Evangelho de Lucas,

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Posted by: | Posted on: agosto 3, 2013

Celebração do 18º Domingo do Tempo Comum

Ao celebrar a Eucaristia deste domingo, nossa Igreja traz presente a riqueza, o tesouro mais precioso que o Pai nos oferece, gratuitamente, e que nos torna capazes de vencer a enganosa segurança do dinheiro, do lucro desmedido e dos interesses avarentos e mesquinhos que nos cegam, nos frustram e nos tiram a verdadeira alegria de viver.

Neste primeiro domingo do mês de agosto, mês da vocação, somos convidados a refletir sobre a vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. Que eles possam ser sempre fiéis à missão que assumiram.

Homilia do 18º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 2013

Posted by: | Posted on: junho 19, 2013

E vós quem dizeis que eu sou?

Jesus Cristo

(Lucas 9,18-24) –

Autor: Orides Bernardino

O Evangelho de Lucas situa esta narrativa em um contexto diferente dos outros dois Evangelhos sinóticos. Lucas afirma que Jesus “estava rezando em um lugar retirado, e os discípulos estavam com ele”, enquanto em Marcos e Mateus o evento se dá no caminho para Cesareia de Filipe. A ênfase na atitude orante de Jesus é típica de Lucas. Muitas vezes, neste Evangelho, especialmente antes de momentos importantes na sua vida, Jesus se encontra em oração.

No texto de hoje, Lucas escreve que Jesus faz uma pergunta: “Quem o povo diz que eu sou?” Na resposta dos discípulos, ele percebe que não haviam entendido a sua proposta. O povo o imaginava como João Batista, Elias ou algum dos antigos profetas (Lucas 9,18-19). Os discípulos aceitavam-no como Messias, mas como Messias glorioso, bem de acordo com a propaganda do governo e da religião oficial do templo (Lucas 9,20-21). E Jesus tenta explicar-lhes que o caminho previsto pelos profetas era o caminho do sofrimento, como consequência do compromisso assumido com os excluídos. Seguir Jesus implica em assumir a cruz e segui-lo no caminho (Lucas 9,22). Read More …

Posted by: | Posted on: junho 12, 2013

A moça do perfume (Lucas 7,36-8,3)

mulher do perfumeAutores: Carlos Mesters e Mercedes Lopes

Texto extraído do livro O AVESSO É O LADO CERTO – Círculos Bíblicos sobre o Evangelho de Lucas. Autores: Carlos Mesters e Mercedes Lopes.

O texto de hoje deixa transparecer outro aspecto do Novo que Jesus trouxe. Na sociedade e na religião do tempo de Jesus, as mulheres eram excluídas e discriminadas. Ao redor de Jesus, porém, homens e mulheres se reuniam em igualdade de condições. Durante a leitura do texto somos convidados a prestar atenção na seguinte questão: Qual atitude de Jesus para com as mulheres que aparecem no texto? Read More …

Posted by: | Posted on: maio 11, 2013

CELEBRAÇÃO DA ASCENSÃO DO SENHOR

12 de maio de 2013

“O Filho ao lado do Pai: fonte do Espírito que gera e guia a Igreja”

Imagem da Ascensão de JesusLeituras: Atos 1, 1-11;

Salmo 46 (47), 2-3. 6-7. 8-9 (R/6);

Carta de São Paulo aos Efésios 1, 17-23;

Lucas 24, 46-53.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

O Senhor ressuscitou! Aleluia! Nesta Eucaristia, damos graças a Deus pela ascensão do Senhor ao céu, por esta elevação de todo o universo com Jesus e por esta certeza de que todas as pessoas são com Ele, elevadas e introduzidas na intimidade plena e definitiva de Deus. Lembremos com carinho de todas as mães que são para nós a personificação do amor carinhoso de Deus para com o seu povo.

1. Situando-nos brevemente

A celebração da Ascensão do Senhor não se restringe à recordação solene da volta de Cristo ao Pai, Ele que vai para o céu e senta à direita de Deus, mas é o momento em que se explicita o Filho como fonte do Espírito. Ele, de junto de Deus, nos enviará aquele que manterá viva na Igreja a memória de sua Páscoa, configurando-a como um testemunho de seu amor por nós.

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Posted by: | Posted on: fevereiro 2, 2013

Homilia do 4º Domingo do Tempo Comum – Ano C

03 de fevereiro de 2013

“Jesus, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho”

Leituras: Jeremias 1, 4-517.-19;

Salmo 71 (70), 1-4a.5-6ab. 15ab.17 (R/ cf. 15ab);

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 31-13,13;

Lucas 4, 21-30.

COR LITÚRGICA: VERDE

Nesta páscoa semanal do Senhor vamos refletir um momento difícil na vida de Jesus. Depois da pregação da sinagoga de Nazaré os habitantes se recusam a ouvir a sua palavra e tentam lançá-lo no precipício. Sentimos em nossas vidas, muitas vezes, as conseqüências da rejeição por causa da justiça, do bem e da solidariedade com os pobres. Nesta celebração estamos em comunhão com aqueles e aquelas que, por causa da justiça, são desprezados.

1. Situando-nos

Caminhando no itinerário do ano litúrgico, vamos, pouco a pouco, seguindo Jesus. Hoje ele se manifesta como o profeta do Pai. É aceito por uns, rejeitado por outros. Nele se cumpre a profecia de Simeão: “Este menino será sinal de contradição” (Lc 2,34).

Jesus, o profeta, relembra e atualiza a aliança e o projeto de Deus ao povo, mesmo que por parte de alguns haja reação de desprezo, rejeição e até o expulsam da cidade.

Como profeta do Pai, somos chamados a acolher a salvação como dom de Deus, salvação aberta a todos.

