Tempo do Advento

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Posted by: | Posted on: dezembro 7, 2017

Chá de Bebê para Jesus

Esta dinâmica, criada por Maria Aparecida de Cicco, há sete anos, traz uma proposta que pode transformar a imagem do Natal nas comunidades. Sempre se luta para que o Natal não se resuma a uma festa do consumo, por isso, desenvolver esta dinâmica, não apenas na Catequese, mas nas comunidades, pode mudar o foco e iluminar a consciência sobre o espírito do Natal.

Essa dinâmica poderá ser realizada com os catequizandos, de todos os grupos de catequese e de todas as fases, da Comunidade (crianças, adolescentes, jovens e adultos). Mas também poderá ser realizada nos grupos de rua, nas famílias que se reúnem para a Novena de Natal. Pois é uma forma concreta de se preparar para o Natal, assumindo um compromisso evangélico e também partilhando com os mais pobres.

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Posted by: | Posted on: dezembro 18, 2012

O Príncipe da Paz

Os acontecimentos falam por si mesmos. Os casos de assassinatos vão se repetindo a cada dia, revelando uma cultura que gera loucos. O mundo não tem levado em conta Aquele que é o Príncipe da Paz. Uma sociedade sem Deus perde o equilíbrio e passa a agredir as pessoas. Realidade que estamos assistindo a todo momento.

O que vemos é um total abandono das práticas cristãs, deixando de lado os compromissos com o Príncipe da Paz, o único que é capaz de ocasionar paz verdadeira. Damos desculpas dizendo que estamos em tempo de cultura laica, não podendo evidenciar o aspecto religioso e natural que está contido nas pessoas.

A falta de Deus faz com que as pessoas sejam desumanas, inconsequentes e insensíveis aos verdadeiros valores de tudo. Isto perpassa por todos os momentos da celebração da fé. O Natal, por exemplo, deixou de ser uma realidade cristã para ser uma exploração comercial. O domingo perdeu sua identidade de “Dia do Senhor”.

Está faltando, na sociedade, uma maior entrega à Palavra de Deus. O esvaziamento e descompromisso com a fé tem feito com que as pessoas não acreditem na presença transformadora de Deus. Devemos ser moldados pela vida de Deus em nós, vendo nisto as condições essenciais para um mundo melhor, mais humano e divino.

Celebrar mais uma festa de Natal é deixar-se transformar, sempre mais, pelo Menino-Deus. Ser capaz de abandonar uma vida de vícios negativos para ser nova pessoa em Jesus Cristo. Seguir a vontade de Deus, como disse Jesus: “vim, ó Deus, fazer a tua vontade” (Hb 10,9). Só assim será capaz de surgir uma cultura de paz, tendo Cristo como centro.

Tenhamos em mente que o Senhor celebrado na noite do Natal, é Filho de Deus. Ele veio até nós com a finalidade de nos trazer a vida, e vida com dignidade. Entra no mundo, totalmente marcado pelas realidades do mal, e se oferece em sacrifício por todos. Veio restaurar a comunhão e recuperar a verdadeira paz, que só acontece Nele.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

 

Posted by: | Posted on: dezembro 13, 2012

Alegria e Esperança

Está chegando mais um Natal de alegria e de esperança para o mundo, porque ele tem como objetivo a presença de Deus em nosso meio. É o divino que se torna humano, fazendo com que o humano seja mais divino. Esta é a real novidade própria deste momento natalino, porque daí nasce a “vida”, que traz vida para todas as pessoas de boa vontade no caminho do bem.

Deus, na sua infinita bondade, partilha conosco a sua própria vida, como alimento de nossa sobrevivência ou de subsistência. Ele é o Criador e preservador de tudo que criou. Essa tarefa é colocada em nossas mãos, mas, em muitos casos, agimos como destruidores e ameaçadores da vida com atitudes desonestas.

