DOS QUE CAMINHAM NA PRESENÇA DO ALTÍSSIMO

Reflexões em torno da oração como experiência de Deus

Autor: Frei Almir Guimarães

São Francisco de Assis

Hoje queremos nos deter no tema da oração. Corremos o risco de repetir o óbvio. Não existe vida espiritual sem cultivo de um relacionamento pessoal e comunitário com o Senhor. Não temos a pretensão de esgotar o assunto. Simplesmente fazemos algumas reflexões que, esperamos, possam colocar em nós o desejo da união com o Senhor. Estamos num tempo de redesenhamento, redimensionamento e revisão da vida da Igreja, da vida consagrada, da pastoral e da evangelização. Desnecessário afirmar que antes das novas configurações exteriores a serem escolhidas e implementadas será preciso a sinceridade de caminhar na presença do Altíssimo.  Nada mais importante do que nos situarmos de verdade e na verdade diante do Senhor.

1 – Não se pode imaginar um cristão que não tenha “paixão” pelo dialogo pessoal e comunitário com o Senhor que é a oração.  Uma vida cristã ou religiosa sem oração não se sustenta.  De uma maneira muito feliz e extremamente simples João Paulo II, em sua Carta ApostólicaNovo Millennio Ineunte, assim coloca o tema: “A grande tradição mística da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, é bem elucidativa a respeito do tema da oração, mostrando como ela pode progredir, sob a forma de um verdadeiro e próprio diálogo de amor, até tornar a pessoa totalmente possuída pelo Amante divino, sensível ao toque do Espírito, abandonada filialmente no coração do Pai.  Experimenta-se então ao vivo a promessa de Cristo: ‘Aquele que me ama, será amado por meu Pai, e eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele’ (Jo 14,21).  Trata-se de um caminho sustentado completamente pela graça que, no entanto, requer grande empenho espiritual e conhece também dolorosas purificações, mas desemboca, de diversas formas possíveis, na alegria inexprimível vivida pelos místicos como união esponsal” (n.33).  Estamos longe da oração maquinal, apenas repetição de fórmulas, seca, sem alma, sem desejo.  Tomás de Celano, falando da oração de Francisco de Assis, assim escreve: “Transformado não só em orante, mas na própria oração, unia a atenção e o afeto num único desejo que dirigia ao Senhor” (2Cel 95).  Não se trata de haver aqui e ali alguns “episódios” de oração, mas de alguém ir se tornado um orante que caminha galhardamente sob o olhar do Senhor nas intempéries da vida.

Esses namorados de ontem e de sempre!

 Frei Almir Guimarães

Junho, mês de Santo Antônio,  mês do dia dos namorados.

Santo Antônio de Pádua é, pois, o padroeiro dos enamorados. Antigamente, as moças faziam pedidos e acompanhavam trezenas ao santo tido como casamenteiro. Será que hoje ainda o fazem? Uma música junina sempre tocada nas festas de junho já dizia: “Eu pedi numa oração ao divino São João/ que me desse matrimônio, / São João disse que não, São João disse que não, / isso é lá Santo Antônio”. Assim, no céu, Santo Antônio está sentado no guichê da entrada de solicitações de casamento…

Casamento é realidade de muita monta. Namoro e enlace matrimonial são dados que mexem com vidas, histórias, mistérios ambulantes. Um homem e uma mulher. Já nas primeiras páginas da Bíblia se fala desses dois seres diferentes e feitos um para o outro. O escritor sagrado descreve belamente criação da mulher, tirada de uma costela de Adão, do lado de Adão, perto do coração de Adão.  A página do Gênesis fala da alegria do primeiro homem que vê na mulher carne de sua carne e os dois passam a caminhar juntos pelas alamedas do paraíso. Assim o casamento e a família estão nos planos primeiros do Altíssimo.  O rei da criação, Adão, passa a fazer a aventura da vida com uma companheira tirada de seu lado, de seu coração.

