Catequese, Dízimo e Oferta

Posted by: | Posted on: novembro 9, 2018
Maria Aparecida de Cicco

Na sua homilia sobre o Evangelho de João 2,13-22, dia 09 de novembro de 2018, sobre o episódio em que Jesus expulsa mercadores de dentro do Templo, o Papa Francisco convidou os fiéis a refletirem sobre o zelo e o respeito pelas nossas Igrejas nos dias atuais.

O Papa Francisco disse:

Isso nos chama a atenção e nos faz pensar em como nós tratamos os nossos templos, as nossas igrejas; se realmente são casa de Deus, casa de oração, de encontro com o Senhor; se os sacerdotes favorecem isso. Ou se parecem com os mercados. Eu sei… algumas vezes eu vi – não aqui em Roma, mas em outro lugar – vi uma lista de preços. “Mas como pagar pelos Sacramentos?”. “Não, é uma oferta”. Mas se querem dar uma oferta – e devem dá-la – que a coloquem na caixa das ofertas, escondido, que ninguém veja quanto está dando. Também hoje existe este perigo: “Mas devemos manter a Igreja. Sim, sim, sim, realmente.” Que os fiéis a mantenham, mas na caixa das ofertas, não com uma lista de preços.”

Ao ler os comentários do post dessa homilia, que estava na página do Vatican News, percebi que muitas pessoas concordavam com as palavras do Papa Francisco, mas se questionavam como manter a comunidade sem a cobrança de taxas para as celebrações religiosas.

Ao fazer uma reflexão sobre esse fato, é possível reconhecer que na educação para a vivência cristã católica falta uma conscientização sobre o compromisso que cada membro da Igreja tem com a manutenção e o cuidado das comunidades e paróquias, em todas as suas dimensões.

Qualquer ser humano lúcido sabe que no mundo nada cai espontaneamente do céu, a não ser a chuva ou a neve, em determinados lugares. E que, para manter-se e manter sua casa e sua família, as pessoas precisam de dinheiro para bancar as inúmeras despesas necessárias. E para manter a comunidade paroquial, a casa da família cristã católica, para zelar não apenas por sua manutenção, mas também pelas dimensões religiosa, social e missionária da Igreja, não é diferente.

Na Bíblia podemos ver que esse compromisso já existia desde o Antigo Testamento, na forma do dízimo, e foi mantido pelas comunidades cristãs.

Porém, hoje em dia, muitos ficam constrangidos de falar sobre o dízimo na evangelização, acreditam que evangelizar é apenas falar das coisas do céu. No entanto acredito que Dízimo deve ser um tema importante na catequese que prepara para a iniciação à vivência cristã, principalmente para jovens e adultos.

O dízimo é bíblico e deve ser melhor compreendido por todos, não como uma obrigação, mas como um compromisso cristão. O dízimo é a forma de demonstrar gratidão a Deus pelo que d’Ele cada cristão recebe dia a dia. É a contribuição de cada fiel para manter e cuidar da casa de Deus, da evangelização e daqueles que a ela se dedicam integralmente e que têm direito a uma vida digna. (cf Mt 10,9-10)

Por falta de compreensão, muitas pessoas acreditam que dando a oferta no ofertório da Missa, fica dispensado do dízimo, mas na verdade são duas coisas bem distintas.

O Dízimo é uma contribuição comprometida com a comunidade paroquial a que cada cristão católico pertence; e precisa ser feita periodicamente, normalmente, uma vez ao mês, conforme as condições de cada fiel. É um exercício de doação e partilha em que o cristão se mostra disponível a cuidar das dimensões religiosa, social e missionária.

Já a Oferta é algo que se dá além do dízimo, é uma entrega sem compromisso que podemos fazer em qualquer igreja, sem necessariamente ter uma periodicidade. Além da contribuição financeira, ela também pode ser feita por meio de doação de alimentos, materiais, roupas, entre outras coisas. É uma doação a mais que podemos fazer espontaneamente para auxiliar determinada igreja e até mesmo os irmãos mais necessitados que frequentam a comunidade.

A Oferta feita no Ofertório da Missa tem ainda uma outra dimensão. O Ofertório é o momento propício em que os fiéis podem demonstrar sua participação e seu comprometimento, pois apresentam os frutos de seu trabalho. Antigamente, o próprio povo levava o pão e o vinho de suas casas. Hoje, uma das maneiras de apresentar os frutos de nosso trabalho é essa oferta em dinheiro. Desta maneira, temos a oportunidade de unir nossa oferta, nosso sacrifício à oferta e sacrifício de Jesus que nos dá seu corpo e sangue.

Muitas comunidades não conseguem arrecadar o dízimo necessário, pois não se empenham em catequisar seus fiéis para o compromisso com a manutenção desta e, assim, preferem cobrar taxas para as celebrações e sacramentos. Ora, isso transforma a Igreja em mercado religioso.

E até mesmo em nossas comunidades, um grande número de agentes de Pastoral crê que seu compromisso com a comunidade se concretiza na forma do trabalho voluntário que exercem na pastoral, mas isso não é correto, o trabalho pastoral faz parte da missão evangelizadora de todo cristão, não é retribuição a Deus e nem mesmo oferta para a comunidade, é resposta à vocação. O trabalho pastoral não exime ninguém do dever de contribuir com a comunidade, de partilhar com os irmãos a responsabilidade para com a Casa de Deus e o sustento dos seus ministros ordenados.

Todo cristão católico deve ser educado para ofertar a Deus o que mandar o seu coração e o que a própria consciência falar. O Apóstolo Paulo assim escreve: Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria (2 Cor 9,7). A Catequese não pode se eximir de formar cristãos conscientes em todos os aspectos, inclusive no compromisso com o zêlo e o cuidado com a comunidade paroquial à qual pertencem.





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