O 11 de setembro

Em 2001 tivemos o triste fato da destruição das
Torres Gêmeas nos Estados Unidos, ocasionando pânico em todo o
mundo. Foi a expressão que revelou até que ponto chega a
violência entre as pessoas. Como consequência, tivemos a ceifa
de tantas vidas.

Diante de um acontecimento como esse, a sensação
natural é de vingança. Parece até que não cabe aí a palavra
“perdão”. A morte de Bin Laden foi consequência disto. No
coração de muita gente brotou um sintoma de alívio, de corte
do mal pela raiz.

Não só esse fato, mas sofremos tantos atos de
violência todos os dias sejam nos assaltos, nos lares, no
trânsito, na ação das quadrilhas defendendo pontos de venda de
drogas etc. É sinal de que todos nós estamos na vulnerabilidade.

Fomos criados para a vida e a morte natural. Na
verdade, a pessoa humana é patrimônio da humanidade. Não
existe para ser objeto de violência e de vingança. Nos
ensinamentos de Jesus Cristo, a felicidade passa pelo perdão,
“até setenta vezes sete”.

Num mundo de violência e vingança, não é
fácil entender o Mistério do Amor de Deus. É o Mistério do
Perdão como gesto profundo de gratuidade. Não é a vingança
por vingança, que causa cada vez mais violência, deixando o
povo sem esperança.

O rancor e a raiva são coisas detestáveis, que
prejudicam o relacionamento humano. O perdão é sempre mais
forte do que a vingança. Conseguimos usufruir da vida se for na
liberdade e no respeito mútuos, no saber entender a diversidade.

Só a justiça é capaz de construir relações
novas e um mundo novo. Ela leva ao perdão de qualidade, a gestos
de nobreza e de bênçãos de Deus. É a superação do “olho
por olho e dente por dente”. Aquilo que as nações não têm
conseguido fazer.

A morte e a destruição nos nivelam a todos. Só
aí vão cessar o rancor e a raiva. O ensinamento de Deus se
apóia na misericórdia e na capacidade do perdão em todas as
circunstâncias.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo de São José do
Rio Preto.

Dia do/a Catequista: Nossa Homenagem

Ser Catequista

Ser Catequista é ser como o rio que nasce de um pequeno veio de água e vai crescendo, transformando o caminho por onde passa até se tornar essencial para a vida. Assim é o catequista que nasce animado pela sementinha de vocação que brota em seu coração e vai crescendo ao se colocar a serviço assumindo a sua missão e transformando por seu testemunho aqueles que o Senhor coloca em seu caminho, conduzindo-os à vida cristã.
Como o rio reflete a luz do sol e permite que seus raios o penetrem para levar vida plena a todas as espécies que estão no próprio leito, assim o catequista reflete a Luz de Cristo e permite que o Espírito penetre em sua vida para fazê-lo instrumento de vida plena a todos que ingressam na comunidade cristã.
O rio segue para o mar, banhado pelo sol; nenhuma pedra ou grão de areia do seu leito permanece o mesmo, pois suas águas ao passar vão suavizando as arestas e pontas. O catequista caminha para Deus; todos os que com ele ou ela convivem jamais serão os mesmos, pois o testemunho de amor dado pelo/a catequista vai ajudando cada um a encontrar seu próprio caminho para Deus.

Catequista, parabéns pele seu sim, parabéns pela missão que você assumiu!

Sentido da cruz

Na era do desenvolvimento, da busca de felicidade
a todo custo, de defesa dos direitos da pessoa e de
individualismo, é difícil falar de cruz e de sofrimento. O
interessante é que muita gente, e em diversas condições, passa
por grandes sofrimentos.

Jesus fala em tomar a cruz de cada dia e seguir os
seus passos. Realmente são passos difíceis. Mais ainda quando
confrontados com práticas de injustiças sociais, que geram
sofrimento e podam direitos essenciais dos indivíduos.

O sofrimento sempre fez parte da história dos
povos. Na prática cristã, ele é considerado caminho de
purificação. É como a semente que morre para nascer,
entendendo a morte como um dos maiores sofrimentos da pessoa. A
morte de Cristo na cruz foi o auge desta realidade.

A cruz que muitos carregam é consequência de
atitudes desumanas. Vemos terríveis situações de escravidão,
de condições de vida abaixo do necessário para uma existência
normal. Quantas decepções vindas de práticas inconsequentes e
sem humanidade!

É interessante que os sofrimentos, isto é, as
cruzes assumidas com espírito de fé, de luta pela liberdade e
dignidade, interiorizam as relações com o Criador. Deus é
aquele que acolhe, na misericórdia e no amor, os diminuídos na
vida natural.

As dificuldades não podem ser “pedras de
tropeço” para a conquista do bem. É feliz quem as enfrenta,
luta com coragem e muita esperança. A violência hodierna é uma
cruz, causa de medo e de insegurança. Mas não pode impedir as
pessoas de avançar.

A cruz era usada pelos romanos para matar escravos
e condenados por rebeldia contra o império. Era o suplício mais
cruel e terrível dos tempos antigos. De formas diversas, será
que não passamos por práticas parecidas no mundo da violência
de hoje?

