Mistagogia

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Posted by: | Posted on: janeiro 26, 2012

Catequese Sacramental Mistagógica

Nossa igreja está propondo um novo caminho para a Catequese, o caminho mistagógico, onde o catequizando deve fazer a experiência do amor de Deus e da presença de Jesus no meio de nós. Sem dúvida nenhuma esse é o caminho ideal, o retorno ao processo de evangelização das primeiras comunidades, que transforma verdadeiramente a vida dos cristãos, tornando-os testemunhas ativas do Evangelho. E essa é a exigência cristã, que os discípulos de Jesus sejam testemunhas vivas dos ensinamentos do Mestre, vivendo a radicalidade da sua opção de vida.

No entanto, longo é o caminho a ser percorrido para alcançarmos essa meta, que foi se perdendo ao longo do tempo. A catequese das primeiras comunidades, um processo catecumenal de iniciação cristã que exigia a total conversão de vida, acabou se perdendo no decorrer da história, sendo transformada em mera instrução para receber os sacramentos.

A volta às origens da catequese não é uma busca nova. No Brasil, desde a publicação do Documento “Catequese Renovada”, em 1983, há quase 30 anos, inspirado nos documentos da Igreja (Vaticano II, Medellin, Puebla, Evangelii Nutiandi e Cathechesi Tradendae), já se tem orientações que visam uma catequese como processo de “educação permanente para a comunhão e participação na comunidade de fé” (CR 1.4). Na conclusão desse documento, os Bispos do Brasil afirmaram que a catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da Fé, cuja finalidade é a maturidade da Fé num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral da pessoa (cf. CR 318).

Foi um caminho árduo o de transformar a catequese de instrução, onde catequistas eram vistos como professores de catequese que reuniam os catequisandos em salas de aulas para ensinar os preceitos e a doutrina; para uma catequese como processo de educação, onde o catequisando deveria ser o protagonista da sua própria transformação e o catequista ser apenas um pedagogo que conduzia o catequizando ao Mestre (o significado original da palavra pedagogo, no grego, é “aquele que leva a criança até seu mestre”).

Mas, como em todo processo aberto e dinâmico, o caminho foi sendo percorrido passo a passo, aproximando-se da meta a cada objetivo alcançado, além de abrir também novas perspectivas diante das transformações do mundo e da sociedade humana. E nesse contexto, hoje é imperativo um novo passo, uma catequese voltada ao reencontro com Jesus Cristo, à experiência que faz perceber a sua presença viva na própria vida humana: a Catequese Mistagógica.

Surge então a questão: como fazer isso acontecer na catequese sacremental, que prepara adolescentes e jovens para receber os sacramentos. Esse é uma grande desafio, que deve ser vencido a partir do testemunho da comunidade catequisadora. A Catequese é um processo educativo permanente, comunitário; e como tal deve ser assumido por todos os que participam da comunidade.

É preciso trasformar a estrutura catequética que ainda prevê inscrição (como se fosse escola), formação de turmas e divisão de catequista (alunos e professores), período de formação que segue o calendário escolar, etc. A formação sistemática é necessária, mas deve ter uma estrutura própria, condizente com um processo de educação na fé, onde a comunidade e o catequista dão testemunho do que pregam: amor, caridade, perseverança, determinação e comprometimento.

Sugestões para as comunidades:

  1. A coordenação da Catequese Paroquial, juntamente com o pároco, deve planejar um encontro com pais que desejam participar ou que seus filhos participem da formação catequética oferecida pela comunidade. Esse encontro terá a finalidade de explicar o significado da catequese, seus objetivos e os compromissos que deverão ser assumidos pela família. Pode-se marcar diversas datas para esse encontro, de forma a possibilitar que as famílias possam optar por um deles.
  2. Nas celebrações dominicais, convidar as famílias que buscam um sacramento (batismo, preparação à primeira eucaristia, crisma) para participar de um desses encontros, agendando a melhor data e horário.
  3. Esse encontro pode ser feito na comunidade, para um grupo maior de famílias (até 50 ou 60 famílias), ou em algumas casas da comunidade, para um grupo menor (até 4 ou 5 famílias).
  4. O encontro deve ser bem acolhedor, em clima de alegria. Mas deve também ser claro em relação aos compromissos e deveres tanto da comunidade como da família, mostrando o comprometimento da comunidade com a formação de verdadeiros cristãos e não como mera distribuidora de sacramentos.
  5. No final do encontro, após uma palestra esclarecedora e algumas dinâmicas, entregar a cada família um folheto onde estarão escritos os compromissos que devem assumir e também uma ficha com os dados da família e da criança ou adolescente que irá participar do processo catequético. Esse folheto deverá, exclusivamente e pessoalmente, ser devolvido assinado pela família, em uma celebração eucarística, durante o ofertório ou em outro momento da celebração a critério da comunidade.
  6. De posse dos folhetos de compromisso, a coordenação da Catequese irá distribuir os mesmos entre os catequistas, levando em consideração a proximidade da região de residência de cada um. Assim, cada catequista terá a incumbência de cuidar de um grupo de famílias que residem próximo da sua casa, o que facilita o entrosamento e a convivência.
  7. Cada catequista deverá visitar as famílias que vão ficar sob a sua tutela, para conhecê-las e também para dar as primeiras informações sobre o processo catequético em questão.

Nas próximas semanas vamos dar sequência a este artigo, trazendo outras sugestões que possam ajudar catequistas e comunidades na implantação de uma Catequese Mistagógica.

Posted by: | Posted on: agosto 27, 2011

Formar Consciência Crítica

Uma das grandes preocupações da Igreja, no seu
papel de evangelizar, é despertar nas pessoas, principalmente
cristãs, a capacidade de olhar e agir de forma livre e
consciente. Nos momentos de decisão, muitos têm sido
manipulados, comprados e vendidos, prejudicando a sociedade.