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Eu e meu relacionamento com o Senhor

Frei Almir Guimarães

O Senhor, o Altíssimo o Todo Outro mora numa luz inacessível. Não cabe em nossos conceitos e em nossas elucubrações cerebrais. Ele é um Tu, o que transcende a tudo e a todos, o Inominável. Designamo-lo de Deus e falamos dele sem nos dar conta do seu profundo e denso mistério. Corremos o risco de banalizar seu Mistério. Francisco de Assis dizia: Tu és o Forte, tu és a Ternura, tu és a Coragem…

O que sabemos é que esse Mistério está por detrás da realidade. Ele é força e dinamismo de vida. A criação toda saiu e sai de suas mãos, de seu projeto de amor. Ele é força de vida. Um dia passamos a existir porque ele nos colocou na existência, servindo-se agentes secundários, colaboradores de seus desígnios. Fez-nos corpo, afeto, amor, inteligência, vontade. Deixou dentro de nós perguntas e questões. As Escrituras, para os que creem, falam de seu louco amor pelos homens e mulheres. Continue lendo

Os biomas brasileiros

biomas_brasileirosMuitas pessoas perguntam o que significa “bioma”, que faz parte do tema da Campanha da Fraternidade deste ano de 2017. Como significado, bioma é o conjunto dos seres vivos de uma área. É entendido também como o conjunto de ecossistemas terrestres, como comunidade de plantas e animais de uma mesma formação, bem identificados em áreas diversas do território brasileiro.

A Campanha da Fraternidade, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundamenta o tema com o texto bíblico, “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15), para dizer que toda espécie de vida presente no território brasileiro depende do respeito e conservação da terra. O caminho de libertação e salvação passa pela terra, porque ela é fonte de sustentação da vida.

O Texto Base da Campanha identifica seis biomas no país: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Cuidar de cada um deles significa cuidar da “casa comum”, nos dizeres do Papa Francisco. Sabemos da permanente destruição de cada um deles de forma irresponsável, sem medir as consequências que isso poderá trazer para o futuro das gerações. Continue lendo

NOVEMBRO, MÊS DE REFLETIR, AVALIAR, PARA RECOMEÇAR MELHOR!

povo a caminho para JesusEstamos iniciando o mês de novembro, e estamos a três semanas do encerramento do Ano Litúrgico. No dia 27 deste mês, nós vamos iniciar o Novo Ano Litúrgico, nos preparando para acolher Jesus que virá no Natal. Porém, antes disso, no dia 20 de novembro vamos encerrar o Jubileu da Misericórdia, com o fechamento das Portas Santas.

Este deveria ser um mês muito especial, tempo de rever o que passou e mais ainda de rever como passamos por este Ano tão privilegiado, no qual fomos chamados a refletir sobre a Misericórdia de Deus em nossa vida, e a vivência dessa misericórdia na relação com os irmãos, ou melhor, com os outros, com o próximo, em nosso cotidiano.

Cada Ano Litúrgico é uma possibilidade de crescermos no amor de Deus, de amadurecermos na Fé, de viver a plenitude do discipulado de Cristo. Continue lendo

Agosto – Mês das Vocações

Maria Aparecida de Cicco

Durante o Ano Litúrgico, nós, cristãos católicos, fazemos uma peregrinação pelos caminhos de Jesus, para conviver com os eventos fundamentais da nossa fé e refletir sobre os ensinamentos e a pedagogia de Jesus. No segundo período do Tempo Comum, no calendário litúrgico, a Igreja estabelece a cada mês, reflexões específicas para o crescimento e amadurecimento da fé e do compromisso cristão.

Assim, no mês de agosto, somos convocados a refletir sobre “VOCAÇÃO”; no mês de setembro, vamos refletir sobre a BÍBLIA; e no mês de outubro, vamos refletir sobre “MISSÃO”.

Essas reflexões são fundamentais para todos nós, pois nos ajudam a fazer auto avaliação e renovar nosso compromisso de discípulos e discípulas do Senhor.

