Pedagogia Catequética

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Posted by: | Posted on: junho 10, 2018

Catequese na era digital

Frei Malone Rodrigues, OFM

Como utilizar os recursos digitais no processo catequético? “A catequese, a partir do Concílio Ecumênico Vaticano II, passou a ser compreendida como processo de iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal” (DC, 2014, p. 61). A Igreja no Brasil vem refletindo com o Povo Deus uma nova compreensão, ainda mais profunda, da relação entre Catequese e iniciação à vida crista. Aos poucos, se começa a compreender toda a inspiração catecumenal da Catequese, e de como ela está a serviço da Iniciação a vida Cristã. Na última publicação da Comissão Episcopal Pastoral para a animação Bíblica-Catequética, o Itinerário Catequético, fica mais claro este processo da Iniciação à vida Cristã. No entanto, neste texto vou me deter a refletir sobre a problemática e as possibilidades da catequese renovada no ambiente digital e sua influência na pastoral.

Catequese vem da palavra grega katá-ekhein que significa ressoar. (DNC, 2005, p. 46) Partindo desse ponto de vista, podemos entender a catequese como o ecoar de uma experiência de fé, ou seja, uma comunicação experiencial cristã. Já no ambiente digital, essa comunicação experiencial tem exigências tanto na linguagem usada como no meio em que é transmitida. Os meios de comunicação podem ser um instrumento para Igreja ressoar esta experiência desde que consigam compreende-los. Read More …

Posted by: | Posted on: maio 16, 2018

Iniciação à Vida Cristã – Uma catequese que acolhe e orienta o ser humano

Neusa Silveira de Souza

O RICA – Ritual de Iniciação à vida Cristã refere-se a um Ritual Litúrgico que oferece, como prioridade, a dimensão litúrgica da catequese, quando fala e propõe ações de Iniciação Cristã ou Iniciação à Vida Cristã. E, evidentemente, falta complementá-lo com tudo o que se refere diretamente: ao embasamento antropológico da Iniciação, à Evangelização ou Kerigma e à Catequese ou Catecumenato. O importante é chegar à opção pessoal por Jesus, ser seu discípulo missionário, membro da sua Igreja Peregrina, sempre em saída.

A nossa fé cristã tem por base a Ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, só falamos de fé cristã, a partir da Ressurreição. Mas, ao falarmos da centralidade de Jesus Cristo na catequese, conhecer e seguir Jesus de Nazaré, além de aceitarmos e reconhecê-lo como o Cristo da fé, ou seja, aceitar sua divindade, também hoje, necessitamos estar atentos para a aceitação de sua humanidade. Isto porque nos tornamos mais divinos, conforme nos fazemos humanos, assim como Jesus o foi. Utilizando-se das Palavras do Mestre José M. Castilho, que diz: “só é possível alcançar a plenitude do ‘divino’ à medida que nos empenhamos para conseguir a plenitude ‘do humano’”. Isto porque, nós humanos, possuímos uma capacidade simbólica e somos capazes de, por meio dela, expressar nossas experiências simbólicas. O simbólico precede a linguagem, a ideia, o conhecimento. Os símbolos determinam o que são nossas vidas, enquanto vidas humanas. Read More …

Posted by: | Posted on: maio 15, 2018

Iniciação à Vida Cristã – Uma catequese para adultos não batizados – 2ª parte

Neuza Silveira de Souza

Falar de Iniciação à vida Cristã, estamos falando da participação humana no diálogo da salvação. Somos chamados a ter uma relação filial com Deus. Um Deus Trino cuja Trindade é uma relação amorosa que define o próprio Ser de Deus. A Trindade nomeia como Deus é para nós. Está sempre a nos recordar que, enquanto vivenciamos os relacionamentos como algo que, ou estamos entrando ou estamos nos retirando, Deus não entra em relações. Com efeito, Deus não tem absolutamente relações; Deus é relacionamento perfeito. “Deus é essencialmente relacional”.

