Homilias

now browsing by category

 
Posted by: | Posted on: maio 29, 2018

CORPUS CHRISTI: comunhão com Cristo, comunhão com o universo

Pe. Adroaldo Palaoro sj

“Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a benção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: ‘Tomai, isto é o meu corpo” (Mc 14,22) 

Na celebração da festa de Corpus Christi, corremos o risco de honrar o Corpo de Jesus, mas desprezar o corpo humano, “ a carne de Cristo”. Participamos, com muita fé, dedicação e respeito, das celebrações do “Corpo de Cristo”, mas pode ser que, às vezes, façamos uma profunda cisão ou ruptura entre o que celebramos e a realidade que nos cerca, ou seja, o encontro com os “corpos desfigurados”: explorados, manipulados, usados, escravizados, destruídos… Pode ser que tenhamos um profundo amor e respeito pelo “Corpo de Cristo vivo e presente na Eucaristia”, e não O vejamos nos “corpos” que estão aqui, ali, lá, por todos os lados. “Não nos devemos envergonhar, não devemos ter medo, não devemos sentir repugnância de tocar a carne de Cristo” (Papa Francisco)

É esse o sentido que a festa de “Corpus Christi” nos revela, ou seja, a festa do Corpo Histórico e Humano de Jesus, corpo prazeroso e sofredor, amado por muitos e muitas, rejeitado, crucificado, morto e ressuscitado. Esta é também a festa do grande Corpo de Cristo que é a Humanidade inteira. Corpo real de Cristo são especialmente todos os que sofrem com Ele no mundo, os enfermos e famintos, os rejeitados e encarcerados, os pobres e excluídos… Eles são a humanidade ferida no Corpo do Filho de Deus. 

Corpo de Cristo é também o universo inteiro, criado por Deus para que nele se encarnasse e habitasse seu Filho. Assim Jesus, na Ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, abraça os bilhões de anos de evolução e chama-os de seu Corpo e de seu Sangue. Cada cristão, ao fazer “memória” do Corpo de Jesus, entra em comunhão com todas as energias da Criação. Corpo de Cristo que continua sendo o Pão, fruto da terra e do trabalho dos homens e mulheres, todo pão que alimenta e é compartilhado, em fraternidade, a serviço dos que tem fome. 

“Corpus Christi” também nos motiva a perguntar: Como viveu Jesus, em sua corporalidade, a relação com o Pai, com os outros e com a natureza? E como nós somos convidados a viver nossa corporalidade? Jesus não compactuou com a visão dualista do ser humano (corpo e alma). Para Ele, tudo era sacramento, epifania de Deus, revelação do Reino, história de salvação… Jesus escandalizou a muitos proclamando que o “puro” ou “impuro”, não está fora, em ritos e prescrições. Não são impuros os enfermos, as mulheres menstruadas, os leprosos, as prostitutas…; a “pureza” está no coração que nos permite um olhar límpido, não possessivo, egoísta, invejoso ou violento… 

Jesus levou muito a sério a questão do corpo, o seu e o das pessoas que encontrou ao longo de sua vida. Cuidou do seu descanso e o daqueles que com Ele compartilhavam o mesmo caminho; deixou-se acariciar e ungir sua cabeça e seus pés com perfumes valiosíssimos por algumas mulheres, algumas delas malvistas pelos rótulos preconceituosos que os varões lhe impunham, agradecendo esse gesto fruto de um amor sem cálculos; curou corpos atrofiados pela doença e fragilizados pela exploração… Os Evangelhos nos situam Jesus no nível da corporalidade próxima: é Ele que sabe olhar, tocar, sustentar, acariciar… 

Se fixarmos nossa atenção em Jesus na última Ceia, descobriremos que suas palavras (“isto é o meu corpo”) e seus gestos (partir e repartir o pão) constituem a essência afetiva e social (de amor e justiça) do cristianismo, a verdade central do Evangelho. 

Eucaristia é “Corpo” e é corpo doado e partilhado, não pura intimidade de pensamento, nem desejo separado da vida. A Eucaristia é Corpo feito de amor expansivo e oblativo, que se expressa no trabalho da terra, na comunhão do pão e do vinho, no respeito mútuo frente o valor sagrado da vida, no meio do mundo, nas casas de todos… Não são necessários grandes templos e nem suntuosas procissões para celebrar a festo do Corpo de Deus; basta a vida que se faz doação e partilha, no amor, como Jesus fez. 

