Catequética

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Posted by: | Posted on: setembro 13, 2017

Maria, Modelo de Evangelizadores e Modelo de Catequistas

Maria, Modelo dos Evangelizadores

O Papa Francisco, na Exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”, propõe cinco atitudes para os evangelizadores (EG 24). 

  1. Ir na frente: a comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (1Jo 4,10). Por isso, ela vai à frente, vai ao encontro, procura os afastados e chega às encruzilhadas dos caminhos para convidar os que estão à margem.
  2. Envolver-se: com obras e gestos, os evangelizadores entram na vida diária dos outros, encurtam as distâncias, abaixam-se e assumem a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Contraem assim o “cheiro de ovelha”, e estas escutam a sua voz.
  3. Acompanhar: a comunidade acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece e suporta as longas esperas. A evangelização exige muita paciência.
  4. Frutificar: a comunidade mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. Encontra o modo de a Palavra se encarnar na situação concreta e dar frutos de vida nova.
  5. Festejar: os evangelizadores, cheios de alegria, sabem festejar. Celebram os passos dados, cada vitória. E se alimentam da liturgia.

Essas atitudes estão antecipadas em Maria, a mãe de Jesus. Ao olhar para ela, vemos que é o modelo dos discípulos missionários. Read More …

Posted by: | Posted on: agosto 2, 2016

SER CATEQUISTA NOS DIAS ATUAIS

Maria Aparecida de Cicco

No domingo, dia 31 de julho de 2016, fui convidada a dar assessoria em um Encontro de Formação de Catequistas do Crisma, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Região Brasilândia, Arquidiocese de São Paulo. O tema foi “Ser Catequista nos dias atuais“.

Em vista dessa assessoria, busquei os documentos da nossa Igreja para fundamentar minha palestra, pois nenhum catequeta pode se basear unicamente nas próprias experiências, ou no achismo, ao se comprometer com a formação de catequistas.

Assim, decidi compartilhar com todos vocês o material pesquisado e organizado para essa formação. A maior parte dos textos é retirada do principal documento que deve estruturar a Catequese: o “Diretório Nacional da Catequese”. E são complementados por alguns textos de dois Estudos da CNBB: o Estudo nº 97, “Iniciação à Vida Cristã – Um Processo de Inspiração Catecumenal”; e o Estudo nº 95, “Ministério do Catequista”.

Aproveitem bem esse material, na sua própria formação e no auxílio a outros catequistas.

CLIQUE AQUI para abrir o artigo: "SER CATEQUISTA NOS DIAS ATUAIS"
Posted by: | Posted on: janeiro 17, 2014

AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA FRANCISCO – 15 DE JANEIRO DE 2014

Publicamos a íntegra do texto da Catequese que o Papa Francisco realizou durante a Audiência Geral do dia 15 de janeiro de 2014. No link abaixo Vídeo vocês acessam a página do vídeo dessa catequese. Ao a página, clique na aba que está abaixo da tela de vídeo, na aba escrita “video on demand” para que o vídeo se abra. Vocês poderão ouvi-lo em português, fazendo a escolha do idioma na barra superior da tela do vídeo, no canto direito, na seta ao lado da palavra italiano (que indica o idioma do vídeo); e também na barra inferior clicando na seta que está ao lado da palavra audio_eng e escolhendo audio_por. Dessa forma, poderão ver o vídeo com tradução simultânea para o português, ou para qualquer outra língua, escolhendo o idioma desejado.

Vídeo

 Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Na quarta-feira passado demos início a uma breve série de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Batismo. E também hoje gostaria de meditar sobre o Batismo, para ressaltar um fruto muito importante deste Sacramento: ele leva-nos a ser membros do Corpo de Cristo e do Povo de Deus. S. Tomás de Aquino afirma que quantos recebem o Batismo são incorporados a Cristo quase como seus próprios membros e agregados à comunidade dos fiéis (cf. Summa Theologiae, III, q. 69, art. 5; q. 70, art. 1), ou seja, ao Povo de Deus. Na escola do Concílio Vaticano II, hoje dizemos que o Batismo nos faz entrar no Povo de Deus, levando-nos a ser membros de um Povo a caminho, um Povo peregrino na história.