Mais do que isso, se Deus é relacionamento perfeito, e nós somos criados à sua imagem, então a doutrina da Trindade está preocupada com a nossa vida também. Somos convidados pela graça divina a entrar neste modo de relação amorosa que define o próprio ser de Deus. Assim, a Trindade evoca um Deus cujo ser é caracterizado por um movimento eterno em direção a nós em um amor redentor. Ao mesmo tempo ela nomeia o nosso movimento em direção a Deus. Nessa relação Trindade, Jesus, o Filho amado, vem nos revelar esse amor de Deus por nós nos colocando na condição filial do Pai.

A catequese e a Revelação têm sempre uma relação estreita. Determinada maneira de fazer catequese é reflexo de determinada maneira de conceber a Revelação. Esta relação entre ambas é normal: a catequese como ministério eclesial a serviço da fé, intenta abrir ao catequista o caminho para o encontro, o conhecimento e a recepção do Deus de Jesus Cristo, ou seja, o catequista tem como tarefa própria, comunicar a Revelação de Deus ao homem de hoje. Assim, a catequese tem por obrigação dar-se a conhecer Jesus Cristo. Ele é o conteúdo da catequese, pois a Revelação tem como conteúdo Deus e o homem concreto. O homem não é somente destinatário da Revelação. É, sobretudo, conteúdo. Assim, Deus revela-se unicamente quando é reconhecido e recebido pelo homem.

Nós humanos atuais, a partir do testemunho daqueles que nos precederam na fé, somos chamados a descobrir, reconhecer e receber o Deus de Jesus Cristo hoje, que se dá a partir do nosso encontro pessoal com ele. Nele chegou a plenitude do amor de Deus. E tudo o que quiser saber dele, passa pelo testemunho que dele deixaram os apóstolos. Mas sabemos que os apóstolos não explicitaram toda a riqueza do acontecimento de Cristo. É tarefa da Igreja explicitá-la ao longo da história até a consumação final dela (Parusia). Assim é que nos diz Salvador Pié i Ninot sobre a Revelação de Deus, no Dicionário de Catequética.

Quem abre a história da Revelação é o Espírito Santo, levando a Igreja a descobrir gradualmente a verdade de fé. O Espírito Santo age na Igreja como verdadeiro corpo profético, Igreja que é Sacramento do Cristo. O povo de Deus, ou seja, as comunidades, é que irá atualizando o acontecimento Cristo: crianças, jovens, adultos, os homens, as mulheres, os pobres… A história humana é a história da salvação.

Nessa história, na vivência do amor de Deus Trino, é que a iniciação cristã nos coloca. Assim nos diz o documento 107 da CNBB: ao ser batizado, o iniciando começa a caminhada para Deus, que irrompe em sua vida, dialoga e caminha com ele. Essa vida nova, essa participação na natureza divina, constitui o núcleo e coração da Iniciação à vida Cristã. Somos incorporados ao Mistério Pascal de Cristo quando da recepção dos três sacramentos da Iniciação: Batismo, Crisma e Eucaristia.

A estrutura do itinerário do RICA, apresentada no artigo anterior, nos ajuda a fazer a caminhada de Inspiração catecumenal com os adultos ainda não batizados, introduzindo-os no conhecimento dessa história da salvação, ou seja, na vivência da fé cristã na comunidade Igreja, pois é nela, na Igreja, que podemos falar de Iniciação à vida Cristã.

A Comunidade exerce papel importante oferecendo ajuda aos catecúmenos para juntos fazerem a experiência do caminho até Jesus. É um itinerário gradual, passo a passo que, no Espírito, vai aperfeiçoando a identidade do discípulo de Cristo. Daí, todo os membros da Igreja são chamados a testemunhar Jesus Cristo.

Já é sabido que o RICA não é um livro catequético, centrado no conteúdo doutrinal a ser transmitido, mas um livro litúrgico com ritos, orações e celebrações que dá uma visão inspiradora de uma catequese que envolve a pessoa no seguimento de Jesus Cristo, a serviço do Reino, expresso na vivência dos sacramentos de Iniciação Cristã. Essa inspiração catecumenal ajuda a catequese e seus catecúmenos a se integrar na vida da comunidade e adentrar-se no Mistério Pascal de Cristo.

