Comunicação social

Na Festa da Ascensão do Senhor, a Igreja procura valorizar a comunicação social no sentido de elevar os relacionamentos entre as pessoas. A volta de Jesus Cristo ao Pai dá dimensão de eternidade para a convivência comunitária. A presença do Espírito Santo, nas pessoas de fé, eleva o nível de responsabilidade nas tratativas com seus pares, com os diferentes e com o mundo das coisas criadas.

A presença de Jesus Cristo no mundo fez realizar a comunicação da Palavra de Deus. “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus” (Jo 1,1). Essa Palavra continua sendo transmitida por vários meios, porque a missão de Cristo não terminou com sua volta ao Pai. Ele disse aos apóstolos: “Ide fazer discípulos pelo mundo todo” (Mt 20,19). Continue lendo

Sopro da Sabedoria

Continuando no clima da Páscoa, indo na direção da Festa de Pentecostes, as pessoas se preparam para reviver o momento em que a Comunidade Primitiva recebeu o sopro do Espírito Santo, sopro da Sabedoria divina. Conforme a Palavra bíblica, voltando à casa do Pai, Jesus realiza o que havia prometido, pois Ele envia “o Defensor, o Espírito Santo” (Jo 14,26) sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo.

Esse “sopro” do Espírito fez com que a Igreja se expandisse pelas regiões da Palestina, chegando até nossos tempos e por todas as regiões do mundo. É o Espírito da unidade, mesmo sabendo que a sociedade é constituída pela rica diversidade de muitos dons, de carismas, ministérios e serviços. Viver a dimensão do Espírito Santo é ter abertura para construir comunidades fraternas e solidárias. Continue lendo

Comunidade de fé

A fé em Jesus Cristo é um dom que vem de Deus. Ela consegue aglutinar as pessoas para a realização de determinadas tarefas comuns. Entendemos que Deus age na vida da comunidade e de cada pessoa, individualmente. Foi o que aconteceu nos primeiros tempos da Igreja, com a motivação “provocada” pela certeza, que os cristãos passaram a ter, na comprovação da ressurreição de Jesus.

 Hoje falamos de “comunidade de comunidades”, a base de formação de uma nova paróquia. Com a evolução dos tempos e a motivação forte do individualismo, as comunidades cristãs ficaram enfraquecidas e perderam muito de sua identidade. O espírito de fraternidade caiu em decadência, a ponto de valorizar a frase “um para si e Deus para todos”. Com isto, todos perdem.

Mesmo na diversidade da cultura moderna, a fé continua sendo um forte ponto de convergência para favorecer a formação de comunidades vivas e atuantes. Temos, sim, comunidades onde acontecem partilhas, principalmente com determinadas campanhas, porque o povo é muito solidário, mas sem o contexto bonito da realidade de fé e da prática cristã, que une por causa de Cristo. Continue lendo

Ação do pastor

Ao falar sobre a palavra “pastor”, pensa-se também em rebanho e ovelhas. A bíblia fala do “Bom Pastor”, referindo-se a Jesus Cristo, aquele que deu a própria vida pelo bem das ovelhas, isto é, do povo que o rodeava e pela dignidade de todas as pessoas, em todos os tempos e lugares. Para nós hoje, pastor é aquele que anuncia a Palavra de Deus e mostra o conteúdo da mensagem de Jesus Cristo.

O pastor cuida e defende as ovelhas que lhe são confiadas, porque quer o bem para todas elas. E faz parte essencial de sua responsabilidade, quando as ovelhas são pessoas humanas, criar condições para que elas vivam com dignidade e respeito. Nunca pode permitir que elas tenham vida de escravos, principalmente se o poder de decisão está concentrado em suas mãos. Continue lendo

O vai e vem

Passado o sepultamento de Jesus, dois de seus discípulos saíram de Jerusalém indo em direção a Emaús. Pelo caminho foram surpreendidos com a presença de um transeunte. Jesus caminha com eles e os incita a refletir sobre o que havia acontecido, mas não se deram conta de que o companheiro era o próprio Cristo, que só foi reconhecido em Emaús, no momento da partilha, no jantar.

A parábola dos discípulos de Emaús retrata a insatisfação dos dois, que caminham onze quilômetros. Quando reconheceram a presença de Jesus, ressuscitado, voltaram para Jerusalém com novas forças para anunciar aos outros discípulos a alegria pelo que tinha acontecido. Esses fatos, vivenciados e contados pelos apóstolos, abrem caminho para uma nova dimensão no plano da Salvação. Continue lendo

Hora de renascer

A Páscoa significa renascimento, superação das realidades de pecado, de injustiça e de morte. A força de tudo isso vem da fé em Jesus Cristo, agora ressuscitado e vivo em nosso meio. É um fato firmado no contexto de mistério, só entendido por aqueles que conseguem ler na Palavra de Deus as promessas de libertação do povo oprimido e cansado na sua trajetória de vida.

As primeiras comunidades cristãs entenderam a proposta de Deus. Por causa disso, elas tinham tudo em comum, conseguindo partilhar os seus dons e valorizavam a vida de cada pessoa. Era a prática da honestidade e da partilha. Não havia entre eles ninguém que fosse explorador e de conduta escusa no destino dos bens. Com isto, reinava entre eles o verdadeiro espírito de fraternidade. Continue lendo

Novidade da Páscoa

Desde os inícios da constituição do Povo de Deus, Abraão foi visto como o pai da fé e da esperança em Javé. Em Jesus Cristo essa fé em Deus tem uma dimensão de novidade, porque é plenificada com o fato concreto da Ressurreição. Fé que se transforma em dom divino, e nela a esperança se renova sempre, imprimindo novo dinamismo na trajetória que fazemos na vida terrena.

A novidade da Páscoa é a Ressurreição de Jesus Cristo, fato histórico comprovado por testemunhas oculares, como os apóstolos e pessoas presentes naquele tempo. É constatação do cumprimento da aliança, como está relatado nas palavras bíblicas: “Estabeleço minha aliança entre mim e ti e teus descendentes para sempre, uma aliança eterna, para que eu seja Deus para ti e para os teus” (Gn 17,7).

A Páscoa, quando bem observada, faz com que as pessoas vivam de modo novo, sem interesses egoístas, e mais preocupadas com “as coisas do alto” (Col 3,1). Deve ser para nós uma festa de equilíbrio, de superação das violências e práticas que desarmonizam a identidade cristã das pessoas. É festa de novidade, de quem luta por justiça e pela construção da dignidade humana na sociedade. Continue lendo

Ramos nas mãos

Domingo-de-RamosA Semana Santa começa fazendo alusão aos ramos que as pessoas levam para as celebrações do domingo que a antecede. Simboliza a forma singela usada para acolher, na cidade de Jerusalém, Aquele que seria o alvo dos holofotes de toda a semana. Jesus entra na cidade, de forma triunfal, sendo acolhido com ramos, tapetes e gritos de “Hosana” pela grande multidão que O apreciava.

Começa ali um clima de amargura e sofrimento, provocado pelas autoridades de então. Por isso Jesus é chamado de “Servo sofredor”, porque Ele assumiu na carne as realidades da Paixão, que culminou com sua morte na cruz. Ele assumiu em Si o sofrimento do povo, principalmente dos pobres, dos indefesos e marginalizados de todos os tempos e lugares, maltratados por más administrações. Continue lendo

Exílio e liberdade

mao-estendidaSentimos que os contrários se tocam na nova cultura. Não é fácil encarar o que está acontecendo no Brasil, no meio de tantas situações, que criam insatisfação nos cidadãos, e certa “revolta” em relação às práticas daqueles que deveriam defender a liberdade das pessoas. Parece que vivemos totalmente exilados, com a liberdade ferida e cada vez mais pressionados e condenados à prisão.

O povo brasileiro não pode perder a esperança diante dos desafios atuais, porque isso desestimula a força de trabalho e de produtividade. Foi o que aconteceu com o povo hebreu quando exilado na Babilônia, que viveu longo tempo no “fundo do poço” e sem forças para agir. Sua saída dessa situação aconteceu quando conseguiu recuperar a liberdade até então perdida.

O dom do Espírito Santo é força de libertação, porque revigora o coração deprimido pelos condicionamentos sociais e econômicos. Quando Deus habita no coração das pessoas, as situações de desânimo e de morte temam outros rumos. Elas conseguem se refazer, se transformam, se fortalecem e passam a lutar pela construção de uma realidade de vida nova. Continue lendo