EUCARISTIA – SACRAMENTO DO AMOR

Posted by: | Posted on: novembro 9, 2017

No centro da ceia pascal há algo que jamais deve ser esquecido: os seguidores de Jesus jamais ficarão órfãos. A morte de Jesus não rompeu a nossa comunhão com Ele, pois Ele está vivo no sacramento da Eucaristia e continua a operar em nós com sua graça.

Quem se nutre com esse alimento permanece em Jesus e vive por Ele. Assemelhar-se a Jesus significa estar n’Ele, tornar-se filho no Filho[2].

Quando nos alimentamos da Eucaristia, a carne e o sangue de Jesus se une à nossa carne e ao nosso sangue para alimentar em nós a fé, a esperança e a caridade. Jesus vive em nós, sacrários vivos, para nos confortar nas provas, para nos amparar no compromisso pela justiça e para nos fortalecer na busca pela paz.

Na Eucaristia, Jesus oferece-se a si mesmo como força espiritual para nos ajudar a pôr em prática o seu mandamento – amar-nos como Ele nos amou – construindo comunidades acolhedoras e abertas às necessidades de todos, sobretudo das pessoas mais frágeis, pobres e carentes[3].

Alimentar-se da Eucaristia, comungando com Jesus, e não comungar com a vida do próximo é uma incoerência. É uma contradição aproximar-nos para comungar com Jesus resistindo egoisticamente a viver para os outros, a ser solidários com os irmãos em suas atribulações.

Ao instituir a Ceia Eucarística, tomando o pão, Jesus disse: “Tomai, isto é meu corpo, que é para vocês. Façam isto em memória de mim”[4]. E, pegando o cálice de vinho, disse também: “Bebam dele todos, pois isto é o meu sangue da Aliança, que é derramado por muitos para o perdão dos pecados”.[5]

Façam isto em memória de mim” – Fazer memória não se restringe à mera lembrança, fazer memória é re-cordar, isto é trazer no coração, não esquecer quem nos ama, quem se entregou por nós, quem derramou seu sangue por nós.

É na recordação do que o Senhor fez por nós que se fundamenta a nossa história pessoal de salvação. Recordar é essencial para a fé, como a água para uma planta: assim como esta não pode permanecer viva e dar fruto sem água, assim também a fé, se não beber na memória do que o Senhor fez por nós[6]

E o que o Senhor fez por nós está explícito em toda a sua vida:

  • Ele encarnou-se: despojou-se de sua divindade para assumir a nossa humanidade.
  • Ele mostrou a face do Pai: apresentou o Deus-Amor, o Deus-Misericórdia, “compassivo e clemente, lento para a cólera e repleto de amor”[7]
  • Ele amou até o fim: mesmo diante das faltas humanas Ele sempre usou de compaixão e de misericórdia.

Assim, fazer memória é ter no coração o que Jesus fez por nós e dar graças ao Pai por seu amor e sua misericórdia. Em grego, “ação de graças” diz-se “eucaristia”.

É por isso que o Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema ação de graças ao Pai, que nos amou a tal ponto, que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis porque o termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. (…) fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos[8].