Não é saudável nos conformar com o mundo da
violência e do sofrimento. Por isto não nos iludir com atitudes
de poder, de pompa, pelo dinheiro e nem pelos seus esquemas
injustos. É hora de solidariedade com quem sofre e de lutar
contra a exclusão social.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo de São José do Rio Preto.

VII SULÃO DE CATEQUESE – Encerramento

(O texto abaixo é parte da homilia proferida por D. Paulo na Celebração Eucarística de encerramento do VII Sulão de Catequese, no dia 21 de agosto de 2011, em São José do Rio Preto – São Paulo)

Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas

O que está em jogo é o processo formativo do
povo, no âmbito catequético. O Sulão da Catequese faz parte
desse processo, agora com o tema “Mistagogia: novo caminho
formativo de catequistas”. A motivação principal é o
encontro com o Senhor, o “ver o Senhor”. É o aspecto do
mistério dentro da Iniciação à Vida Cristã, para levar o
catequizando a encontrar Jesus nos dados do patrimônio da fé
que lhe são oferecidos.

A nossa reflexão deve preocupar-se muito com os
ambientes motivadores da catequese, como a família e a
comunidade cristã. Na roupagem e moldes da nova cultura, marcada
de muito individualismo, uma catequese que consiga tocar os
corações e as mentes dos interlocutores, dos catequizandos. Por
isto, uma catequese com perspectiva cristológico-bíblica, com
testemunho e que mostre a grandeza de Deus.

A realidade moderna exige formação dos
catequistas para que saibam ler os desafios da cultura,
reconheçam e anunciem Cristo com todas as suas exigências. Cada
catequista deve se sentir chamado por Jesus e dar sua resposta de
discípulo. Ele é mistagogo quando tem experiência do mistério
com profundidade, quando consegue mergulhar-se nele. Isto supõe
participação comunitária na fé e vivência dos sacramentos,
dando dimensão missionária, profética e testemunhal.

O catequista mistagogo é aquela pessoa que
reconhece o Mestre Jesus e se declara disposto a seguir os seus
ensinamentos. Sente-se chamado por Deus e faz profunda
experiência de Jesus Cristo. Ele testemunha sua fé na
comunidade cristã, busca ter equilíbrio, capacidade de
relacionamento com todos e consegue contagiar aqueles com quem
convive. Com tudo isto, ele é interlocutor da fé, que ajuda os
catequizandos na maturação de fé.

Por fim, o catequista mistagogo tem uma
espiritualidade envolvente. Tem uma cumplicidade com Deus, sendo
seu porta-voz. Tem experiência de intimidade com Deus na
oração, na participação litúrgica, na leitura orante da
Palavra de Deus, no seguimento de Jesus Cristo e na formação de
comunidades cristãs. Ele, na oração e contemplação, procura
ver a realidade, isto é, a vida com os olhos de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo Diocesano.

Compromisso de esperança

A história que presenciamos é nossa e somos nós
que a construímos. A participação é de todos, uns mais e
outros menos. Não importa o grau desta ação. Mas há aqueles
que marcam mais e conseguem dar uma contribuição de maior
relevância, porque assumem compromissos de mais esperança.

Olhando para a realidade na caminhada de toda a
bíblia, são inúmeras as personalidades que deixaram
importantes legados que continuam marcando e influenciando os
novos tempos. Foram pessoas vocacionadas e que souberam colocar
em prática os seus dons e facilidade em realizar atos de
construção do bem.

Entre muitos dos vocacionados bíblicos, podemos
destacar a figura de Maria, mãe de Jesus Cristo, com sua marca
de simplicidade e doação total de vida. Consta ter sido mulher
da esperança, de fidelidade aos compromissos assumidos, e mulher
de muita fé.

A exemplo de Maria, como mãe da esperança,
também hoje encontramos vocacionados convictos de sua missão.
São verdadeiros construtores dos novos tempos, deixando
transparecer a confiança e a certeza de um mundo melhor,
principalmente com a marca da justiça.

Essas figuras estão presentes em todos os setores
da sociedade. Agem, às vezes de forma simples, sem muito barulho,
mas construindo o bem e provocando a esperança. Não se deixam
abater pela força do mal e nem pela violência que os cercam.

Quem se doa na construção do bem e da vida da
coletividade, acaba fazendo acontecer a vitória da vida sobre a
morte. Não podemos deixar que o mal tenha relevância sobre o
bem, fazendo minar a esperança constitutiva das pessoas.

Construir a esperança é proclamar a libertação
dos oprimidos, dos sem voz e sem vez. Isto é compromisso de
solidariedade, de transformação da realidade de sofrimento,
angústia, dores, exploração social etc., em situações de
vida.

Falar de compromisso de esperança é olhar o
mundo com olhos de quem acredita em dias melhores. É acreditar
que é possível a existência de um mundo melhor, mais humano,
fraterno e menos violento. Esta é uma descoberta de conquista e
de luta constante.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo de São José do
Rio Preto.