Bíblica

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Posted by: | Posted on: outubro 15, 2015

Reflexão do Evangelho Dominical – Mc 10,17-30 – UMA COISA NOS FALTA

Durante o “Mês Missionário” estamos postando os comentários de José Antonio Pagola, do Evangelho dominical. Essas reflexões fazem parte do livro “MARCOS“, da coleção “O Caminho aberto por JESUS“, da Editora Vozes.

É uma excelente oportunidade de aprofundar a reflexão bíblica e ter subsídio para a nossa Leitura Orante.

Depois de seguir as instruções que estão no artigo e fazer a sua reflexão pessoal, dê a sua colaboração postando um comentário sobre o que você refletiu.

O artigo está em PDF, para que você possa baixar no seu computador e imprimir, se desejar. Basta clicar no título do artigo, que está abaixo em azul:

Reflexão do Evangelho Dominical do 28º Domingo do Tempo Comum

Posted by: | Posted on: outubro 4, 2015

Curso do Mês da Bíblia – 5ª Aula

Chegamos à quinta e última aula do Curso do Mês da Bíblia, que nos trouxe a reflexão do tema: “Discípulos Missionários” – a partir do Evangelho de João. O lema do “Mês da Bíblia” foi  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

Nesta última aula, o texto proposto pela CNBB é o do Lavapés, narrado com exclusividade pelo evangelista João. Mas o mestre que nos ajudou durante este curso, o professor José Antonio Pagola, coloca o Lavapés no contexto da celebração da última Ceia.

Por isso, vamos seguir, nesta última aula, o caminho que ele traçou sobre esses eventos na vida de Jesus. Nas aulas anteriores refletimos sobre os primeiros passos para que nos tornemos discípulos missionários: O encontro com Jesus;  A conversão; O seguimento. Nesta última aula refletiremos sobre: Comunhão fraterna; e  Missão.

Não deixem de seguir os passos propostos nas outras aulas, para fazer uma boa reflexão, lendo todos os trechos dos evangelhos propostos no texto, antes de ler a reflexão. E também não esqueçam de fazer seus comentários.

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 5ª AULA

Posted by: | Posted on: setembro 28, 2015

Curso do Mês da Bíblia – 4ª aula

Estamos postando aqui a quarta aula do “Curso do Mês da Bíblia” – a reflexão do tema: “Discípulos Missionários” – a partir do Evangelho de João. O lema do “Mês da Bíblia” é  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

Esta aula traz a reflexão sobre o “Encontro com o cego de nascença” – João 9,1-41

A reflexão é tirada dos comentários feitos por José Antonio Pagola, no livro “João”, da coleção “O Caminho aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

Repetimos aqui os passos importantes para esse estudo:

1 – leia o texto bíblico antes de tudo – não apenas uma vez, mas pelo menos duas ou três vezes procurando entender bem o que o texto diz (use sua bíblia para isso);
2 – Pesquise o significado de alguma palavra que você não conheça bem – use um dicionário para isso (que pode ser online);
3 – Depois de estar bem certo sobre o que você leu (sem qualquer interpretação), leia com atenção o artigo da 4ª aula – buscando também entender bem o que o texto diz e o que o autor diz no texto;
4 – Agora faça a sua própria reflexão, tenha a sua vida cotidiana, com toda a realidade do que você vive como pano de fundo para refletir. Questione-se, analise o seu agir, busque enxergar as consequências da sua forma de agir;
5 – Faça o seu comentário, colocando o resultado da sua reflexão. Dizendo o que você entendeu do texto e até mesmo as dúvidas que foram suscitadas; Esses comentários são indispensáveis àqueles que fizeram a inscrição para receber o certificado.
6 – E não deixe de ler os comentários de outros alunos, pois certamente irão contribuir com a sua reflexão.