O Natal dos cristãos deve ser o anúncio da identidade do Messias, daquele que proclama a justiça e o amor como itinerário da vida em Deus. Na verdade, Jesus nasce para anunciar um mundo novo, um reino de amor e proclamar a felicidade, que está dentro de nós mesmos. Podemos dizer que isto é a essência do ser humano.

Pensar no Natal é entusiasmar e apaixonar-se por Jesus Cristo, fazendo as coisas corretas, superando todas as atitudes de maldade que impedem a realização da felicidade. Para isto é necessário “fazer ao outro aquilo que fazemos a nós mesmos” e entender que Deus está dentro e presente em cada pessoa humana.

A alegria interior deve se manifestar externamente pela nossa voz e por nossos sinais, revelando a chegada do tempo da salvação. Isto significa eliminar da sociedade, e de nós mesmos, os atos de corrupção e desmandos. Acontece um novo estado de coisas em virtude da intervenção de Deus, ocasionando esperança.

A hora é de recobrar o ânimo, de revigorar as forças, tendo como garantia de tudo, a presença forte e renovadora de Deus. Por isto é necessário alegrar-se sempre com gestos de bondade, sabendo do valor de eternidade presente em cada atitude responsável que realizamos. É a alegria e a esperança que causam verdadeira paz.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

Posted by: | Posted on: dezembro 8, 2012

Celebração do 2º Domingo do Advento

09 de Dezembro de 2012

“Todas as pessoas verão a salvação de Deus”

Leituras: 

Baruc 5, 1-9;

Salmo 126 (125), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R/3);

Carta de São Paulo aos Filipenses 1, 4-6.8-11;

Lucas 3, 1-6.

Cor Litúrgica: ROXA

Nesta páscoa semanal de Jesus, a voz de João Batista continua clamando no deserto de nossa realidade, convidando-nos à conversão e nos preparando para escutar a Voz do Senhor. Andamos por caminhos tortuosos de injustiça, corrupção e violência. Suplicamos para que Ele venha endireitar nossas estradas e nos ajudar a fazer de nossa terra uma casa de irmãos, um lugar de vida feliz e abundante para todos.

1. Situando-nos

Quando vier pela segunda vez, o Senhor deverá nos encontrar preparados, razão pela qual temos de nos converter, tal como o Batista pregava junto ao rio Jordão.

Será necessário preparar o caminho do Senhor, endireitar suas veredas, aterrar os vales, rebaixar as montanhas e colinas, tornar retas as passagens tortuosas e aplainar os caminhos acidentados. A convocação é para uma mudança radical, conversão de verdade. Mudança de mentalidade e de atitudes profundas.

Se olharmos para a nossa realidade, percebemos tantos “caminhos” que precisam ser endireitados. O Senhor virá e toda a terra verá a salvação, os frutos da justiça irão florescer.

Ele nos dará o dom do discernimento para fazermos opções, de acordo com a proposta do seu Reino. Nesta celebração, renovamos nossa fé no Senhor que não nos abandona jamais.

2. Recordando a Palavra

O texto proposto pelo evangelho de Lucas pertence ao bloco narrativo de preparação para o ministério público de Jesus (3,1-4,13). João Batista é chamado a preparar o caminho do Senhor. O seu ministério está situado num tempo histórico bem determinado (3,1-2), para mostrar que a salvação de Deus se manifesta na realidade humana concreta.

João é o profeta de Deus que inaugura o período do cumprimento de suas promessas, centradas em Jesus. O filho de Zacarias, aquele que foi lembrando por Deus, instaura o novo tempo de salvação. O chamado de João recorda o do profeta Jeremias: “Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu te conhecia, antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações” (Jr 1,5).

O precursor do Messias começa sua atuação no deserto, lugar do êxodo da escravidão para a vida nova. João percorre a região do Jordão e sua palavra profética convida à conversão, a uma mudança de atitudes.

O seu batismo expressa a disposição interior de caminhar na vida nova, proporcionada pela experiência da salvação. Sua missão prepara o povo para acolher o Reino de Deus, revelado plenamente em Jesus.

