Importância da Palavra

Na 50ª Assembleia Geral da CNBB aprovamos um importante documento, da série azul, com o título ”Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja”. Isto aconteceu, tendo como base a nossa consciência de que a Sagrada Escritura é de grande utilidade para o desempenho da missão da Igreja no mundo.

Nos dizeres do Apóstolo Paulo, a Palavra de Deus ensina, argumenta, corrige e educa as pessoas na fé e na prática da justiça. Seguindo essas orientações, as pessoas ficam habilitadas para conduzir suas vidas no caminho do bem, capacitadas para produzir boas obras e construir uma sociedade mais justa e fraterna.

Iniciamos o texto do documento saudando todas as comunidades cristãs espalhadas pelo Brasil, àquelas que se reúnem em torno da Palavra de Deus e procuram colocá-la em prática no seu relacionamento comunitário. Na Palavra está a fonte da unidade, os indicativos da fraternidade e as condições para uma boa convivência.

Foram muitos os motivos para a publicação deste documento. Estamos completando 50 anos do Concílio Vaticano II, evento que trouxe uma riqueza incalculável para a Igreja nos novos tempos. Um de seus documentos foi a Dei Verbum, que tratou da importância da Palavra de Deus no contesto da inspiração divina.

O novo documento leva em conta a Carta Pós-Sinodal do Papa Bento XVI, com o título “Verbum Domini”, publicada recentemente. Nela é feito quase que uma releitura da Dei Verbum, colocando a Palavra dentro das perspectivas da nova cultura. Ela reflete “Sobre a Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja”.

Precisamos hoje, dentro do barulho dos novos tempos, ouvir a voz da Palavra, descobrindo nela seu rosto, que é o próprio Jesus, Aquele que nos apresenta um caminho a seguir. A Igreja é a Casa da Palavra, aquela que tem a responsabilidade de ser sua anunciadora, usando todos os instrumentos possíveis de comunicação.

A Palavra de Deus é fonte de esperança e constitui meta na vida das pessoas. Ela deve estar presente em nossa mente, na boca e no coração, sugestionando e propondo atitudes de vida e de prática dos princípios cristãos. Ela causa também entusiasmo na vida das pessoas e as tornam proféticas na vinha do Senhor.

Temos em mãos um novíssimo documento, bastante sintético, com poucas páginas justamente para que seja lido por todas as pessoas sintonizadas com a Palavra. Ele apresenta apenas três partes, que são a Palavra em si mesma, a nossa resposta diante dela e a Palavra com os caminhos da missão no mundo de hoje.

Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba.

 

 

Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Vocações

As vocações, dom do amor de Deus

Amados irmãos e irmãs!

 O XLIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV domingo de Páscoa – 29 de Abril de 2012 –, convida-nos a reflectir sobre o tema «As vocações, dom do amor de Deus».

A fonte de todo o dom perfeito é Deus, e Deus é Amor – Deus caritas est –; «quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele» (1 Jo 4, 16). A Sagrada Escritura narra a história deste vínculo primordial de Deus com a humanidade, que antecede a própria criação. Ao escrever aos cristãos da cidade de Éfeso, São Paulo eleva um hino de gratidão e louvor ao Pai pela infinita benevolência com que predispõe, ao longo dos séculos, o cumprimento do seu desígnio universal de salvação, que é um desígnio de amor. No Filho Jesus, Ele «escolheu-nos – afirma o Apóstolo – antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em caridade na sua presença» (Ef 1, 4). Fomos amados por Deus, ainda «antes» de começarmos a existir! Movido exclusivamente pelo seu amor incondicional, «criou-nos do nada» (cf. 2 Mac 7, 28) para nos conduzir à plena comunhão consigo.

À vista da obra realizada por Deus na sua providência, o salmista exclama maravilhado: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a Lua e as estrelas que Vós criastes, que é o homem para Vos lembrardes dele, o filho do homem para com ele Vos preocupardes?» (Sal 8, 4-5). Assim, a verdade profunda da nossa existência está contida neste mistério admirável: cada criatura, e particularmente cada pessoa humana, é fruto de um pensamento e de um acto de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jer 31, 3). É a descoberta deste facto que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida. Numa conhecida página das Confissões, Santo Agostinho exprime, com grande intensidade, a sua descoberta de Deus, beleza suprema e supremo amor, um Deus que sempre estivera com ele e ao qual, finalmente, abria a mente e o coração para ser transformado: «Tarde Vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria, se não existisse em Vós. Chamastes-me, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz» (Confissões, X, 27-38). O santo de Hipona procura, através destas imagens, descrever o mistério inefável do encontro com Deus, com o seu amor que transforma a existência inteira.