Tendo em vista esta realidade, a Pastoral Fé e
Política e as entidades organizadas, devem criar espaço de
discussão, de debates, de troca de experiências e
manifestação de compromisso em nível de comunidade. Assim,
ajudarão a identificar verdadeiras e autênticas lideranças que
poderão ter o apoio de todos.

Na verdade, não podemos continuar como está.
Estamos preocupados com os legislativos municipais em toda a
Região; com o nível de suas autoridades. Elas, em muitos casos,
não correspondem à pujança dos municípios. Com isso vemos o
privilégio de pessoas e grupos prejudicando a coletividade.
Podemos até sentir que os “maus” políticos ficam “abusando”
do brio do povo.

Cada dia que passa as coisas ficam piores. O
nível, em vez de melhorar, vai caindo vertiginosamente. É
lamentável que isto aconteça. Ficamos nos perguntando: onde
estão as nossas boas lideranças? Elas não existem mais, ou
existem e se escondem na omissão. Elas devem ser acordadas ainda
em tempo!

A história passa e urge atitudes concretas de
quem está vendo tudo isto. As próximas eleições municipais
não demoram a chegar. Será momento de votar de novo. Será que
vamos nos deixar levar pelos mesmos erros? É hora de acordar.

A Lei N. 9840, contra a corrupção eleitoral,
trouxe alguns relevantes resultados positivos. Pelo menos fez com
que candidatos e eleitores agissem com mais cuidado e até
diminuindo o nível de corrupção. Apesar dos bons resultados, a
Lei não atingiu o auge de seus objetivos. Isto depende da
atuação de todos nós.

Agora temos a Lei da Ficha Limpa. É mais um
instrumento de ação popular que poderá ser burlada pelas
lideranças mal intencionadas. Mas isso não vai acontecer se
deixarmos clara a nossa disposição de fiscalizar. Esse
instrumento é mais um dado de esperança do povo no sentido de
passar a limpo a identidade dos nossos políticos, cobrando deles
autenticidade.

Como temos sentido, a melhoria do processo
eleitoral e político depende da ação popular. O povo precisa
estudar e discutir política com seriedade, não se deixando
manipular no momento de ir às urnas. A consciência livre revela
a voz de Deus presente nas pessoas.

Alguns dados são importantes. Entre eles está a
formação da consciência crítica, da formação política, que
é conseguida através dos espaços formativos. Consciência tal
em que a pessoa não venda a própria liberdade e sua capacidade
de decisão.

Por isto são importantes os fóruns de discussão,
de estudo e de formação de critérios. Não basta, apenas, esta
preocupação. Temos de identificar candidatos em quem realmente
podemos confiar. Não só isto, mas também acompanhá-los em sua
gestão.

Não estamos em ano eleitoral, mas o trabalho
formativo não pode ficar para os últimos momentos. As
verdadeiras escolhas devem começar cedo, com bastante
antecedência, para assim errarmos menos.

Enfim, não podemos continuar apáticos
politicamente. Isto vem acontecendo ultimamente entre nós. Não
nos deixemos influenciar por maus políticos. Vamos trabalhar
para fazer jus a esperança que ainda nos resta.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo de São
José do Rio Preto

Posted by: | Posted on: agosto 21, 2011

Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas

(O texto abaixo é parte da homilia proferida por D. Paulo na Celebração Eucarística de encerramento do VII Sulão de Catequese, no dia 21 de agosto de 2011, em São José do Rio Preto – São Paulo)

Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas

O que está em jogo é o processo formativo do povo, no âmbito catequético. O Sulão da Catequese faz parte desse processo, agora com o tema “Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas”. A motivação principal é o encontro com o Senhor, o “ver o Senhor”. É o aspecto do mistério dentro da Iniciação à Vida Cristã, para levar o catequizando a encontrar Jesus nos dados do patrimônio da fé que lhe são oferecidos.

A nossa reflexão deve preocupar-se muito com os ambientes motivadores da catequese, como a família e a comunidade cristã. Na roupagem e moldes da nova cultura, marcada de muito individualismo, uma catequese que consiga tocar os
corações e as mentes dos interlocutores, dos catequizandos. Por isto, uma catequese com perspectiva cristológico-bíblica, com testemunho e que mostre a grandeza de Deus.

A realidade moderna exige formação dos catequistas para que saibam ler os desafios da cultura, reconheçam e anunciem Cristo com todas as suas exigências. Cada
catequista deve se sentir chamado por Jesus e dar sua resposta de discípulo. Ele é mistagogo quando tem experiência do mistério com profundidade, quando consegue mergulhar-se nele. Isto supõe participação comunitária na fé e vivência dos sacramentos, dando dimensão missionária, profética e testemunhal.

O catequista mistagogo é aquela pessoa que reconhece o Mestre Jesus e se declara disposto a seguir os seus ensinamentos. Sente-se chamado por Deus e faz profunda
experiência de Jesus Cristo. Ele testemunha sua fé na comunidade cristã, busca ter equilíbrio, capacidade de relacionamento com todos e consegue contagiar aqueles com quem convive. Com tudo isto, ele é interlocutor da fé, que ajuda os catequizandos na maturação de fé.

Por fim, o catequista mistagogo tem uma espiritualidade envolvente. Tem uma cumplicidade com Deus, sendo seu porta-voz. Tem experiência de intimidade com Deus na oração, na participação litúrgica, na leitura orante da Palavra de Deus, no seguimento de Jesus Cristo e na formação de comunidades cristãs. Ele, na oração e contemplação, procura ver a realidade, isto é, a vida com os olhos de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.