Lembrando a mensagem profética de segundo Isaías, que havia sustentado a esperança dos exilados, João é a voz que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. As passagens tortuosas serão endireitadas. Todas as pessoas verão a salvação de Deus” (3,4-6; Is 40, 3-4).

Trata-se de uma mudança radical de vida para acolher o dom gratuito da salvação, oferecido a todas as pessoas em Cristo.

Baruc, na primeira leitura, apresenta uma mensagem de esperança, convidando a mudar a veste, como sinal da libertação que está surgindo. Durante os ritos de lamentações, as vestimentas eram substituídas por vestes de saco (Gn 37,34). Jerusalém, iluminada pela luz do Senhor, o Sol nascente. Veste o manto da justiça e recebe um nome novo: “Paz na justiça e glória na piedade”.

Com a esperança profética do segundo Isaías, Baruc descreve a nova estrada no deserto, o caminho do encontro com Deus, que leva a “abaixar os montes, as colinas, encher os vales, até plainar o solo, para que o povo caminhe com segurança”. O solo árido é transformado pelas chuvas, e a caminhada de esperança pela presença do Senhor que guia para um novo êxodo com sua justiça e misericórdia.

O Salmo 126 (125) celebra a alegria e a gratidão pela volta dos exilados. A linguagem da semeadura e do crescimento da planta descreve a mudança da situação, proporcionada pela bondade do Senhor. A lembrança das intervenções salvíficas de Deus no passado suscita a esperança na ação que continua no presente.

A segunda leitura pertence à ação de graças que Paulo eleva a Deus pela participação dos filipenses no anúncio do evangelho. A comunidade compartilha a alegria e o sofrimento por causa da Boa Nova de Jesus. A evangelização é obra da ação do Senhor que levará à perfeição o trabalho começado.

Com a ternura de Cristo, Paulo suplica que “o amor cresça sempre mais, em todo conhecimento e experiência, para discernir o que é melhor” (1,9-10). Assim, as pessoas podem esperar a vinda do Senhor, plenas dos frutos da justiça. A vida ética torna-se o fruto do novo relacionamento com Deus.

3. Atualizando a Palavra

Hoje o Senhor nos chama a preparar o caminho, de maneira especial através da mensagem e do testemunho de João Batista. O apelo à conversão, “metanoia”, em grego, convida a uma mudança na forma de viver, de pensar e de agir, para seguir com radicalidade o projeto de Deus a serviço da vida. Um novo céu e uma nova terra surgem a partir da transformação do nosso coração.

João vem do deserto, lugar de encontro com Deus, para convidar a preparar o caminho, a endireitar as veredas, para fazer a experiência da salvação. É necessário disponibilidade interior para acolher o dom gratuito do amor de Deus, revelado em Jesus. O Reino de justiça inaugurado com a vida e a entrega de Jesus nos compromete a trabalhar em prol de sua realização plena.

Somos chamados a vestir o manto da justiça e da misericórdia, a levantar e a subir ao alto, para perceber os sinais de libertação que estão chegando com o Messias Salvador.

É preciso preparar o caminho para que a “Paz na justiça” se manifeste plenamente. Os gestos de amor solidário nos mantêm no caminho de Jesus, na fidelidade aos valores do Evangelho.

Eusébio, bispo de Cesaréia, em seu comentário sobre o profeta Isaías, afirma: “uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, aplainai a estrada de nosso Deus’ (Is 40,3). A voz ordena que se prepare um caminho para a Palavra de Deus e se aplainem os terrenos escarpados e ásperos, a fim de que o nosso Deus possa entrar quando vier. Preparai o caminho do Senhor (Mc 1,3): é esta a pregação evangélica que traz um novo consolo e deseja, ardentemente, que o anúncio da salvação de Deus chegue a todos os homens. Sobe a um alto monte tu que trazes a Boa Nova a Sião. Levanta com força a voz, tu, que trazes a Boa Nova a Jerusalém (Is 40,9). E o que significa anunciar a Boa Nova? É proclamar a todos os homens e às cidades a vinda de Cristo na terra” (Liturgia das Horas, volume I, PP. 167-168).

