidado do seu povo e
que zela pelo seu bem-estar.

Mesmo percebendo nossas
dificuldades e nossa mesquinha pretensão em tomarmos
posse da sua vinha, ele nos convida para renovar com ele
a Aliança, que traz vida e realizações plenas a todos
os que procuram fazer o que lhe agrada.

Em seu amor de Pai, ele sempre
nos concede mais do que merecemos e pedimos. Pedimos que
derrame sobre nós a sua misericórdia, perdoando o que
nos pesa na consciência (oração da coleta).

Lembramos, neste início de mês
de outubro, todos os missionários espalhados por todo o
mundo, e todos os que, em qualquer âmbito, tem por
ministério o cuidado da vinha. Durante este mês “a
Igreja procura redescobrir a missão que o Senhor está
lhe dando no campo e na cidade, dentro e fora do país,
‘para que todos tenham vida'” (DAp, n.146).

2. Recordando a Palavra

Interessante é lembrar o
contexto da leitura de Isaías no capitulo V. O senhor é
Deus. As videiras selecionadas são os israelitas que o
Senhor foi buscar lá fora, no Egito. A terra fértil, na
qual este povo foi colocado, é a Palestina. As pedras
que se encontram no campo e foram removidas são os povos
que ocupavam a Palestina antes da chegada dos israelitas.
A torre de proteção é a dinastia de Davi. O castigo é
o símbolo das invasões dos povos estrangeiros. Eles
destruíram a vinha do Senhor e deportaram os israelitas
para suas terras como escravos.

A imagem simbólica da vinha
aplicada ao povo aparece mais de dez vezes na Bíblia.
Exprime a Aliança de Deus com seu povo como uma união
conjugal, pois a vinha é também símbolo do amor. O
Cântico de Isaías, em sua origem, é um poema de amor,
escrito oitocentos anos antes de Cristo e transformado em
parábola de julgamento.

O bem-amado trata da terra,
escolhe a melhor cepa, edifica uma torre para cuidar de
sua vinha, cava um lagar… Com tanto carinho, esperava
uvas boas, mas a vinha deu somente uvas más. Os
habitantes de Jerusalém e de Judá são chamados a serem
juízes entre o amado e sua vinha.

O Salmo 79 (80) é uma súplica
coletiva à necessidade de o povo ser restaurado por Deus.
A imagem da vinha volta novamente neste salmo,
demonstrando a estreita ligação entre Deus e seu povo,
muitas vezes, dominado e pisado por nações poderosas.

A videira é propriedade do
Senhor, mas foi destruída. O povo está oprimido e
somente o Senhor pode mudar sua sorte. Peçamos ao Senhor
que reúna o nosso coração em torno do seu projeto e
venha de novo nos guiar em nossos caminhos.

Na Carta aos Filipenses, Paulo
escreve à comunidade, estando preso, dando-lhe
orientações sobre a oração cristã. Recomenda que
não é necessário inquietar-se, mas sim, entregar a
Deus as necessidades e preocupar-se em praticar tudo o
que merece louvor e foi ensinado por Jesus Cristo. Assim
a paz de Deus estará presente e nada pode causar
angústia, se o cristão permanecer unido a Deus na
oração.

O Evangelho é sequência do
domingo anterior e completa-lhe o significado. A
perícope retoma a primeira leitura de hoje. O cântico
da vinha é uma das poesias mais belas da Bíblia. Uma
parábola típica do Primeiro Testamento, encontrada em
vários profetas e também nos salmos. É a canção de
amor que descreve a vinha querida, porém, ingrata.
Lembra a relação amorosa entre Deus e seu povo, vinha
amada, mas infiel.

Israel não aprendeu a prática
do direito e da justiça. Deus esperava a justiça, mas
houve sangue derramado; esperava retidão de conduta, mas
surgiram exploração e grito de socorro de pessoas
maltratadas. Tanto Jesus como seus ouvintes conheciam
muito bem o profeta Isaías e identificavam a vinha com o
povo da Primeira Aliança, “casa de Israel”.

