1986 – Primeira Semana Brasileira de Catequese (1ª SBC) 

Posted by: | Posted on: outubro 30, 2018
* Irmão Israel José Nery, fsc

1. O evento. A Primeira Semana Brasileira de Catequese, realizada na Vila Kostka, bairro Itaici, em Indaiatuba-SP, de 12 a 18 de outubro de 1986, foi um acontecimento significativo na história da Catequese no Brasil. O antigo salão da Vila Kostka estava apinhado com 450 participantes, comprometidas com a dinamização da renovação da catequese em todas dioceses do Brasil. A preparação do evento envolveu os catequistas de base, a partir do estudo de oito teses com seus vários instrumentos de trabalho, o que favoreceu o interesse de toda a Igreja e foi fundamental para o êxito do grande evento em Itaici.

A 1ª SBC 1986, situa-se como um momento forte, até mesmo culminativo, de um intenso processo de divulgação, estudo e operacionalização do Documento da CNBB, n. 26: “Catequese Renovada, Orientações e Conteúdo” (1983), no Brasil, sob liderança dos três membros do Setor Linha 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): Dom Albano Cavallin, Frei Bernardo Cansi, ofmcap.  Irmão Israel José Nery fsc.

2. O Documento Catequese Renovada. Por sua vez o Documento 26 da CNBB, havia sido fruto de todo um esforço de síntese da caminhada da Catequese desde o Concílio Vaticano II (1962-1965), principalmente sob o impulso de seus documentos eixos, tais como, Lumen Gentium (a renovação da Igreja), Gaudium et Spes (a Renovação da Igreja em sua missão no mundo), Dei Verbum (a importância prioritária da Palavra de Deus), Sacrossanctum Sacramentum (a renovação da Liturgia) e também do Decreto Ad Gentes (sobre a ação missionária da Igreja).

Do pós-concilio são fundamentais para a renovação da Catequese: o Diretório Catequético Geral (DCG), de 1971, o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (1972), o Sínodo sobre a Evangelização (1974), com a Exortação Apostólica de Paulo VI Evangelii Nuntiandi (1875); o Sínodo A Catequese no Mundo Atual (1977), com sua Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, (1979) do papa João Paulo II,  o Sínodo sobre a Família(1980) e a Exortação Apostólica, Familiaris Consortio (1981), também do Papa João Paulo II. É importante ainda relembrar a insistência da renovação da Catequese nos discursos do Papa, em sua primeira visita apostólica ao Brasil, em 1980.[1]

Mas o Documento Catequese Renovada, é devedor, e de modo muito forte, do Documento “A Igreja na atual transformação da América Latina”, emanado da Segunda Assembleia do Episcopado Latino-americano, em Medellín, em agosto de 1968, especialmente do seu capitulo 8. Não se deve, porém, esquecer a importância da força do espírito renovador da Igreja em nosso Continente, que foi reforçada pela Teologia da Libertação, pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), pela inovadora leitura da Bíblia pelo povo a partir da realidade sofrida em que vive; mas, também, pela liderança de bispos, teólogos e pastoralistas, grupos da Vida Consagrada Religiosa que, profeticamente, vivendo a experiência do êxodo e do intento de enculturação, faziam acontecer na prática a renovação solicitada pelo Concilio, por Medellín (1968) e por Puebla (1979), cujo Documento “A evangelização no presente e no futuro da América Latina”, recém chegara às dioceses.

3. Ingredientes do Paradigma Catequese Renovada. O Documento “Catequese Renovada” (CR) constituiu um divisor de águas na história da Catequese no Brasil. Suas propostas em termos metodológicos e de compreensão do conteúdo da catequese, trouxeram frescor e abriram novos horizontes. Primeiramente a centralidade em Cristo e não apenas na tradicional preparação aos Sacramentos da Eucaristia e da Crisma. “Cristo deve aparecer como a chave, o centro e o fim do homem, bem como de toda a história humana” (CR 96). Jesus e seu projeto de vida são o centro da proposta catequética. Mantida a fidelidade essencial a Jesus e a seu projeto, tudo se encaixa na coerência do conjunto dos conteúdos da fé e da prática cristã.

Mas há novidades, por exemplo, como expressões referentes a “encontro” (em vez de aula), “interação entre fé e vida”, “Bíblia — livro da catequese por excelência”, que criaram impacto e suscitaram cursos e encontros formativos. O fato de CR ter assumido um princípio de Medellín 1968 na compreensão dos conteúdos da catequese, isto é, que “as situações históricas e as aspirações autenticamente humanas são parte indispensável do conteúdo da catequese”, trouxe reações adversas, mas ao mesmo tempo, suscitou interesse e mudanças significativas.

Outro ingrediente fundamental do paradigma da CR é a importância da Comunidade eclesial, considerada em si mesma como catequizadora, deeds que inspirada na Comunidade primitiva segundo Atos dos Apóstolos e nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). E como a catequese acontece numa cultura maior, mediatizada por uma comunidade, ao viver os valores do evangelho, ela se torna conteúdo da catequese. Algo que cativou o interesse dos catequistas pelo Documento CR foi a valorização da pessoa do catequista, seu carisma, suas aspirações, seu toque pessoal indispensável, sua espiritualidade, sua formação inicial e permanente. E, também, a valorização da pessoa do catequizando como sujeito participativo, responsável por sua fé, seu seguimento de Jesus, seu compromisso com a Igreja e com o Reino de Deus.





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