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Posted by: | Posted on: janeiro 10, 2014

AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA FRANCISCO – 08 de janeiro de 2014

Publicamos a íntegra do texto da Catequese que o Papa Francisco realizou durante a Audiência Geral do dia 08 de janeiro de 2014. No link abaixo “Vídeo” vocês acessam a página do vídeo dessa catequese. Ao a página, clique na aba que está abaixo da tela de vídeo, na aba escrita “video on demand” para que o vídeo se abra. Vocês poderão ouvi-lo em português, fazendo a escolha do idioma na barra superior da tela do vídeo, no canto direito, na seta ao lado da palavra italiano (que indica o idioma do vídeo); e também na barra inferior clicando na seta que está ao lado da palavra audio_eng e escolhendo audio_por. Dessa forma, poderão ver o vídeo com tradução simultânea para o português, ou para qualquer outra língua, escolhendo o idioma desejado.

Vídeo

 Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Papa FranciscoHoje começamos uma série de Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Batismo. Por uma feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do Batismo do Senhor.

O Batismo é o sacramentos sobre o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua presença e do seu amor. Read More …

Posted by: | Posted on: maio 7, 2012

DEFICIENTES VISUAIS – DESAFIO E COMPROMISSO NA SOCIEDADE E NA IGREJA

Estando nestes dias em Roma, a cidade eterna, pude refletir com pessoas de 40 países a importância de acolhermos a todos em nosso trabalho pastoral: cegos, coxos, surdos-mudos, enfim todos os excluídos, assim como nos ensinou o próprio Jesus. Vi também os esforço realizados por muitas nações em superar barreiras concretamente em relação aos deficientes visuais.

São milhões de deficientes visuais em todo o mundo: estimados uma prevalência de 45 milhões de casos e uma incidência de novos casos de 3.000 por milhão de habitantes por ano. Somente no Brasil 74.000 são cegos, ou 3,7% da população do nosso país enfrenta este desafio. Creio que essa realidade deve tocar o coração de todos nós: como acolher em nossas famílias e comunidades os deficientes visuais? Aprendi que muitos passos já foram dados por entidades diversas no Brasil e no mundo na linda da superação da cegueira, dentre estas iniciativas as cirurgias de catarata que foram e estão sendo realizadas em todo o mundo para vencer a meta de diminuição considerável do problema da cegueira até o ano de 2020.

Pude levar neste evento do Pontifício Conselho da Pastoral da Saúde, o exemplo da Escola chamada: “Instituto de Cegos Pe. Chico”, que existe em São Paulo desde 1928, que tem prestado durante décadas, relevantes serviços à comunidade no sentido de apoiar, educar, orientar e acompanhar a pessoa com deficiência visual que busca amparo em seu seio.

Já no seu objetivo sentimos a importância nessa escola que é preparar e promover o deficiente visual e os portadores de baixa visão para sua integração na sociedade, através de um processo educacional, visando desenvolver, integralmente, a sua personalidade, orientando e levando-os ao conhecimento de seus direitos e deveres para com Deus, a Pátria e a Família.

São objetivos específicos da Escola de Ensino Fundamental do Instituto de Cegos “Padre Chico”: educar, habilitar e dar assistência ao deficiente visual; desenvolver programas de Orientação e Mobilidade, visando a independência do deficiente visual; integrar a informação e a orientação profissional no ensino geral, explorando aptidões, desenvolvendo habilidades, no sentido prático e orientando o educando na escolha entre oportunidade de trabalho e estudos posteriores e levar o deficiente visual a conhecer suas capacidades e suas limitações.

A clientela da escola é constituída por deficientes visual portadores de cegueira e de baixa visão. Para iniciar a escolaridade, a criança deve estar na faixa etária de 05 a 14 anos tendo sido considerado, anteriormente, através de avaliação, apto a seguir a programação das classes de deficientes visuais. De inicio, a criança é encaminhada para uma das classes de Período Preparatório para que através de um intenso programa de utilização dos sentidos remanescentes possa compensar a carência de estímulos e conhecimentos puramente visuais.

O objetivo das classes do Período Preparatório e levar a criança até a Prontidão para a Alfabetização, utilizando farto e variado material psico-pedagógico com a finalidade de suprir as necessidades advindas da deficiência visual com o fim específico de oferecer condições adequadas para o desenvolvimento de habilidades básicas que são pré-requisitos para o processo ensino – aprendizagem.

Outro fato é que a perda da visão também implica na redução da qualidade de vida, decorrente de restrições ocupacionais, econômicas, sociais e psicológicas. Para a sociedade, representa encargo oneroso e perda de força de trabalho. Essa condição incapacita o indivíduo, aumenta sua dependência, reduz sua condição social, sua autoridade dentro da família e da comunidade e o aposenta precocemente da vida.

