Leitura orante da Bíblia 

Posted by: | Posted on: setembro 23, 2018
Therezinha Motta Lima da Cruz

Estudamos a Bíblia para compreender melhor a mensagem, mas ela não é só um livro que nos permite ter mais conhecimentos. Ela é principalmente um espaço onde somos convidados a conversar com Deus. Por isso a Igreja nos convida a fazer a chamada “leitura orante” da Bíblia. É um processo que, especialmente na catequese de crianças,  precisa ser trabalhado de maneira simples, para ser bem entendido, valorizado e acolhido. É normalmente apresentado em 4 passos: leitura ( o que o texto diz em si), meditação (o que o texto diz para mim, hoje), oração (o que o texto me faz dizer a Deus) e contemplação (como o texto me faz olhar a vida, tomar decisões, assumir compromissos).   

Evidentemente, antes de tudo, cada texto precisa ser bem compreendido. Muitas vezes nem percebemos que certas frases e palavras, por serem de outro tempo e outra cultura, podem ser estranhas para as novas gerações.  Às vezes se trata de palavras cujo significado pode não estar claro. Será que as crianças e adolescentes (e muitos adultos) sabem, por exemplo, o que é um fariseu, um publicano, um samaritano? Será que entendem palavras que hoje são frequentemente percebidas com outro  sentido, como sacrifício, temor a Deus, lei? Um dia, na missa, um menino de 9 anos foi escolhido para fazer parte da procissão das ofertas. Conversei rapidamente com ele, que estava bem animado por poder participar daquele jeito. Perguntei então se sabia o que era “oferta” e ele me disse: _Sei sim: é quando o supermercado vendo um produto mais barato… 

Por tudo isso, precisamos examinar o texto para ver o que precisa ser explicado para que a leitura orante se desenvolva sem problemas. Aí então podemos desenvolver os 4 passos recomendados nesse contato com a Bíblia:

1º passo: Leiturao que o texto quis comunicar na época e na cultura em que foi escrito

Podemos fazer uma viagem no tempo, convidar os catequizandos a se sentirem parte do povo em que a Bíblia nasceu. Alguns recursos podem ajudar a tornar esse passo mais interessante. Por exemplo: cada pessoa pode ser convidada a ler o texto como se fosse alguém presente na cena bíblica em questão, pensando como se sentiria ao ouvir a mensagem, como contaria  esse sentimento a outros depois; pode até ser feita uma espécie de  dramatização de uma “entrevista” com pessoas a quem o texto se refere. A seguir pode haver um comentário com a turma sobre as conseqüências que aquela mensagem poderia ter naquele tempo.

2º passo: Meditação: o que o texto diz para nós ; olhar a nossa realidade de hoje e perceber como a mensagem do texto a ela se aplica.

A turma pode imaginar quais seriam as situações e personagens correspondentes ao que a mensagem quer comunicar para nós hoje, diante do que vivemos em casa, na igreja, na comunidade, do que vemos nos jornais. Os catequizandos podem até ser convidados a reescrever um texto que passasse o mesmo recado, compor algo semelhante em formato de notícia de jornal ou dramatizar uma cena de hoje onde ficasse evidente, com personagens diferentes, o que o texto bíblico quer nos dizer.

3º passo: Oração: como o texto nos faz entrar em diálogo com Deus sobre o que foi comunicado e percebido.

Aqui poderíamos lembrar, aplicados ao que foi refletido na meditação, quatro tipos de função da oração:

a)  pedir perdão: depois de um exame de consciência sobre o que Deus estava nos pedindo através do texto, podemos comentar situações onde o ser humano deixa de fazer o que a Palavra bíblica nos está pedindo. A seguir, cada um pode lembrar situações onde não correspondeu ao projeto divino e fazer em silêncio seu pedido pessoal de perdão.

b) pedir as graças necessárias: podemos conversar sobre o que cada um precisa desenvolver  em sua vida para ser capaz de cumprir o que Palavra de Deus está propondo

c) agradecer: dentro do assunto abordado pelo texto, podemos pensar nos dons que já recebemos, nas situações em que Deus nos ajudou a fazer algo bom, nas pessoas que já nos ajudaram a viver melhor e mostrar nossa gratidão a Deus e aos companheiros de caminhada.

d) louvor: é a oração mais gratuita. Não se trata de louvar a Deus para conseguir manipulá-lo; é a manifestação espontânea da alegria e da gratidão por termos esse Pai que nos criou e nos acompanha com amor, esse Filho que se entregou por nós e nos ensinou o melhor caminho, esse Espírito Santo que nos inspira e nos ajuda a viver com mais sabedoria     

4º passo: Contemplação: como o texto nos faz ver a vida a partir da vontade de Deus

A oração nos devolve à vida cotidiana com um olhar diferente. Depois de uma boa  conversa com Deus vamos perceber algo mais profundo nas pessoas que nos cercam, nas maravilhas da natureza, nas notícias do jornal, no que vivemos na Igreja. Anthony de Mello tem uma frase interessante que ilustra isso: “se você olhou a árvore e viu o milagre, finalmente você viu a árvore.” O mesmo poderia ser dito sobre a maneira como olhamos as pessoas e o que Deus nos pede diante das situações da nossa vida.

Percebemos como a leitura orante pode aprofundar a nossa relação com Deus? Queremos fazer isso com criatividade e persistência?

FONTE: site Catequese do Brasil, CNBB – Bíblia e Catequese





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