Diante do Corpo de Cristo, nosso corpo se plenifica na comunhão com outros corpos, com Deus e com o corpo da natureza. Nosso humilde corpo é parte da Criação inteira e nosso bem-estar faz sorrir a natureza. Aqui precisamos encontrar a justa proximidade para nos relacionar com o corpo e estabelecer um vínculo sadio com ele. Afinal, nossas maneiras de nos relacionar estão configuradas por ele. Não há experiência de amor, e por isso não há experiência de Deus e dos outros, que não ocorra em nosso corpo. O nosso corpo nos pede espaço, tempo, atenção, alimento e, sobretudo, nos pede descanso e bem-estar, inspiração e contemplação… O corpo não é só a unidade de nossos membros, mas a presença de nossa pessoa; por ele estamos e somos. 

O corpo é o companheiro inseparável de nosso caminho. É preciso senti-lo, percebê-lo, escutá-lo. Mas é preciso ir mais longe: podemos afirmar que o corpo se transforma em caixa de ressonância da “voz de Deus” que nos previne contra caminhos equivocados e nos orienta para uma vida natural e plena. O corpo é “lugar” teológico, lugar da manifestação de Deus; neste sentido é morada do divino, habitação do Espírito, enquanto participa, pensa, sente, deseja, decide…

Quem não escuta nem percebe seu corpo não pode compreender o sentido da vida, do amor, das relações… pois cairá no narcisismo de seu próprio ego. Não é possível viver feliz sem relações amistosas e próximas com o corpo, para poder entendê-lo e expressar-se adequadamente com ele. Para conhecer-se é necessário acolher o corpo, querer o corpo, observar o corpo, olhar para dentro do próprio corpo, com atitude reverente.

Minha própria casa é meu corpo; o templo onde Deus se revela a mim. Só eu posso habitar e possuir meu corpo. Eu me identifico com meu corpo, sem o qual não posso viver. Deus, com seu Espírito, anima meu corpo; mas não pode habitar em mim a graça de Deus sem a colaboração e a abertura de meu corpo. 

Nosso corpo constitui nossa presença no mundo; a acolhida do próprio corpo nos projeta para uma relação sadia com o corpo do outro; é o cuidado do corpo do outro que determina nossa relação com Deus (Mt. 25,31-46). O corpo do ferido, do faminto, do preso… tornam-se “territórios sagrados” onde crescemos e nos humanizamos; são os “lugares” nos quais Deus revela seu rosto compassivo. 

O corpo é um documento histórico: há corpo burguês e corpo proletário, corpo de cidade e corpo de roça; há corpos explorados e corpos que são só força de trabalho; corpos que são modelos anatômicos; os “corpos empobrecidos” gritam a Deus por justiça, por alimento, por saúde e por novas relações entre os humanos e o cosmos, gritam a Deus por viver. 

O corpo desrespeitado, expropriado e dominado de muitas pessoas, clama a liberdade, a paz, a vida. O corpo é lugar de êxtase e de opressão, de amor e de ódio, lugar do Reino, lugar de ressurreição. O corpo é espaço de salvação, de justiça, de solidariedade, de acolhida, é lugar da experiência de Deus, da celebração, da festa, da entrega… Celebrar “Corpus Christi” é “cristificar” nossos corpos. 

Texto bíblico: Mc. 14,12-16.22-26 

Corpo de Cristo

Olhos inquietos por verem tudo. Ouvidos atentos aos lamentos, aos gritos, aos chamados.

Língua disposta a falar verdade, paixão, justiça…

Cabeça que pensa, para encontrar respostas e adivinhar caminhos, para romper noites com brilhos novos.

Mãos gastas de tanto servir, de tanto abraçar, de tanto acolher, de tanto repartir pão, promessa e lar.

Entranhas de misericordiosas para chorar as vidas golpeadas e celebrar as alegrias.

Os pés em marcha em direção a terras abertas e a lugares de encontro.

Cicatrizes que falam de lutas, de feridas, de entregas, de amor, de ressurreição.

Corpo de Cristo… Corpo nosso.       [José María Olaizola, SJ]

 “Tomai, Senhor, e recebei”, toda minha corporalidade, com suas pulsões, seus limites e sua energia profunda. Que não fique nada em mim onde Tu não entres. Nenhum quarto escuro nem fechado que não seja invadido por Ti”. 

FONTE: CENTRO LOYOLA – Espiritualidade, Fé e Cultura – jesuitasbrasil.com

Posted by: | Posted on: março 29, 2018

Celebrações do Tríduo Pascal e Ressurreição do Senhor

O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ápice do Ano Litúrgico. Ele celebra a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Celebrando o Tríduo Pascal, celebramos a obra da redenção humana.