O “proprietário” ama a vinha
e espera dela os frutos de fidelidade à Aliança. A
vinha designa não o povo histórico, mas sim o Reino de
Deus. Os vinhateiros, portanto, são não apenas os
chefes, mas todo o povo infiel. O Reino de Deus será
tirado dos vinhateiros homicidas e confiado a um povo que
produza frutos. Em Mateus a importância maior é dada
aos “frutos de justiça”.

A parábola tem uma introdução,
depois descreve a desilusão do senhor da vinha com a
falta de frutos verdadeiros. Ele envia seus servos que
correspondem às várias fases da história da salvação
que Deus faz com seu povo: missão reiterada e muitas
vezes frustrada dos profetas.

Por fim, o envio do filho, sua
morte violenta e a vocação dos pagãos. Deus abrirá as
portas a um povo novo: pecadores, cobradores de impostos,
pagãos, mulheres, doentes… Uma geração nova de
crentes que dêem frutos como a prática da justiça e a
obediência à vontade de Deus e à sua Aliança.

Essa parábola é colocada na
boca de Jesus, que se preocupa com a sorte da vinha. A
tradição pré-sinótica das comunidades primitivas
tinha sua atenção centrada na sorte do Filho, enviado
pelo Pai. O Filho que fala vai ser morto, mas
ressuscitará. Quem não quiser ser esmagado pela pedra
angular deve declara-se a favor dele.

3. Atualizando a Palavra

Jesus retoma o texto de Isaías,
mas não coloca a culpa na vinha por sua falta de bons
frutos, e sim nos meeiros que deviam cuidar dela. Além
de impedir que os bons frutos cheguem ao dono da vinha,
ainda são violentos com seus enviados. É uma crítica
muito seria que faz aos que se consideram donos da
religião e senhores da fé do povo. Apropriam-se da
relação entre Deus e seu povo, desorienta aquilo que
permite o povo ligar-se a seu Senhor.

Muitas vezes, certas lideranças
religiosas impedem que o povo seja Povo de Deus para ser
povo dos anciãos, dos escribas, dos sacerdotes, de
fulano, de tal movimento… O povo vira joguete nas mãos
dos chefes religiosos que buscam seus interesses e não o
Reino de Deus. É isso que Jesus critica, mesmo que sua
denúncia profética lhe cause a morte.

Que frutos se esperam da vinha
plantada e cuidada com tanto carinho? O Senhor esperava
dela o direito e a justiça. Estabelecer o direito
Aliança entre Deus e seu povo. Nosso Deus, que é Deus
da vida e do amor, quer que, em nosso meio, reine a
justiça, respeite-se o direito de todos, em especial dos
mais pobres.

Na Bíblia, a opressão contra os
mais pobres é considerada um homicídio. Os vinhateiros
são homicidas não só porque matam os enviados,
inclusive o Filho, mas também porque despojam o pobre,
violam o direito, não dão os frutos da justiça que
pede o Senhor. Por ser assim, o Reino de Deus vai ser
entregue a outras pessoas.

O fato de sermos cristãos não
nos garante o Reino. Somos escolhidos pra sermos sinal de
amor, da misericórdia e da salvação de Deus. É
preciso provar essa escolha com frutos e ações
concretas de justiça e direito. Ser cristão é dar a
vida. Se colocarmos em prática o Evangelho, o Deus da
paz vai estar conosco e dessa paz seremos testemunhas no
mundo em que vivemos.

4. Ligando a Palavra com
ação litúrgica

Como assembléia litúrgica,
somos a vinha fecunda do Pai, regada pelo sangue de
Cristo, seu Filho amado e fiel. Escutando a parábola dos
trabalhadores que se apossaram indevidamente da vinha do
Senhor, reconhecemos também nossas incoerências e
infidelidades na realização de seu projeto.

Confiando em sua paternal
prodigalidade, suplicamos na oração inicial: “Derramai
sobre nós sua misericórdia, perdoando o que nos pesa na
consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir”.