A carga econômica da cegueira é significativa para o portador, para a família e para a sociedade, o que significa que o indivíduo deve apresentar uma boa capacidade visual para que possa desempenhar o seu papel na comunidade. A pessoa com baixa acuidade visual tem diminuição de sua autoestima, depressão, maior probabilidade de trauma por quedas, produtividade diminuída e acarreta gastos extras para a família, comunidade e Governo.

Uma das principais preocupações é a catarata. Essa doença torna limitadas as pessoas que estão fisicamente bem. É um grande sofrimento para a pessoa, para a família e para a sociedade. A catarata é considerada a principal causa de cegueira no Brasil e o impacto financeiro que essa doença traz é grande. Os custos diretos incluem o tratamento de doenças oculares, incluindo a parcela relevante de custos para a execução de serviços médicos e de serviços de saúde aliados, enquanto os custos indiretos incluem os ganhos perdidos – subsídios visuais, equipamentos, modificações em casa, reabilitação, bem estar e morte prematura por deficiência visual.

Estudos recentes sugerem que a restauração da visão pela cirurgia de catarata produz benefícios econômicos e sociais para a família, para o indivíduo e para a sociedade e aumentam produtividade anual do paciente operado em cerca de 1500% do valor do custo da cirurgia.

É preciso incentivar e potencializar a discussão do assunto com os pacientes como forma de prevenção e diagnóstico precoce da doença. Com isso, espera-se promover a atenção e conscientização da população quanto à importância das ações preventivas em doenças passíveis de controle e tratamento, com potencial de cegueira irreversível, como o glaucoma e retinopatia.

Outro fato importante a constatar é a iniciativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que também tem como objetivo contribuir para reduzir drasticamente a cegueira evitável até o ano de 2020.

Na questão da formação catequética é um dado importante que nos preocupa, pois, de um lado vemos que nas paróquias nem sempre os cegos são tratados no quesito de bom preparo para a vivência cristã: muitos recebem uma rapidíssima catequese e já recebem os sacramentos. Há também paróquias pelo bom zelo dos párocos e dos catequistas os cegos recebem boa formação catequética. Concretamente na Escola Pe. Chico, segundo o relato de uma religiosa que trabalha com as crianças, estas fazem um bom acompanhamento e são preparadas não somente para os sacramentos, mas para a vivência cristã, na Igreja e na sociedade.

Para as crianças que participam das equipes de liturgia nas paróquias, as religiosas desta escola entregam semanalmente os textos bíblicos, bem como o Salmo de Meditação escritos em Braille. Assim as mesmas interagem nas suas próprias comunidades de origem, isto é, onde moram sua família e sua comunidade de fé.

Considerações finais

Recordei acima o importante trabalho desenvolvido pelo “Instituto de Cegos Padre Chico”, em São Paulo, SP. Um exemplo de carinho, dedicação e atenção com nossos irmãos deficientes visuais, que destaco como um dos mais importantes em nossos dias. Devemos olhar com muita responsabilidade para esta questão da inclusão do cego na sociedade e incentivar trabalhos que desenvolvam a catequese com estes cidadãos comuns.

Para muitas pessoas com deficiência, viver no mundo de hoje, nesta época, nesta fase da história, é um privilégio. Não podemos falar do futuro como será (e esperamos que seja melhor), mas podemos dizer que, do passado até agora, muito se progrediu. Hoje, as tecnologias vêm ajudando as pessoas com deficiência a viver com mais qualidade. O acesso à saúde e a reabilitação estão mais fáceis. Há estimulação precoce, que permite a muitos terem um desempenho bem mais seguro no desenvolvimento físico e emocional. O fruto do sofrimento de muitos trouxe para nossa geração esses privilégios a que todos deveriam ter acesso.

Por outro lado, isso nos leva a uma grande responsabilidade de manter garantidos os direitos adquiridos, e qualificar ainda mais a vida das futuras gerações que vão adquirir alguma deficiência. Essas garantias podem ser efetivadas pelas leis, pelo poder público, pelas escolas, pelas famílias, pelas organizações não governamentais, enfim, por toda a sociedade.

Mas, acreditamos que a verdadeira inclusão está enraizada numa mística, numa espiritualidade, num sentido profundo, numa razão para viver. É impossível efetivar uma inclusão, que de fato transforme o coração do ser humano, se não olharmos para o Cristo encarnado, servo sofredor e ressuscitado, que nos fez compreender o porquê de nossa existência.