4. Ligação com ação litúrgica

Cristo está no meio de nós, nos reúne e ainda reparte conosco sua Palavra e seu próprio Corpo e Sangue.

Orientados pela Palavra de vida e salvação, renovamos nossa fé no Reino de Deus, com o coração convertido e dispostos a trabalhar, para que a Boa Notícia seja anunciada a todos. Só seremos capazes de tal prática, auxiliados pela misericórdia do Senhor que nos dá sabedoria para discernirmos o que é melhor.

O pão da vida nos alimenta e nos revigora para trilharmos as “regiões” do nosso interior, da nossa sociedade, do nosso mundo, sendo sinal visível de conversão no nosso dia-a-dia, com espírito vigilante, até a feliz realização de seu Reino.

Vivamos intensamente este tempo de advento, pois o Senhor vem nos salvar.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: dezembro 5, 2012

Estar a caminho

Faz-se caminho, caminhando. Não tem como ser diferente, a não ser passando por itinerários de rejeição aos princípios que dinamizam propostas saudáveis e centralizadas na experiência sempre crescente do amor. Isto significa que o verdadeiro caminho só pode acontecer quando estiver ancorado em Deus.

A história de vida das pessoas é construída com os olhos fitos em objetivos, avaliados em sua profundidade, a partir de uma visão de Deus. Para isto é necessário que acolhamos, com simpatia e compromisso, a Palavra do Senhor. Só ela é capaz de nos transformar totalmente para o bem e para uma vida mais comprometida com o caminho de vivência cristã.

No Advento fazemos uma trajetória de preparação para o Natal, que sensibiliza nosso coração e nossa consciência em relação verdadeira ao sentida da vida. É necessário ouvir a Palavra e deixar-se interpelar por ela, mudando até de rumo, caso isto seja necessário, para vivenciar um Natal de paz e de esperança.

Não é saudável ter uma vida de insegurança e instabilidade, tendo que viver no vazio de Deus. É fundamental experimentar e criar relação com o Menino-Deus, que nasce na simplicidade do Natal, indo sempre ao encontro Dele. É como tirar os sinais de morte, que nos envolvem, para vestir os de glória e de alegria duradoura.

Preparar-se para o Natal é “vestir o manto da justiça”, da correspondência com os desígnios e a vontade de Deus, deixando o passado, que não conta mais, para construir uma vida feliz e um mundo novo. Sozinhos nós somos incapazes, efetivamente, para fazer isto acontecer. As possibilidades estão contidas em Deus.

O conhecimento e a sensibilidade são características próprias de quem vive o amor, não deixam que ele seja um fato passageiro e sem compromisso na história de vida. Isto ajuda no discernimento e na distinção que existe entre o fazer o bem e o fazer o mal, permitindo que estejamos “face a face” com Deus. Desejo que você, prezado leitor e leitora, esteja se preparando bem para o Natal.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.

 

Posted by: | Posted on: dezembro 1, 2012

Celebração do 1º Domingo do Advento

02 de dezembro de 2012

“A vossa libertação está próxima”

Leituras: Jeremias 33, 14-16;

Salmo 25 (24), 4bc-5ab.8-9.10.14 (R/1b);

Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 3, 12-4,2;

Lucas 21, 25-28.34-36.

COR LITÚRGICA: ROXA

Anúncio do Novo ano Litúrgico

Começa a tocar o sino anunciando um novo ano litúrgico. Uma pessoa coloca-se no centro do presbitério, se possível vestindo uma roupa branca, ou uma veste branca. Durante o anúncio só se ouve a voz do anúncio. Depois do anúncio inicia-se o refrão orante.