2. Recordando a Palavra

Lucas começa o evangelho de hoje como terminou o texto do domingo passado: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (4,21). Todos os que estavam na sinagoga de Nazaré se admiravam das palavras cheias de sabedoria, proclamadas por Jesus.

Mas eles ainda não haviam descoberto a verdadeira identidade de Jesus, o Messias Servo enviado para manifestar a salvação de Deus a todos os povos. Assim, rejeitam o Cristo pobre e humilde: “Não é este o filho de José?” (4,22), pois esperavam um Messias poderoso.

Jesus, porém, dizia: “Vós repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, na tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum” (4,23). A advertência de Jesus é, sobretudo, por não acreditarem nele como o enviado de Deus para cumprir as promessas da salvação. A falta de fé e de acolhimento prefiguram seu destino final, como os profetas antigos: “nenhum profeta é bem recebido em sua terra”. Apesar da rejeição, Deus continua enviando seus mensageiros a serviço da libertação do povo oprimido.

A proposta libertadora de Jesus se estende a todos os povos e nações. Cafarnaum, que era uma cidade discriminada, porque ali viviam muitos gentios, aparece como modelo de adesão. Jesus fala dos milagres realizados pelos profetas Elias e Eliseu (cf. 1Rs 17,8-24; 2Rs 5, 1-19) a pessoas que não pertenciam ao povo de Israel. A viúva de Sarepta e Naamã, o sírio, receberam favores especiais de Deus por causa da fé. Assim, revela-se que a oferta divina da salvação em Cristo não se restringe a um determinado povo.

Em Jesus Cristo, Deus manifesta a sua bondade e compaixão a todas as pessoas indignadas. Sua rejeição chega ao extremo de tentar precipitá-lo do alto de uma colina. Mas, é impossível deter o processo de libertação: “Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho” (4,30). As forças opostas ao projeto de Deus não podem impedir a realização plena da missão salvífica de Cristo. A compreensão da proposta de abertura de Jesus a todas as pessoas é um caminho progressivo.

A primeira leitura apresenta a vocação profética de Jeremias, por volta do ano 627 antes de Cristo, no tempo do rei Josias. Salienta que o chamado surge a partir da experiência de Deus, o único Mestre que forma o ser humano, desde o inicio de sua existência. A voz do profeta é universal, pois Deus o consagra e o envia para falar em seu nome às nações.

Com a presença de Deus e a força de sua palavra, o profeta é impelido a atuar sem medo diante dos reis e de seus príncipes, dos sacerdotes e do próprio povo. “Não tenhas medo, porque estou contigo para te defender”. A certeza do apoio de Deus sustentou a luta constante de Jeremias para “arrancar e derrubar, para construir e plantar” (1,10).

O Salmo 71(70) expressa a confiança em Deus que salva e liberta. O salmista, em meio às perseguições, volta-se para o Senhor, porque nele encontra o apoio desde a juventude. O Senhor como “rocha protetora, abrigo seguro, amparo e refúgio”, guia o ministério dos que anunciam a sua justiça com fidelidade.

A segunda leitura, da primeira carta aos Coríntios, apresenta o amor “ágape” como o dom por excelência. Esse amor vai além da simples amizade e supera toda forma de egoísmo, pois foi derramado pelo Espírito em nossos corações (Rm 5,5).

As três afirmações idênticas (13,1-3) acentuam que se trata do amor oblativo, que dá sentido à vida dos que seguem a Cristo. A caridade ou amor tem a primazia até mesmo entre as três virtudes principais, conhecidas como “teologais”: fé, esperança e amor. Somente o amor permanece para sempre, pois “Deus é Amor”.

3. Atualizando a Palavra

Em Jesus, Deus cumpre a palavra e revela o seu amor na história humana: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. O projeto de Jesus encontra rejeições, desde o início, pois manifesta o significado universal de sua missão como Messias e Filho de Deus.

A oposição a Jesus e sua mensagem libertadora culminará com a sua morte na cruz. A sua palavra e o seu testemunho impelem a um compromisso radical com a transformação das injustiças deste mundo.

A Boa Nova de Jesus atinge outros povos, os gentios. Encontra rejeição para ser testemunhada da Galileia até Jerusalém e daí até os confins da terra, seguindo a narrativa de Lucas e Atos dos Apóstolos. Como Jesus, também os seus seguidores e as suas seguidoras enfrentam adversidade por causa da missão profética a serviço do Reino. A voz dos verdadeiros profetas continua sendo silenciada. Mas é necessário arriscar-se para proclamar a mensagem da salvação a todos os povos e nações.

O verdadeiro profeta não é acolhido, pois fala em nome de Deus e está comprometido com o seu projeto de vida plena para todos. Jeremias, chamado e consagrado, desde o ventre materno, segue a vontade de Deus e se coloca a serviço do Reino da justiça. Diante das dificuldades, ele deve permanecer firme como “uma coluna de ferro e um muro de bronze”.

Que a força da palavra de Deus nos envolva e nos liberte para estarmos sempre de prontidão, preparados, para anunciarmos a mensagem profética de esperança.

Prossigamos com Cristo o caminho de fidelidade ao Pai, através do amor que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Esse amor, que “jamais passará”, leva a formar uma grande fraternidade universal, superando todas as formas de discriminação e privilégios. A comunidade eclesial, construída no amor de Deus, torna-se firme e inabalável para anunciar a salvação a todos as pessoas.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

O Senhor nos reúne para celebrarmos o seu santo nome. Como reza a oração do dia, ele nos concede o dom de adorá-lo de todo o coração e de amar as pessoas com verdadeira caridade. Nele, por ele e com ele somos irmãos na busca e no esforço comum de superar preconceitos, divisões e desigualdades.