Garantir as leis de respeito humano às pessoas com deficiência é um dever, mas amar as pessoas com deficiência é uma questão de fé. E como garanto a lei e o amor? Queremos dar sentido às lutas pela dignidade de toda pessoa humana. Como Igreja, possamos construir projetos de solidariedade em nossa ação pastoral, que não levem a nenhum tipo de alienação, mas apoiados numa boa teologia, sejam libertadores e tragam respostas concretas às questões que nos desafiam. A Igreja, como mãe, deve responder aos desafios aos quais seus filhos e filhas pedem uma luz.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), nos apresenta uma importante contribuição que trago para essa nossa reflexão. O documento 84 da CNBB – DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE, capítulo 6 (parágrafos 202 a 207) vai nos chamar a atenção especificamente para a catequese com deficientes.

O documento nos lembra de que é grande, no Brasil, a quantidade de pessoas com deficiências. Elas têm o mesmo direito à catequese, à vida comunitária e sacramental. Particularmente a partir do século XX em seus documentos catequéticos, a Igreja vê a necessidade de lhes dar a devida atenção e fazer esforços para superar todo tipo de discriminação.

Nas comunidades, muitas pessoas se sentem chamadas para o trabalho junto às pessoas com deficiência; há inclusive catequistas e agentes de pastoral com algum tipo de deficiência. Toda pessoa tem necessidades, pois ninguém se basta a si mesmo. Mas há algumas pessoas que têm necessidades específicas. Estas também precisam ser acolhidas na catequese.

É preciso oferecer uma catequese apropriada em seus recursos e conteúdo, sem reducionismo e simplismo que apontem para um descrédito das capacidades da pessoa com deficiência. Também não se pode deixar de mencionar o número expressivo de irmãos que possuem necessidades educacionais especiais, sejam elas provisórias ou permanentes, causadas por algum distúrbio ou outras especificidades. A estes a catequese dispense a atenção necessária.

Aumenta a cada dia o número de voluntários para trabalhar com as pessoas com deficiência. Há também maior consciência e organização sobre essa catequese. Há organismos e movimentos representativos na luta pelo reconhecimento de suas necessidades. Nota-se uma tendência à superação de ideias preconceituosas e de atitudes caritativo-assistencialistas que dificultam o protagonismo social e eclesial.

Nesse itinerário da fé, a família desempenha papel fundamental, pois é nela que ocorre a primeira experiência de comunidade e onde a pessoa deveria receber o primeiro anúncio do mistério da Salvação. Por esse motivo, a comunidade eclesial esteja atenta às suas necessidades, conflitos, desejos e aspirações. A comunidade cristã é convidada a assumir a responsabilidade de catequizar as pessoas com deficiência, criando condições para sua plena participação comunitária e pastoral.

É importante que a participação das pessoas com deficiência na catequese seja feita em companhia dos demais catequizandos para que se evitem grupos separados ou confinados em locais sem a devida atenção e cuidados ou distantes da comunidade. Essa atitude é fundamental para que não se perpetue a ideia de que as pessoas com deficiência necessitam de uma catequese puramente especializada. É necessário levar em consideração as descobertas e avanços das ciências humanas e pedagógicas e assumir a pedagogia do próprio Jesus, que privilegiou os cegos, mudos, surdos, coxos, aleijados (cf. Mc 8,23-25; Mt15,30-31; Lc 7,22; Jo 1,8).

Somos imagem de Cristo Ressuscitado e participamos dos sofrimentos, da cruz, como também da alegria de ser chamados à vida, testemunhando através dela a ação do próprio Deus. Os locais para a catequese junto às pessoas com deficiência deverão ser adaptados, de acordo com a legislação vigente, facilitando o acolhimento e acesso aos mesmos em nossas comunidades.

A catequese junto às pessoas com deficiência atinge todas as idades, em especial os adultos, pois muitos deles, por diferentes motivos, não tiveram a oportunidade de fazer a experiência da fé na comunidade eclesial em outras fases da vida, e agora manifestam esse desejo.

É preciso perceber também quanto essas pessoas podem ter a ensinar, com a sua própria experiência e com o modo como lidam com a sua situação. Com elas, como com os catequizandos, há uma estrada de mão dupla onde o catequista também aprende e se enriquece.

