Reflexão do Evangelho Dominical – Mc 10,17-30 – UMA COISA NOS FALTA

Durante o “Mês Missionário” estamos postando os comentários de José Antonio Pagola, do Evangelho dominical. Essas reflexões fazem parte do livro “MARCOS“, da coleção “O Caminho aberto por JESUS“, da Editora Vozes.

É uma excelente oportunidade de aprofundar a reflexão bíblica e ter subsídio para a nossa Leitura Orante.

Depois de seguir as instruções que estão no artigo e fazer a sua reflexão pessoal, dê a sua colaboração postando um comentário sobre o que você refletiu.

O artigo está em PDF, para que você possa baixar no seu computador e imprimir, se desejar. Basta clicar no título do artigo, que está abaixo em azul:

Reflexão do Evangelho Dominical do 28º Domingo do Tempo Comum

Curso do Mês da Bíblia – 5ª Aula

Chegamos à quinta e última aula do Curso do Mês da Bíblia, que nos trouxe a reflexão do tema: “Discípulos Missionários” – a partir do Evangelho de João. O lema do “Mês da Bíblia” foi  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

Nesta última aula, o texto proposto pela CNBB é o do Lavapés, narrado com exclusividade pelo evangelista João. Mas o mestre que nos ajudou durante este curso, o professor José Antonio Pagola, coloca o Lavapés no contexto da celebração da última Ceia.

Por isso, vamos seguir, nesta última aula, o caminho que ele traçou sobre esses eventos na vida de Jesus. Nas aulas anteriores refletimos sobre os primeiros passos para que nos tornemos discípulos missionários: O encontro com Jesus;  A conversão; O seguimento. Nesta última aula refletiremos sobre: Comunhão fraterna; e  Missão.

Não deixem de seguir os passos propostos nas outras aulas, para fazer uma boa reflexão, lendo todos os trechos dos evangelhos propostos no texto, antes de ler a reflexão. E também não esqueçam de fazer seus comentários.

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 5ª AULA

Curso do Mês da Bíblia – 4ª aula

Estamos postando aqui a quarta aula do “Curso do Mês da Bíblia” – a reflexão do tema: “Discípulos Missionários” – a partir do Evangelho de João. O lema do “Mês da Bíblia” é  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

Esta aula traz a reflexão sobre o “Encontro com o cego de nascença” – João 9,1-41

A reflexão é tirada dos comentários feitos por José Antonio Pagola, no livro “João”, da coleção “O Caminho aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

Repetimos aqui os passos importantes para esse estudo:

1 – leia o texto bíblico antes de tudo – não apenas uma vez, mas pelo menos duas ou três vezes procurando entender bem o que o texto diz (use sua bíblia para isso);
2 – Pesquise o significado de alguma palavra que você não conheça bem – use um dicionário para isso (que pode ser online);
3 – Depois de estar bem certo sobre o que você leu (sem qualquer interpretação), leia com atenção o artigo da 4ª aula – buscando também entender bem o que o texto diz e o que o autor diz no texto;
4 – Agora faça a sua própria reflexão, tenha a sua vida cotidiana, com toda a realidade do que você vive como pano de fundo para refletir. Questione-se, analise o seu agir, busque enxergar as consequências da sua forma de agir;
5 – Faça o seu comentário, colocando o resultado da sua reflexão. Dizendo o que você entendeu do texto e até mesmo as dúvidas que foram suscitadas; Esses comentários são indispensáveis àqueles que fizeram a inscrição para receber o certificado.
6 – E não deixe de ler os comentários de outros alunos, pois certamente irão contribuir com a sua reflexão.

Para acessar o artigo e, se quiser, baixar o arquivo para o seu computador e imprimir, basta clicar sobre o título da aula que está abaixo:

 CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 4ª AULA

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 3ª AULA

Estamos postando aqui a terceira aula do “Curso do Mês da Bíblia” – a reflexão do tema: “Discípulos Missionários – a partir do Evangelho de João. 