A comunidade, corpo do Senhor, participa de seu carisma profético, anuncia a sua Palavra, anuncia sua morte e proclama sua ressurreição e aguarda confiante sua vinda final.

Que a participação nas mesas da Palavra e da Eucaristia renove em nós a vocação profética. Que sejamos anunciadores da Boa Notícia e corajosa para denunciar todo tipo de injustiça, corrupção e pecado que destrói as pessoas.

O Senhor está conosco, não tenhamos medo, como Jesus, e sigamos nosso caminho, trilhando suas pegadas.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: janeiro 26, 2013

HOMILIA DO 3º DOMINGO DO TEMPO COMUM

27 de janeiro de 2013

“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”

Leituras: Neemias 8, 2-4a.5-6.8-10; Salmo 19B (18B), 8-10.15 (R/ Jo 6,63c); Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12, 12-30;

Lucas 1, 1-4; 4,14-21.

COR LITÚRGICA: VERDE

Iniciamos hoje a proclamação do Evangelho de Lucas, que irá nos acompanhar durante todo este Ano Litúrgico, que é chamado Ano C. Jesus encontra-se na sinagoga de Nazaré, sua terra natal, para início de seu ministério e revelação do seu programa de evangelização. Apresenta-se na sinagoga de Nazaré sem títulos, nem poderes. Define-se por aquilo que faz.

1. Situando-nos

Neste período domingo do tempo comum, Jesus continua a se manifestar. Hoje ele se manifesta num culto semanal na sinagoga de Nazaré, onde costuma participar, exercendo o ministério de leitor. Jesus, a Palavra de Deus viva e encarnada na história humana, proclama seu programa de vida.

Nós comunidade de fé, seguidora de Jesus, escutamos como discípula fiel a Palavra do Senhor e renovamos o nosso compromisso de vivê-la, nos tornando amigos/as de Deus.

Que de fato, “hoje”, se cumpra a Palavra da Escritura que ouviremos.

2. Recordando a Palavra

Lucas começa a narrativa do evangelho com o prólogo (1,1-4), onde acentua o valor das tradições transmitidas pelas “testemunhas oculares” que ouviram com Jesus. Ressalta que é a fé nos “fatos ocorridos”, nos eventos salvíficos, realizados em Cristo, que torna alguém “ministro da palavra”. Assim, a finalidade do evangelho é suscitar e dar firmeza à fé, levando as pessoas a fazer a experiência do amor de Deus (= Teófilo).

O evangelista, com seu “relato ordenado”, sinaliza que as promessas da salvação de Deus se cumpriram plenamente no ministério de Jesus. As palavras proféticas anunciam a chegada do Messias, ungido pelo Espírito do Senhor para libertar os oprimidos. “Com a força do Espírito”, Jesus anuncia a Boa Nova na Galileia, ensinando nas sinagogas, provocando a adesão de discípulos e de discípulas.

Jesus veio à cidade de Nazaré onde fora criado e entrou na sinagoga no sábado. Levantou-se para fazer a leitura e explicar o texto sagrado. “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres, para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor” (4,18-19; cf. Is 61,1-2; 58,6). Assim, o Cristo renova a esperança do povo oprimido, manifestando a graça, a benevolência, o favor de Deus.

O Pai enviou o Filho amado com a plenitude dos dons do Espírito para atuar em favor de todo o povo necessitado, realizando plenamente as esperanças proféticas, as promessas de salvação. O “ano da graça do Senhor” remete à libertação anunciada pelo ano jubilar, a libertação dos escravos; o retorno das pessoas às suas propriedades, às suas terras, ao meio de vida que haviam perdido. Por isso, no fim da proclamação solene na sinagoga, as pessoas “tinham os olhos fixos em Jesus”. Ele mesmo afirmou: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”.

A primeira leitura, do livro de Neemias, reflete um contexto após o exílio babilônico. Os líderes Esdras e Neemias estão animando o povo sofrido a reconstruir o país e a fazer renascer a identidade e unidade, através da palavra de Deus. O povo é convocado a renovar a aliança, em praça pública, pois o templo estava em ruínas. Assim, o centro não é mais o sacrifício, mas a palavra de Deus celebrada na liturgia comunitária Omo sustento da caminhada.

Tratava-se um dia consagrado ao Senhor, em que celebravam a ceia, onde “leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido de maneira que se pudesse compreender a leitura” (8,8). A palavra proclamada em assembléia suscita a adesão vital ao Senhor e transforma a tristeza em alegria. “A alegria do Senhor é a força” que proporciona a comunhão, o estar juntos pra ouvir a palavra e comer juntos, para partilhar o pão com os necessitados.

O trecho do salmo 19 (18), proposto hoje pela liturgia, tem estilo sapiencial. O salmista contempla a dádiva da Lei do Senhor, a Torá, e expressa o seu valor vital. Os mandamentos do Senhor “iluminam os olhos” para trilhar o caminho da justiça e fidelidade à sua vontade. Em Cristo, Rochedo e Redentor, Deus se revelou como palavra de Vida e Verdade.

A segunda leitura, da primeira Carta aos Coríntios, continua a reflexão sobre os dons do Espírito, ressaltando que todos juntos formamos um só corpo em Cristo. Os membros, “embora sejam muitos, formam um só corpo” (12,12). Partilhamos de uma existência comum, pois “todos bebemos de um só Espírito” (12,13) que habita em nós (3,16). É necessário ter um cuidado especial com as partes (membros) do corpo mais sofridas e fragilizadas.

Assim como o corpo humano necessita de membros diferentes, também a comunidade precisa de uma diversidade de dons, ministérios e atividades que se completam mutuamente. Orientados pela mesma fé em Cristo, os membros se acolhem com respeito e amor. Somos membros do corpo, da comunidade eclesial, “edificadas sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, tendo como pedra angular o próprio Cristo Jesus” (Ef 2,20).