Essa catequese supõe uma preparação específica dos catequistas, pois cada necessidade diferente exige uma pedagogia adequada. É bom contar com o apoio de profissionais, como médicos, fonoaudiólogos, professores, fisioterapeutas, psicólogos e intérpretes, sem que se perca o objetivo da catequese. Nesse processo, a família desempenha um papel importante para o qual deve receber a devida ajuda.

Após nossas reflexões, temos clareza da urgência de uma mudança de mentalidade no trato eclesial em relação às pessoas com deficiência, para que possamos testemunhar ao mundo a coerência de nossas ações seguindo o modelo de Cristo.

Que o Cristo Ressuscitado dê a vocês e aos seus a sua paz!

D. Vilson Dias de Oliveira, DC – Bispo da Diocese de Limeira

Posted by: | Posted on: janeiro 26, 2012

Catequese Sacramental Mistagógica

Nossa igreja está propondo um novo caminho para a Catequese, o caminho mistagógico, onde o catequizando deve fazer a experiência do amor de Deus e da presença de Jesus no meio de nós. Sem dúvida nenhuma esse é o caminho ideal, o retorno ao processo de evangelização das primeiras comunidades, que transforma verdadeiramente a vida dos cristãos, tornando-os testemunhas ativas do Evangelho. E essa é a exigência cristã, que os discípulos de Jesus sejam testemunhas vivas dos ensinamentos do Mestre, vivendo a radicalidade da sua opção de vida.

No entanto, longo é o caminho a ser percorrido para alcançarmos essa meta, que foi se perdendo ao longo do tempo. A catequese das primeiras comunidades, um processo catecumenal de iniciação cristã que exigia a total conversão de vida, acabou se perdendo no decorrer da história, sendo transformada em mera instrução para receber os sacramentos.

A volta às origens da catequese não é uma busca nova. No Brasil, desde a publicação do Documento “Catequese Renovada”, em 1983, há quase 30 anos, inspirado nos documentos da Igreja (Vaticano II, Medellin, Puebla, Evangelii Nutiandi e Cathechesi Tradendae), já se tem orientações que visam uma catequese como processo de “educação permanente para a comunhão e participação na comunidade de fé” (CR 1.4). Na conclusão desse documento, os Bispos do Brasil afirmaram que a catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da Fé, cuja finalidade é a maturidade da Fé num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral da pessoa (cf. CR 318).

Foi um caminho árduo o de transformar a catequese de instrução, onde catequistas eram vistos como professores de catequese que reuniam os catequisandos em salas de aulas para ensinar os preceitos e a doutrina; para uma catequese como processo de educação, onde o catequisando deveria ser o protagonista da sua própria transformação e o catequista ser apenas um pedagogo que conduzia o catequizando ao Mestre (o significado original da palavra pedagogo, no grego, é “aquele que leva a criança até seu mestre”).

Mas, como em todo processo aberto e dinâmico, o caminho foi sendo percorrido passo a passo, aproximando-se da meta a cada objetivo alcançado, além de abrir também novas perspectivas diante das transformações do mundo e da sociedade humana. E nesse contexto, hoje é imperativo um novo passo, uma catequese voltada ao reencontro com Jesus Cristo, à experiência que faz perceber a sua presença viva na própria vida humana: a Catequese Mistagógica.

Surge então a questão: como fazer isso acontecer na catequese sacremental, que prepara adolescentes e jovens para receber os sacramentos. Esse é uma grande desafio, que deve ser vencido a partir do testemunho da comunidade catequisadora. A Catequese é um processo educativo permanente, comunitário; e como tal deve ser assumido por todos os que participam da comunidade.

É preciso trasformar a estrutura catequética que ainda prevê inscrição (como se fosse escola), formação de turmas e divisão de catequista (alunos e professores), período de formação que segue o calendário escolar, etc. A formação sistemática é necessária, mas deve ter uma estrutura própria, condizente com um processo de educação na fé, onde a comunidade e o catequista dão testemunho do que pregam: amor, caridade, perseverança, determinação e comprometimento.