[Neuza Silveira de Souza é catequista membro da Comissão bíblico-catequética do Leste 2]

Posted by: | Posted on: maio 14, 2018

Iniciação à Vida Cristã: Uma catequese para adultos não batizados – 1ª parte

Neuza Silveira de Souza

Uma catequese para os adultos não batizados nos transporta para uma realidade na qual Jesus está batendo à porta e o batizando, iniciante, é aquele que vai abrir a porta da Vida Nova em Cristo, com Cristo e por Jesus Cristo para a Glória do Pai, no amor do Espírito Santo.

Abrir a porta é ingressar na vida da Comunidade Cristã. Esse é o momento fundante da Vida Cristã de uma pessoa, de tal modo que essa experiência “configura” o cristão. Esse ingresso na vida comunitária foi pensado pela Igreja como “Iniciação”, um longo itinerário, um longo caminho que a pessoa percorre, “acompanhada” por diversos membros da comunidade.

Desde os primeiros séculos a iniciação dos adultos se desenvolveu e foi ganhando formas em uma sequência de ritos preparatórios que foram marcando a caminhada das pessoas que assim desejavam se converter à fé cristã. Esta prática que teve seu ponto alto nos séculos II e III. Tinha por finalidade “instruir no mistério da salvação, nos exercícios dos costumes evangélicos e, mediante ritos próprios, introduzir na vida de fé, na liturgia, na caridade e na vida comunitária” (CIC 1248). Read More …

Posted by: | Posted on: setembro 13, 2017

Maria, Modelo de Evangelizadores e Modelo de Catequistas

Maria, Modelo dos Evangelizadores

O Papa Francisco, na Exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”, propõe cinco atitudes para os evangelizadores (EG 24). 

  1. Ir na frente: a comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (1Jo 4,10). Por isso, ela vai à frente, vai ao encontro, procura os afastados e chega às encruzilhadas dos caminhos para convidar os que estão à margem.
  2. Envolver-se: com obras e gestos, os evangelizadores entram na vida diária dos outros, encurtam as distâncias, abaixam-se e assumem a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Contraem assim o “cheiro de ovelha”, e estas escutam a sua voz.
  3. Acompanhar: a comunidade acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece e suporta as longas esperas. A evangelização exige muita paciência.
  4. Frutificar: a comunidade mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. Encontra o modo de a Palavra se encarnar na situação concreta e dar frutos de vida nova.
  5. Festejar: os evangelizadores, cheios de alegria, sabem festejar. Celebram os passos dados, cada vitória. E se alimentam da liturgia.

Essas atitudes estão antecipadas em Maria, a mãe de Jesus. Ao olhar para ela, vemos que é o modelo dos discípulos missionários. Read More …

Posted by: | Posted on: agosto 2, 2016

SER CATEQUISTA NOS DIAS ATUAIS

Maria Aparecida de Cicco

No domingo, dia 31 de julho de 2016, fui convidada a dar assessoria em um Encontro de Formação de Catequistas do Crisma, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Região Brasilândia, Arquidiocese de São Paulo. O tema foi “Ser Catequista nos dias atuais“.

Em vista dessa assessoria, busquei os documentos da nossa Igreja para fundamentar minha palestra, pois nenhum catequeta pode se basear unicamente nas próprias experiências, ou no achismo, ao se comprometer com a formação de catequistas.

Assim, decidi compartilhar com todos vocês o material pesquisado e organizado para essa formação. A maior parte dos textos é retirada do principal documento que deve estruturar a Catequese: o “Diretório Nacional da Catequese”. E são complementados por alguns textos de dois Estudos da CNBB: o Estudo nº 97, “Iniciação à Vida Cristã – Um Processo de Inspiração Catecumenal”; e o Estudo nº 95, “Ministério do Catequista”.

Aproveitem bem esse material, na sua própria formação e no auxílio a outros catequistas.

CLIQUE AQUI para abrir o artigo: "SER CATEQUISTA NOS DIAS ATUAIS"
Posted by: | Posted on: junho 23, 2011

A Dinâmica na Catequese: Recreação ou Motivação?

No dia a dia de catequistas há sempre uma preocupação com a melhor forma de conduzir um encontro catequético de modo a cativar catequizandos. Muitos creem que para isso é necessário fazer um encontro alegre e divertido, outros pensam que oferecer recompensas ao final do encontro seja uma forma de fazê-los voltar na semana seguinte.