Para viver bem o mês de agosto, mês das vocações, a Igreja propõe a celebração de quatro vocações humanas fundamentais:

  • No primeiro domingo, vamos refletir sobre a Vocação Sacerdotal, vocação daqueles que se dedicam a servir à Igreja e ao Povo de Deus;
  • No segundo domingo, vamos refletir sobre a Vocação Familiar, vocação daqueles que se dedicam a formar uma família.
  • No terceiro domingo, vamos refletir sobre a Vocação Religiosa, vocação daqueles que se dedicam à Vida Religiosa Consagrada.
  • No quarto domingo, vamos refletir sobre a Vocação Batismal, vocação de todos os leigos e leigas, que pelo Batismo são chamados a fazer parte do Povo de Deus e que no Crisma recebem a unção do Espírito para viver a própria vocação no engajamento na comunidade. E esse engajamento se faz essencial no serviço pastoral e, de forma especial na Catequese. Continue lendo

Campanha da Fraternidade

D. PAULO MENDESA partir de 1964, com abrangência nacional, vem sendo realizado no Brasil a Campanha da Fraternidade, completando 52 edições neste ano de 2016. Para cada campanha é escolhido um tema e um lema, segundo as exigências relacionadas com as necessidades mais urgentes da população. É espaço de diálogo, reflexão e conscientização sobre a temática apresentada.

A que foi preparada para este ano tem como tema, “Casa Comum, nossa responsabilidade”. O lema vem do profeta Amós 5,24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. É um alerta para nos fazer sair da acomodação e assumir os desafios da vida moderna como sujeitos. Criar consciência de que a terra, a casa comum de todos nós, pode ser diferente. Continue lendo

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016

cartaz-cfe-2016-pFaltam 15 dias para iniciarmos o Tempo da Quaresma e nele vivermos uma das Campanhas mais importantes da Igreja. A Campanha da Fraternidade, que neste ano será, pela quarta vez, ecumênica.

O que é a Campanha da Fraternidade?

A Campanha da Fraternidade nasceu por iniciativa de Dom Eugênio de Araújo Sales, em Nísia Floresta, Arquidiocese de Natal, RN, como expressão da caridade e da solidariedade em favor da dignidade da pessoa humana, dos filhos e filhas de Deus.

Assumida pelas Igrejas Particulares da Igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade tornou-se expressão de comunhão, conversão e partilha. Comunhão na busca de construir uma verdadeira fraternidade; conversão na tentativa de deixar-se transformar pela vida fecundada pelo Evangelho; partilha como visibilização do Reino de Deus que recorda a ação da fé, o esforço do amor, a constância na esperança em Cristo Jesus (Cf. 1Ts 1,3). Continue lendo

Peregrinação do Ano Santo da Misericórdia

O Blog da Catequese fez sua primeira peregrinação do Ano Santo da Misericórdia. E estando diante da Porta Santa da Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, pudemos perceber que há necessidade de alguma instrução aos peregrinos para que não se desvirtue o que o Papa Francisco pede para este Ano Santo.

Em primeiro lugar vamos contextualizar essa afirmativa, contando sobre o que pudemos ver com nossos próprios olhos, e que nos deixou preocupados.

Diante da Porta Santa da Misericórdia, encontramos um grupo de peregrinos, certamente vindos de longe, que se colocaram diante da Porta e se puseram a rezar. Bem, rezar diante da Porta Santa não constitui um erro, não fosse a forma de rezar. O grupo rezava algo como o terço, em voz alta, com uma pessoa puxando a oração e as demais respondendo. Não era o terço verdadeiro, pois apesar de contemplarem algumas passagens do Evangelho de Jesus, ao rezar as dezenas, a pessoa que puxava o terço dizia: “Ave Maria”. E os demais respondiam: “Santa Maria”. Repetindo isso por 10 vezes. O que será isso? Um resumo do terço???? Uma nova forma de rezar, mais breve e mais rápida???? Uma oração para quem tem pressa????

No artigo que escrevemos sobre como fazer a peregrinação, colocamos alguns detalhes do que significa a peregrinação do Ano Santo da Misericórdia, conforme o que está na Bula de Convocação “Misericordiae Vultus”. O artigo está em PDF, para que possa ser baixado, multiplicado e distribuído entre grupos que farão a peregrinação.

PEREGRINAÇÃO DO ANO SANTO DA MISERICÓRDIA