Gratuidade do amor

Amar de verdade não é fácil, porque significa comprometer-se. Podemos citar o caso de duas pessoas que se dizem realmente amar independentemente das situações e problemas que possam aparecer. Mas é um tema muito discutido entre pessoas que tiveram experiências negativas na convivência. No início o amor era tudo, mas que caiu no esvaziamento. Era realmente amor?

Em seus ensinamentos, Jesus diz que o verdadeiro amor significa doação, serviço ao próximo, despojamento de todos os interesses individualistas e prática do que não favorece o outro. O ideal do amor como gratuidade é lindo, mas entra em confronto com a cultura do capitalismo e da violência. Quem ama preserva a vida em todas as suas dimensões e a vê como dom de Deus. Continue lendo

Vida digna

D. PAULO MENDESVida digna é o que todas as pessoas buscam, mas exige vivenciar os princípios da lei moral. Como isso não está acontecendo, as pessoas estão se agredindo e causando mortes violentas em muitos lugares do Brasil. Os nossos olhos se voltam para as penitenciárias, para a precariedade no sistema penitencial e para as realidades violentas nas ruas, como é o caso dos fatos acontecidos no Espírito Santo.

As bases da situação, de quase “convulsão social” no Brasil, estão assentadas no formato seguido pela administração pública, de nunca resolver a questão penitenciária. Há uma conivência, ou pelo menos, um ostracismo diante do crime organizado, que forma hoje um governo paralelo, afrontando as instituições e aos cidadãos em geral. Corrobora com isso o alto índice de desemprego. Continue lendo

Bem-aventurados

BEM-AVENTURADOSO estilo de vida das pessoas define que tipo de identidade elas têm. Isto se torna um mistério quando olhamos para os critérios propostos por Deus, contidos nas palavras de Jesus Cristo no Evangelho. Ele chama de bem-aventurados todos os que se apresentam revestidos de santidade. Os mais pobres e sofredores se identificam, com mais facilidade, com esta realidade.

O itinerário do bem-aventurado está na prática do bem. A felicidade não depende apenas de ter “bem-estar” individual, mas em construir um mundo mais humano e na comunhão. Essa prática supõe vida centrada em Deus, a fonte da verdadeira felicidade. Supõe renúncia da autossuficiência pessoal e vaidades superficiais diante da grandeza do estado de vida sobrenatural. Continue lendo

Escolhas de Deus

jesus-eo-mundoSob a ação da fé, na ação divina, e baseados nas Palavras da Escritura Sagrada, podemos dizer que Deus faz escolhas entre as pessoas. Mas na preferência estão os pequeninos, os fracos, para confundir os poderosos da sociedade. As oito pessoas mais ricas do mundo, conforme o anunciado pela imprensa nestes dias, não conseguem entender essa forma própria do agir de Deus.

A felicidade não está no ter e nem no poder, porque a vida de todos passa, também a (vida) das pessoas mais ricas e poderosas. Talvez a maior riqueza esteja em quem não tem nada, a não ser a vida. Quem não tem excesso de bens materiais, tem maior facilidade para construir uma fraternidade comunitária. Tem mais abertura para o encontro com as pessoas das mesmas condições.

É fundamental viver centrado em Deus. Ele é o poder e a riqueza, e não nos confunde. Através da apresentação das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12), Jesus diz que quem as observa é bendito do Pai. Supõe desapego dos bens do mundo, que é um desafio, mas ajuda na partilha com os outros e o coração fica sem amarras. Onde há partilha, existe lugar para todos, porque há inclusão. Continue lendo

Esforço contínuo

Essa expressão, “esforço contínuo”, faz parte da trajetória de vida de todas as pessoas. Podemos dizer que ela tem diversas dimensões, começando pela luta por uma vida pessoal feliz e com longevidade. Por isso, lutamos contra todo tipo de doença e contra aquilo que fere nossa dignidade e modo de viver. Ao lado da vida, procuramos também defender uma dimensão de fé e espiritualidade.

Para o cristão, não importando o tipo de trajeto feito, existe sempre o esforço de seguimento do caminho proposto por Jesus Cristo. Não é fácil renunciar propostas secularizadas para seguir àquelas anunciadas pelo Evangelho, que supõem “deixar tudo” para seguir o Mestre. É uma questão de discernimento e de defesa de uma fé comprometida com as realidades da dignidade da vida. Continue lendo

Espírito de Deus

Não é fácil ter o espírito de Deus. A possibilidade acontece a partir da vinda de Jesus Cristo. Foi Ele quem nos aproximou dessa realidade, porque n’Ele o divino se tornou humano. Suas palavras e prática revelam a grandeza da vida divina dentro do contexto humano. É fundamental o correto uso da liberdade, para fazer boas escolhas e ter uma vida de acordo com as palavras do Evangelho.

A liberdade das pessoas sofre as consequências do mal e das injustiças que querem dominar o agir humano. Não basta crer em Jesus Cristo para se ter afinidade com o espírito de Deus, nem violar as normas divinas e agir contra os princípios cristãos, mas é preciso seguir seus passos e lutar sempre para que o mundo se liberte do mal que o desfigura a todo instante, ferindo sua identidade. Continue lendo

A transparência

Passaram-se as festas natalinas e também a mudança de ano. Agora o menino de Nazaré começa a ser conhecido pelo povo. São tempos novos e revigorados com a esperança de um ano de vitórias. Jesus mesmo vai se manifestando, revelando a identidade e missão da presença de Deus no mundo. A esse fato chamamos de “Epifania”, ou manifestação, quando Deus sai da obscuridade.

A luz da eternidade brilhou nas trevas do erro e tirou das incertezas o mundo das maldades e incoerências humanas. Mas ela existe para quem quer enxergar e agir com transparência. Não basta brilhar a estrela se os olhos não estão dispostos a segui-la. Jesus nasceu como a estrela que brilha para todas as pessoas de boa vontade e sensíveis às coisas autênticas e corretas. Continue lendo

E dois mil e dezessete?

Começamos um novo ano, certamente não diferente de 2016. As perspectivas estão muito nebulosas, confusas e com poucas esperanças. O terrorismo, a ganância e o individualismo se alastram de maneira muito assustadora. Perdemos a confiança nas pessoas, principalmente nas lideranças que deveriam sustentar a estabilidade dos cidadãos. Como disse alguém: “Só Deus, só Nele confiar!”.

Mesmo em meio a atos de injustiça, que têm raízes em todos os setores da vida brasileira, o ano deve começar com as bençãos de Deus. Nas palavras do papa Francisco, para quem faz o processo da reconciliação e da superação das fraquezas, a misericórdia divina supera as misérias humanas. Não há limites no amor de Deus, porque faz parte de seu plano, a salvação de todos. Continue lendo

Natal do Senhor

Com o nascimento de Jesus, Deus, até então invisível, torna-se visível em sua pessoa. Jesus já existia desde a eternidade, antes mesmo de o mundo ser criado. Sua vinda realiza a fala, a palavra e o projeto de Deus, mas de forma simples, frágil e pobre, diferente dos ricos e poderosos de seu tempo. É reconhecido como Salvador dos pobres pastores que O encontraram numa manjedoura.

No passado a Palavra era anunciada pelos profetas, como antecipação da expressão viva da Palavra de Deus, que é Jesus Cristo. Jesus é a fala do Pai, e Deus fala Nele. Ele é o Filho, que fez dos cristãos, filhos, nascidos de Deus, livres de qualquer escravidão e habilitados para a cultura da esperança. Significa que o encontro com Ele revigora as forças fragilizadas pelo mundo secularizado. Continue lendo