Anúncio: Bem vindos irmãos e irmãs!

Iniciamos neste Domingo mais um Ano Litúrgico. O seu primeiro momento chama-se Advento. Tempo de espera e de preparação para o encontro com o Senhor que virá em sua 2ª vinda, e memorial do Natal, quando veio na 1ª vinda para nos salvar.

1. Situando-nos

Advento, ou o “dia da vinda”, é um tempo de preparação para as festas epifânicas, tem como tarefa preparar-nos para receber o Senhor que vem e se manifesta a nós. Sendo assim, a manifestação do Senhor tem dois aspectos.

A sua manifestação em nossa carne ao nascer, que constitui sua primeira vinda;

A sua manifestação em glória e majestade no final dos tempos, que constitui sua segunda vinda.

Estes dois aspectos do tempo do advento ficam muito claros na oração do prefácio I: “Revestidos da nossa fragilidade, ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação. Revestido de sua glória, ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos”.

O tempo do advento terá, por conseguinte, esta dupla estrutura: será advento escatológico e advento natalício. O primeiro compreende o tempo que vai do primeiro domingo do advento ao dia 16 de dezembro inclusive; o segundo constitui-se pelas semanas de 17 a 24 de dezembro que propõem a preparação mais imediata para a festa do natal.

“A celebração da vinda do Senhor no tempo do advento vem ao encontro de nossa busca fundamental. Somos seres de desejo, inacabados, sempre ‘em devir’, assim como a realidade social e cósmica da qual fazemos parte. Elementos rituais próprios deste tempo litúrgico expressam e nos ajudam a incorporar esta dimensão do mistério de nossas vidas: leituras bíblicas, cantos, a prece ‘Vem Senhor Jesus’, a cor roxa ou rosada, a coroa de advento, as antífonas do Ó. Ouvindo a promessa da plena realização do Reino de Deus, cresce a expectativa e podemos afirmar confiantes: ‘um outro mundo é possível’. Cheios de esperança suplicamos: ‘Venha a nós o vosso Reino’ a atendemos ao convite para a vigilância e a espera ativa, preparando os caminhos do Senhor” (cf. Texto elaborado por Ione Buyst para a Semana de Liturgia, realizada em outubro de 20202, em São Paulo).

Neste primeiro domingo, somos convocados a atitudes bem concretas diante da vinda do Filho do Homem: levantar, erguer a cabeça, tomar cuidado, ficar atentos. Ou seja, é preciso ficar de pé diante do Filho do Homem.

2. Recordando a Palavra

O texto do evangelho de Lucas está situado no final do ministério de Jesus, em Jerusalém, antes de sua paixão. O Messias sofredor morre na cruz, por causa de sua atuação, em favor das pessoas oprimidas. Mas vence as forças da morte, através da ressurreição. Assim, a vinda gloriosa do Filho do Homem é descrita à luz do mistério pascal para iluminar a caminhada dos que continuam a missão libertadora.

A vinda do Senhor faz renascer a esperança da salvação plena, da qual já participamos por sal entrega amorosa na cruz. A linguagem profética e apocalíptica descreve a ação contínua de Deus na história. Os sinais que acompanham a manifestação da salvação (21, 25-28) têm sentido cristológico, apesar da referencia à destruição de Jerusalém durante a guerra judaica (66-73 d.C).

A expectativa da vinda gloriosa do Senhor liberta do medo, pois é anúncio de vida em plenitude, de libertação de todas as formas de opressão. É apelo a continuar a proclamação da salvação em meio às adversidades: “Levantai e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (21,28). A palavra ilumina a permanecermos firmes no caminho do Senhor, seguindo com fidelidade o seu projeto.

É necessário permanecer vigilantes e preparados (Lc 21, 34-36), como o povo do êxodo, para colher a salvação de Deus (Ex 12,11). A exortação é para “ficar atentos e orar em todo momento”, permanecendo acordos com boas obras. A vigilância e a oração constantes são atitudes de esperança, que possibilitam discernir os sinais da presença do Senhor nos acontecimentos de cada dia.