3. Atualizando a Palavra

Jesus realiza plenamente as Escrituras, anunciando a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos que se encontram aprisionados, a vista as que não enxergam, a libertação aos oprimidos. Assim ele cumpre o ano da graça do Senhor, proclamando a salvação integral do ser humano, ou seja, a libertação de todas as formas de opressão. O olhar fixo nas palavras e nas ações de Jesus, nos leva a centrar as forças no serviço ao Reino da vida.

O documento de Aparecida, no número 361, afirma que “o projeto de Jesus é instaurar o Reino de seu Pai. Por isso, pede a seus discípulos: ‘Proclamem que está chegando o Reino dos céus!’ (MT 10,7). Trata-se do Reino da vida. Porque a proposta de Jesus Cristo a nossos povos, o conteúdo fundamental dessa missão, é a oferta de vida plena para todos. Por isso, a doutrina, as normas, as orientações éticas e toda  a atividade missionária das Igrejas, deve deixar transparecer essa atrativa oferta de vida mais digna, em Cristo, para cada homem e para cada mulher”.

E no numero 358, acentua: “as condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem com o projeto do Pai e desafiam os cristãos a um maior compromisso a favor da cultura da vida. O Reino de vida que Cristo veio fazer incompatível com essas situações desumanas”.

A palavra de Deus é sempre atual, pois fala da vida e da história do ser humano, interpelando-o a gestos de amor fraterno e de partilha. Fortalece a fé e a esperança para que todos sejam “Teófilo”, isto é, amigos de Deus. Ela deve ressoar em nossa vida e missão, conduzindo-nos a uma prática libertadora integral, conforme a Boa Notícia trazida por Jesus de Nazaré.

Recebemos dons do Espírito para realizarmos nosso compromisso batismal a serviço do Reino. Como membros do corpo de Cristo, somos impelidos a colaborar para a realização do amor e da justiça. Formamos uma comunidade fraterna chamada a continuar a missão de Jesus. Que possamos ser instrumentos de libertação, participando das alegrias e dos sofrimentos uns dos outros, tendo um cuidado especial com os membros do corpo mais necessitados.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

Hoje reunimo-nos num só corpo, no Cristo, Palavra eterna do Pai. Ele está no meio de nós e edifica o corpo eclesial com inúmeros ministérios. Ele esta presente na Palavra proclamada, pois é ele mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja (cf. SC, n.7).

Na assembléia litúrgica desenvolve-se um verdadeiro diálogo de Deus com seu povo, um colóquio contínuo de Esposo e Esposa. Como afirma a Verbum Domini: “a liturgia é o lugar onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo, que escuta e responde. Cada ação litúrgica está, por sua natureza, impregnada da Sagrada Escritura” (n.52).

Celebrando, somos inseridos na lógica da revelação. Deus chama, reúne e a comunidade, atendendo ao seu chamado, se apresenta e responde. A própria liturgia da palavra possui uma dinâmica dialogal: “A parte principal da liturgia da palavra é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia, a profissão de fé e a oração universal, ou dos fieis. Pois, nas leituras explanadas pela homilia Deus fala ao seu povo, revela o mistério da redenção e da salvação, e oferece alimento espiritual; e o próprio Cristo, por sua palavra, se apropria dessa palavra de Deus e a ela adere pela profissão de fé; alimentado por essa palavra, reza na oração universal pelas necessidades de toda a Igreja e pela salvação do mundo inteiro” (IGMR, n.55).

Com razão, a Sacrosanctum Concilum e o Ordo Lectionum Missae (Introdução ao Lecionário) valorizaram as leituras bíblicas, o salmo responsorial, a aclamação, a homilia, o silencio, a profissão de fé e a oração dos fieis (Cf. Sacrosanctum Concilium, nn. 51-53 e Ordo Lectionum Missae, nn. 11-31).

Também a celebração litúrgica, no seu conjunto, possui uma estrutura de base que favorece o dialogo: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística. A Sacrosanctum Concilium, falando sobre a celebração eucarística afirma que “ a liturgia da palavra e a liturgia eucarística estão tão unidas que forma um só ato de culto” (cf. .56). Numa relação de aliança os dois momentos estão estreitamente unidos a palavra constitui o momento do contrato, através do diálogo, e a liturgia eucarística o momento em que a comunidade, cheia do Espírito, dá sua resposta e sela o compromisso com Deus. A palavra é então fundamento sobre o qual a aliança se firma.

Que a Palavra que se faz carne no hoje da comunidade celebrante, Palavra que é luz para os olhos, alegria ao coração, de fato seja traduzida na realidade, num programa de vida que transforme todo tipo de morte em vida.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: dezembro 31, 2012

Celebração do Ano Novo – Festa de Santa Maria Mãe de Deus

01 de janeiro de 2013

“Quando Chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”

Leituras:

Números 6, 22-27;

Salmo 67 (66), 2-3.5-6.8 (R/cf. 2a);

Carta de São Paulo aos Gálatas 4, 4-7;

Lucas 2, 16-21.

COR LITÚRGICA: BRANCA OU DOURADA

Nesta primeira celebração do ano de 2013, o Mistério do Natal do Senhor nos introduz na contemplação da Maternidade de Maria. Rendemos graças a Deus por esta maternidade, pois gerando Jesus, possibilitou que a Salvação fosse uma realidade em nossa vida. Agradeçamos por este ano que termina e peçamos que o novo ano possa trazer as bênçãos de Deus.

1. Situando-nos

Estamos vivenciando as festas natalinas, com a celebração da manifestação do Senhor em nossa vida e história. Nossa atenção se volta ao mistério da Mãe do Senhor sob o título de “Mãe de Deus”.

Ao afirmar que o Menino, nascido de Maria, é Deus (por exemplo, cf. Gl 4,4), em decorrência disso, a Igreja proclamou que Maria é Mãe de Deus. E isso não é de agora. Desde muito, nós cristãos honramos “… Maria sempre Virgem, solenemente proclamada santíssima Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso, para que Cristo fosse reconhecido, em sentido verdadeiro e próprio, Filho de Deus e Filho do homem, segundo as Escrituras” (UR, n.15: Decreto conciliar sobre a reintegração da Unidade dos cristãos).

Neste dia Mundial da Paz, iniciando um novo ano, a paz é desejada, suplicada como sinal da benção e da proteção permanente de Deus. É em nome de Jesus, a plenitude da benção, que invocamos bênçãos de paz sobre nós e sobre os povos em conflito.

Com o exemplo de Maria no seu sim incondicional, vamos assumir “de boa vontade” a proposta de Jesus de sermos promotores da paz em nossos lares e na sociedade em que vivemos.

2. Recordando a Palavra

O texto do evangelho pertence às narrativas da infância (caps. 1-2) e mostra que os pastores, após terem recebido a Boa Notícia do nascimento de Jesus, se dirigem às pressas a Belém. Encontram na simplicidade de Maria, de José e do recém-nascido, o sinal da salvação vinda de Deus. Tornam-se, assim, anunciadores do Salvador, da luz que resplandece para todos os povos.

“Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino” (2,17). O testemunho dos pastores leva outras pessoas a fazerem a experiência da salvação, aderindo a Jesus. “Maria guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (2,19).

Ela permanece na escuta da palavra para compreender o plano divino de amor revelado em Cristo. A atitude meditativa da mãe, atenta à missão do Filho, ensina a viver com fidelidade o caminho do discipulado.

Os pastores “voltam louvando e glorificado a Deus por tudo o que tinha visto e ouvido” (2,20). Retornam às atividades e à missão, transformados pelo encontro com o Senhor, manifestado na simplicidade e na pobreza.

Tornam-se testemunhas da glória de Deus, revelada em Jesus; anunciadores de sua mensagem, num clima de alegria e de celebração. O louvor caracteriza a experiência dos que se deixam envolver pela solidariedade de Deus, manifestada em Jesus.

O menino é circuncidado no oitavo dia, como sinal da aliança (cf. Gn 17) e da inserção na história do povo. Ele recebe o nome de Jesus que significa “Deus salva”. Esse nome, escolhido pelo próprio Deus (1,31), destaca que Jesus é enviado para ser o Salvador da humanidade.

Ele é o Emanuel, isto é, o Deus conosco, sempre presente na vida e na história humana (cf. Mt 1,23; 28,20). Desde a encarnação até a ressurreição e glorificação junto ao Pai, Cristo se manifesta como dom gratuito da salvação, como portador da “vida em abundância”, para todas as pessoas (cf. Jo 10,10).

A primeira leitura, do livro dos Números, é uma fórmula de bênçãos. Os sacerdotes costumavam invocar a benção do Pai no final das grandes solenidades litúrgicas, sobretudo, na festa do ano novo. A repetição do nome do Senhor, no início de cada versículo, enfatiza que a eficácia da benção provém dele. O Senhor abençoa, proporcionando a força da salvação.

O Senhor faz resplandecer a sua face como gesto favorável de bondade. Nos tempos de aflições, no exílio, acreditava-se que Deus tinha escondido a sua face e abandonado o povo. O Senhor abençoa e guarda, é benevolente e concede a paz, “shalom”, que abrange todos os dons. O ser humano pode invocar o nome Deus, a sua benção, pois Ele é a fonte de toda a vida.

O Salmo 67(66) agradece pelas colheitas e suplica a benção, o favor divino, para o ano que começa. O Deus da aliança abençoa fazendo a terra produzir frutos abundantes para todas as pessoas. Ele julga o universo com justiça e governa os povos com misericórdia e retidão.

Paulo, na segunda leitura da carta aos Gálatas, acentua que “quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (4,4). Deus intervém na historia humana e envia seu Filho para realizar suas promessas de salvação. O Filho vem “para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que todos recebêssemos a adoção filial” (4,5).

O Espírito, que conduziu a vida de Jesus, nos proporciona viver na liberdade de filhos e filhas e aclamar de forma carinhosa, confiante e filial: Abba, Pai. Já não somos escravos, porque a ternura do Pai, revelada em Cristo, nos libertou para sermos filhos e herdeiros. O fato de sermos filhos e um mesmo Pai nos torna irmãos uns dos outros, solidários, como Cristo.

3. Atualizando a Palavra

A palavra de hoje ressalta a imposição do nome de Jesus, sua inserção na sociedade humana. Como o Filho de Deus, nós também recebemos um nome ligado à nossa existencial e à nossa missão.

A Atitude dos pastores nos ensina a acolher e anunciar a Boa Notícia da presença do Salvador em nosso meio. Com Jesus, nos tornamos herdeiros da salvação e podemos clamar: Abba, Pai, vivendo fraternalmente como irmãos e irmãs.

Maria, a mãe de Jesus, é imagem da comunidade fiel e comprometida com o plano da salvação. “Modelo para todo fiel de acolhimento dócil da Palavra divina, ela conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração (Lc 2,19; cf. 2,51) e sabia encontrar o nexo profundo que une os acontecimentos, os atos e as realidades no grande desígnio divino.

Na figura da mãe de Deus, encontramos de forma sublime os passos do lectio divina, a leitura orante da Palavra de Deus. Começa com a leitura (lectio) do texto que suscita a interrogação sobre um autêntico conhecimento do seu conteúdo: o que diz o texto bíblico em si?

Segue-se, depois, a meditação (meditatio), durante a qual nos perguntamos: o que nos diz o texto bíblico? Cada um pessoalmente, mas também como realidade comunitária, deve deixar-se sensibilizar e pôr em questão, porque não se trata de considerar palavras pronunciadas no passado, mas no presente.

Sucessivamente chega-se ao momento da oração (oratio) que supõe a pergunta: que nós dizemos ao Senhor, em resposta à sua Palavra? A oração enquanto pedido, intercessão, ação de graças e louvor, é o primeiro modo como a Palavra nos transforma.

Finalmente, a lectio divina conclui-se com a contemplação (contemplatio) durante a qual assumimos como dom o seu próprio olhar, ao julgar a realidade, e interrogam-nos: qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor nos pede?

Há que recordar ainda que a lectio divina não está concluída, na sua dinâmica, enquanto não chegar à ação (actio) que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade?”

Invoquemos com confiança a benção do Senhor, o Deus de bondade, sobre todos os povos e nações, neste Dia Mundial da Paz. Que ele guarde, ilumine, mostre a sua face de Pai e dê a paz a todos. Com Jesus, o Filho de Maria, a maior benção da salvação para toda a humanidade, nos comprometemos a trabalhar alegremente na construção da paz.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

No oitavo dia de Natal, a Igreja celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e, nela o mistério da salvação em Cristo Jesus. O núcleo desta solenidade é a benção dada à humanidade e prometida a Abraão: “Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” (Gn 12,3).

Esta benção se cumpre em Maria quando saudada pelo anjo, como “cheia de graça” (Lc 1,28), declara-se a humilde “serva do Senhor”, acolhendo em seu seio a benção por excelência, o próprio Filho de Deus, “pelo qual a humanidade toda foi abençoada com toda bênção espiritual em Cristo” (Ef 1,3).

Em sentido bíblico, a paz é o dom por excelência, é a salvação trazida por Jesus, é a nossa reconciliação e pacificação com Deus. Um valor humano a ser realizado no campo social, político, econômico, ético, religioso, etc. Queremos que nosso país seja repleto de benção, nação justa, celeiro de paz. “Felizes os promotores da paz, porque serão chamados filhos de Deus!” (Mt 5).

Na liturgia eucarística, rendemos a ação de graças ao Pai que nos plenificou de bens, através de seu Filho feito homem, que por nós morreu e ressuscitou, vencedor do pecado e a morte. Ele é o “Santo” (Mt 1,21-23), anunciando o nascimento de Jesus, salvação divina, o evangelista identifica “Jesus” como a “salvação”: porás nele o nome de Jesus, porque ele vai salvar o seu povo dos seus pecados.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliviera, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: dezembro 29, 2012

Celebração Dominical: SAGRADA FAMÍLIA

30 de dezembro de 2012

Leituras: 

Eclesiástico 3, 3-7.14-17a;

Salmo 128 (127), 1-2.3.4-5 (R/cf. 1);

Carta de São Paulo aos Colossenses 3,12-21;

Lucas 2, 41-52

 

“DEVO ESTAR NA CASA DE MEU PAI”

COR LITÚRGICA: BRANCA

.Nesta Eucaristia, que se realiza na “oitava de Natal”, somos convidados, pela liturgia, a olharmos a Sagrada Família de Nazaré. Ela já vivia na comunhão com Deus, antes do nascimento de Jesus, e continua depois do Natal, com as dificuldades da vida, pelas quais passam todas as famílias da terra. Peçamos nesta celebração que o Senhor possa abençoar todas as famílias, em especial as famílias de nossa comunidade, e que possamos ter a Sagrada Família como exemplo para nossas famílias.

Situando-nos

A festa da Sagrada Família se insere no tempo do Natal, ou seja, “tempo da manifestação” do Senhor. Quer dizer, o Verbo eterno do Pai se torna humano, vem morar entre nós.

Celebrando a Sagrada Família, valorizamos a vida de nossas famílias como santuário da vida, lugar da vivência da gratuidade, do amor e do perdão, sacramento do mundo novo, apesar dos seus inevitáveis contratempos.

Nesta celebração, o Pai nos convida a entrar no mistério sempre atual da encarnação do Filho, na realidade de uma família que, independente de seus limites, é convidada a assumir o caminho de Jesus, como Maria e José que foram fiéis a Deus, apesar das vicissitudes da época.

A Palavra de Deus neste domingo nos introduz no mistério desta Família. Estejamos com olhar atento para ver o quanto de bom existe na nossa pequena família também.

1. Recordando a Palavra

O texto do evangelho de Lucas acentua a relação de Jesus com o Pai, sinalizando que sua missão ultrapassa os limites da família a que pertence pelos laços de sangue. Jesus participa com os pais da peregrinação a Jerusalém, para celebrar a festa da Páscoa. Ele começa a sentir a alegria de viver na comunidade dos fiéis israelitas, pois já tinha completado doze anos, idade da maturidade, época da preparação para a cerimônia do “bar mitzvá”.

Terminando a festa da Páscoa, que costumava durar sete dias, José e Maria tomam o caminho de volta a Nazaré da Galileia. Jesus permanece em Jerusalém e os pais notaram sua ausência entre os companheiros de viagem. Então, voltam a Jerusalém e, após três dias de procura, o encontram sentado entre os mestres da Lei, participando ativamente do ensinamento ministrado nos átrios do templo.

As pessoas, que acompanhavam o ensinamento dos mestres da Lei, ficavam maravilhadas com a sabedoria de Jesus. Aos pais aflitos que o procuravam, Jesus revela o sentido de sua missão: “Não sabíeis que devia estar na casa do meu Pai?” (2,49).

O Filho está envolvido com as coisas do Pai, pois foi enviado para realizar a sua vontade. Depois disso, Jesus volta com os pais para Nazaré e continua vivendo na obediência, prefigurando sua doação total por amor, como servo obediente ao Pai.