O lema do “Mês da Bíblia” é  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

A terceira aula traz a reflexão sobre o Encontro com a mulher samaritana” – João 4,1-42 Continue lendo

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 2ª AULA

Este artigo dá sequência ao curso relâmpago do “Mês da Bíblia” , trazendo a reflexão do tema: “Discípulos Missionários – a partir do Evangelho de João.

O lema do “Mês da Bíblia” é  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

E a segunda aula traz a reflexão sobre o Encontro com os primeiros discípulos” – João 1,35-51 Continue lendo

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – “DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS”

capa-mes-bibliaEste artigo dá início a uma série de cinco publicações que serão postadas ao longo desta semana (de 20 a 26 de setembro de 2015), trazendo a reflexão do tema do Mês da Bíblia: “Discípulos Missionários” – a partir do Evangelho de João.

O lema do “Mês da Bíblia” é “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

O esquema de reflexão de cada um dos quatro textos escolhidos pela CNBB será:

  • Encontro;
  • Conversão;
  • Seguimento;
  • Comunhão Fraterna;
  • Missão.

Os textos, retirados do Evangelho de Jesus Cristo segundo de João serão:

  1. Encontro com os primeiros discípulos – Jo 1,35-51
  2. Encontro com a mulher samaritana – Jo 4,1-42
  3. Encontro com o cego de nascença – Jo 9,1-41
  4. O Lava-pés – Jo 13,1-17

Para essas reflexões, vamos reproduzir os comentários aos textos do evangelho de “João” de autoria do teólogo espanhol José Antonio Pagola, publicados pela Editora Vozes na coleção “O caminho aberto por Jesus”. Esses comentários foram escritos com a finalidade de ajudar a entrar pelo caminho aberto por Jesus, centrando a nossa fé no seguimento de sua pessoa. Não vamos reproduzir o texto completo, mas apenas o que diz respeito ao nosso estudo, portanto, quando vocês encontram pontilhados, significa que há outros escritos entre os textos que apresentamos, na obra de Pagola.

Queremos que estes artigos sejam não apenas lidos, mas compreendidos profundamente para que a reflexão seja semente de transformação em nossas vidas. Dessa forma, vamos trabalhar como um “CURSO RELÂMPAGO”, isto é, um curso de cinco aulas, além desta introdução, que ao final dará aos inscritos um certificado de participação, emitido pela Editora Vozes. Continue lendo

MANTER VIVA A CONSCIÊNCIA DA MISSÃO! (MC 1, 40-45)

leprosoFrei Carlos Mesters e Mercedes Lopes

NÃO VOLTAR ATRÁS NO ANÚNCIO DA BOA NOVA – MANTER VIVA A CONSCIÊNCIA DA MISSÃO

Extraído do livro Caminhando com Jesus, de Carlos Mesters e Mercedes loLopes.

Nos versículos 16 a 45 do primeiro capítulo, Marcos descreve o objetivo da Boa Nova e a missão da comunidade, apresentando oito critérios para as comunidades do seu tempo poderem avaliar a sua missão. Tanto nos anos 70, época em que Marcos escreveu, como hoje, época em que nós vivemos, era e continua sendo importante ter diante de nós modelos de como viver e anunciar o Evangelho e de como avaliar a nossa missão.

COMENTANDO

Mc 1, 40-42: Acolhendo e curando o leproso, Jesus revela um novo rosto de Deus

Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído. Devia viver afastado. Quem tocasse nele ficava impuro também! Mas aquele leproso teve muita coragem. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. Ele diz: “Se queres, podes curar-me!” Ou seja: “Não precisa tocar-me! Basta o senhor querer para eu ficar curado!” A frase revela duas doenças: 1) a doença da lepra que o tornava impuro; 2) a doença da solidão a que era condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas doenças. Primeiro, para curar a solidão, toca no leproso. É como se dissesse: “Para mim, você não é um excluído. Eu o acolho como irmão!” Em seguida, cura a lepra dizendo: “Quero! Seja curado!” O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, tinha transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e, assim, revelar um rosto novo de Deus, transgride as normas da sua religião e toca no leproso. Naquele tempo, quem tocava num leproso tornava-se um impuro perante as autoridades religiosas e perante a lei da época.