Para acessar o artigo e, se quiser, baixar o arquivo para o seu computador e imprimir, basta clicar sobre o título da aula que está abaixo:

 CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 4ª AULA

Posted by: | Posted on: setembro 25, 2015

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 3ª AULA

Estamos postando aqui a terceira aula do “Curso do Mês da Bíblia” – a reflexão do tema: “Discípulos Missionários – a partir do Evangelho de João. 

O lema do “Mês da Bíblia” é  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

A terceira aula traz a reflexão sobre o Encontro com a mulher samaritana” – João 4,1-42 Read More …

Posted by: | Posted on: setembro 22, 2015

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – 2ª AULA

Este artigo dá sequência ao curso relâmpago do “Mês da Bíblia” , trazendo a reflexão do tema: “Discípulos Missionários – a partir do Evangelho de João.

O lema do “Mês da Bíblia” é  “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

E a segunda aula traz a reflexão sobre o Encontro com os primeiros discípulos” – João 1,35-51 Read More …

Posted by: | Posted on: setembro 19, 2015

CURSO DO MÊS DA BÍBLIA – “DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS”

capa-mes-bibliaEste artigo dá início a uma série de cinco publicações que serão postadas ao longo desta semana (de 20 a 26 de setembro de 2015), trazendo a reflexão do tema do Mês da Bíblia: “Discípulos Missionários” – a partir do Evangelho de João.

O lema do “Mês da Bíblia” é “Permanecei no meu amor para produzir muitos frutos” (Jo 15,9-16).

O esquema de reflexão de cada um dos quatro textos escolhidos pela CNBB será:

  • Encontro;
  • Conversão;
  • Seguimento;
  • Comunhão Fraterna;
  • Missão.

Os textos, retirados do Evangelho de Jesus Cristo segundo de João serão:

  1. Encontro com os primeiros discípulos – Jo 1,35-51
  2. Encontro com a mulher samaritana – Jo 4,1-42
  3. Encontro com o cego de nascença – Jo 9,1-41
  4. O Lava-pés – Jo 13,1-17

Para essas reflexões, vamos reproduzir os comentários aos textos do evangelho de “João” de autoria do teólogo espanhol José Antonio Pagola, publicados pela Editora Vozes na coleção “O caminho aberto por Jesus”. Esses comentários foram escritos com a finalidade de ajudar a entrar pelo caminho aberto por Jesus, centrando a nossa fé no seguimento de sua pessoa. Não vamos reproduzir o texto completo, mas apenas o que diz respeito ao nosso estudo, portanto, quando vocês encontram pontilhados, significa que há outros escritos entre os textos que apresentamos, na obra de Pagola.

Queremos que estes artigos sejam não apenas lidos, mas compreendidos profundamente para que a reflexão seja semente de transformação em nossas vidas. Dessa forma, vamos trabalhar como um “CURSO RELÂMPAGO”, isto é, um curso de cinco aulas, além desta introdução, que ao final dará aos inscritos um certificado de participação, emitido pela Editora Vozes. Read More …

Posted by: | Posted on: abril 12, 2012

A MISSÃO DA COMUNIDADE

“A paz esteja com vocês!” João 20,19-31

Texto extraído do livro “Raio-X da Vida – Círculos Bíblicos do Evangelho de João“. Coleção a Palavra na Vida 147/148. Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino.  CEBI Publicações.

OLHAR DE PERTO AS COISAS DA NOSSA VIDA

Vamos meditar sobre a aparição de Jesus aos discípulos e a missão que eles receberam. Eles estavam reunidos com as portas fechadas porque tinham medo dos judeus. De repente, Jesus se coloca no meio deles e diz: “A paz esteja com vocês!” Depois de mostrar as mãos e o lado, ele disse novamente: “A paz esteja com vocês! Como o Pai me enviou, eu envio vocês!” Em seguida, lhes dá o Espírito para que possam perdoar e reconciliar. A paz! Reconciliar e construir a paz! Esta é a missão que recebem. Hoje, o que mais faz falta é a paz: refazer os pedaços da vida, reconstruir as relações quebradas entre as pessoas. Relações quebradas por causa da injustiça e por tantos outros motivos. Jesus insiste na paz. Repete várias vezes! As pessoas que lutam pela paz são declaradas felizes e são chamadas filhos e filhas de Deus (Mt 5,9).

SITUANDO

Na conclusão do capítulo 20 (Jo 20,30-31), o autor diz que Jesus fez “muitos outros sinais que não estão neste livro. Estes, porém, foram escritos (a saber os sete sinais relatados nos capítulos 2 a 11) para que vocês possam crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, acreditando, ter a vida no nome dele” (Jo 20,31). Isto significa que, inicialmente, esta conclusão era o final do Livro dos Sinais. Mais tarde, foi acrescentado o Livro da Glorificação que descreve a hora de Jesus, a sua morte e ressurreição. Assim, o que era o final do Livro dos Sinais passou a ser conclusão também do Livro da Glorificação.

COMENTANDO

João 20,19-20: A experiência da ressurreição

Jesus se faz presente na comunidade. As portas fechadas não podem impedir que ele esteja no meio dos que nele acreditam. Até hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo com todas as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus é e será sempre: “A paz esteja com vocês!” Ele mostrou os sinais da paixão nas mãos e no lado. O ressuscitado é crucificado! O Jesus que está conosco na comunidade não é um Jesus glorioso que não tem mais nada em comum com a vida da gente. Mas é o mesmo Jesus que viveu na terra, e traz as marcas da sua paixão. As marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo, na fome, nas marcas de tortura, de injustiça. É nas pessoas que reagem, lutam pela vida e não se deixam abater que Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós.

João 20,21: O envio: “Como o Pai me enviou, eu envio vocês”

É deste Jesus, ao mesmo tempo crucificado e ressuscitado, que recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai. E ele repete: “A paz esteja com vocês!” Esta dupla repetição acentua a importância da paz. Construir a paz faz parte da missão. Paz significa muito mais do que só a ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo todas o necessário para viver, convivendo felizes e em paz. Esta foi a missão de Jesus, e é também a nossa missão. Numa palavra, é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

João 20,22: Jesus comunica o dom do Espírito

Jesus soprou e disse: “Recebei o Espírito Santo”. É só mesmo com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos dá. Para as comunidades do Discípulo Amado, Páscoa (ressurreição) e Pentecostes (efusão do Espírito) são a mesma coisa. Tudo acontece no mesmo momento.

João 20,23: Jesus comunica o poder de perdoar os pecados

O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam: “Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados e aqueles a quem retiverdes serão retidos!” Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23; Mt 18,18). No evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19). Aqui se percebe a enorme responsabilidade da comunidade. O texto deixa claro que uma comunidade sem perdão nem reconciliação já não é comunidade cristã.

João 20,24-25: A dúvida de Tomé

Tomé, um dos doze, não estava presente. E ele não crê no testemunho dos outros. Tomé é exigente: quer colocar o dedo nas feridas da mão e do pé de Jesus. Quer ver para poder crer! Não é que ele queria ver milagre para poder crer. Não! Tomé queria ver os sinais das mãos e no lado. Ele não crê num Jesus glorioso, desligado do Jesus humano que sofreu na cruz. Sinal de que havia pessoas que não aceitavam a encarnação (2Jo 7; 1Jo 4,2-3; 2,22). A dúvida de Tomé também deixa transparecer como era difícil crer na ressurreição.

João 20, 26-29: Felizes os que não viram e creram

O texto começa dizendo: “Uma semana depois”. Tomé foi capaz de sustentar sua opinião durante uma semana inteira. Cabeçudo mesmo! Graças a Deus, para nós! Novamente, durante a reunião da comunidade, eles têm uma experiência profunda da presença de Jesus ressuscitado no meio deles. E novamente recebem a missão de paz: “A paz esteja com vocês!” O que chama a atenção é a bondade de Jesus. Ele não critica nem xinga a incredulidade de Tomé, mas aceita o desafio e diz: “Tomé, venha cá colocar seu dedo nas feridas!”  Jesus confirma a convicção de Tomé, que era a convicção de fé das comunidades do Discípulo Amado, a saber: o ressuscitado glorioso é o crucificado torturado! É neste Cristo que Tomé acredita, e nós também! Como ele digamos: “Meu Senhor e meu Deus!” Esta entrega de Tomé é a atitude ideal da fé. E Jesus completa com a mensagem final: “Você acreditou porque viu! Felizes os que não viram e no entanto creram!” Com esta frase, Jesus declara felizes a todos nós que estamos nesta condição: sem termos visto acreditamos que o Jesus que está no nosso meio é o mesmo que morreu crucificado!

João 20,30-31: Objetivo do evangelho: levar a crer para ter vida

Assim termina o Evangelho, lembrando que a preocupação maior de João é a Vida. É o que Jesus diz: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

ALARGANDO

Shalom: a construção da paz  

O primeiro encontro entre Jesus ressuscitado e seus discípulos é marcado pela saudação feita por ele: “A paz esteja com vocês!” Por duas vezes Jesus deseja a paz a seus amigos. Esta saudação é muito comum entre os judeus e na Bíblia. Ela aparece quando surge um mensageiro da parte de Deus (Jz 6,23; Tb 12,17). Logo em seguida, Jesus os envia em missão, soprando sobre eles o Espírito. Paz, Missão e Espírito” Os três estão juntos. Afinal, construir a paz é a missão dos discípulos e das discípulas de Jesus (Mt 10,13; Lc 10,5). O Reino de Deus, pregado e realizado por Jesus e continuado pelas comunidades animadas pelo Espírito, manifesta-se na paz (Lc 1,79; 2,14). O Evangelho de João mostra que a paz, para ser verdadeira, deve ser a paz trazida por Jesus (Jo 14,27). Uma paz diferente da paz construída pelo império romano.

Paz na Bíblia (em hebraico é shalom) é uma palavra muito rica, significando uma série de atitudes e desejos do ser humano. Paz significa integridade da pessoa diante de Deus e dos outros. Significa também uma vida plena, feliz, abundante (Jo 10,10). A paz é sinal da presença de Deus, porque o nosso Deus é um “Deus da paz” (Jz 6,24; Rm 15,33). Por isso mesmo, a proposta da paz trazida por Jesus também é sinal de “espada” (Mt 10,34), ou seja, as perseguições para as comunidades. O próprio Jesus faz este alerta sobre as tribulações promovidas pelo império tentando matar a paz de Deus (Jo 16,33). É preciso confiar, lutar, trabalhar, perseverar no Espírito para que um dia a paz de Deus triunfe. Neste dia “amor e verdade se encontram, justiça e paz se abraçam” (Sl 85,11). Então, como ensina Paulo, o “Reino será justiça, paz e alegria como fruto do Espírito Santo” (Rm 14,17) e “Deus será tudo em todos” (1Cor 15,28).

Fonte: CEBI – www.cebi.org.br

Posted by: | Posted on: março 11, 2012

UMA FAXINA NA CASA DE DEUS

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JESUS É O NOVO TEMPLO

João 2,13-25

  

Texto extraído do livro “Raio-X da Vida – Círculos Bíblicos do Evangelho de João” – Autores: Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino. Publicação do CEBI – A Palavra na Vida 147/148. 

SITUANDO

O início da atividade de Jesus foi apresentado dentro do esquema de uma semana. Agora, ao iniciar a descrição dos sinais que acontecem no sábado prolongado, o Quarto Evangelho adota o esquema das festas. Sábado é festa! Todos os sinais relatados por João estão relacionados, de uma ou de outra maneira, com festas importantes da vida do povo: casamento (Jo 2,1), Páscoa (Jo 2,13; 6,4; 11,55; 12,12; 13,1); Tendas (Jo 7,2.37); Pentecostes (Jo 5,1), Dedicação do Templo (Jo 10,22).