Acolhendo sua palavra, renovamos
com novo ardor a Aliança com Ele e suplicamos, nas
preces, que ele nos dê a firme decisão de sempre
corresponder a seu chamado. Que seu espírito nos
mantenha abertos, vivendo a catolicidade, a
universalidade do amor.

Enxertados em Cristo, pelo
mistério de sua morte e ressurreição atualizado na
celebração, somos fortalecidos para produzir os frutos
que o Pai deseja e espera de nós. “E o fruto que o Pai
espera de nós é o pão e inebriar-nos do vosso vinho
para que sejamos transformados naquele que agra recebemos”.

Em cada celebração, colocamos
em nossos lábios muitos cantos e palavras, repetimos
orações e fazemos tantos gestos. Tudo isso terá
sentido e agradará a Deus como oferta bendita se for
expressão de um coração orante e comprometido com a
vontade do Pai.

A Palavra de Deus nos faz
mergulhar em nossa fragilidade humana e nos leva a
experimentar a bondade sempre fiel do Senhor que nos
propõe mudança de vida e acredita em nossa conversão.
Ele, porém, não se contenta que apenas o invoquemos,
repetidamente: “Senhor, Senhor”.

Mais do que palavras, preces,
aclamações e cânticos, liturgia é ação. Eucaristia
é ação de graças, é entrega de nossa vida ao Pai,
com Cristo, o Filho fiel que provou sua obediência na
cruz. Com ele passamos da morte para a vida, seu
Espírito é derramado sobre nós, infundindo-nos o mesmo
sentimento e a prontidão para doarmos com ele a vida,
para que os outros vivam.

Essa ação deve ser testemunhada
no cotidiano de nossas lidas e lutas pela realização da
vontade do Pai, o Reino de justiça, amor e paz a ser
estabelecido, o quanto antes, entre nós. A Palavra e a
confissão dos lábios tornam-se ação e gesto das mãos,
com o testemunho, “cuidando cada um não só do que é
seu, mas também do que é dos outros” (cf. segunda
leitura).

Oração dos fiéis:

Presid: Como servos
conscientes de que a missão é maior do que nós e que
precisamos ter fé para sermos missionários do reino,
façamos ao Pai nossos pedidos.

1. Senhor, que a Igreja, teu povo
escolhido, produza frutos de justiça, de amor e de paz.
Peçamos:

T.: Senhor, aumenta-nos a fé!

2. Senhor, que todos colaboremos
com os missionários e missionárias na divulgação da
fé. Peçamos:

3. Senhor, que nunca nos
envergonhemos de sermos cristãos católicos. Peçamos:

4. Senhor, pela unidade, pelo
fortalecimento e pela preservação de nossas famílias.
Peçamos:

(Outras intenções)

Presid: Senhor, concedei-nos
ver e julgar todas as coisas segundo o pensamento de
Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito
Santo.

T.: Amém.

LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presid: Acolhei, ó Deus,
nós vos pedimos, o sacrifício que instituístes e,
pelos mistérios que celebramos em vossa honra, completai
a santificação dos que salvastes. Por Cristo, nosso
Senhor.

T: Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO:

Presid: Possamos, ó Deus
onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do
vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que
agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

T: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presid: O Senhor esteja
convosco.

T.: Ele está no meio de nós.

Presid: Que o Senhor os
abençoe e os envie em missão: na família, no trabalho
e na escola.

Todos: Amém

Presid: Abençoe-vos o
Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo.

T.: Amém.

Presid: Ide em paz e que o
Senhor vos acompanhe.

T.: Graças a Deus.

[Esta Celebração foi enviada por Dom Vilson Dias de Oliveira,DC – Bispo Diocesano de Limeira, SP ]

Posted by: | Posted on: setembro 22, 2011

Celebração Dominical – 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM

“Os cobradores de impostos e as
prostitutas vão entrar antes de vocês no reino de Deus”

Leituras: Livro do Profeta Ezequiel 18,
25-29; Salmo 24 (25), 4bc-5.6-7.8-9; Carta de São Paulo aos
Filipenses 2, 1-11; Mateus 2, 28-32 (os dois filhos diferentes).

COR LITÚRGICA: VERDE

Animador: A Eucaristia que
celebramos neste “Domingo dos dois filhos”, mostra-nos
que o arrependimento é a capacidade de rever nosso comportamento,
para que assim possamos conservar a nossa própria vida e a vida
dos outros. Neste dia da Bíblia, celebramos a Páscoa de Jesus
Cristo que se manifesta em todas as pessoas e comunidades que
procuram viver a obediência à Palavra de Deus.

1. Situando-nos brevemente

Ouvimos a parábola dos dois filhos no
Evangelho. Somos o primeiro ou o segundo filho? Dizemos sempre
sim a Deus e somos fiéis ao compromisso assumido?

Somos desafiados na celebração de hoje
a mostrar quem somos diante de Jesus e diante das pessoas. Se
não assumirmos um compromisso efetivo com ele, não teremos
parte no banquete do seu Reino. E humildemente nos reconhecemos
na antífona de entra da celebração: “Senhor, tudo o que
fizeste conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós
e não obedecemos aos vossos mandamentos”.

Ezequiel nos ensina a não culpar Deus
por nossos erros. O mundo e a sociedade são o campo onde o Pai
nos pede um compromisso com a justiça do Reino. Dizer sim a Deus
significa fazer a vontade de Deus e ser acolhido no seu Reino.

A Páscoa semanal, vivenciada neste “domingo
dos dois filhos”, nos motiva a dar graças ao Pai, por Jesus, o
Filho que “humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de
cruz”. Exaltado pelo Pai tornou-se fonte de vida e salvação
para os que aceitam entrar em seu caminho.

Neste dia da Bíblia, celebramos a
Páscoa de Jesus Cristo que se revela nas pessoas que procuram
viver o discipulado, obedientes à Palavra de Deus. Além da
Liturgia da Palavra, parte integrante da liturgia cristã e
constituindo com o rito eucarístico um só ato de culto (cf.
Sacrosanctum Concilium, n.56), toda a celebração, como memorial
do mistério pascal de Jesus, no hoje de nossa vida, está
inserida no conjunto da História da Salvação, da qual a
Bíblia dá incomparável testemunho.

No próximo dia 30, festa de São
Jerônimo, estudioso da Bíblia, entramos em comunhão com as
comunidades judaicas que celebram o RoshShamá,
primeiro dia da Festa de ano-novo judaico.

2. Recordando a Palavra

A primeira leitura está no contexto do
Exílio da Babilônia. O povo acusa Deus de injusto e de agir
incorretamente. Entre o povo havia a idéia de que o pecado
marcava para sempre a vida e a descendência de quem pecava.

Não é uma fatalidade, nem Deus é o
culpado da morte do pecador. O profeta, como porta-voz de Deus,
mostra que a salvação de uma pessoa não depende de seus
antepassados e parentes. O que importa é a disposição do
coração no momento presente. Deus nos julga conforme o que
somos hoje. Nunca é tarde para nos arrependermos, porque Deus
quer a vida para todos.

O Salmo 24 (25), uma súplica de uma
pessoa com bastante idade, pede duas coisas: perdão dos seus
desvios na juventude e a libertação das mãos do inimigo.
Recorda a Aliança com várias palavras: caminho, direito, amor e
verdade, aliança, preceitos… Deus é o aliado do pobre
explorado e oprimido. O salmista tem muita confiança em pedir e
certeza de ser atendido, porque o Senhor é piedade,
misericórdia e bondade sem limites.

Filipos, comunidade dividida, por causa
do espírito de competição e egoísmo, foi a primeira cidade da
Europa a receber a mensagem cristã, entre os anos 55-57. Paulo
apresenta Jesus como modelo de filho fiel e obediente que se
torna servo. Convida os que se dizem seguidores dele a terem “o
mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”.