Trata-se de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. O meu antecessor, o Beato João Paulo II, afirmava – referindo-se ao ministério sacerdotal – que cada «gesto ministerial, enquanto leva a amar e a servir a Igreja, impele a amadurecer cada vez mais no amor e no serviço a Jesus Cristo Cabeça, Pastor e Esposo da Igreja, um amor que se configura sempre como resposta ao amor prévio, livre e gratuito de Deus em Cristo» (Exort. ap. Pastores dabo vobis, 25). De facto, cada vocação específica nasce da iniciativa de Deus, é dom do amor de Deus! É Ele que realiza o «primeiro passo», e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor «derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo» (Rm 5, 5).

Em todo o tempo, na origem do chamamento divino está a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta plenamente em Jesus Cristo.«Com efeito – como escrevi na minha primeira Encíclica, Deus caritas est – existe uma múltipla visibilidade de Deus. Na história de amor que a Bíblia nos narra, Ele vem ao nosso encontro, procura conquistar-nos – até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até às aparições do Ressuscitado e às grandes obras pelas quais Ele, através da acção dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente. Também na sucessiva história da Igreja, o Senhor não esteve ausente: incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia» (n.º 17).

O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à «promessa que jurou manter por mil gerações» (Sal 105, 8). Por isso é preciso anunciar de novo, especialmente às novas gerações, a beleza persuasiva deste amor divino, que precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis.

Amados irmãos e irmãs, é a este amor que devemos abrir a nossa vida; cada dia, Jesus Cristo chama-nos à perfeição do amor do Pai (cf. Mt 5, 48). Na realidade, a medida alta da vida cristã consiste em amar «como» Deus; trata-se de um amor que, no dom total de si, se manifesta fiel e fecundo. À prioresa do mosteiro de Segóvia, que fizera saber a São João da Cruz a pena que sentia pela dramática situação de suspensão em que ele então se encontrava, este santo responde convidando-a a agir como Deus: «A única coisa que deve pensar é que tudo é predisposto por Deus; e onde não há amor, semeie amor e recolherá amor» (Epistolário, 26).

Neste terreno de um coração em oblação, na abertura ao amor de Deus e como fruto deste amor, nascem e crescem todas as vocações. E é bebendo nesta fonte durante a oração, através duma familiaridade assídua com a Palavra e os Sacramentos, nomeadamente a Eucaristia, que é possível viver o amor ao próximo, em cujo rosto se aprende a vislumbrar o de Cristo Senhor (cf. Mt 25, 31-46). Para exprimir a ligação indivisível entre estes «dois amores» – o amor a Deus e o amor ao próximo – que brotam da mesma fonte divina e para ela se orientam, o Papa São Gregório Magno usa o exemplo da plantinha: «No terreno do nosso coração, [Deus] plantou primeiro a raiz do amor a Ele e depois, como ramagem, desenvolveu-se o amor fraterno» (Moralia in Job, VII, 24, 28: PL 75, 780D).

Estas duas expressões do único amor divino devem ser vividas, com particular vigor e pureza de coração, por aqueles que decidiram empreender um caminho de discernimento vocacional em ordem ao ministério sacerdotal e à vida consagrada; aquelas constituem o seu elemento qualificante. De facto, o amor a Deus, do qual os presbíteros e os religiosos se tornam imagens visíveis – embora sempre imperfeitas –, é a causa da resposta à vocação de especial consagração ao Senhor através da ordenação presbiteral ou da profissão dos conselhos evangélicos. O vigor da resposta de São Pedro ao divino Mestre – «Tu sabes que Te amo» (Jo 21, 15) – é o segredo duma existência doada e vivida em plenitude e, por isso, repleta de profunda alegria.

