Riquezas da Família

Posted by: | Posted on: agosto 11, 2017

Frei Almir Guimarães

Introduzindo

  • Quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra seu pai terá a alegria com seus próprios filhos e no dia em que orar, será atendido.
  • Esposas sede solícitas com vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais não intimideis a vossos filhos para que eles não desanimem.
  • Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.

Riquezas escondidas
1. Com todo respeito e carinho abeiramo-nos do mistério de nossas famílias. Ali borbulha a vida. Ali a criação continua. Ali se traça o futuro da humanidade. Ali, o Evangelho é anunciado em primeiríssimo lugar. Há riquezas escondidas no seio de nossas famílias. Sabemos que não poucas famílias vivem momentos de transformação para o melhor ou para o pior. Apesar de todas as turbulências, o que elas ainda podem oferecer ao mundo de hoje e à nossa sociedade?

2. A família é, antes de tudo, criadora de laços e de múltiplos laços. Entrecruzam-se o laço conjugal, o laço “genitorial” e o laço fraterno que participam da construção da identidade de cada um. Sem família, sozinho, o indivíduo é triste e precário. Certamente, os laços podem ser coercitivos, mas sempre libertam da angústia. Quando existe uma família em sentido amplo há esses liames com avós, primos e primas, tios e tias… Tudo constitui como percurso de reconhecimento. Os membros de uma família não são ilhas.

3. Normalmente falando, a família oferece a cada um de seus membros um espaço para ser amado e reconhecido pelo que é. Um espaço onde cada um tem lugar não devido a critérios econômicos ou sociais, mas gratuitamente, sem distinções. A família é, pois, um lugar onde cada um pode regenerar-se, curar as próprias feridas, encontrar conforto. É lugar de resiliência e primeiro espaço de solidariedade. Quando ocorre uma desgraça a alguém é à família que ela se dirige. É a única instância que oferece ajuda sem medida.

4. Tudo isso acontece na partilha do cotidiano. Assim a família é escola de vida coletiva, ensina a prestar atenção no outro, a partilhar suas alegrias e seus sofrimentos. Também por ocasião da chegada de alegrias experimenta-se desejo de partilhá-las em família. A celebração dos ritos familiares introduzem os filhos numa cultura. A vivência de uma fé esclarecida pode ser ocasião de suscitar no coração dos filhos uma resposta pessoal ao Evangelho. A família é um lugar onde se aprende o perdão e a reconciliação.

5. No seio de uma família os filhos vão se tornando pessoas adultas, capazes de voar com as próprias asas e travar relacionamentos sadios com as pessoas à sua volta. Se não adquiriam tal destreza no tempo da juventude, dificilmente tê-las-ão mais tarde.

6. Por meio de todos esses liames e laços a família vai acumulando energia para durar no tempo e por isso é convidada a trabalhar em seu seio a criatividade do amor. Tal exige verdadeiro e próprio trabalho por parte dos cônjuges. Em outras palavras, marido e mulher vão se construindo conjugalmente. Quando tal acontece os cônjuges experimentam uma grande alegria. A vida de família não se parece sempre com um rio tranquilo. O labor da construção do casal, no entanto, propicia momentos de felicidade.

Fonte: Le famiglie, spechio della società – Monique Baujard –
Il Regno – Documenti 1/ 2012, p.44

Texto seleto

Paulo VI fala da vida em Nazaré

Paulo VI, por ocasião da visita que fez a Nazaré, em 1964, teve oportunidade de fazer uma reflexão profundamente humana a respeito do mistério de Nazaré. Fala de “breves lições de Nazaré”:

“Primeiro uma lição de silêncio. Que renasça em nós a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito; em nós assediados de tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna, barulhenta hipersensibilizada. O silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior da oração que só Deus vê no segredo.

Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual a sua função primária no plano social.

Uma lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “filho do carpinteiro”! É aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei, severa e redentora do trabalho humano; aqui restabelecer a consciência da nobreza do trabalho; aqui lembrar que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais do que seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim. Finalmente, como gostaríamos de saudar aqui todos os trabalhadores do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo nosso Senhor”.

Alocução pronunciada em Nazaré a 5 de janeiro de 1964.