Maria “guardava todas estas coisas no coração” (2,51). Como modelo de discípula, ela conserva a palavra e os acontecimentos para compreender a missão do Filho. “Jesus ia crescendo em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens” (2,52), colocando-se, desde a infância totalmente a serviço da vontade do Pai, revelada N´Ele pelo Espírito Santo. A romaria a Jerusalém prefigura sua caminhada final até lá (9,51-19,27), onde culmina sua missão salvífica.

A primeira leitura, do livro do Eclesiástico, orienta as relações familiares, lembrando aos filhos o dever de honrar pai e mãe, conforme ensina o quarto mandamento (cf. Ex 20,12; Dt 5,16). Exorta a consolar, a ter compaixão e amparar os pais na velhice; a ter piedade, isto é, respeito e dedicação com aqueles que geravam a vida. Assim, o sábio autor do livro escreve no início do século II a.C., colocando a família como instrumento eficaz para permanecer na fidelidade à aliança.

O Salmo 128 (129) é sapiencial e fala da vida familiar feliz e harmoniosa. A fidelidade os ensinamentos do Senhor leva a trilhar os seus caminhos de felicidade. “Que o Senhor te abençoe cada dia de tua vida”.

A segunda leitura, da carta aos Colossenses, reflete sobre as relações humanas em todas as dimensões, sobretudo, no âmbito familiar. Impele a revestir-se das virtudes e atitudes essenciais para seguir o caminho da vida nova em Cristo. Mostra que a compaixão, a bondade, a humildade, a mansidão, a paciência e o perdão mútuo culminam na caridade que é o vínculo da perfeição.

O amor é o alicerce da vida familiar e cristã, pois leva a formar um só corpo em Cristo Jesus. A escuta da palavra, a ação de graças e o louvor com salmos, hinos e cânticos espirituais proporcionam viver os deveres recíprocos no amor.

2. Atualizando a Palavra

A Sagrada Família de Nazaré cumpre seus compromissos religiosos e ilumina as relações entre pais e filhos, sendo modelo para todos os lares. Mas Jesus revela que sua família, mais do que nos laços de sangue, está centrada na obediência a Deus, Pai comum de todas as pessoas que crêem e realizam a sua vontade.

Compreender a vontade do Pai, seus desígnios, seu projeto de amor, exige meditação, oração e contemplação constante de sua palavra. Maria conservava no coração a palavra, os acontecimentos da salvação, acolhendo com fé o plano de amor do Pai, que se revela no Filho. Sua atitude de discípula ilumina a nossa caminhada a serviço do Evangelho de Cristo.

O Filho de Deus vindo a terra numa família humana, oferece a ocasião para refletir sobre a família como ambiente vital e social, onde cada ser humano se insere ao nascer. Ele ensina a viver o amor filial, a comunhão, a solidariedade, a partilha.

O amor é o elemento essencial que faz reinar a paz e a harmonia nas famílias. É o critério para viver a felicidade em Deus e a fonte da unidade familiar.

O Catecismo da Igreja Católica afirma que a “Família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai. Ela é chamada a partilhar a oração e do sacrifício de Cristo. A oração cotidiana e a leitura da Palavra de Deus fortificam nela a caridade. A família cristã é evangelizadora e missionária. As relações dentro da família acarretam uma afinidade de sentimentos, de afetos e de interesses, afinidade essa que provém, sobretudo, do respeito mútuo entre as pessoas. A família é uma comunidade privilegiada, chamada a realizar uma carinhosa abertura recíproca de alma entre os cônjuges e, também, uma atenta cooperação dos pais na educação dos filhos” (Catecismo da Igreja Católica, p.576).

3. Ligando a Palavra com a ação eucarística

A nossa reunião dominical na casa do Senhor (Igreja) é expressão sinal de nossa caminhada com o Senhor e do desejo de vivermos como irmãos, numa família sagrada, unidos pelos laços da fé e da solidariedade.

A cada encontro dominical, à mesa da grande família, vamos crescendo pela sabedoria e força que nos vêm pela Palavra e pelo Pão eucarístico partilhado, até, unidos na busca da justiça e dias melhores para todos, chegarmos a “fazer a vontade do Pai”, conforme o dom e a vocação e cada um.

Um desejo, uma busca essencial em relação à vida da família hoje, com certeza, deve ser procurado no exercício da caridade que é a fonte da unidade familiar (caridade entendida como vivência da gratuidade, do perdão e do amor, do exercício de relações verdadeiras, da prática da misericórdia, da partilha e da solidariedade).

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: dezembro 23, 2012

Celebração do 4º Domingo do Advento

23 de dezembro de 2012

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”

Leituras: Miquéias 5, 1-4a; Salmo 80 (79), 2ac.3b.15-16.18-19 (R/4); Carta aos Hebreus 10,5-10; Lucas 1, 39-45.

COR LITÚRGICA: ROXA

Estamos bem próximos do Natal, e nesta páscoa semanal do Senhor lembramos a gravidez e a expectativa de Maria em relação ao nascimento de Jesus. Com Maria, todos nós também aguardamos com alegria a vinda do Emanuel, Deus conosco. Preparemo-nos para acolher esta novidade que Deus nos presenteia neste Natal.

1. Situando-nos

Neste último domingo do Advento, olhamos para a figura de Maria, que é plenamente a Virgem do Advento. Ela é a bendita entre as mulheres, é a cheia de graça, a serva do Senhor, a nova mulher. Ela carrega no ventre o Bendito, o Esperado das nações. É a filha de Sião que representa o antigo e o novo Israel. O seu sim na anunciação se converte em sim da nova aliança. Maria resume em si as esperanças de seu povo. Hoje, esperança da Igreja.