A outra expressão concreta do amor – o amor ao próximo, sobretudo às pessoas mais necessitadas e atribuladas – é o impulso decisivo que faz do sacerdote e da pessoa consagrada um gerador de comunhão entre as pessoas e um semeador de esperança. A relação dos consagrados, especialmente do sacerdote, com a comunidade cristã é vital e torna-se parte fundamental também do seu horizonte afectivo. A este propósito, o Santo Cura d’Ars gostava de repetir: «O padre não é padre para si mesmo; é-o para vós» [Le curé d’Ars. Sa pensée – Son cœur ( ed.  Foi Vivante - 1966), p. 100].

Venerados Irmãos no episcopado, amados presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas, catequistas, agentes pastorais e todos vós que estais empenhados no campo da educação das novas gerações, exorto-vos, com viva solicitude, a uma escuta atenta de quantos, no âmbito das comunidades paroquiais, associações e movimentos, sentem manifestar-se os sinais duma vocação para o sacerdócio ou para uma especial consagração. É importante que se criem, na Igreja, as condições favoráveis para poderem desabrochar muitos «sins», respostas generosas ao amoroso chamamento de Deus.

É tarefa da pastoral vocacional oferecer os pontos de orientação para um percurso frutuoso. Elemento central há-de ser o amor à Palavra de Deus, cultivando uma familiaridade crescente com a Sagrada Escritura e uma oração pessoal e comunitária devota e constante, para ser capaz de escutar o chamamento divino no meio de tantas vozes que inundam a vida diária. Mas o «centro vital» de todo o caminho vocacional seja sobretudo a Eucaristia: é aqui no sacrifício de Cristo, expressão perfeita de amor, que o amor de Deus nos toca; e é aqui que aprendemos incessantemente a viver a «medida alta» do amor de Deus. Palavra, oração e Eucaristia constituem o tesouro precioso para se compreender a beleza duma vida totalmente gasta pelo Reino.

Desejo que as Igrejas locais, nas suas várias componentes, se tornem «lugar» de vigilante discernimento e de verificação vocacional profunda, oferecendo aos jovens e às jovens um acompanhamento espiritual sábio e vigoroso. Deste modo, a própria comunidade cristã torna-se manifestação do amor de Deus, que guarda em si mesma cada vocação. Tal dinâmica, que corresponde às exigências do mandamento novo de Jesus, pode encontrar uma expressiva e singular realização nas famílias cristãs, cujo amor é expressão do amor de Cristo, que Se entregou a Si mesmo pela sua Igreja (cf. Ef 5, 25). Nas famílias, «comunidades de vida e de amor» (Gaudium et spes, 48), as novas gerações podem fazer uma experiência maravilhosa do amor de oblação. De facto, as famílias são não apenas o lugar privilegiado da formação humana e cristã, mas podem constituir também «o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada pelo Reino de Deus» (Exort. ap. Familiaris consortio, 53), fazendo descobrir, mesmo no âmbito da família, a beleza e a importância do sacerdócio e da vida consagrada. Que os Pastores e todos os fiéis leigos colaborem entre si para que, na Igreja, se multipliquem estas «casas e escolas de comunhão» a exemplo da Sagrada Família de Nazaré, reflexo harmonioso na terra da vida da Santíssima Trindade.

Com estes votos, concedo de todo o coração a Bênção Apostólica a vós, veneráveis Irmãos no episcopado, aos sacerdotes, aos diáconos, aos religiosos, às religiosas e a todos os fiéis leigos, especialmente aos jovens e às jovens que, de coração dócil, se põem à escuta da voz de Deus, prontos a acolhê-la com uma adesão generosa e fiel.

 Vaticano, 18 de Outubro de 2011.

Carta Apóstólica “Porta Fidei”

Ano da Fé

No dia 11 de outubro de 2011, o Papa Bento XVI, preocupado com a identidade de nossa fé, brindou-nos com uma Carta Apostólica, em forma de Motu Próprio, chamada de “Porta Fidei”, que significa “A Porta da Fé”. Com isto, o Santo Padre está anunciando, em todo o mundo, o “Ano da Fé”.

A data, por ele indicada, começa em 11 de outubro de 2012 e termina em 24 de novembro de 2013. O início coincide com a abertura do Concílio Vaticano II, cinquenta anos passados. A de encerramento comemora os vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo Papa e Beato João Paulo II.

A fonte de nossa fé é Jesus Cristo e sua Palavra. A Bíblia perpassa todo o itinerário de fé dos cristãos. Mas na caminhada, somos fortalecidos e orientados pelos documentos de autoridade da Igreja. Entre eles podemos destacar a riqueza contida no Concílio Vaticano II e no Catecismo da Igreja Católica.