E para convencer, introduz na sua
exortação um belo hino, composto naqueles anos, que era
conhecido e cantado em muitas comunidades (vv. 6-11). O hino
canta a história de Jesus que, encarnando-se, não perdeu a sua
natureza divina; esta permaneceu como que escondida sob a forma
humana que ele assumia.

O Evangelho se situa no contexto da
rejeição de Jesus por parte dos chefes do povo. Ele encontra-se
em Jerusalém e seu tempo está cada vez menor. Aumenta a
hostilidade daqueles que rejeitam sua mensagem. A parábola dos
dois filhos é simples e questionadora.

Antes de fazer sua comparação, Jesus
pede a opinião de seus ouvintes. Eles mesmos vão decidir. AS
traduções da Bíblia, às vezes, divergem quanto ao filho que
diz “sim” e ao que diz “não”. O aumento não é
cronológico. O que está em jogo é algo muito profundo e
permanece na vida de quem tem fé: fazer a vontade de Deus.

A dinâmica do texto leva à reflexão:
conta a parábola do filho que diz “não”, mas se arrepende e
vai trabalhar na vinha do Pai; e do outro filho que diz “sim,
senhor” ao pai, mas não vai. Jesus pergunta quem fez a vontade
do pai. Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo dizem que é o
filho que disse “não”, mas cumpriu a ordem do pai.

Jesus completa dizendo que os cobradores
de impostos e as prostitutas vão preceder no Reino de Deus os
chefes que não acreditaram na pregação de João Batista e no
caminho de justiça que ele ensinou. O relato é sóbrio, não se
dão as razões dos dois comportamentos; eles simplesmente são
descritos.

As palavras de nada valem: é preciso a
ação concreta, conforme o projeto de Deus. Fazendo o que Deus
espera, quem é pecador torna-se justo; não fazendo, quem se
considera justo torna-se pecador. Os dois filhos podem
representar diversos personagens: o povo de Israel histórico, a
geração do momento, os seguidores de Jesus de todos os tempos e
nós que ouvimos hoje essa palavra.

3. Atualizando a Palavra

Somos daqueles que pensam que basta dizer:
“Senhor, Senhor” para entrar no reino de Deus? Daqueles que
se acomodam com formalidade e com títulos religiosos e não se
esforçam na prática da justiça? Seguir Jesus repercute em
nossa prática. É ela que decide o destino diante de Deus. O
fazer comprova ou desmente o dizer. A pergunta de Jesus exige
discernimento: qual fez a vontade do Pai?

A intenção de Jesus não é converter
seus adversários, mas dizer porque são rejeitados. Ouvimos,
neste contexto, uma das frases mais duras de Jesus: “Os
cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de
Deis”. Aqueles que pretendem ser perfeitos, bons observadores
da lei serão antecipados no Reino por aqueles que eles julgam e
condenam como os maiores violadores da lei, os pecadores
públicos. A lei que Jesus exige é colocar em prática a vontade
do Pai que ama toda pessoa e, em especial, os mais necessitados e
desprezados.

Jesus nos ensina a reconhecer a justiça
das pessoas que não tem boa fama, mas praticam a justiça.
Ensina-nos a denunciar, para o bem deles e de todos que sofrem
sua influência, as que têm boa fama, os considerados santos,
mas que não praticam a justiça, conforme o projeto do Pai.
Jesus é o Filho que diz “sim” e faz o que o Pai decidiu.
Todas as pessoas que acolhem e seguem concretamente Jesus cumprem
a vontade do Pai.

Ezequiel nos fala em praticar o direito e
a justiça e a nos convertermos constantemente. Essa atitude
julga a nossa vida. Julgar que somos “justos” é uma cegueira
pessoal que faz semear dúvidas sobre a conduta e as crenças de
quem é diferente de nós. Para fazermos a vontade do Pai, a
Carta aos Filipenses nos mostra o caminho assumido por Jesus: “Esvaziou-se
a si mesmo assumindo a condição de servo”.