A assembléia de fé, reunida neste domingo, é convocada a escutar e a acolher a boa nova anunciada, na certeza da fidelidade de Deus que cumpre suas promessas de salvação para o seu povo.

Exultemos de alegria como João Batista e, inspirados pelo Espírito, a exemplo de Isabel, proclamemos que é Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor prometeu: Deus virá morar no meio de nós.

2. Recordando a Palavra

O texto do Evangelho de Lucas pertence aos relatos do nascimento e da infância de Jesus e mostra o seu significado no plano divino da salvação. Maria crê na promessa de Deus, anunciada pelo anjo Gabriel (1,38). Dirige-se, apressadamente, à região montanhosa da Judeia para visitar e servir Isabel que estava grávida. A cheia de graça entra na casa de Zacarias, aquele que foi lembrando por Deus, e cumprimenta Isabel.

As duas mães agraciadas se encontram para louvar e agradecer a ação libertadora do Senhor em suas vidas e na vida do povo. O encontro delas torna-se, também, o do precursor com Jesus. João, chamado por Deus desde o ventre materno, como os antigos profetas (cf. Is 49,1; Jr 1,5), exulta de alegria diante da presença do Salvador. A alegria do precursor sinaliza o cumprimento das promessas de Deus em Jesus, o Messias.

A força do Espírito capacita Isabel a bendizer o Senhor com palavras que recordam a libertação do povo: “bendita és tu entre as mulheres e Bendito é o fruto do teu ventre” (1,42; cf. Jz 5,24; Jt 13,18). Maria é bendita entre todas as mulheres, porque carrega dentro de si o Filho de Deus. Ela é como a arca da aliança (cf. 2Sm 6,9), portadora da presença salvífica do Senhor, para o povo.

Maria é bem-aventurada, porque acreditou no anúncio do anjo e acolheu a vontade de Deus: “Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido” (1,45). É feliz porque crê na força eficaz da palavra de Deus, colocando-se em suas mãos como serva fiel. Assim, ela aparece como modelo no caminho do discipulado.

O profeta Miqueias, na primeira leitura, ressalta que a promessa da salvação vem da pequena Belém, a cidade de origem de Davi. O Senhor suscitará um novo rei messiânico para apascentar os povos com a sua força.

Com atuação pacificadora, ele estabelecerá o seu reinado até os confins da terra. “Ele mesmo será a paz” (shalom), oferecendo a plenitude dos bens para todos os povos. Essa profecia de Miquéias 5,1-4a se realiza de forma plena no nascimento de Jesus.

O salmo 80 (79) é uma súplica coletiva dirigida ao Senhor, o Pastor de Israel. O salmista recorda as maravilha do Senhor, ao longo da história da salvação, e suplica com confiança: “Vem visitar a tua vinha, que plantastes”. Ele sela, com a comunidade fiel, o compromisso com o Deus da aliança: “Nunca mais nos afastaremos de ti, Senhor”.

A segunda leitura aos Hebreus acentua que o Filho de Deus realiza plenamente o sentido do Sl 40: “Eis que venho para fazer a tua vontade”, ao encarnar-se a história humana até a doação plena da existência pela salvação. A morte redentora de Cristo plenifica o culto sacrifical antigo. A oferta por amor da vida de Jesus, realizada uma vez para sempre, nos santifica e obtém o perdão, a libertação total.

3. Atualizando a Palavra

Deus manifesta a plenitude da vida e da salvação no meio dos pobres e excluídos, como Maria, Isabel, Zacarias, João, que exultam de alegria. Ele visita o seu povo e faz resplandecer a luz para toda a humanidade, através do Messias Salvador que há de nascer da pequena Belém.

Jesus vem para realizar a vontade do Pai até a oferta total da vida. A disposição em doar-se pela nossa salvação e santificação é apelo para uma adesão profunda ao seu plano de amor. A resposta à gratuidade da salvação deve ser manifestada, através de nossa entrega amorosa: estamos aqui fazer a vossa vontade, Senhor.

O nascimento de Jesus se aproxima e a figura de Maria, sua mãe, é ressaltada, pois ela encarnou a espera e a fé de Israel. Maria confiou plenamente no Senhor ao dizer: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). A sua docilidade, em acolher a bondade de Deus, faz ressoar como um eco a atitude do Filho Jesus ao entrar na história humana: “Eis que venho para fazer a tua vontade”.

Maria manifestou a fé na disponibilidade para o Senhor, no serviço pleno ao Filho de Deus e à sua obra redentora, na solicitude maternal com toda a humanidade como demonstrou, através da visita à sua prima Isabel. A sua fé foi crescendo, progressivamente com o decorrer dos acontecimentos da salvação que ela “guardava em seu coração” (Lc 2,51). Por isso, a Lumem Gentium, n.58 afirma que “Maria avançava pelo caminho da fé”.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística

“Céus, deixai cair o orvalho, nuvens, chovei o justo, abra-se a terra, e brote o Salvador!” (antífona de entrada). Esta súplica confiante irrompe na comunidade celebrante.

A Igreja prepara-se para a celebração do mistério a encarnação-nascimento de Jesus que se aproxima; mistério insondável, uma vez que a partir dele chegamos ao meio da paixão e da cruz, à glória de nossa ressurreição, em que culmina para cada um de nós a obra redentora de Jesus (cf. Oração do dia).

O prefácio II A sublinha o mistério da redenção, feito carne, no seio virginal do Filho de Sião. Ele é a salvação e a paz e nos alimenta com o pão do céu. Em Maria, a nova Eva, a maternidade, livre do pecado e da morte, se abre para uma vida nova. Em Jesus fomos redimidos, pois maior que a nossa culpa é a divina misericórdia em Jesus, nosso Salvador.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira