Convicção de fé

A fé, no Reino divino, é um dom de Deus. É recebida pelo batismo, como uma semente. Mas tem que ser regada, assumida com maturidade e equilíbrio. Muitas de suas manifestações revelam desequilíbrios. Até o fato de a pessoa querer ser diferente das outras, na comunidade cristã, onde ela (a fé) deve ser colocada em prática, “cheira” atitude estranha, que não passa de falta de equilíbrio.

Identifica-se claramente, nos últimos tempos, uma forte contradição relacionada com a fé: de um lado, o indiferentismo em relação à vida cristã; de outro, as manifestações de religiosidade sensacionalista, com pouco, ou nada, de comprometimento com as realidades concretas da vida da sociedade. Não adianta dizer ter fé se não tem obras, não há esforço para construir uma vida de liberdade.

Quem teve oportunidade de uma boa formação sobre a fé, tem mais facilidade para enfrentar os caminhos difíceis na vida. Seus atos devem ser autênticos, justos e honestos. Sua base de ação está mais fundamentada na Palavra de Deus. Fica indignado diante da corrupção, da violência e da falta de paz. Mas também acredita no caminho do diálogo, do respeito e da misericórdia. Continue lendo

O país e seu povo

A palavra bíblica fala do antigo povo de Deus, ou povo da Aliança. Povo identificado pela sua ligação com a terra, tanto como nômade, como também de forma estável e em determinado lugar. Em todos os momentos da história, mesmo com toda mobilização humana, temos o povo e o seu Estado, onde acontecem as relações sociais, os laços jurídicos, as personalidades físicas e jurídicas.

O povo de Deus passou por momentos muito difíceis na sua história. Teve que enfrentar a imposição das autoridades, exílio e morte. O espírito de desumanidade, de desrespeito, de injustiça e desmandos acompanha as práticas das pessoas. A luta pela libertação também sempre fez parte da vida dos mais sofridos. A opressão sobre os fragilizados causa reação para conquista de direitos.

O Brasil é uma Nação de dimensões privilegiadas, mas com muitos desafios. Tem um território de oito milhões e quinhentos e dezoito quilômetros quadrados, com uma população que ultrapassa os duzentos milhões de habitantes. Portanto, é um grande país, que apresenta incalculáveis desafios. Sua riqueza, natural e humana, inveja qualquer outra Nação no mundo de “meu Deus”. Continue lendo

Unidade na Trindade

Santíssima Trindade – Claudio Pastro

Estamos completando o ciclo da Páscoa, celebrando a Festa da Santíssima Trindade, sintetizada na proclamação do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Terminando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, olhamos para o Brasil, uma grande Nação, privilegiado pelas riquezas que tem, mas fragilizado pelo egoísmo e o individualismo de seu povo. Rico de diversidade, mas pobre na prática do bem comum.

No Antigo Testamento, o Povo de Deus, no auge do caminho pelo deserto, marcado por muito sofrimento, perdeu sua fidelidade a Javé. Acabou construindo para si um “bezerro de ouro”, caindo na idolatria, por falta de um guia que o pudesse orientar. A autenticidade de Moisés, com autoridade divina, conseguiu dar rumo certo para os transeuntes, na direção da Terra Prometida. Continue lendo

Igreja Comunidade

As coisas não acontecem por acaso. Há os motivos que veem de longe, os médios e os imediatos. Assim aconteceu com a Igreja, fundada por Jesus Cristo, mas preparada, pelo Pai, desde toda eternidade, percorrendo o Antigo Testamento, e sendo fortemente sinalizada através das palavras dos profetas. Jesus organizou um grupo, os apóstolos e discípulos, e lhes enviou o Espírito Santo.

A Festa de Pentecostes destaca a diversidade das línguas e a unidade do Espírito. Foi uma explosão, como se fosse uma bomba de “ação terrorista”, ou também como o despejar de delação premiada da JBS. A sensibilidade foi sentida de imediato, fazendo com que os apóstolos se transformassem em verdadeiros anunciadores da Boa Nova, agora instalada no meio do povo, reunido em Jerusalém.

O Espírito Santo abre as mentes fechadas em si mesmas, e egoístas. O Brasil necessita de um novo Pentecostes, porque está vivendo numa “confusão babilônica”. A ideia é de “Torre de Babel”, num país que se diz cristão, mas que não consegue viver a dimensão dos ensinamentos de Jesus Cristo. Falta, sim, abertura de nossas lideranças políticas e econômicas para o caminho do Espírito Santo. Continue lendo

Comunicação social

Na Festa da Ascensão do Senhor, a Igreja procura valorizar a comunicação social no sentido de elevar os relacionamentos entre as pessoas. A volta de Jesus Cristo ao Pai dá dimensão de eternidade para a convivência comunitária. A presença do Espírito Santo, nas pessoas de fé, eleva o nível de responsabilidade nas tratativas com seus pares, com os diferentes e com o mundo das coisas criadas.

A presença de Jesus Cristo no mundo fez realizar a comunicação da Palavra de Deus. “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus” (Jo 1,1). Essa Palavra continua sendo transmitida por vários meios, porque a missão de Cristo não terminou com sua volta ao Pai. Ele disse aos apóstolos: “Ide fazer discípulos pelo mundo todo” (Mt 20,19). Continue lendo

Sopro da Sabedoria

Continuando no clima da Páscoa, indo na direção da Festa de Pentecostes, as pessoas se preparam para reviver o momento em que a Comunidade Primitiva recebeu o sopro do Espírito Santo, sopro da Sabedoria divina. Conforme a Palavra bíblica, voltando à casa do Pai, Jesus realiza o que havia prometido, pois Ele envia “o Defensor, o Espírito Santo” (Jo 14,26) sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo.

Esse “sopro” do Espírito fez com que a Igreja se expandisse pelas regiões da Palestina, chegando até nossos tempos e por todas as regiões do mundo. É o Espírito da unidade, mesmo sabendo que a sociedade é constituída pela rica diversidade de muitos dons, de carismas, ministérios e serviços. Viver a dimensão do Espírito Santo é ter abertura para construir comunidades fraternas e solidárias. Continue lendo

Comunidade de fé

A fé em Jesus Cristo é um dom que vem de Deus. Ela consegue aglutinar as pessoas para a realização de determinadas tarefas comuns. Entendemos que Deus age na vida da comunidade e de cada pessoa, individualmente. Foi o que aconteceu nos primeiros tempos da Igreja, com a motivação “provocada” pela certeza, que os cristãos passaram a ter, na comprovação da ressurreição de Jesus.

 Hoje falamos de “comunidade de comunidades”, a base de formação de uma nova paróquia. Com a evolução dos tempos e a motivação forte do individualismo, as comunidades cristãs ficaram enfraquecidas e perderam muito de sua identidade. O espírito de fraternidade caiu em decadência, a ponto de valorizar a frase “um para si e Deus para todos”. Com isto, todos perdem.

Mesmo na diversidade da cultura moderna, a fé continua sendo um forte ponto de convergência para favorecer a formação de comunidades vivas e atuantes. Temos, sim, comunidades onde acontecem partilhas, principalmente com determinadas campanhas, porque o povo é muito solidário, mas sem o contexto bonito da realidade de fé e da prática cristã, que une por causa de Cristo. Continue lendo

Ação do pastor

Ao falar sobre a palavra “pastor”, pensa-se também em rebanho e ovelhas. A bíblia fala do “Bom Pastor”, referindo-se a Jesus Cristo, aquele que deu a própria vida pelo bem das ovelhas, isto é, do povo que o rodeava e pela dignidade de todas as pessoas, em todos os tempos e lugares. Para nós hoje, pastor é aquele que anuncia a Palavra de Deus e mostra o conteúdo da mensagem de Jesus Cristo.

O pastor cuida e defende as ovelhas que lhe são confiadas, porque quer o bem para todas elas. E faz parte essencial de sua responsabilidade, quando as ovelhas são pessoas humanas, criar condições para que elas vivam com dignidade e respeito. Nunca pode permitir que elas tenham vida de escravos, principalmente se o poder de decisão está concentrado em suas mãos. Continue lendo

O vai e vem

Passado o sepultamento de Jesus, dois de seus discípulos saíram de Jerusalém indo em direção a Emaús. Pelo caminho foram surpreendidos com a presença de um transeunte. Jesus caminha com eles e os incita a refletir sobre o que havia acontecido, mas não se deram conta de que o companheiro era o próprio Cristo, que só foi reconhecido em Emaús, no momento da partilha, no jantar.

A parábola dos discípulos de Emaús retrata a insatisfação dos dois, que caminham onze quilômetros. Quando reconheceram a presença de Jesus, ressuscitado, voltaram para Jerusalém com novas forças para anunciar aos outros discípulos a alegria pelo que tinha acontecido. Esses fatos, vivenciados e contados pelos apóstolos, abrem caminho para uma nova dimensão no plano da Salvação. Continue lendo