Com a Carta Apostólica Porta Fidei, a Igreja toda é convocada para uma retomada de caminho. O anúncio da Palavra deve abrir os corações das pessoas para a ação da graça de Deus e a presença transformadora da Trindade Santa, recebida no dia do batismo e revigorada através do outros sacramentos.

O papa retoma o tema da alegria acontecida no encontro pessoal com Jesus Cristo. Na prática, esse encontro supõe um redescobrir o caminho da fé para renovar o entusiasmo e compromisso com as exigências do Evangelho. Entendemos que o mundo vem sendo envolvido por uma profunda crise de fé.

Não podemos confundir a fé em si mesma, que tem como fundamento a Palavra inspirada e a salvação contida na Ressurreição de Cristo, com as consequências e práticas dela mesma. A fé em si é balizada e firmada na ação concreta da sadia doutrina da Igreja.

É importante lançar mão dos ensinamentos contidos nos dezesseis documentos do Concílio Vaticano II e no Catecismo da Igreja Católica. Mas ter cuidado com o apego exagerado na letra e ao seu espírito. A fé vai além de tudo isto, focada na vida mesma de Cristo.

Jesus é o poço de onde emana, com muita profundidade, a água da vida (Jo 4, 14). Não existe verdadeira fé sem uma identificação e paixão por Ele. Crer em Cristo é o caminho da salvação. Ele é o alimento que perdura e dá a vida eterna (Jo 6, 28).

O Ano da Fé será convocação para uma evangelização de forma nova, tendo um olhar direcionador, como uma bússola, focado no ensinamento oficial da Igreja. Para isto, o papa dá destaque aos documentos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica como um valor em si mesmos.

A fé é um dom, mas também tem que ser procurada e seguida (II Tm 2, 22). Com ela conseguimos perceber e ver as maravilhas que Deus realiza em nós. Assim podemos ser sinais vivos da presença de Cristo no mundo. Em tudo isto está a motivação para a celebração do Ano da Fé.

Dom Paulo Mendes Peixoto – Bispo de São José do Rio Preto.

Mensagem do Primeiro Congresso Brasileiro de Animação Bíblica da Pastoral.

A Palavra de Deus é Viva e
Eficaz

  1. Com o coração repleto de
    alegria, nós, os 500 participantes do Primeiro Congresso
    Brasileiro de Animação Bíblica da Pastoral, em
    Goiânia, de 08 a 11 de outubro de 2011, saudamos
    fraternalmente a todos, celebrado com toda a Igreja que
    está no Brasil com quem partilhamos a riqueza da Palavra
    de Deus experimentada nesses dias de convivência,
    reflexão e comunhão. A Palavra de Deus é viva e
    eficaz 
    (Hb 4,12). Por Ela, Deus se revela, se
    comunica, vive em nós e conosco, pois Ele se doou por
    completo a nós, em Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria,
    verdadeiro Deus e verdadeiro Homem (Jo 1,1.14). Ele é a
    Palavra Encarnada visível, audível, tocável,
    princípio de todas as coisas; Palavra salvadora,
    transformadora, libertadora, que ilumina, alimenta e leva
    a resistência na defesa integral da vida e da dignidade
    humana. Palavra que É e dá sentido a tudo o que somos e
    temos. Palavra que alimenta a fé,  fortalece a
    esperança e concretiza o amor.
  2. Nestes dias de graça,
    resgatamos a memória do caminho que a Palavra fez
    conosco e do caminho que fizemos com Ela na história.
    Lemos os Sinais dos Tempos nos desafios e oportunidades
    da civilização em mudança, na qual estamos inseridos.
    Entendemos que a Animação Bíblica da Pastoral é uma
    dádiva de Deus, capaz de reavivar na Igreja a
    consciência de que a sua identidade e missão derivam da
    Palavra de Deus; capaz de renovar e dinamizar a vida, as
    estruturas e a ação da Igreja em sua totalidade.
    Sentimo-nos provocados a construir, em nós e na
    comunidade eclesial, uma postura aberta e condizente com
    o divino processo transformador e revitalizador das
    pastorais, dos movimentos, das CEBs e das pequenas
    comunidades, estabelecendo inter-relação, inter-dependência
    e cooperação entre os pastores e os fiéis em todas as
    iniciativas pastorais, impulsionando o dinamismo, o
    crescimento e a irradiação dessa Palavra. Cabe-nos
    agora assumir, com coragem e juntos, a tarefa de fazer
    acontecer a Animação Bíblica de toda a Pastoral.
  3. O Papa Bento XVI alerta-nos:
    Não se trata de acrescentar qualquer encontro na
    paróquia ou na diocese, mas de verificar que, nas
    atividades habituais das comunidades cristãs, nas
    paróquias, nas associações e nos movimentos, se tenha
    realmente a peito o encontro pessoal com Cristo que se
    comunica a nós na sua palavra. Dado que a ignorância
    das Escrituras é a ignorância de Cristo (São Jerônimo),
    então podemos esperar que a Animação Bíblica de toda
    a Pastoral ordinária e extraordinária levará a um
    maior conhecimento da pessoa de Cristo, Revelador do Pai
    e plenitude da Revelação divina
    ” (VD no. 73).
  4. Irmãs e irmãos invoquemos
    o Espírito Santo, para que nos dê, a todos nós a
    atitude do discípulo, que escuta para colocar em
    prática o que o Senhor diz, e nos dê a graça de
    dinamizarmos a Animação Bíblica da Pastoral. Para isso,
    propomos:

a) que a conversão pessoal e
pastoral, solicitada pelo documento de Aparecida, seja fortemente
alimentada pela leitura diária e a vivência da Palavra de Deus,
priorizando o método da Leitura Orante;

b) que a iniciação à vida
cristã, formando verdadeiros discípulos missionários, seja
alimentada e dinamizada pela Palavra de Deus;

c) que a família e as
comunidades se congreguem ao redor da Palavra de Deus e, à sua
luz, reforcem as suas relações de vida e de comunhão;

d) que todas as iniciativas em
nossa Igreja partam da Palavra de Deus, por ela se iluminem, se
alimentem e se avaliem;

e) que todas as Igrejas
Particulares invistam na formação bíblica dos leigos e leigas
e na formação bíblico-pastoral dos seminaristas e
dospresbíteros;

f) que a leitura das Sagradas
Escrituras nos converta ao acolhimento, à convivência fraterna
e à colaboração mútua de todos os cristãos promovendo um
verdadeiro ecumenismo;

g) que nós, convertidos pela
Palavra de Deus, sejamos agentes transformadores da sociedade, a
favor dos mais necessitados, tendo em vista o Reino de Deus que
também é nosso.

5. Isso exige, por parte dos
bispos, dos presbíteros, dos diáconos, dos religiosos e
religiosas, dos ministros da Palavra, dos agentes de pastoral e
de todos os leigos e leigas uma firme decisão e um sólido
compromisso que concretize a Animação Bíblica da vida e da
pastoral nas nossas Igrejas particulares. Isso se realizará na
medida em que a Palavra continuar o seu mistério de encarnação
em cada um de nós como em Maria.

6. Que a Palavra de Deus,
lâmpada para os nossos passos e luz para o nosso caminho, guie
todos os esforços para que Cristo Jesus seja tudo em todos.

Goiânia, 11 de outubro de
2011.

FONTE: 
www.cnbb.org.br

Pista da Ação Comum – 33ª Assembléia das Igrejas do Regional Sul I da CNBB

O Documento
abaixo, com as Pistas de Ação Comum da 33ª Assembléia
das Igrejas do Regional Sul I da CNBB, nos foi enviado
por Dom Vilson Dias de Oliveira, DC -Bispo
Diocesano de Limeira
CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

33ª
Assembleia das Igrejas Particulares do Regional – Sul 1

Itaici,
Indaiatuba-SP, 14 a 16 de outubro de 2011

«Conversão Pastoral
e Implicação na Nova Evangelização, à luz das
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do
Brasil»

Pistas
de ação comum para Conversão Pastoral e a Nova
Evangelização, à luz das Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora (DGAE) da Igreja no Brasil (2011 – 2015)
A 33ª
Assembléia das Igrejas do Regional Sul 1 – CNBB aponta
as seguintes pistas comuns de ação, a partir da rica
experiência de partilha e de reflexão realizadas. As
pistas são apresentadas na ordem de preferência dos
grupos, e relacionadas com as urgências apontadas nas
DGAE:
1 -
Missionariedade

Na linha da primeira urgência
das DGAE, uma Igreja em estado permanente de missão,
a Assembléia ressalta o valor indispensável do
testemunho da comunidade eclesial, com atenção às
seguintes ações concretas:

  • Presença eclesial
    junto a grupos humanos, juventude, profissionais
    liberais e condomínios;
  • Ecumenismo e
    diálogo inter-religioso;
  • Santas Missões
    Populares, Sistema Integral de Nova
    Evangelização;
  • Projeto igrejas-Irmãs;
  • Projeto
    Missionário Sul 1 – Norte 1.
2 -
Palavra de Deus

Na linha da terceira urgência
das DGAE, Igreja: lugar de animação bíblica da vida
e da pastoral
, a Assembléia ressalta a necessidade
de valorizar a Palavra de Deus, as suas diversas formas
de proclamação, e a formação, com as seguintes
indicações práticas:

  • Círculos Bíblicos,
    CEBs, Grupos de Reflexão, Grupos de Estudo -
    Escola da Palavra/Fé;
  • Criação de
    subsídios;
  • Leitura Orante/
    Lectio Divina/Oficio Divino;
  • Formação de
    Ministros da Palavra;
  • Incentivar o I
    Simpósio da Animação Bíblica, previsto para
    setembro de 2012.
3 -
Iniciação à Vida Cristã

Na linha da segunda urgência das
DGAE, Igreja: casa de iniciação à vida cristã, a
Assembléia ressalta a necessidade de construir
comunidades fraternas e acolhedoras, que cuidem com
atenção especial de:

  • Processos de
    iniciação cristã, com uma catequese de
    inspiração catecumenal, acentuando o aspecto
    celebrativo, em dinâmica permanente de
    encantamento pelo Cristo e pelo Reino;
  • Catequese
    permanente/Mistagogica;
  • Retiros
    Querigmáticos;
  • Formação de
    leigos e leigas;
  • Formação dos
    seminaristas, presbíteros e Coordenadores
    Diocesanos de Pastoral.
4 -
Setorização e a Renovação das Paróquias

Na linha da quarta urgência das
DGAE, a Assembléia ressalta a necessidade de
renovação das paróquias, para que sejam expressões da
Igreja: comunidade de comunidades”, apontando
as seguintes ações concretas:

  • Pastoral Orgânica
    e de Conjunto;
  • Setorização;
  • CEBs, pequenas
    comunidades, Grupos de rua;
  • Ministérios
    confiados a leigos e leigas;
  • Estruturas de
    Comunhão – Conselhos  (Pastoral, Econômico,
    Leigos…);
  • Pastoral da
    Acolhida;
5 -
Juventude

A Assembléia deu um destaque
especial à juventude, ressaltando a necessidade de
retomar a evangelização da juventude, com as seguintes
indicações concretas:

  • Organizar e animar
    o Setor Juventude, repensando as estruturas do
    trabalho com jovens, tendo como referência o Doc.
    85 da CNBB;
  • Garantir o espaço
    para os jovens nas comunidades como sujeitos da
    missão evangelizadora;
  • Missões jovens;
  • Atividades nas
    escolas e universidades;
  • Investir na
    oportunidade da  Jornada Mundial da Juventude
    (JMJ 2013).
6 -
Pastoral Social

Na linha da quinta urgência das
DGAE, Igreja a serviço da vida plena para todos,
a Assembléia deu destaque especial à defesa da
dignidade humana e às pastorais sociais, indicando as
seguintes ações concretas:

  • Pastoral Familiar;
  • Pastoral da
    Ecologia: Educar para a preservação da natureza
    e para a ecologia humana;
  • Pastoral social e
    política dos cristãos (Participação nos
    Conselhos Municipais);
  • Pastoral
    Universitária/Educação;
  • Pastoral da
    Comunicação: dinamizar a PASCOM para
    desencadear um processo de comunicação interna
    (gerando comunhão nas pastorais) e externa (marcando
    presença nos espaços de decisão);
  • Formação na
    Doutrina Social da Igreja;
  • 5ª Semana
    Social Brasileira.

33ª Assembléia das Igrejas
do Regional Sul 1 da CNBB

Itaici, 14 a 16 de outubro de
2011