O profeta Jeremias, na primeira leitura, anuncia a realização da promessa messiânica da salvação. A situação sofrida do povo, após a destruição da cidade de Jerusalém e a deportação para a Babilônia, será transformada. Deus manifestará sua fidelidade, fazendo surgir um “rebento”, um rei que fará justiça e estabelecerá o direto na terra em favor da população. Todos viverão em paz e segurança e a nova cidade será chamada “Iahweh, nossa justiça”.

O salmo 25 (24) entrelaça suplicas individuais com reflexões sapienciais em forma de acróstico. Os versículos do texto da liturgia de hoje ressaltam o tema do caminho do Senhor. O salmista ora confiante ao Pai, com o desejo de ser instruído em seus caminhos. Mediante o amor, a justiça, a fidelidade, faz a experiência da intimidade com Deus que “dá a conhecer sua aliança”.

Paulo na segunda leitura, invoca o auxilio de Deus sobre os tessalonicenses que já testemunham uma fé operosa, um amor capaz de sacrifícios e uma firme esperança (1,3), enquanto aguardam a vinda do Senhor. Mas, embora estejam vivendo de forma agradável ao Senhor, são chamados a progredir na vida cristã, através de um amor transbordante, comprometido com todas as pessoas. O amor mútuo e universal é o caminho da perfeição, a maneira de se manter vigilantes na espera do Senhor.

3. Atualizando a Palavra

Cristo revelou a salvação que atua já no presente e mantém firme o nosso compromisso solidário em favor da justiça. A palavra de hoje anuncia a esperança da salvação plena: “A vossa libertação está próxima”. O Senhor se manifestará de forma gloriosa para realizar plenamente o seu Reino. Nossa atitude [e de espera vigilantes, através da oração e do amor fraterno.

São Bernardo, abade (Sec. XII), num de seus sermões, dizia: “Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última há uma vinda intermediária. Aquelas são visíveis, mas, esta não. Na primeira vinda, o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens. Foi então, como ele próprio declara, que o viram e não o quiseram receber. Na última, todo homem verá salvação de Deus (Lc 3,6) e olharão para aquele que o transpassaram (Zc 12,10). A vinda intermediária é oculta e nela somente os eleitos o veem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, O Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestado o poder de sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória. Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária é nosso repouso e consolação”(Liturgia das Horas, vol. I, PP 137-138).

O Senhor virá e a melhor maneira de manter a espera vigilante por meio do amor e da oração constante. A vigilância é uma atitude existencial e libertadora que se manifesta na esperança ativa, na fé no trabalho, nas relações humanas de cada dia, no compromisso com a justiça do Reino. É apelo a viver um amor universal transbordante que leva a construir um mundo novo de paz e fraternidade.

O evangelho fala de sinais no sol, na luz, nas estrelas, angústia na terra, bramido no mar e nas ondas, céu abalado, inquietações na humanidade. Palavras atuais diante do clamor pela preservação da natureza, Os países juntos podem promover um desenvolvimento sustentável, que atenda às necessidades das gerações presentes e futuras. Mas, cada pessoa é chamada a colaborar para garantir um futuro de esperança e de vida plena.

4. Ligando a Palavra com ação litúrgica

Celebramos com confiança no Senhor, cumpridor das promessas pois ele fará brotar de Davi a semente da justiça.

Neste tempo de renovação da esperança, que o Senhor nos conceda, como rezamos na oração do dia, o ardente desejo de possuir o reino celeste, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem.

A comunidade de fé, movida pela esperança reza e clama: “venha a nós o vosso Reino”, “vinde Senhor Jesus”. Na verdade ele já está no meio de nós, mas nos comprometemos com ele para que tudo possa ser plenamente transformado, segundo o querer divino.