Os Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas colocam a expulsão do templo no fim da atividade de Jesus, pouco antes da sua prisão, como um dos motivos que levaram as autoridades a prender e matar Jesus. O Evangelho de João coloca o mesmo episódio no começo da atividade de Jesus. É para que as comunidades entendam que a nova imagem de Deus, revelada por Jesus, não está mais no antigo templo de Jerusalém, mas sim no novo templo que é Jesus. Não se pode colocar remendo novo em pano velho (Mc 2,21).

COMENTANDO  

João 2,13-14: Na festa da Páscoa, Jesus vai ao Templo para encontrar o Pai, e encontra o comércio

Os outros evangelhos relatam apenas uma única visita de Jesus a Jerusalém durante  a sua vida pública, aquela em que ele foi preso e morto. O Evangelho de João traz informações mais exatas. Ele diz que Jesus ia a Jerusalém nas grandes festas. Ir a Jerusalém significa ir ao Templo para encontrar-se com Deus. No casamento em Caná apareceu o contraste entre o vazio do Antigo Testamento e a abundância do Novo. Aqui vai aparecer o contraste entre o antigo templo, que virou casa de comércio, e o novo templo que é Jesus.

João 2,15-16: Jesus faz uma faxina no templo

No templo havia o comércio de animais para os sacrifícios e havia as mesas dos cambistas, onde o povo podia adquirir a moeda do imposto do templo. Vendo tudo isto, Jesus faz um chicote de cordas e expulsa do templo os vendedores com seus animais. Derruba as mesas dos cambistas, joga o dinheiro no chão e diz aos vendedores de pombas: “Tirem essas coisas daqui! Não façam da casa do meu Pai uma casa de comércio!” O gesto e as palavras de Jesus lembram várias profecias: a casa de Deus não pode ser transformada em covil de ladrões (Jr 7,11); no futuro não haverá mais vendedor na casa de Deus (Zc 14,21); a casa de Deus deve ser uma casa de oração para todos os povos (Is 56,7).

João 2,17: Os discípulos procuram entender o gesto de Jesus

Vendo o gesto de Jesus, os discípulos foram lembrando outras frases e fatos do Antigo Testamento: o salmo que diz: “O zelo de tua casa me devora” (Sl 69,10), e o profeta Elias que dizia: “Eu me consumo de zelo pela causa de Deus” (1Rs 19,9.14). Naquele tempo diziam: “A Bíblia se explica pela Bíblia”. Ou seja, só Deus consegue explicar o sentido da Palavra de Deus. Por isso, se os gestos de Jesus são Palavras de Deus, então devem ser iluminados e interpretados a partir da Palavra de Deus presente na Escritura. Isto ajuda a atualizar o significado das coisas que Jesus fez e falou, e a manter viva a sua presença no meio de nós. Aqui se percebe como é importante o mutirão de memória para lembrar outros textos da Bíblia.

João 2,18-20: Diálogo entre Jesus e os judeus

Tocando no templo, Jesus tocou no fundamento da religião do seu povo. Os judeus, isto é, os líderes, perceberam que ele tinha agido com muita autoridade. Por isso, pedem que apresente os documentos: “Que sinal você nos dá para agir desse jeito?” Jesus responde: “Podem destruir esse templo e em três dias eu o levantarei!” Jesus falava do templo do seu corpo, que seria destruído pelos judeus e em três dias seria totalmente renovado através da ressurreição. Os judeus tomaram as palavras de Jesus ao pé da letra e zombaram dele: “Levaram 46 anos para fazer este templo e você o levantará em três dias!” É como se dissessem com desprezo: “Vá enganar outro!” Sinal de que nada entenderam do gesto de Jesus, ou não quiseram entendê-lo!

João 2,21-22: Comentário do evangelista

Os discípulos também não entenderam o significado desta palavra de Jesus. Foi só depois da ressurreição que compreenderam que ele estava falando do templo do seu corpo. A compreensão das coisas de Deus só acontece aos poucos, em etapas. A expulsão dos comerciantes tinha ajudado a entender as profecias do Antigo Testamento. Agora, é a luz da ressurreição que ajuda a entender as palavras do próprio Jesus. Jesus ressuscitado é o novo templo, onde Deus se faz presente no meio da comunidade.

João 2,23-25: Comentário do evangelista sobre a fé imperfeita de algumas pessoas

Naqueles dias da festa da Páscoa, estando Jesus em Jerusalém, muita gente começou a crer nele por causa dos sinais que ele fazia. O evangelista comenta que a fé da maioria destas pessoas era superficial, só da boca para fora. Este breve comentário sobre a imperfeição da fé das pessoas deixa uma pergunta importante na cabeça da gente: “Então, como é que eu devo fazer para crescer na fé?” A resposta vai ser dada na conversa de Jesus com Nicodemos.

ALARGANDO  

Jesus e o templo  

Para os judeus no tempo de Jesus, o centro do mundo, o lugar onde  céu tocava na terra era o Santo dos Santos no templo de Jerusalém. Sendo o lugar central da religião, o culto no templo regulava a vida cotidiana de todos. O judeu piedoso, não importando o lugar em que morasse, deveria ir ao templo uma vez na vida. Mesmo no lugar mais distante, quando fazia suas orações a pessoa devia orientar seu corpo em direção a Jerusalém e ao templo. O templo era o lugar para onde convergiam as multidões de romeiros três vezes ao ano, por ocasião das grandes festas nacionais.

Sendo de família judia, Jesus segue a prática religiosa de sua gente. Por ser o primogênito de José e de Maria, ele foi apresentado a Deus no templo quando nasceu. Aos 12 anos fez o ritual de passagem para a vida adulta, lendo um trecho da Lei diante dos escribas do templo. Com seus familiares participava das romarias anuais por ocasião das festas. Durante sua vida pública, Jesus toma atitudes de verdadeiro profeta, denunciando os desvios do culto celebrado no templo. Seu gesto de expulsar do santuário os cambistas e os vendedores lembra as palavras de Miquéias (Mq 3,11-12), de Jeremias (Jr 26,1-18) e de Isaías (Is 66,1-4). Retomando as palavras de Oséias (Os 6,6), Jesus proclama a superioridade da misericórdia sobre os sacrifícios (Mt 12,7-8).

As primeiras comunidades dos seguidores e seguidoras de Jesus eram todas formadas por gente vinda do judaísmo da Palestina. No início, estas pessoas continuavam ligadas ao templo e frequentavam o santuário para rezar (At 2,46; 3,1). Mas, com o tempo, judeus helenistas e samaritanos entraram na comunidade. Estas pessoas não tinham uma ligação tão profunda com o templo de Jerusalém. Principalmente os samaritanos, que tinham seu próprio santuário no alto do monte Garizim (Jo 4,20). A presença destas pessoas fez com que as comunidades começassem a perceber que a prática libertadora de Jesus tornava inúteis os sacrifícios apresentados pelos sacerdotes do templo.

Depois do ano 70, com a destruição do templo, as comunidades releram as palavras de Jesus e concluíram que o templo de Jerusalém estava ultrapassado. A Glória de Deus não habitava mais naquele espaço! As comunidades do Discípulo Amado foram as que mais avançaram nesta reflexão. Elas concluíram que em Jesus, Palavra de Deus feita carne, reside a Glória de Deus (Jo 1,14). Jesus é o novo templo! O corpo de Jesus, ou seja, a sua realidade humana, é o local em que habita a plenitude da Divindade (Jo 2,21-22). Deus não se prende a nenhum santuário, nem o de Jerusalém nem o do monte Garizim. O que o Pai quer são os verdadeiros adoradores, aquelas pessoas que manifestam Deus em suas vidas através do amor ao próximo. Estas são as que o adoram “em espírito e verdade” (Jo 4,23). O verdadeiro templo de Deus é a comunidade, onde as pessoas são todas sacerdotes e sacerdotisas, “as palavras vivas”, que continuamente oferecem a Deus o autêntico sacrifício espiritual (1Pd 2,4-5). Por isso mesmo, no Evangelho de João, a limpeza da casa de Deus acontece no início da vida pública de Jesus

Fonte: www.cebi.org.br

Posted by: | Posted on: fevereiro 9, 2012

MANTER VIVA A CONSCIÊNCIA DA MISSÃO! (MC 1, 40-45)

leprosoFrei Carlos Mesters e Mercedes Lopes

NÃO VOLTAR ATRÁS NO ANÚNCIO DA BOA NOVA – MANTER VIVA A CONSCIÊNCIA DA MISSÃO

Extraído do livro Caminhando com Jesus, de Carlos Mesters e Mercedes loLopes.

Nos versículos 16 a 45 do primeiro capítulo, Marcos descreve o objetivo da Boa Nova e a missão da comunidade, apresentando oito critérios para as comunidades do seu tempo poderem avaliar a sua missão. Tanto nos anos 70, época em que Marcos escreveu, como hoje, época em que nós vivemos, era e continua sendo importante ter diante de nós modelos de como viver e anunciar o Evangelho e de como avaliar a nossa missão.

COMENTANDO

Mc 1, 40-42: Acolhendo e curando o leproso, Jesus revela um novo rosto de Deus

Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído. Devia viver afastado. Quem tocasse nele ficava impuro também! Mas aquele leproso teve muita coragem. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. Ele diz: “Se queres, podes curar-me!” Ou seja: “Não precisa tocar-me! Basta o senhor querer para eu ficar curado!” A frase revela duas doenças: 1) a doença da lepra que o tornava impuro; 2) a doença da solidão a que era condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas doenças. Primeiro, para curar a solidão, toca no leproso. É como se dissesse: “Para mim, você não é um excluído. Eu o acolho como irmão!” Em seguida, cura a lepra dizendo: “Quero! Seja curado!” O leproso, para poder entrar em contato com Jesus, tinha transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e, assim, revelar um rosto novo de Deus, transgride as normas da sua religião e toca no leproso. Naquele tempo, quem tocava num leproso tornava-se um impuro perante as autoridades religiosas e perante a lei da época.

Mc 1, 43-44: Reintegrar os excluídos na convivência fraterna

Jesus não só cura, mas também quer que a pessoa curada possa conviver. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para um leproso ser novamente acolhido na comunidade, ele precisava ter um atestado de cura assinado por um sacerdote. É como hoje. O doente só sai do hospital com o documento assinado pelo médico de plantão. Jesus obrigou o fulano a buscar o documento, para que ele pudesse conviver normalmente. Obrigou as autoridades a reconhecer que o homem tinha sido curado.

Mc 1, 45: O leproso anuncia o bem que Jesus fez e ele e Jesus se tornam excluídos

Jesus tinha proibido o leproso de falar sobre a cura. Mas não adiantou. O leproso, assim que partiu, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Permanecia fora, em lugares desertos. Por quê? É que Jesus tinha tocado no leproso. Por isso, na opinião da religião daquele tempo, agora ele mesmo era um impuro e devia viver afastado de todos. Já não podia entrar nas cidades. Mas Marcos mostra que o povo pouco se importava com estas normas oficiais, pois de toda a parte vinham a ele! Subversão total!

O duplo recado que Marcos dá às comunidades do seu tempo e a todos nós e este: 1) anunciar a Boa Nova é dar testemunho da experiência concreta que se tem de Jesus. O leproso, o que ele anuncia? Ele conta aos outros o bem que Jesus lhe fez. Só isso! Tudo isso! E é este testemunho que leva os outros a aceitar a Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe. 2) Para levar a Boa Nova de Deus ao povo, não se deve ter medo de transgredir normas religiosas que são contrárias ao projeto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Mesmo que isso traga dificuldades para a gente, como trouxe para Jesus.

ALARGANDO

O Anúncio da Boa Nova de Deus feito por Jesus

A prisão de João fez Jesus voltar e iniciar o anúncio da Boa Nova. Foi um início explosivo e criativo! Jesus percorre a Galiléia toda: as aldeias, os povoados, as cidades (Mc 1,39). Visita as comunidades. Ele muda de residência, e vai morar em Cafarnaum (Mc 1,21; 2,1), cidade que fica no entroncamento de estradas, o que facilita a divulgação da mensagem. Ele quase não pára. Está sempre andando. Os discípulos e as discípulas com ele, por todo canto. Na praia, na estrada, na montanha, no deserto, no barco, nas sinagogas, nas casas. Muito entusiasmo!

Jesus ajuda o povo prestando serviço de muitas maneiras: expulsa maus espíritos (Mc 1,39), cura os doentes e os maltratados (Mc 1,34), purifica quem está excluído por causa da impureza (Mc 1,40-45), acolhe os marginalizados e confraterniza com eles (Mc 2,15). Anuncia, chama e convoca. Atrai, consola e ajuda. É uma paixão que se revela. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado da sua terra. Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus. Em qualquer lugar.

Em Jesus, tudo é revelação daquilo que o anima por dentro! Ele não só anuncia a Boa Nova do Reino. Ele mesmo é uma amostra, um testemunho vivo do Reino de Deus. Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. Pelo seu jeito de conviver e de agir, Jesus revelava o que Deus tinha em mente quando chamou o povo no tempo de Abraão e de Moisés. Jesus desenterrou uma saudade e transformou-a em esperança! De repente, ficou claro para o povo: “Era isso que Deus queria quando nos chamou para ser o seu povo!

Este foi o começo do anúncio da Boa Nova do Reino que se divulgada rapidamente pelas aldeias da Galiléia. Começou pequena como uma semente, mas foi crescendo até tornar-se árvores grande, onde o povo todo procurava um abrigo (Mc 4,31-32). O próprio povo se encarregava de divulgar a notícia.

O povo da Galiléia ficava impressionado com o jeito que Jesus tinha de ensinar. “Um novo ensinamento! Dado com autoridade! Diferente dos escribas!” (Mc 1,22.27). Ensinar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). Por mais de 15 vezes o Evangelho de Marcos diz que Jesus ensinava. Mas Marcos quase nunca diz o que ele ensinava. Será que não se interessava pelo conteúdo? Depende do que a gente entende por conteúdo! Ensinar não é só uma questão de ensinar verdades novas para o povo decorar. O conteúdo que Jesus tem para dar transparece não só nas palavras, mas também nos gestos e no próprio jeito de ele se relacionar com as pessoas. O conteúdo nunca está desligado da pessoa que o comunica. Jesus era uma pessoa acolhedora (Mc 6,34). Queria bem ao povo. A bondade e o amor que transparecem nas suas palavras fazem parte do conteúdo. São o seu tempero. Conteúdo bom sem bondade é como leite derramado.

Marcos define o conteúdo do ensinamento de Jesus como “Boa Nova de Deus” (Mc 1,14). A Boa Nova que Jesus proclama vem de Deus e revela algo sobre Deus. Em tudo que Jesus diz e faz, transparecem os traços do rosto de Deus. Transparece a experiência que ele mesmo tem de Deus como Pai. Revelar Deus como Pai é fonte, o conteúdo eo destino da Boa Nova de Jesus.

Fonte: CEBI – www.cebi.org.br