Mas uma questão é fundamental quando preparamos um encontro de Catequese: o encontro de Catequese não é um encontro social, mas um encontro de fé com Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro significado do “Encontro”, levar o catequizando a encontrar-se com Jesus Cristo, para que haja uma experiência transformadora em sua vida.

A alegria desse encontro pessoal com Jesus deve ser a fórmula que vai atrair definitivamente o catequizando, fazendo com que este queira voltar para encontra-lo novamente, pois foi seduzido por Ele. Read More …

Posted by: | Posted on: janeiro 17, 2011

Para catequizar é preciso ser catequizado

Alguém pode imaginar uma pessoa grosseira e mal-educada no papel de educador? Transmitindo conceitos de boa educação, de cortesia?

Certamente que não! Somente será um bom educador quem é bem educado, quem assume como seus os valores do bom relacionamento entre as pessoas e os põe em prática no seu dia a dia.

Assim, também o catequista deve ser uma pessoa que amadureceu na fé, que compreendeu e assumiu os valores cristãos na própria vida, que dá testemunho do Evangelho com as suas ações cotidianas. Alguém que é comprometido com a causa do Reino e se coloca a serviço da sua construção.

Um catequista que não sabe dar razão da própria fé, não é um bom educador.

O catequista tem que se dedicar constantemente a aprofundar a própria identidade cristã, buscando o “por que?” da sua fé, descobrindo a meta da sua caminhada e o objetivo de fazer esse caminho. Por isso sua formação deve ser contínua e permanente.

O “Ser Cristão” tem que ter coerência na vida do catequista, pois do contrário, sua mensagem será vazia de sentido, apenas palavras jogadas ao vento.

Posted by: | Posted on: janeiro 12, 2011

Mostrar a saída é condenar a se perder

Quando o catequista se reveste de “sumo sabedor” ou de “dono da verdade” ele pensa que catequizar é dar todas as respostas, mostrar as saídas.

No entanto, quando o catequizando não vivencia as descobertas, não se depara com os desafios, não busca soluções, ficando como mero expectador-ouvinte, ele perde o interesse e deixa cair no esquecimento o que lhe foi transmitido.

Não se pode culpar os catequizandos pela falta de “atenção”, é preciso rever o quanto nós, catequistas, estamos lhes dando a oportunidade de descobrirem o caminho que leva a Deus.

O catequista não pode ser como um GPS, que vai mostrando todo o percurso, pois quando ficar sem seu “GPS” ele não saberá por onde seguir.

 Ele deve apenas dar o endereço, deixando que o catequizando descubra os vários caminhos a seguir, quais a dificuldades de cada um, qual a distância a percorrer para alcançar seu objetivo e possa escolher o que for melhor.

Somente quem faz a experiência de desbravar os caminhos está capacitado para sobreviver em outras situações semelhantes. O Catequizando tem que conquistar a sabedoria, ser o autor do seu crescimento, pois só assim saberá viver como cristão.

Posted by: | Posted on: janeiro 7, 2011

Questionar para fazer enxergar

Um dos componentes mais importantes nos métodos catequéticos é a visão da realidade. No método da Catequese Renovada,

“Ver-Julgar-Agir-Avaliar-Celebrar”, o “Ver” é o ponto de partida para  todo o processo. Mas também em outros métodos, mesmo que não seja o ponto de partida, o “ver” é essencial.

O Catequizando tem que enxergar a realidade que o cerca, o contexto sócio-econômico-cultural no qual está inserido para, iluminado
pela palavra e pelos valores cristãos, perceber o que não está conforme a vontade de Deus e qual é o próprio papel na transformação da realidade.

Para que isso aconteça, o catequista deve ser um questionador, um perguntador, que abre espaço à curiosidade e faz ir em busca de respostas.

Lançar desafios, solicitar pesquisas, apresentar situações para serem solucionadas, propor a comparação entre fatos semelhantes que tenham finais diferentes, enfim usar sempre uma linguagem questionadora para propiciar ao catequizando enxergar com os  próprios olhos a realidade e o que nela exige conversão.