Jesus deixou de lado todo privilegio. O
fato de sermos cristãos de exercemos um ministério na Igreja,
não deve ser motivo de elogios, de prepotência, de nos
sentirmos mais e melhores que outras pessoas. É motivo sim de
solidariedade, de espírito de comunhão e serviço; de um
permanente processo de encarnação no mundo dos excluídos.

4. Ligando a Palavra com ação
litúrgica

Em cada celebração, colocamos em nossos
lábios muitos cantos e palavras, repetimos orações e fazemos
tantos gestos. Tudo isso terá sentido e agradará a Deus como
oferta bendita se for expressão de um coração orante e
comprometido com a vontade do Pai.

A Palavra de Deus nos faz mergulhar em
nossa fragilidade humana e nos leva a experimentar a bondade
sempre fiel do Senhor que nos propõe mudança de vida e acredita
em nossa conversão. Ele, porém, não se contenta que apenas o
invoquemos, repetidamente: “Senhor, Senhor”.

Mais do que palavras, preces,
aclamações e cânticos, liturgia é ação. Eucaristia é
ação de graças, é entrega de nossa vida ao Pai, com Cristo, o
Filho fiel que provou sua obediência na cruz. Com ele passamos
da morte para a vida e seu Espírito é derramado sobre nós,
infundindo-nos o mesmo sentimento e a prontidão para doarmos com
ele a vida, para que os outros vivam.

Essa ação deve ser testemunhada no
cotidiano de nossas lidas e lutas pela realização da vontade do
Pai, o Reino de justiça, amor e paz a ser estabelecido, o quanto
antes, entre nós. A Palavra e a confissão dos lábios tornam-se
ação e gesto das mãos, com o testemunho, “cuidando cada um
não só do que é seu, mas também do que é dos outros” (cf.
segunda leitura).

5. Oração dos fiéis

Presid.: Deus é Pai de
misericórdia e sempre está disposto a ouvir os apelos de seus
filhos e filhas, principalmente aqueles que estão arrependidos e
querem voltar ao caminho de Deus.

1. Senhor, em vossa infinita
bondade, olhai com carinho por todos aqueles que não vos
conhecem, para que possam ter a graça deste conhecimento e
voltem para vós. Peçamos:

T.: Senhor de misericórdia, ouvi-nos.

2. Senhor, por todos os que vivem
perturbados pelo passado, para que possam libertar-se e ver a
grandeza da vida. Peçamos:

3. Senhor, por todos nós que
participamos desta eucaristia, para que possamos respeitar os
outros. Peçamos:

4. Senhor, para que neste dia da Bíblia,
possamos abrir nosso coração e nossos ouvidos para colocarmos
em prática sua Palavra. Peçamos:

5. Senhor, por todos nossos dizimistas
que fazem da sua contribuição um desapego material, para que
sejam recompensados por tanta generosidade. Peçamos:

(Outras intenções)

Presid.: Senhor, Deus da justiça
e da paz, dai-nos um coração aberto à sua Palavra, e com isso
nossa conversão possa ser contínua. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

III. LITURGIA EUCARÍSTICA

ORAÇÃO SOBRE AS OFERENDAS:

Presid.: Ó Deus de misericórdia,
que esta oferenda vos seja agradável e possa abrir para nós a
fonte de toda bênção. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

ORAÇÃO APÓS A COMUNHÃO:

Presid.: Ó Deus, que a comunhão
nesta Eucaristia renove a nossa vida para que, participando da
paixão de Cristo neste mistério, e anunciando a sua morte,
sejamos herdeiros da sua glória. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA:

Presid.: O Senhor esteja convosco.

T.: Ele está no meio de nós.

Presid.: Que o Deus todo-poderoso
torne os vossos corações atentos à tua Palavra, e assim, ricos
em esperança, fé e caridade, possam viver praticando o bem e
servindo os pequenos e pobres com alegria e solicitude. Por
Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém.

Presid.: Abençoe-vos o Deus todo-poderoso,
Pai e Filho e Espírito Santo.

T.: Amém.

Presid.: Ide em paz e que o Senhor
vos acompanhe.

T.: Graças a Deus.