Sugestões para as comunidades:

  1. A coordenação da Catequese Paroquial, juntamente com o pároco, deve planejar um encontro com pais que desejam participar ou que seus filhos participem da formação catequética oferecida pela comunidade. Esse encontro terá a finalidade de explicar o significado da catequese, seus objetivos e os compromissos que deverão ser assumidos pela família. Pode-se marcar diversas datas para esse encontro, de forma a possibilitar que as famílias possam optar por um deles.
  2. Nas celebrações dominicais, convidar as famílias que buscam um sacramento (batismo, preparação à primeira eucaristia, crisma) para participar de um desses encontros, agendando a melhor data e horário.
  3. Esse encontro pode ser feito na comunidade, para um grupo maior de famílias (até 50 ou 60 famílias), ou em algumas casas da comunidade, para um grupo menor (até 4 ou 5 famílias).
  4. O encontro deve ser bem acolhedor, em clima de alegria. Mas deve também ser claro em relação aos compromissos e deveres tanto da comunidade como da família, mostrando o comprometimento da comunidade com a formação de verdadeiros cristãos e não como mera distribuidora de sacramentos.
  5. No final do encontro, após uma palestra esclarecedora e algumas dinâmicas, entregar a cada família um folheto onde estarão escritos os compromissos que devem assumir e também uma ficha com os dados da família e da criança ou adolescente que irá participar do processo catequético. Esse folheto deverá, exclusivamente e pessoalmente, ser devolvido assinado pela família, em uma celebração eucarística, durante o ofertório ou em outro momento da celebração a critério da comunidade.
  6. De posse dos folhetos de compromisso, a coordenação da Catequese irá distribuir os mesmos entre os catequistas, levando em consideração a proximidade da região de residência de cada um. Assim, cada catequista terá a incumbência de cuidar de um grupo de famílias que residem próximo da sua casa, o que facilita o entrosamento e a convivência.
  7. Cada catequista deverá visitar as famílias que vão ficar sob a sua tutela, para conhecê-las e também para dar as primeiras informações sobre o processo catequético em questão.

Nas próximas semanas vamos dar sequência a este artigo, trazendo outras sugestões que possam ajudar catequistas e comunidades na implantação de uma Catequese Mistagógica.

Posted by: | Posted on: outubro 1, 2011

Assumir a Missão é a resposta à Vocação

Estamos iniciando o mês missionário. Quando falamos em missão, muitas pessoas pensam que isso se refere a quem viaja para locais distantes, longe de casa, para trabalhar lá. Porém missão é a conseqüência natural de toda vocação, isto é, de todo o chamado que recebemos durante nossa vida.

Assim, aqueles que são chamados para a vida familiar têm a missão de formar, manter e zelar bem pela sua família, e se também for chamado para ensinar, deverá se formar como professor, manter-se atuante e atualizado como tal e zelar pela qualidade do seu ensinamento. E assim por diante.

Todo ser humano recebe inúmeros chamados durante toda a sua vida. Alguns chamados geram missões permanentes, isto é que duram para a vida toda como, por exemplo, o chamado a ser pai ou mãe. Se alguém concebe um filho será pai ou mãe dessa criança para sempre, mesmo que rejeite essa missão; a marca desse chamado nunca se apagará, ainda que a criança seja criada por outra família e nunca saiba quem é o verdadeiro pai ou a verdadeira mãe.

Outros chamados geram missões passageiras, circunstanciais, isto é, são chamados que dependem de determinado contexto como, por exemplo, o chamado a ser profeta. Alguém que se sente chamado a denunciar as injustiças e anunciar o que é justo, só assume essa missão diante de situações de exploração, de marginalização, de exclusão ou de preconceito; quando esse contexto não mais existir, sua missão se cumpriu e é finita.

Dessa forma, o mês missionário é um tempo de particular importância que
complementa a reflexão sobre vocação. Todo aquele que é chamado terá uma missão para cumprir. O chamado não depende de nós, depende de quem nos chama, mas a missão depende de nós, depende da resposta que damos ao chamado.

Lembremos da passagem bíblica que fala sobre o pai que chamou seus filhos para que fossem trabalhar na sua vinha. O primeiro disse não ao chamado, mas depois refletiu melhor e assumiu a missão que o pai lhe dera. Esse disse sim ao seu chamado, pois embora a princípio dissesse não depois cumpriu a missão que lhe fora dada pelo pai. 

O segundo disse sim ao pai, mas não foi. Na realidade ele disse não ao chamado do pai uma vez que não assumiu a sua missão. (Cf  Mt 21,28-32). Como podemos ver, o pai faz o chamado para uma missão, as respostas são diferentes tanto nas palavras quanto nas consequências, pois o que dissera não assumiu sua missão enquanto o que dissera sim nada fez.

Portanto, neste mês missionário, é necessário nos conscientizarmos e conscientizar as pessoas da nossa comunidade sobre a importância de assumir a missão para a qual somos chamados na vida cotidiana. Não basta dizer sim, é preciso fazer esse sim frutificar na missão assumida. Muitas vezes o cansaço e o desânimo podem nos fazer dizer não, mas se depois de refletirmos sobre ele, decidirmos assumir a missão que lhe corresponde, nosso não se transformará em sim. 

A resposta válida à vocação é aquela que se transforma em frutos pela ação, pelo assumir a nossa missão.

Posted by: | Posted on: agosto 27, 2011

Formar Consciência Crítica

Uma das grandes preocupações da Igreja, no seu
papel de evangelizar, é despertar nas pessoas, principalmente
cristãs, a capacidade de olhar e agir de forma livre e
consciente. Nos momentos de decisão, muitos têm sido
manipulados, comprados e vendidos, prejudicando a sociedade.

Tendo em vista esta realidade, a Pastoral Fé e
Política e as entidades organizadas, devem criar espaço de
discussão, de debates, de troca de experiências e
manifestação de compromisso em nível de comunidade. Assim,
ajudarão a identificar verdadeiras e autênticas lideranças que
poderão ter o apoio de todos.

Na verdade, não podemos continuar como está.
Estamos preocupados com os legislativos municipais em toda a
Região; com o nível de suas autoridades. Elas, em muitos casos,
não correspondem à pujança dos municípios. Com isso vemos o
privilégio de pessoas e grupos prejudicando a coletividade.
Podemos até sentir que os “maus” políticos ficam “abusando”
do brio do povo.

Cada dia que passa as coisas ficam piores. O
nível, em vez de melhorar, vai caindo vertiginosamente. É
lamentável que isto aconteça. Ficamos nos perguntando: onde
estão as nossas boas lideranças? Elas não existem mais, ou
existem e se escondem na omissão. Elas devem ser acordadas ainda
em tempo!

A história passa e urge atitudes concretas de
quem está vendo tudo isto. As próximas eleições municipais
não demoram a chegar. Será momento de votar de novo. Será que
vamos nos deixar levar pelos mesmos erros? É hora de acordar.

A Lei N. 9840, contra a corrupção eleitoral,
trouxe alguns relevantes resultados positivos. Pelo menos fez com
que candidatos e eleitores agissem com mais cuidado e até
diminuindo o nível de corrupção. Apesar dos bons resultados, a
Lei não atingiu o auge de seus objetivos. Isto depende da
atuação de todos nós.

Agora temos a Lei da Ficha Limpa. É mais um
instrumento de ação popular que poderá ser burlada pelas
lideranças mal intencionadas. Mas isso não vai acontecer se
deixarmos clara a nossa disposição de fiscalizar. Esse
instrumento é mais um dado de esperança do povo no sentido de
passar a limpo a identidade dos nossos políticos, cobrando deles
autenticidade.

Como temos sentido, a melhoria do processo
eleitoral e político depende da ação popular. O povo precisa
estudar e discutir política com seriedade, não se deixando
manipular no momento de ir às urnas. A consciência livre revela
a voz de Deus presente nas pessoas.

Alguns dados são importantes. Entre eles está a
formação da consciência crítica, da formação política, que
é conseguida através dos espaços formativos. Consciência tal
em que a pessoa não venda a própria liberdade e sua capacidade
de decisão.

Por isto são importantes os fóruns de discussão,
de estudo e de formação de critérios. Não basta, apenas, esta
preocupação. Temos de identificar candidatos em quem realmente
podemos confiar. Não só isto, mas também acompanhá-los em sua
gestão.

Não estamos em ano eleitoral, mas o trabalho
formativo não pode ficar para os últimos momentos. As
verdadeiras escolhas devem começar cedo, com bastante
antecedência, para assim errarmos menos.

Enfim, não podemos continuar apáticos
politicamente. Isto vem acontecendo ultimamente entre nós. Não
nos deixemos influenciar por maus políticos. Vamos trabalhar
para fazer jus a esperança que ainda nos resta.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo de São
José do Rio Preto

Posted by: | Posted on: agosto 21, 2011

Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas

(O texto abaixo é parte da homilia proferida por D. Paulo na Celebração Eucarística de encerramento do VII Sulão de Catequese, no dia 21 de agosto de 2011, em São José do Rio Preto – São Paulo)

Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas

O que está em jogo é o processo formativo do povo, no âmbito catequético. O Sulão da Catequese faz parte desse processo, agora com o tema “Mistagogia: novo caminho formativo de catequistas”. A motivação principal é o encontro com o Senhor, o “ver o Senhor”. É o aspecto do mistério dentro da Iniciação à Vida Cristã, para levar o catequizando a encontrar Jesus nos dados do patrimônio da fé que lhe são oferecidos.

A nossa reflexão deve preocupar-se muito com os ambientes motivadores da catequese, como a família e a comunidade cristã. Na roupagem e moldes da nova cultura, marcada de muito individualismo, uma catequese que consiga tocar os
corações e as mentes dos interlocutores, dos catequizandos. Por isto, uma catequese com perspectiva cristológico-bíblica, com testemunho e que mostre a grandeza de Deus.

A realidade moderna exige formação dos catequistas para que saibam ler os desafios da cultura, reconheçam e anunciem Cristo com todas as suas exigências. Cada
catequista deve se sentir chamado por Jesus e dar sua resposta de discípulo. Ele é mistagogo quando tem experiência do mistério com profundidade, quando consegue mergulhar-se nele. Isto supõe participação comunitária na fé e vivência dos sacramentos, dando dimensão missionária, profética e testemunhal.

O catequista mistagogo é aquela pessoa que reconhece o Mestre Jesus e se declara disposto a seguir os seus ensinamentos. Sente-se chamado por Deus e faz profunda
experiência de Jesus Cristo. Ele testemunha sua fé na comunidade cristã, busca ter equilíbrio, capacidade de relacionamento com todos e consegue contagiar aqueles com quem convive. Com tudo isto, ele é interlocutor da fé, que ajuda os catequizandos na maturação de fé.

Por fim, o catequista mistagogo tem uma espiritualidade envolvente. Tem uma cumplicidade com Deus, sendo seu porta-voz. Tem experiência de intimidade com Deus na oração, na participação litúrgica, na leitura orante da Palavra de Deus, no seguimento de Jesus Cristo e na formação de comunidades cristãs. Ele, na oração e contemplação, procura ver a realidade, isto é, a vida com os olhos de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

Posted by: | Posted on: agosto 15, 2011

Assunção de Nossa Senhora

Hoje no meu
trabalho, um jovem ouviu falar que era dia da Assunção de Nossa
Senhora e me perguntou o que isso significava. Eu lhe expliquei,
mas fiquei pensando o quanto alguns eventos significativos para a
nossa Igreja têm se tornado obscuros para os jovens do nosso
tempo.

Esse jovem que
me fez a pergunta é cristão, foi batizado e já recebeu o
Sacramento da Eucaristia, tendo portanto feito catequese. Por
isso me perguntei: a nossa catequese está alcançando o seu
objetivo principal que é o de educar na fé os adolescentes que
nos são confiados? Estamos ajudando esses adolescentes a
iniciarem um caminho de amadurecimento espiritual que os ajude a
compreender a própria fé para estarem aptos a dar razão e
testemunho dela?

A celebração
da Assunção de Maria é um evento importante para nós
cristãos católicos, mas não porque mostre que ela é santa e
sim para fortalecer a esperança escatológica que é a mola
propulsora de uma vida autenticamente cristã.

Quando
celebramos a Assunçaõ de Maria, estamos celebrando a graça de
Deus que ama a humanidade e por amor oferece a todos a
possibilidade de salvação, a possibilidade de também nós
sermos levados ao Céu.

A tradição
nos diz que Maria foi assunta ao Céu, isto é foi levada ao
estado de graça na vida eterna (Céu) no exato momento de sua
morte, sem passar pelo sofrido momento da conversão final (purgatório),
pois ela foi sempre fiel a Deus e ao seu projeto. Essa tradição
foi confirmada pela nossa Igreja que afirma ser ela verdadeira,
um dogma da nossa fé.

A única
pessoa de quem a nossa Igreja diz ter sido levada ao estado de
graça plena no momento da própria morte é Maria. E nossa
Igreja diz que: “A Assunção da Virgem Maria é uma
participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma
antecipação da ressurreição dos outros cristãos
” (CIC,
966).

Assim como
Maria, por sua fidelidade a Deus, manifestada desde o SIM diante
da concepção de Jesus até o amargo desenrolar da Paixão e
Morte de seu Filho, recebeu a graça da vida eterna junto de Deus,
também nós podemos ter a certeza de que se, a exemplo dela, nos
deixarmos guiar pelo Espírito Santo e formos fiéis ao Pai
receberemos a graça da vida eterna na sua Luz.