Mc 1, 43-44: Reintegrar os excluídos na convivência fraterna

Jesus não só cura, mas também quer que a pessoa curada possa conviver. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para um leproso ser novamente acolhido na comunidade, ele precisava ter um atestado de cura assinado por um sacerdote. É como hoje. O doente só sai do hospital com o documento assinado pelo médico de plantão. Jesus obrigou o fulano a buscar o documento, para que ele pudesse conviver normalmente. Obrigou as autoridades a reconhecer que o homem tinha sido curado.

Mc 1, 45: O leproso anuncia o bem que Jesus fez e ele e Jesus se tornam excluídos

Jesus tinha proibido o leproso de falar sobre a cura. Mas não adiantou. O leproso, assim que partiu, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Permanecia fora, em lugares desertos. Por quê? É que Jesus tinha tocado no leproso. Por isso, na opinião da religião daquele tempo, agora ele mesmo era um impuro e devia viver afastado de todos. Já não podia entrar nas cidades. Mas Marcos mostra que o povo pouco se importava com estas normas oficiais, pois de toda a parte vinham a ele! Subversão total!

O duplo recado que Marcos dá às comunidades do seu tempo e a todos nós e este: 1) anunciar a Boa Nova é dar testemunho da experiência concreta que se tem de Jesus. O leproso, o que ele anuncia? Ele conta aos outros o bem que Jesus lhe fez. Só isso! Tudo isso! E é este testemunho que leva os outros a aceitar a Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe. 2) Para levar a Boa Nova de Deus ao povo, não se deve ter medo de transgredir normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Mesmo que isso traga dificuldades para a gente, como trouxe para Jesus.

ALARGANDO

O Anúncio da Boa Nova de Deus feito por Jesus

A prisão de João fez Jesus voltar e iniciar o anúncio da Boa Nova. Foi um início explosivo e criativo! Jesus percorre a Galiléia toda: as aldeias, os povoados, as cidades (Mc 1,39). Visita as comunidades. Ele muda de residência, e vai morar em Cafarnaum (Mc 1,21; 2,1), cidade que fica no entroncamento de estradas, o que facilita a divulgação da mensagem. Ele quase não pára. Está sempre andando. Os discípulos e as discípulas com ele, por todo canto. Na praia, na estrada, na montanha, no deserto, no barco, nas sinagogas, nas casas. Muito entusiasmo!

Jesus ajuda o povo prestando serviço de muitas maneiras: expulsa maus espíritos (Mc 1,39), cura os doentes e os maltratados (Mc 1,34), purifica quem está excluído por causa da impureza (Mc 1,40-45), acolhe os marginalizados e confraterniza com eles (Mc 2,15). Anuncia, chama e convoca. Atrai, consola e ajuda. É uma paixão que se revela. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado da sua terra. Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus. Em qualquer lugar.

Em Jesus, tudo é revelação daquilo que o anima por dentro! Ele não só anuncia a Boa Nova do Reino. Ele mesmo é uma amostra, um testemunho vivo do Reino de Deus. Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. Pelo seu jeito de conviver e de agir, Jesus revelava o que Deus tinha em mente quando chamou o povo no tempo de Abraão e de Moisés. Jesus desenterrou uma saudade e transformou-a em esperança! De repente, ficou claro para o povo: “Era isso que Deus queria quando nos chamou para ser o seu povo!

Este foi o começo do anúncio da Boa Nova do Reino que se divulgada rapidamente pelas aldeias da Galiléia. Começou pequena como uma semente, mas foi crescendo até tornar-se árvores grande, onde o povo todo procurava um abrigo (Mc 4,31-32). O próprio povo se encarregava de divulgar a notícia.

O povo da Galiléia ficava impressionado com o jeito que Jesus tinha de ensinar. “Um novo ensinamento! Dado com autoridade! Diferente dos escribas!” (Mc 1,22.27). Ensinar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). Por mais de 15 vezes o Evangelho de Marcos diz que Jesus ensinava. Mas Marcos quase nunca diz o que ele ensinava. Será que não se interessava pelo conteúdo? Depende do que a gente entende por conteúdo! Ensinar não é só uma questão de ensinar verdades novas para o povo decorar. O conteúdo que Jesus tem para dar transparece não só nas palavras, mas também nos gestos e no próprio jeito de ele se relacionar com as pessoas. O conteúdo nunca está desligado da pessoa que o comunica. Jesus era uma pessoa acolhedora (Mc 6,34). Queria bem ao povo. A bondade e o amor que transparecem nas suas palavras fazem parte do conteúdo. São o seu tempero. Conteúdo bom sem bondade é como leite derramado.

Marcos define o conteúdo do ensinamento de Jesus como “Boa Nova de Deus” (Mc 1,14). A Boa Nova que Jesus proclama vem de Deus e revela algo sobre Deus. Em tudo que Jesus diz e faz, transparecem os traços do rosto de Deus. Transparece a experiência que ele mesmo tem de Deus como Pai. Revelar Deus como Pai é fonte, o conteúdo eo destino da Boa Nova de Jesus.

Fonte: CEBI – www.cebi.org.br

Métodos de Leitura Bíblica

O Papa João Paulo II disse: “A interpretação da Bíblia traz conseqüências diretas na relação que homens e mulheres de hoje têm com Deus”. Com essas palavras, o santo
Padre deixa claro que é preciso cuidar para que as escrituras bíblicas tenham uma interpretação que esteja conforme o credo que professamos.

Para que possamos fazer uma boa leitura bíblica, empregamos algum método. Há muitos métodos de leitura bíblica.
Até quem diz que não utiliza nenhum método, que apenas lê e se deixa tocar pelas palavras está fazendo uso de um método sem o saber.

Nossa Igreja reconhece os diversos métodos de leitura e cada cristão católico pode escolher o método que prefere utilizar, mas sempre deve ficar atento em observar as
orientações que a Igreja nos dá para a correta leitura.

O Concílio Vaticano II ao falar sobre a interpretação da Bíblia diz na Constituição Dogmática Dei Verbum: “Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por
meio dos homens e à maneira humana, o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus  manifestar por meio das suas palavras”.
(Dei Verbum, 12)

Vejamos um dos métodos mais usado na nossa Igreja para o estudo dos textos biblicos.

Método histórico-crítico – é um método que utiliza a análise historio-critica do texto para fazer a sua exegese; é indispensável para o estudo científico do sentido dos textos antigos:

  • Histórico porque procura elucidar os processos históricos de produção dos
    textos;
  • Crítico porque opera com a ajuda de critérios científicos tão objetivos quanto
    possível em cada uma de suas etapas (da crítica textual ao estudo crítico da redação);
  • Analítico porque estuda o texto bíblico da mesma maneira que qualquer outro texto da antiguidade e o comenta em linguagem humana.

Na leitura da Bíblia, ele é utilizado pelos estudiosos da Sagrada Escritura e por todas as pessoas que desejam aprofundar seus estudos bíblicos.

“…é preciso reconhecer os benefícios que a exegese histórico-crítica e os outros métodos de análise de texto, desenvolvidos em tempos mais
recentes, trouxeram para a vida da Igreja. …a atenção a estes métodos é imprescindível e está ligada ao realismo da encarnação
…” (Verbum Domini, 32 – Bento XVI)

Além do Método histórico-crítico, há outros métodos de leitura, que analisam o texto a partir de outros elementos, que veremos em breve.

Como compreender os fatos bíblicos.

Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que a Bíblia não foi escrita para nós, povo do século 21, multirracial, pluricultural e midiático. A Bíblia foi escrita para os hebreus, povo formado pela união de vários grupos que fugiam de todo tipo de dominação.

Assim, temos um grupo nômade que vivia no deserto, caminhando sempre em busca de um Oasis onde pudesse viver pelo menos por algum tempo, enquanto houvesse água e vegetação para alimentar os animais. Temos outro grupo que havia se instalado no Egito, e lá trabalhava e vivia, mas que diante da penúria de um tempo de crise, sentindo-se explorado, vai em busca de um lugar melhor para viver. Também temos outros grupos, que vivendo à beira das cidades-estados instaladas nos montes onde a terra era fértil, estavam cansados de serem explorados pelos reis que cobravam altos impostos e exigiam que os agricultores contribuíssem para a alimentação da corte. Além disso, escravizavam suas filhas para servir o palácio e recrutavam seus filhos para formar o exército que defendia o reino. Esses grupos vão embora para o deserto, e lá vão se agrupando.

É da união de todos esses grupos, que vêm de lugares diferentes, trazendo culturas e tradições diferentes, que se forma o “povo de Deus”, um povo pobre, migrante, que busca pela “terra prometida”, lugar onde possam viver com liberdade e prosperidade. A união deles funde uma nova nação, mas funde também as culturas, conhecimentos e religiões que trazem, formando um novo povo, que deseja conquistar uma nova terra, que seja fértil e produtiva, onde possa se instalar e viver para sempre sem opressão.

Esse povo transmite a seus filhos suas tradições, narrando verbalmente sua epopéia, mesclando culturas, mitos, lendas e fatos, e formando sua história de fé. Não há registros histórico-científicos que comprovem a história bíblica, há a tradição de um povo que narra sua história a partir da própria fé, a fé em um Deus único, que caminha com eles e orienta seus caminhos. Há apenas alguns poucos documentos oficiais (que têm valor histórico) que trazem alguma informação como, por exemplo, a informação sobre o censo realizado no tempo do rei Herodes.

Muitos acontecimentos que encontramos na Bíblia, principalmente no Primeiro Testamento, também são encontrados em outras religiões mais antigas e estão relacionadas à manifestação de seus deuses, o que demonstra que são tradições lendárias que foram inculturadas pelo povo hebreu. Um bom exemplo disso é a narração do dilúvio, cuja inspiração vem de um poema datado de 4000 anos antes de Cristo – lembrando-se que a história do povo Hebreu vem de 1800 anos antes de Cristo.

É por esse motivo que a nossa Igreja alerta para que não façamos uma leitura bíblica fundamentalista, isto é “ao pé da letra”, pois dessa forma corremos o risco de deturpar o sentido do texto, colocando na boca de Deus palavras que não correspondem ao seu projeto.

O importante ao ler a Bíblia é deixar ela falar ao coração, confrontando as situações vividas pelo povo daquele tempo com as que vivemos hoje, descobrindo a vontade de Deus que é a mesma para sempre.

Certa vez ouvi uma historinha que ilustra bem como devemos entender o texto bíblico. Não me recordo quem a contou, mas ela é muito valiosa para o nosso entendimento, por isso vou contá-la a vocês.

Um padre que era estudioso da Bíblia foi a uma comunidade do interior para dar um curso bíblico. Chegando lá, ele viu que o povo era muito simples e ficou preocupado em como falar e ser entendido. Procurou falar com simplicidade, explicando o sentido de cada texto. Falando sobre o livro do Levítico, ele explicou que a proibição de se comer carne de porco (Lv 11,7), que era considerada impura, se devia ao fato de que a carne de porco podia trazer doenças ao povo. Assim, a proibição era a forma encontrada para proteger a vida das pessoas.

Ao ouvir isso, uma velha senhora que trabalhava na roça levantou-se e disse: Padre, se naquele tempo a proibição era para proteger a vida das pessoas, hoje Deus nos diz para comer a carne de porco, pois a única carne que podemos comer para não morrer de fome é a do porquinho que a gente cria no quintal.

Essa história nos mostra como a sabedoria daquela senhorinha nos ensina a ler a Bíblia diante da realidade de hoje, sem tomar o texto como foi escrito, mas buscando o seu sentido.