“Estes dias marcam as etapas fundamentais de nossa fé e da nossa vocação no mundo, e todos os cristãos são chamados a viver os três dias Santos como, por assim dizer, a “matriz” de sua vida pessoal e comunitária, como viveram os nossos irmãos judeus o êxodo do Egito” disse o Papa Francisco na Catequese desta quarta-feira Santa.

Para bem celebrarmos estes dias, compartilhamos com vocês todas as celebrações do Tríduo e a Celebração da Páscoa do Senhor, enviadas por Dom Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira, que também nos envia uma bonita mensagem de Páscoa. Os links de cada Celebração estão logo após a Mensagem de Páscoa. Read More …

Posted by: | Posted on: fevereiro 15, 2018

Roteiro Homilético do 1º Domingo da Quaresma

Por Pe. Johan Konings, sj

I. Introdução geral

Estamos iniciando a Quaresma, tempo de conversão em vista da celebração do mistério pascal. Tempo de volta ao nosso “primeiro amor”, nosso projeto de vida assumido diante de Deus e Jesus Cristo. As leituras deste domingo ensinam-nos a acreditar na possibilidade da renovação de nossa vida cristã.

A liturgia deste 1º Domingo da Quaresma se inspira na catequese batismal. Nos primórdios da Igreja, a Quaresma era preparação para o batismo, administrado na noite pascal. O batismo era visto como participação na reconciliação operada pelo sacrifício de Cristo por nós (cf. Rm 3,21-26; 5,1-11; 6,3 etc.). No mesmo espírito, a liturgia renovada do Concílio Vaticano II insiste em que, na noite pascal, sejam batizados alguns novos fiéis, de preferência adultos, e todos os fiéis façam a renovação de seu compromisso batismal. Essa insistência na renovação da vida batismal faz sentido, pois, enquanto não tivermos passado pela última prova, estamos sujeitos à desistência. Como à humanidade toda, no tempo de Noé, também a cada um, batizado ou não, Deus dá novas chances: eis o tempo da conversão.

Read More …

Posted by: | Posted on: fevereiro 14, 2018

Homilia do Papa Francisco na Missa de imposição das Cinzas – 2018

“O tempo de Quaresma é propício para corrigir os acordes dissonantes da nossa vida cristã e acolher a notícia sempre nova, feliz e esperançosa da Páscoa do Senhor. Na sua sabedoria materna, a Igreja propõe-nos prestar especial atenção a tudo o que possa arrefecer e oxidar o nosso coração crente.

Múltiplas são as tentações, a que nos vemos expostos. Cada um de nós conhece as dificuldades que deve enfrentar. E é triste constatar, nas vicissitudes diárias, como se levantam vozes que, aproveitando-se da amargura e da incerteza, nada mais sabem semear senão desconfiança. E, se o fruto da fé é a caridade – como gostava de repetir Santa Teresa de Calcutá –, o fruto da desconfiança é a apatia e a resignação.

Desconfiança, apatia e resignação: os demônios que cauterizam e paralisam a alma do povo crente. Read More …

Posted by: | Posted on: novembro 19, 2017

1º DIA MUNDIAL DOS POBRES

Foto de Filippo Monteforte/ AFP

O Papa Francisco presidiu neste domingo, 19 de novembro de 2017, a Santa Missa na Basílica São Pedro por ocasião do 1º Dia Mundial dos Pobres. Próximo do altar, estavam os convidados do Papa: os pobres de Roma. Em sua homilia, o Papa frisou que a omissão é o grande pecado contra o pobre, omissão que se identifica com algo bem preciso: a indiferença.

Lendo e refletindo sobre as palavras do Papa Francisco na Homilia, senti a necessidade de externar o que senti em meu coração, uma reflexão pessoal, mas que compartilho humildemente com vocês:

“A pobreza se manifesta de muitos modos, sem dúvida alguma se manifesta na falta de recursos necessários a uma vida digna, mas também se manifesta na falta de recursos necessários à saúde, ao bem-estar físico, espiritual e psicológico. E o bem-estar não se resume ao que se pode ter, mas principalmente ao que se deve receber: amor, carinho, compreensão, atenção, cuidados. Coisas que no mundo de hoje estão relegadas ao esquecimento. Read More …

Posted by: | Posted on: agosto 1, 2017

Uma história de violência e dor transformada pelo perdão e misericórdia

 

Na abertura da Solenidade do Perdão de Assis, neste ano em que se encerra o VIII Centenário do Perdão de Assis, Frei Michael Perry, Ministro Geral dos frades menores, contou uma emocionante história, de dor e sofrimento, para falar do perdão e da misericórdia.

LEIA  NA ÍNTEGRA A HOMILIA

Queridos irmãos e irmãs, o Senhor vos dê a Sua paz e Sua misericórdia!

No mês passado, ao visitar os frades na região de Chiapas, no México, perto da fronteira com a Guatemala, conheci uma família que estava fugindo de seu país de origem, El Salvador. Seu exílio foi causado por um acontecimento muito preocupante: o espancamento e o desaparecimento de seu filho Emílio de 15 anos. Desde a idade de 11 anos, o menino foi forçado a unir-se a uma das gangues. Durante quatro anos, o pai, soldador de profissão, e sua mãe tentaram manter a família unida. Havia três outros irmãos: uma filha de 13 anos, um filho de 9 e uma menina de 4. Um dia, chegou  a notícia de que seu filho tinha sido espancado publicamente por uma gangue rival, teve os dedos amputados e, depois foi levado para um lugar desconhecido. Os pais chamaram a polícia para  obter ajuda, mas não aconteceu nada. Eles passaram quatro meses sem uma palavra a respeito do filho. Foi, então, que seu pai decidiu que não podia mais correr o risco continuar vivendo em El Salvador. O que havia acontecido com seu primeiro filho poderia acontecer com o segundo. Temia também por sua esposa e suas filhas. Com a ajuda de traficantes pagos, a família mudou-se para uma pequena cidade no México, na região de Chiapas, longe da fronteira com a Guatemala. A família pensava que seu pesadelo de violência estivesse acabado, e que o sonho de encontrar um lugar de reconstruir suas próprias vidas estivesse se tornando realidade. Read More …

Posted by: | Posted on: março 1, 2017

Homilias do Papa Francisco na celebração das Cinzas – de 2014 a 2017

Quaresma é tempo de reflexão, mas não podemos fazer qualquer reflexão, é preciso que tenhamos um roteiro cristão católico para seguir. Por esse motivo, é bom que possamos ler e refletir com textos do nosso Papa, que é nosso Pai na fé.

Assim, na certeza de que todos compartilham desse mesmo anseio, compartilhamos com vocês as Homilias do Papa Francisco, proferidas em todas as celebrações de Cinzas, desde o início do seu mandato papal.

Aproveitem bem essas Homilias do Papa Francisco para traçarem o próprio caminho quaresmal:

(A Homilia de 2017 será postada assim que o texto oficial for liberado pelo site do Vaticano)

CLIQUE AQUI para abrir a HOMILIA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS – 2016

CLIQUE AQUI para abrir a HOMILIA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS – 2015

CLIQUE AQUI para abrir a HOMILIA DE QUARTA-FEIRA DE CINZAS – 2014

Posted by: | Posted on: outubro 31, 2014

ORACAO-FINADOS

Posted by: | Posted on: agosto 18, 2014

Homilia do Papa Francisco na Jornada do Catequista – 2013

“Amados catequistas pergunto-vos: Somos memória de Deus? Procedemos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que inflama o coração (…)? Que estrada seguir para não sermos pessoas “que vivem comodamente”, que põem a sua segurança em si mesmos e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus?”

Com esses questionamentos o Papa Francisco fala aos catequistas que estavam presentes na Jornada do Catequista, por ocasião do Congresso Internacional da Catequese, em 2013, no Vaticano.

O texto completo da Homilia está no link abaixo, basta clicar e acessar o arquivo:

HOMILIA DA SANTA MISSA PRESIDIDA PELO PAPA FRANCISCO NA JORNADA DOS CATEQUISTAS

Posted by: | Posted on: abril 18, 2014

Celebração da Paixão e Morte do Senhor – Sexta-feira Santa

Na Celebração da Paixão e Morte do Senhor, nossa Igreja faz memória do sacrifício de Jesus e de sua fidelidade ao Pai. A vontade de Deus não era a morte, mas a vida plena para toda a humanidade, porém os homens não compreenderam a proposta de Jesus e levados pela ganância e pela sede de poder o crucificaram.

Postamos abaixo a Celebração da Sexta-feira da Paixão que nos foi enviada por D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira e responsável pela Comissão para a Animação Bíblico-Catequética do Regional Sul I da CNBB.

Para acessar a Celebração basta clicar no link:

Celebração da Sexta-Feira Santa – ano A