Na liturgia eucarística, de pé, elevamos a nossa grande ação de graças ao Senhor, sobretudo, pela entrega de Jesus, o Filho do Homem, que se entrega a nós nos sinais do pão e do vinho. E é nesta tensão do “já” e do “ainda não” que celebramos, alimentando-nos da palavra e da eucaristia, para que tenhamos coragem de erguer do chão tudo o que está abatido.

Enviado por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: novembro 29, 2012

ORAÇÃO DE BENÇÃO PARA O ADVENTO

por Red de Liturgia CLAI

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Abençoa-nos, Senhor, para que não nos instalemos no frio vazio do comodismo e da indiferença.

Que neste Natal, Senhor, nos reunamos em família e em comunidade, dispostos ao compromisso da mudança, à entrega do perdão, à fecundidade do amor.

Abençoa, Senhor, os esforços de todas as pessoas que vivem neste país, as que regam os sulcos da terra com sangue e suor, as  que estudam, as que investigam, as que constroem, as que educam, as que trabalham por um mundo melhor.

Abençoa, Senhor, de maneira especial,  a todos aqueles irmãos que estão desempregados, os doentes, os solitários, aqueles que não têm esperança:

Para que encontrem em nós, seus irmãos e irmãs,  Tua Presença que anima e acompanha.

Que Maria e José, depois de ter atravessado as estradas áridas e poeirentas, batam e encontrem em nossos corações um lugar quente e fértil onde possa nascer o teu Filho Jesus.

E que sua presença em nossas vidas nos anime como filhos, família, comunidade e povo, para tornar realidade teu Projeto de Amor, Justiça, Liberdade e Igualdade.

Amém.

(Noni Barros, da Capela  Santa Rita, Paróquia San Antonio, Posadas Misiones, Argentina)

Fonte: CEBI:
www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=7&noticiaId=1613
Posted by: | Posted on: novembro 28, 2012

UM NOVO AMANHECER

 LC 21,25-28.34-36

por Instituto Humanitas Unisinos (IHU)

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 A partir do primeiro domingo de Advento, iniciamos o ciclo C do Ano Litúrgico, o qual segue o evangelho de Lucas. Segundo Tito (3,4), Lucas é o evangelista da “manifestação do carinho de Deus e de sua amizade para com os homens”, dos pobres e dos pecadores, dos pagãos e dos valores humanísticos e também das mulheres.

O grande anseio de Lucas, ao escrever a Boa Notícia de Jesus, era “verificar a solidez dos ensinamentos recebidos” (1,4). Ele quer tirar dúvidas, quer mostrar a beleza do seguimento de Jesus, para fazer arder de novo o coração dos cristãos e cristãs e continuar, assim, a missão.

Por isso, o ciclo C será o ano da práxis cristã segundo o modelo de Jesus Cristo. A quem Lucas vai descrever como um homem de oração, de ternura humana, de convivência fraterna, ao mesmo tempo que é também o profeta por excelência, o novo Elias, o porta-voz credenciado do Altíssimo.

O que significa celebrar o tempo de Advento?

Podemos tomar como ponto de partida a palavra «Advento»; este termo não significa «espera», como poderia se supor, mas é a tradução da palavra grega parusia, que significa «presença», ou melhor, «chegada», quer dizer, presença começada.

Na Antigüidade, era usada para designar a presença de um rei ou senhor, ou também do deus ao qual se presta culto e que presenteia seus fiéis no tempo de sua parusia.

O Advento significa a presença começada do próprio Deus. Por isso, recorda-nos duas coisas: primeiro, que a presença de Deus no mundo já começou e que ele já está presente de uma maneira oculta; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda que não seja total, mas está em processo de crescimento e amadurecimento.

Por isso, antes de continuar, paremos para refletir juntos onde já descobrimos a Presença de Deus em nosso mundo tão conturbado?

Os cristãos e cristãs vivemos na certeza consoladora que «a luz do mundo» já foi acesa na noite escura de Belém e transformou a noite da morte, do pecado humano na noite santa da vida humana em plenitude.

O apelo do evangelho de hoje é a levantar e erguer nossas cabeças, porque o Filho de Deus já irrompeu na história humana, foi tecido nas entranhas da humanidade.

Seguindo a tradição do Antigo Testamento, na descrição de diferentes fenômenos cósmicos que Lucas apresenta no início do evangelho de hoje, o manifesto de Deus está presente na nossa vida, está agindo no mundo por meio de tantas pessoas de diferentes raças, culturas, religiões…

Somos nós que temos que descobrir sua Presença, e mais ainda, somos também nós que, por meio de nossa fé, esperança e amor, somos convidados a fazer brilhar continuamente sua Luz na noite do mundo.

Pode ser um bom “exercício” deste tempo, reunidos em comunidade, em família, partilhar juntos/as as luzes que cada um/a de nós temos acessas, pessoal ou comunitariamente.

Agora vem a outra orientação importante do evangelho de hoje: “Tomem cuidado para que os corações de vocês não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida”.

Um dos males de nosso tempo é, sem dúvida, a falta de sensibilidade, vivemos uma vida centrada em nossos próprios interesses, fazendo-nos cegos, surdos e mudos ao sofrimento de nossos irmãos e irmãs.

Atitude totalmente contrária ao Deus de Jesus Cristo: “Eu vi a miséria de meu povo…, ouvi seu clamor…e conheço seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-los…” (cfr. Ex 3,7).

Neste tempo, na esperança de Deus que continua vindo e agindo em nosso mundo, somos convidados/as a aliviar nosso coração daquilo que nos “narcisiza” e desumaniza, para ter um coração mais fraterno e solidário.

Ali Deus se fará presente, “nascerá” novamente, porque onde dois ou mais estejam reunidos em meu nome, eu estarei presente no meio deles.

Fonte: CEBI – http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=3535

Posted by: | Posted on: novembro 26, 2012

Advento

A vida passa por transformações e se renova. Por isto, iniciamos mais um Ano Litúrgico, começando com o Ciclo do Natal, na certeza de vida renovada. O Natal é celebrado com muitas festas, contemplando o nascimento de um Rei, o Filho de Deus, cumprindo uma promessa feita pelo Senhor ao Rei Davi.

São quatro domingos chamados de “Advento”, que nos despertam, dentro de um itinerário, para a vinda de Jesus Cristo, Àquele que vem de Deus e assume as condições e realidades humanas. Seu objetivo foi de realizar a reta ordem do universo no cumprimento das Leis divinas marcadas no coração das pessoas.

No mundo dos conflitos, da violência e do caos na ordem social, caímos numa situação de temor e angústia. Nossa esperança fica fragilizada e somos incapazes para uma paz de sustentabilidade. Somente em Jesus Cristo podemos encontrar força e coragem para superar as limitações contidas em nossas fraquezas.

O Advento é tempo de preparação para o Natal. É colocar-se de prontidão para acolher Aquele que nasce transformando a história. Hoje isto acontece no coração das pessoas vigilantes e sensíveis às realidades do bem. Este deve ser o caminho do cristão, reconhecendo a presença de Deus em sua vida.

Todo clima natalino, que começa com o Advento, deve fazer aumentar o amor entre as pessoas. É uma realidade que deve acontecer no relacionamento, na convivência familiar, no trabalho, na escola, enfim, na vida real. É importante a consciência de que a fonte de tudo isto está em Deus. É por isto que Ele vem a nós e fica conosco. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações” (I Ts 4,9).

Sabemos que a fonte do amor é Deus, mas isto não dispensa o esforço pessoal. Temos que viver o amor no meio dos conflitos e tensões a todo instante. Os afazeres da vida não podem obscurecer a ação de Deus em nossa prática de vida. É Ele quem nos dá sustentação para uma realidade de fraternidade e vida mais feliz.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba.